O pai e sua importância na educação de filhos e filhas

1 – O pai não deve apenas “dar uma mãozinha para a mãe” 2 – O que representa o pai para a criança? 3 – Características do homem na vida familiar 4 – Como a filha e o filho observam o pai e a mãe

1 – O pai não deve apenas “dar uma mãozinha para a mãe”

    Criar e educar uma criança exige esforço e capacidade de observação. Essa tarefa não é apenas responsabilidade da mãe, que não pode autoproclamar-se “a que sabe o que é melhor para a criança”, pois sua visão é parcial e se completa com a do marido, que deve participar de todo o processo educativo. Ambos devem transmitir valores e posturas pedagógicas que integram a criança nas diferenças, abrindo a ela horizontes desconhecidos desde os primeiros meses.

    A função paterna vai muito além de “dar uma mãozinha para a mãe”, como se fosse a mãe a única a cuidar dos filhos. Se sábia, a mãe exigirá do marido poder de decisão e colaboração nas escolhas, além da participação na rotina da criança: passear (sem que mãe fique ligando pelo celular para saber se está tudo bem), ninar, contar histórias, buscar na escola, conviver, trocar fraldas e dar mamadeira. O contato físico com o pai fortalece o afeto e a confiança da criança em seus dois principais educadores. Sem confiar no pai, a personalidade da criança será enfraquecida diante de uma mãe possessiva.

2 – O que representa o pai para a criança?

    Se a mãe representa conforto e aconchego, a masculinidade do pai simboliza limite (não se pode fazer tudo o que quer), aproximação de mundos diferentes (materno e paterno), demonstração de apoio e habilidades educativas não tão ligadas aos afetos (como ocorre com as mães). O pai também representa segurança aos filhos ao abrir o pote de geleia quando ninguém consegue, ao afastar o cachorro que no parque veio cheirar a filha, ao ensinar o menino a fazer uma pipa e guerrear no céu contra a de outros garotos. Quanto mais presente for a figura paterna na vida da criança, mais forte, segura e aberta ao mundo ela será.

    Ao gestar e amamentar, a mãe se torna um porto seguro para o bebê. Então, chega o pai para provocar uma ruptura saudável nesse apegamento, socializando o filho ao estabelecer com ele a primeira relação, além da mãe, e abrindo seus afetos para confiar em mais alguém. O pai surge como um novo universo a ser explorado pela criança: tem o rosto áspero e peludo, voz forte, brinca de modo diferente ao lançá-la ao alto e recolhendo-a ainda em pleno voo e fazendo-a rir muito, pede para pular em seus braços, leva-a de cavalinho nos ombros… Alguém já viu uma mãe se aventurar a tudo isso?

3 – Características do homem na vida familiar

    James Stenson diz que a principal tarefa de um homem é proteger a sua família, pois a natureza o dotou de capacidades físicas e mentais para isso. Essa proteção está no cerne da masculinidade, pois os homens estão programados pela natureza para ter músculos fortes e agressividade para proteger mulheres e crianças dos perigos; para colocar em favor da família sua força de vontade e seu sentido de justiça e moral; sua resistência, competitividade, assertividade, capacidade mental para abstração, amor pelo planejamento estratégico, gosto pela manipulação de ferramentas e construir objetos.

    O ser humano precisa de alguém para se espelhar. À medida que crescem, as crianças necessitam de heróis a imitar, e começam admirando seus pais a fim de firmar sua personalidade. A desigualdade de virtudes paterna e materna – devido às diferenças na constituição física e psicológica de cada um – facilita as distintas missões que lhes cabe.

4 – Como a filha e o filho observam o pai e a mãe

    Jacques Leclercq ensina que a inteligência feminina é mais ligada à sensibilidade, dando à mulher dotes de intuição e observação aos pormenores, e a inteligência masculina tende a ver as coisas mais no seu conjunto, favorecendo o espírito de síntese. No caso dos meninos, a figura masculina mostra que a mãe não é a única referência, e que há um modo diferente de sentir, pensar, agir, que lhe é mais natural imitar. No caso da filha, ao observar as atitudes do pai, aprenderá a valorar o que devem possuir os homens, especialmente seu candidato ao namoro e futuro marido. Isso explica que com muita frequência sogros e genros se dão bem.

    A filha de um pai ausente (ou porque ele dá mais valor à sua atividade profissional ou porque está separado da esposa) terá dificuldades para ter um modelo de homem, e correrá o risco de lançar-se nos braços do primeiro tipo bonitinho, mas despreparado para enfrentar a vida e levar adiante um lar. Quanto mais a criança admira o seu pai e a sua mãe, mais profundamente adotará suas atitudes e valores para a formação do próprio caráter.

Texto produzido por Ari Esteves com base nas obras “Como ser um bom pai”, de James B. Stenson, Editora Quadrante, São Paulo, 2017; e “A família”, de Jacques Leclercq, publicada pela Editora Quadrante em colaboração com a Editora da Universidade de São Paulo, 1968.