Formar os jovens na castidade

1 – A educação da sexualidade e a cultura atual 2 – A importância da educação da sensibilidade 3 – Colaborar com os pais na educação afetivo-sexual dos filhos 4 – Aspectos importantes para a formação dos filhos na castidade 5 – Abordar com os filhos a temática afetivo-sexual o quanto antes

1 – A educação da sexualidade e a cultura atual

    Desde a juventude é importante compreender o verdadeiro significado da sexualidade humana, que está profundamente ligada ao amor verdadeiro e a um harmonioso projeto de vida que vale a pena ser vivido. Cabe aos pais, no ambiente familiar, ajudar os filhos nessa compreensão, desde quando são pequenos, com informações adaptadas à idade de cada um. Quando ainda crianças, deve-se reforçar a proteção e criar espaços seguros visando uma formação preventiva. Na adolescência e juventude, é necessário penetrar paulatinamente na temática, tendo em conta os diferentes âmbitos onde se desenvolve a vida deles, e as informações que já possuem (o melhor é antecipar-se gradativamente nessas informações). Os pais, em colaboração com outros educadores, precisam estar pendentes das amizades, escola, hobbies, esporte, diversões que praticam e ambiente social que frequentam, pois influenciam fortemente na formação moral dos jovens.

    Há na cultura atual alguns aspectos positivos que colaboram na tarefa de educar na castidade: o reconhecimento da igual dignidade do homem e da mulher, maior sensibilidade sobre o protagonismo educativo por parte dos pais, consciência crescente de proteger os menores de idade e de lutar contra todo abuso sexual.

    Porém, como manifestação negativa, há na atualidade o fácil acesso à pornografia, a separação da sexualidade da verdadeira antropologia humana e sua desvinculação do casamento, a despersonalização dos atos sexuais, a introdução de temas como o da homossexualidade e o da ideologia de gênero. Em alguns lugares obrigou-se as escolas a tratarem da educação sexual de modo confuso e deformante para a consciência, e como tentativa de substituir os pais nessa tarefa. Soma-se a isso, que algumas famílias não compreendem ainda a importância e alcance do problema, e como o ambiente influencia desfavoravelmente seus filhos; outras, não têm interesse em ajudar os filhos a viver a sexualidade de forma humana. Porém, grande parte dos pais deseja educar bem os filhos nesse aspecto, mas não sabe como proceder, ou não possui informações sobre o tema. Tais contextos desinformativos conduzem os jovens a experiências afetivo-sexuais que os afetam danosa e profundamente.

2 – A importância da educação da sensibilidade

    A formação na castidade exige prevenir, chegar o quanto antes, e saber abordar os temas com profundidade. A castidade está diretamente relacionada com o projeto de Deus para a criatura humana, sendo afirmação do amor e caminho de felicidade. A formação dos jovens em virtudes como a temperança, generosidade, pudor, laboriosidade, entre outras, incide diretamente na castidade, porque forjam uma personalidade equilibrada, madura e autenticamente humana.

    A sexualidade abarca a pessoa em sua unidade de corpo (sentimentos, emoções, paixões), alma (inteligência e vontade) e espírito (a consciência do eu), e nisso se encontra a sua perfeição moral. A educação da sensibilidade, dentro de uma correta visão antropológica, potencializa a capacidade de desfrutar dos verdadeiros bens e facilita a criação de um projeto de vida pelo qual vale a pena dedicar-se, porque põe-se ao serviço dos demais as qualidades e talentos pessoais, e isso libera do egoísmo que é fonte de tristezas. Dentro da perspectiva desse projeto, a educação da sexualidade não é o principal tema, pois há muitos outros que vêm antes dele: família, estudo, profissão, amizades, conhecimento das capacidades ou aptidões pessoais para melhor servir… Quando os jovens se abrem a perspectivas profissionais, culturais, de amizades, esportivas, espirituais e sociais (incluindo obras de ajuda e solidariedade para com os que sofrem), a esfera afetivo-sexual se vê enquadrada como apenas um dos pontos a se ter em conta, mas longe de ser a mais importante, a fim de não criar obsessões ou moralismos ineficazes.

3 – Colaborar com os pais na educação afetivo-sexual dos filhos

    Os pais são os primeiros e principais educadores da ordem afetivo-sexual de seus filhos, porque ao doarem e acolherem a vida deles em clima de amor e dedicação, ganham uma autoridade e confiança únicas que ninguém pode sucedê-los. Qualquer outro educador é secundário em relação aos pais, e nunca poderá substituí-los no papel que lhes cabe, mas poderá ajudar, apoiar, facilitar os conhecimentos necessários para uma boa educação, já que muitos pais carecem de formação e necessitam que os auxiliem a prepararem-se a fim de educar com competência. Para isso, além de muitas outras iniciativas, pode-se promover ou indicar lives, cursos e palestras sobre orientação e reforço familiar, educação comportamental dos filhos, recomendar bons livros e sites sobre esses temas… Importante também é ajudar os pais a terem informações seguras sobre as novidades tecnológicas que os adolescente e jovens têm acesso, programas que assistem nas diferentes mídias, games, influência de movimentos artísticos, modismos, informações sobre festas ou baladas…

    A tecnologia digital pode ser bem ou mal utilizada. O mau uso dela vem afetando a capacidade dos jovens para compreender, viver e crescer na castidade. Ao que diz respeito à sexualidade, o modo como os jovens utilizam a tecnologia requer prudência e cuidado por parte dos pais, pois a pornografia e sua capacidade viciante ou de adição, com o consequente dano humano e espiritual que produz, está facilmente disponível.

    Os pais devem ajudar − e podem ser ajudados − a formar os filhos no autocontrole, maturidade e responsabilidade necessárias para utilizar bem a tecnologia digital. Toda tarefa educativa requer o bom exemplo dos pais e um plano para orientar o comportamento e o desenvolvimento de bons hábitos nas crianças e adolescentes, a fim de ir proporcionando mais liberdade à medida que cresçam em idade e maturidade, com a explicação cada vez mais profundada dos princípios e valores que os filhos devem interiorizar para orientar-se em suas eleições pessoais.

4 – Aspectos importantes para a formação dos filhos na castidade

    O acesso das crianças aos temas de sexualidade é cada vez mais precoce, o que exige dos pais não uma atitude passiva, mas de protagonismo, de antecipação. Isso começa pelo diálogo pessoal entre pais e filhos, por meio de uma formação individual adaptada à idade de cada filho, o quanto antes e dentro do ambiente familiar. Os pais devem falar pessoalmente com cada filho (o pai com o filho, a mãe com a filha) sobre a sexualidade dentro dos planos de Deus para cada pessoa. Seguem alguns aspectos para formar os filhos na castidade:

  1. Toda criança é pessoa única e irrepetível e deve receber uma formação individualizada. Os pais, por conhecerem, compreenderem e amarem cada afilho em sua irrepetibilidade, estão na melhor posição para decidir o momento oportuno de dar as diferentes informações, de acordo com o crescimento físico e mental de cada filho.
  2. A dimensão moral, que sempre deve formar parte dessas explicações, é o cultivo da liberdade através de propostas, motivações, aplicações práticas, estímulos, prêmios, exemplos, modelos, símbolos, exortações, revisões do modo de atuar e diálogos que ajudem a desenvolver princípios interiores estáveis que movem a agir em direção ao bem.
  3. A educação sexual se oferece por meio de informação, mas não se pode esquecer que crianças e adolescentes não alcançaram a maturidade plena, e a informação deve chegar de modo adequado e no momento apropriado a cada etapa de vida deles.
  4. Educar para a castidade, e as oportunas informações sobre a sexualidade, devem ser oferecidas no contexto da educação para o amor.

5 – Abordar com os filhos a temática afetivo-sexual o quanto antes

    Na educação para a castidade convém estudar o modo de dá-la e quem poderá ajudar melhor nessa formação, tendo em vista cada etapa da vida do educando. Uma importante leitura é a do documento “Sexualidade humana: verdade e significado”, pontos 77 a 108, do Pontifício Conselho para a Família, que aborda como atuar nas principais fases do desenvolvimento das crianças: anos da inocência, puberdade, adolescência e projeto de vida para os jovens.

    Muitos pais afirmam que a difusão de mensagens, imagens e costumes que não correspondem ao verdadeiro significado da sexualidade, tornam importante abordar este tema quando os filhos ainda são pequenos, e em conversas regulares e adequadas a cada idade: é melhor um ano antes que cinco minutos depois! Dentro de um contexto de confiança, se pode conversar pouco a pouco sobre a sexualidade, e assim evita-se o risco de que outras pessoas ou fontes, talvez não bem orientadas, sejam as que lhes introduzam e ensinem esses temas. Para isso, sugerimos também a leitura do boletim “Filhos: informação sexual”, que aborda como tratar do tema nas diferentes idades: https://staging.ariesteves.com.br/2021/10/filhos-informacao-sexual/

    Texto adaptado por Ari Esteves com base nos seguintes documentos: Amoris laetitia; Sexualidade humana: verdade e significado, do Pontifício Conselho para a Família; Familiaris consortio; Homem e mulher os criou. Para uma via de diálogo sobre a questão do gender na educação, da Congregação para a Educação Católica.