Educação comportamental dos adolescentes

1 – Transmita carinho a seus filhos. 2 – Ensine-o a expressar seus sentimentos. 3 – Ajude seu filho a se abrir. 4 – Ensine seu filho a ser bem-humorado. 5 – Reforce a solidariedade. 6 – Estimule a criatividade de seus filhos. 7 – A importância da disciplina familiar.

1 – Transmita carinho a seus filhos

        Desenvolver um bom relacionamento com seu filho adolescente é fundamental para a educação comportamental dele. Não basta querer aos filhos, mas é preciso que eles sintam isso! Abrace-o, beije-o à vontade. As crianças que desde pequenas recebem muito carinho de seus pais ganham segurança, desenvolvem uma mentalidade sã e enfrentam melhor as situações mais exigentes. Crianças que receberam poucas manifestações de carinho desenvolvem ansiedade e se sentem mais facilmente deslocadas em outros ambientes. Mas tenha presente que educar com carinho inclui saber exigir. Portanto, carinho e firmeza com os filhos é o caminho para uma educação assertiva.

2 – Ensine-o a expressar seus sentimentos

    Os seres humanos se emocionam e necessitam transmitir suas emoções. Sentir tristeza ou alegria é algo que não deve ser dissimulado, pelo menos no ambiente familiar. Transmita a seus filhos suas emoções e facilite que eles façam o mesmo. A manifestação dos sentimentos deve ser proporcional àquilo que o desencadeou: nem muita vibração por algo pequeno ou irrelevante, nem frieza diante de algo relevante. Saber expressar os sentimentos é uma arte.

    Os adolescentes necessitam aprender a analisar o que sentem em determinados momentos, e como conduzir-se diante de sua própria afetividade. Os sentimentos não devem ser reitores das ações (esse papel cabe à inteligência e vontade), mas podem ajudar muito na consecução delas: quem faz algo com entusiasmo, faz melhor! Porém, não se deve fazer as coisas apenas quando se sente gosto ou prazer. É importante que os filhos vençam os sentimentos negativos diante do cumprimento de um dever (estudar, ajudar nos encargos do lar, dedicar mais tempo à leitura do que redes sociais, ensinar matemática ao irmão mais novo, manter ordenados os objetos pessoais, etc.). Ao agir assim adquirem um caráter reto e forte, tornam-se responsáveis e fortalecem a vontade para enfrentar atitudes de preguiça e comodismo reclamadas por tais sentimentos.

    Ao avaliar as causas ou origens dos sentimentos, os adolescentes passam a ter um conhecimento mais profundo da própria maneira de ser e dos hábitos adquiridos (bons ou maus). Essa reflexão, própria da consciência moral ou juízo prático, os levará a colocar os meios necessários para corrigir o que percebem ser um desvio de conduta. Assim, passarão a amar e querer o que é correto, e não o que é mais cômodo.

3 – Ajude seu filho a se abrir

    Não espere que seus filhos se dirijam a você para contar tudo o que os preocupa ou acontece, pois é provável que não farão isso. A experiência de vida e o conhecimento acerca de cada filho permitirá que você conclua o resto ao fixar-se no modo como se expressam. Faça perguntas descontraídas, conte algo para eles, faça-os falar dos seus gostos. Se perceber que há “jacutinga nesse mato”, você poderá atuar a tempo, sem esperar que algum problema ganhe transcendência.

    Acostumar um filho a ter tudo de imediato e sem esforço é condená-lo a uma vida falsa e ao enfraquecimento do caráter e da vontade. Quando, um dia, ele perceber que sem sacrifício não se alcança ideais valiosos, e porque se sentirá fraco para enfrentar os desafios da vida, irá culpá-los por nunca terem recebido um “não” de vocês, pais.

    Os filhos necessitam sacrificar-se para ter as coisas; não devem ter tudo o que querem ou tudo que gostam, ainda que você possa comprar. E dependendo da idade deles (15, 16, 17 anos) devem ter a preocupação de ajudar economicamente nas despesas da casa, seja dando aulas particulares, fazendo “bicos” nas férias ou fins de semana…

4 – Ensine seu filho a ser bem-humorado

    A melhor maneira de superar os estados de apatia é movendo-se, e o melhor modo de superar o mau-humor é o sorrir. Sorrir, ainda que não se tenha vontade, não é hipocrisia, mas esforço para tornar agradável a vida dos demais, e isso é uma grande virtude. O sorriso faz bem a todos: a quem ri e aos que estão ao seu redor. Quem aprende a rir de si mesmo, aprende a tirar importância dos problemas e a não ser tão afetado por eles. O sentido de humor é importante na família: o riso e o humor familiar reforçam as relações, aumentam a confiança e a comunicação entre todos (pais que vivem reclamando azedam o caráter dos filhos).

    Reforce o otimismo de seus filhos não à custa de especular sobre possibilidade de motivações extrínsecas (ter objetos), mas ao fomentar motivações transcendentes: colocar suas qualidades − que recebeu gratuitamente de Deus − ao serviço dos demais.

5 – Reforce a solidariedade

    Mostre sua satisfação ao observar que seu filho teve uma atitude compreensiva em relação a outra pessoa; e manifeste sua desaprovação se ele foi insensível, indelicado. A solidariedade é a capacidade de compreender o sofrimento dos demais, e agir para minimizar essas dores. Para que os filhos abandonem hábitos egoístas (meu tempo, meus jogos, minhas coisas), devem aprender a doar ao visitar crianças em orfanatos ou comunidades pobres, e levar brinquedos que já não utilizam, mas que estejam em boas condições; podem levar, junto com outros amigos, uns doces aos anciãos de um asilo, e lá cantar ou tocar violão… A generosidade é virtude que torna feliz as pessoas, e o egoísmo é causa de tristezas. Filhos solidários aprendem a não reclamar diante das pequenas carências ou incomodidades.

6 – Estimule a criatividade de seus filhos

    A criatividade atua como uma válvula de escape ao permitir que a pessoa coloque à prova suas capacidades. A criatividade nos faz estrear a resolução de problemas novos, permite a adaptação às mudanças e a reagir com mais sucesso diante dos problemas. Convide seus filhos a criar e elogie suas criações. Saiba que a criatividade deve estar dentro deles, e não em atitude de passividade diante de telas digitais. A criatividade deve ser estimulada desde a infância: a criança deve crie seus próprios brinquedos e jogos com embalagens simples e outros objetos caseiros: isso é mais útil do que ganhar carros ou bonecos que fazem tudo ao apertar um botão.

7 – A importância da disciplina familiar

    O lar deve ser disciplinado, com horário certo para cada refeição, dormir e acordar. Com isso, aproveita-se melhor o tempo e se pode organizar para ler livros de literatura, estudar, ouvir música e enriquecer-se culturalmente antes de dormir. As refeições devem ser na mesa e com a televisão desligada, e não no sofá ou sala de estar. Ao menos em uma das refeições – almoço ou jantar – é importante que todos estejam presentes, e nesses trinta minutos de grata convivência, a conversa girará em torno dos pequenos fatos do dia a dia, favorecendo o diálogo familiar e o amor mútuo.

    Procure que em sua casa haja um local onde se possa estar tranquilo. Muitos vivem em cidades ruidosas, e a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que 20% dos problemas psiquiátricos ocorrem pelo excesso de barulho, que provoca insônia, irritabilidade, depressão, ansiedade, estresse, esgotamento, dores de cabeça.

    Não permita que sua casa se converta em uma prolongação da rua, nem que os aparelhos sonoros ocupem o protagonismo no lar, porque, além de afetar a saúde, impedem que haja maior trato mútuo entre pais e filhos, torna preguiçosa a mente de todos (ficar diante de telas não passa de uma atividade sensorial que discorre apenas no plano da visão, tal como água sobre a pedra); porém, a leitura de um bom livro instiga a imaginação e força o raciocínio ao transformar o que se leu em imagem mental, em conhecimento que não será esquecido. Leia o boletim Menos telas digitais e mais livros

Sugerimos a leitura dos seguintes boletins: Como falar com seu filho adolescente e Ensinar o adolescente a trabalhar bem

Texto elaborado por Ari Esteves, inspirado no artigo “Educar Adolescentes”, da Revista  Hacer Familia, no  63, de Ediciones Palabra, Madrid, Espanha. Desenho de Aguida Medeiros (@aguidamedeiro)