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  • Seu filho é preguiçoso?

    Seu filho é preguiçoso?

    1 – A preguiça tem cara divertida, mas é um câncer. 2 – Como vencer a preguiça? 3 – A criança obediente vence a preguiça.

    1 – A preguiça tem cara divertida, mas é um câncer

        Uma das muitas fraquezas humanas é a preguiça, definida como a tristeza diante do cumprimento de um dever. A preguiça teme o esforço e pode ter como cúmplices os sentimentos, quando estes protestam ou se resistem a cumprir um dever. Deve-se olhar não para o que as coisas custam, mas para o que valem. Por preguiça há pais que se omitem de corrigir os filhos, a autoridade pública não intervém para que um serviço público seja prestado com qualidade, o estudante deixa de enfrentar os livros…

        Infelizmente muitos pais não dão importância à preguiça do filho porque esse vício se apresenta com cara divertida, marota, inofensiva, já que se omitir de fazer uma coisa parece menos grave do que realizar algo mau. Mas, esse vício é um câncer que vai minando o caráter do filho e produzirá muitos estragos na vida dele: ao descumprir suas obrigações diárias por temor à fadiga que causam, deixará também de realizar qualquer ideal que exija maior empenho.

    2 – Como vencer a preguiça?

        Os pais devem ser exemplares em laboriosidade e aproveitamento do tempo, para exigir isso dos filhos. A eficácia de uma vida tem muito a ver com a capacidade de vencer a indolência e a mandriice: se as coisas importantes custam esforço, as mais importantes exigirão maior empenho. Só dará certo na vida, e realizará algo que vale a pena, quem ganhar o hábito de vencer a sua comodidade.

        A preguiça se vence com o cumprimento diário dos pequenos deveres de cada momento: ao recolocar no lugar o objeto que acabou de ser utilizado, ao iniciar pontualmente um trabalho ou chegar no horário combinado, ao não divagar com a imaginação ou curiosear na internet enquanto se cumpre uma tarefa.

        É obrigação dos pais exigir dos filhos que coloquem no lugar as próprias roupas e o material esportivo, façam diariamente a cama ao acordar, enxuguem o box do banheiro para o próximo encontrá-lo seco, coloquem no lugar a mochila, cheguem pontualmente às refeições. É preciso admoestar o pupilo a que abandone formas sorrateiras de preguiça como, por exemplo, interromper o horário das tarefas escolares para vaguear com a imaginação, consultar o celular ou ir até a geladeira, ficar muitas horas diante da televisão vendo desenhos. E também vale insistir com o pimpolho que cresça em espírito de serviço e cumpra os encargos familiares que lhe foram atribuídos.

        Ao negar-se diariamente aos pequenos desvios da negligência, crescerão nos filhos as virtudes da ordem, laboriosidade, fortaleza e espírito de serviço. E o mais importante: a vontade deles terá um “querer” decidido e o caráter será forjado em estrutura de bom aço.

    3 – A criança obediente vence a preguiça

        Crianças a partir dos 2 anos ou 2,5 anos gostam de obedecer aos pais para agradá-los, e facilmente ganham o hábito de serem ordenadas e exigentes consigo mesmas. Para isso, devem ser exigidas com afeto a fazer o que é certo: a menina deverá acostumar-se a colocar as bonecas na caixa de bonecas, os pratinhos na de pratinhos, as panelinhas na caixa de panelinhas; o menino, a guardar os soldadinhos na caixa de soldadinhos, carrinhos na de carrinhos, bolinhas na de bolas, lego na de lego. O que não podem é jogar tudo dentro de um mesmo recipiente! Como não sabem ler nessas idades, é inevitável que os pais diferenciem as caixas ao colar o desenho correspondente do lado de fora.

        Evidentemente, a criança de 2 anos ou 2,5 anos não percebe ter adquirido a virtude da ordem, mas logo notará que muitos coleguinhas do infantil ou fundamental são desordenados, bagunçados e preguiçosos, e que para ela não custa esforço algum agir corretamente.

        Com paciência e carinho, os pais não devem temer exigir das crianças! Elas não têm experiência de vida e carecem de ser orientadas. Estejam certos de que em pouco tempo seus filhos adquirirão bons hábitos para a vida afora, e o agradecimento deles, pela insistência de vocês, será eterno. Bom treinamento!

    Texto produzido por Ari Esteves (staging.ariesteves.com.br/).

  • A educação familiar tem sentido profissional

    A educação familiar tem sentido profissional

    1 – A educação familiar tem sentido profissional. 2 – Motivos da eficaz educação familiar. 3 – Valores que nortearão a vida toda.

    1 – A educação familiar tem sentido profissional

         O ensino oferecido pela família exige dos pais mentalidade profissional para buscar novos conhecimentos sobre como ser eficaz na educação comportamental da criança ou do adolescente. Essa educação foge das improvisações e da mera confiança no sentido comum, ou de que os filhos irão melhorar com o tempo, pois tais comodidades já não respondem aos atuais desafios educativos. Pobre herança deixam os pais se esta se constituir apenas de bens materiais, que muitas vezes dividem os filhos. Por isso, não basta a presença física dos pais para educar com eficácia: se não estudarem e conversarem entre si para detectar os traços do temperamento e caráter que devem ser corrigidos no filho, e estabelecerem um plano de ação para suprir tais deficiências, tal cumplicidade e comodidade será uma bomba relógio que explodirá em breve tempo.

         Preparar os filhos para a vida é o maior investimento que os pais podem fazer. Para isso, não necessitam ser profissional da educação, mas devem ter a mentalidade de buscar contínuo conhecimento em livros e cursos sobre orientação familiar e educação dos filhos, visitar a sites especializados, lives, palestras e conhecer a opinião de pessoas criteriosas, mas tendo presente que a decisão sempre será do casal.

    2 – Motivos da eficaz educação familiar

         Os professores não conseguem oferecer uma educação que chegue ao profundo da personalidade (à alma). Essa tarefa pertence ao pai e à mãe, que procuram conversar sobre os aspectos mais relevantes para a melhora de cada filho: caráter, temperamento, namoro, sexualidade, casamento, amizade com Deus… A educação proporcionada pela família desenvolve em cada filho atitudes positivas e permanentes, o que possibilita que alce voo não de tico-tico sobre telhados, mas de águia até os píncaros das montanhas, de onde pode divisar lonjuras. Isso porque a educação familiar encarada com sentido profissional não se cinge apenas à escolar, com vista a uma futura atuação profissional, mas é para todos os âmbitos e etapas da vida dos filhos.

         Essa educação tem como fundamento o natural amor e confiança que os filhos sentem pelos pais. Ao respeitar os traços de cada filhos, os pais oferecem uma educação personalizada e integral porque alcança não só a inteligência, mas também a vontade e os sentimentos. Ao levar em conta as circunstâncias e o meio em que vive a família e, a educação familiar não é periférica, mas profunda, sendo capaz de estimular o fortalecimento da vontade dos filhos por meio de situações simples no dia a dia: por exemplo, ao exigir deles o cumprimento dos encargos familiares, os ajuda a vencerem a preguiça. Isso é importante porque, se a vontade de um filho se tornar fraca, ele não se sentirá movido a melhorar e se orientará apenas pelos impulsos dos sentimentos, que são volúveis, inconstantes e buscam apenas o agradável.

         Outro motivo da eficaz ação educativa da família é o diálogo que os pais mantêm com cada filho, que sendo o modo de fazer crescer a amizade mútua, será fundamental para atender o impulso natural que todos temos de procurar o melhor amigo para confidenciar nossas dúvidas e incertezas: se os pais não forem os melhores confidentes dos filhos − e para isso é preciso ser amigo! −, estes irão se aconselhar com colegas na maioria das vezes mal orientados como pessoas. Por isso, a maior conquista de uma mãe é ouvir da filha que sua melhor amiga é ela, e o pai ouvir do filho que seu melhor amigo é ele.

    3 – Valores que nortearão a vida toda

         Pai e mãe devem combinar as ações pedagógicas e falas, a fim de um não desautorizar o outro, o que abriria espaço para a desobediência e de serem manipulados pelos filhos. A educação familiar é ofertada por meio da comunicação clara, dialógica, criativa, paciente, que penetra pelos ouvidos e se ancora permanentemente no coração e na inteligência, tornando os filhos prudentes e profundamente agradecidos aos pais porque se veem munidos de valores que os nortearão vida afora.

    Texto produzido por Ari Esteves, com base no livro “La realización personal en el ámbito familiar”, de Gerardo Castilho, Ediciones Universidad de Navarra, 2009, Espanha.

  • Crianças viciadas em mídias

    Crianças viciadas em mídias


    1 – As mídias tornam passivas as crianças e lhe roubam a imaginação. 2 – O contato com a natureza torna a criança contemplativa. 3 – Teste seu filho para saber se é dependente de mídias.

    1 – As mídias tornam passivas as crianças e lhe roubam a imaginação

        A criança desde o nascimento deve interagir sossegadamente com o ambiente que a cerca, a fim de se desenvolver física e psicologicamente. Tal como o trabalho desenvolve a personalidade do adulto, a da criança se desenvolve brincando, porque esse é seu trabalho. Quanto mais experiências tiver a criança de tocar, fazer, imaginar, recolher, levantar, reiniciar, mais se desenvolverá. Portanto, menos brinquedos eletrônicos, videogames e bonecas que falam, e mais objetos comuns; menos celulares e mais interação com seus familiares. A infância é mágica; não é necessário artificializá-la com mídias. A criança precisa de um estímulo mínimo, em ambiente normal e cheio de carinho: receber o sorriso de seus familiares, ouvir os ruídos da casa, sentir o cheiro de limpeza e o que vem da cozinha.

        Expostas pelos pais ao excesso de mídias, s crianças têm a infância artificializada. Desenhos como Bob Esponja, Madagascar, Carros & Cia, Monstros SA, A era de gelo, entre outros, exibem em média 7,5 mudanças de cenas por minuto, o que não acontece na vida real das crianças. Hipnotizadas pelo excessivo movimento das telas, as crianças se tornam viciadas em níveis altos e artificiais de estímulos. Ao retornarem à vida real, se sentem entediadas e aborrecidas e desejam logo voltar à irrealidade das mídias.

        Celulares e tabletes roubam a imaginação infantil. É melhor que a criança crie seus brinquedos ao transformar uma caixa de leite vazia em miniatura de ônibus, do que assistir passivamente a um desenho de carros; imaginar um barco com uma lata de sardinha ou um foguete com o tubo do papel celofane, do que ganhar um brinquedo pronto; entreter-se com bolinhas, figurinhas e brinquedos caseiros, do que gastar horas em desenhos animados. Com um lençol a criança cria uma cabana entre os móveis da sala; sentada no sofá imaginará pilotar um caminhão; fará de uma caixa de papelão o cockpit de sua máquina voadora.

    2 – O contato com a natureza torna a criança contemplativa

        É necessário educar os filhos na curiosidade pela realidade, que é fonte de verdadeiro conhecimento, e não no ritmo frenético das novas tecnologias. A criança necessita encontrar inspiração na beleza e contemplação do mundo que a cerca. Por isso, outra janela de curiosidade da criança é a natureza, que deve ser aproveitada pelos pais para educá-la. Ao correr, pular, pesquisar, subir nas árvores, ocultar-se atrás de arbustos, a criança interage com a natureza e ganha excelente controle motor. Dar alimentos a aves e peixes e rir das formigas que carregam fardos maiores do que elas próprias, são atitudes contemplativas. A criança aprenderá a ser paciente ao fixar os olhos no lento arrastar-se do caracol; aprenderá a esperar e não exigir tudo prontamente ao perceber que tudo na natureza tem seu tempo, tal como o broto da flor que se alça timidamente da terra. A criança deve deitar na grama com seus pais e sentir cócegas, sem medo de alergia, e olhar para o céu a fim de descobrir o que as nuvens desenham.

        É curioso o medo que a natureza causa nos pais, medo transmitido às crianças: medo de que os filhos se arranhem, medo de se sujar, medo de que caiam de árvores, medo de alergia por pólen de flores. É espantoso ver como crianças fogem das gotas de chuva! Pais, não temam os dias chuvosos! A natureza tem muito a ensinar nesses dias: o cheiro da terra; as cores que se realçam; as gotas que escorrem pelas folhas ou ficam presas na teia de aranha; os pequenos habitantes do ecossistema que se deixam ver nesses dias: lesmas, caracóis, pererecas, sapos. Medo de resfriado? Diz Catherine L’Ecuyer*, que é um preconceito acreditar ser a chuva causa resfriado. Einstein disse que é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito.     

        Gaudí, o genial arquiteto do Templo da Sagrada Família, em Barcelona, ​​disse que a natureza foi sua mestra vital. Desde pequeno teve ataques de reumatismo, que o afastaram das brincadeiras infantis. Então, sua mãe passava muitas horas com ele no campo, observando a natureza. Gaudí recordava sua infância entre flores, prados, videiras, oliveiras, pio dos pássaros, zumbido de insetos e montanhas ao fundo. Ele não precisou artificializar sua infância para criar uma das mais belas obras de arquitetura do mundo, onde as colunas imitam troncos de árvores. Sua infância foi um contemplar silencioso da natureza.

        Academia Americana de Pediatria diz que o frio não é causa de resfriado ou gripe; e que se as queixas são comuns no inverno, é porque as crianças ficam amontoadas em salas com pouca circulação de ar, o que facilita a propagação do vírus. Para ter crianças mais resistentes, é só deixá-las brincar ao ar livre em dias de chuva, usando botas e capa de chuva, tal como acontece nos países nórdicos, onde as crianças saem para se divertir com 20 °C negativos, ou em algumas cidades do Nordeste brasileiro, em que as crianças brincam na chuva. Que boa notícia é essa, quando você pensava que não havia alternativa para dias chuvosos, a não ser as telas!

    3 – Teste seu filho para saber se é dependente de mídias

        Certa professora levou um grupo de crianças “drogadas” pelas mídias a um passeio no campo, e constatou a falta de iniciativas delas para brincar na grama e entre as árvores. Passivas, desejavam ansiosamente voltar para casa e apertar botões para terem a ilusão de dominar a realidade, pois preferiam os insetos irreais. Teste seu filho! Leve-o a um parque sem celular ou tablete. Se não for capaz de desfrutar da natureza, porque deseja retornar logo para casa, onde tem à disposição várias mídias, é porque já está artificializado.

    Texto produzido por Ari Esteves (staging.ariesteves.com.br/), com base nos livros “Educar na curiosidade” e "Educar na realidade", de Catherine L'Ecuyer, publicado pela Fons Sapientiae. 

  • Educar a vontade

    Educar a vontade

    1 – Tornar a vontade forte. 2 – Os filhos devem realizar ações que não gostam.

    1 – Tornar a vontade forte

        Muitos pais se preocupam em fortalecer a inteligência dos filhos, e preenchem a agenda deles com aulas, jogos e atividades que, dizem, estimulam os neurônios. Mas, se pouco fazem para fortalecer a vontade ou a capacidade de querer das crianças, mau negócio, pois elas poderão ser muito “inteligentes” para fugir das próprias obrigações por preguiça. Educar a Vontade dos filhos significa torná-la forte por meio de ações pequenas e constantes que criem hábitos bons.

        Para fortalecer a vontade é preciso distinguir na pessoa humana algumas de suas faculdades: inteligência vontade como capacidades espirituais, e afetividade (sentimentosemoções paixões) como faculdades sensíveis e não racionais. Cada uma dessas faculdades – vontade e sentimentos – tem uma ação que lhe é própria: querer e gostar.

        Querer é ação própria da vontade, também chamada de apetite da inteligência. Esse querer da vontade é sempre intelectualizado porque passa primeiramente pela capacidade de compreender. É a partir desse conhecimento que se quer ou não se quer algo, porque foi revelado pela inteligência como bom ou mal. O querer da vontade está na esfera do livre arbítrio, do decidir se queremos ou não algo que foi pensado.

        Gostar é ação própria dos sentimentos, emoções e paixões, que são irracionais e nos fazem simplesmente gostar ou não gostar de algo sem explicação para isso: gostamos ou não gostamos de tal tipo de alimento, música, roupa, filme ou obra literária; preferimos essa cor e não outra, etc. Não sendo racionais, os sentimentos não são chamados para serem reitores das ações, e só devem ser seguidos depois de analisados pela inteligência e queridos (ou não) pela vontade. Se a vontade com o seu querer estiver enfraquecida, não conseguirá se sobrepor à lei do gosto, que é a lei dos sentimentos ou estados de ânimo. Estes, por serem irracionais e cambiantes, não devem comandar nossas ações: se gostar, faço; se não gostar, não faço. Quem se pauta por isso terá muitos dissabores na vida.

        Para compreender a diferença entre querer gostar, pensemos que ao recolher indigentes cobertos de pústulas nas sarjetas de Calcutá, Madre Teresa o fazia porque sua inteligência mostrava ser importante essa obra de caridade, e sua vontade decidia cumprir tal ação. Mas, podemos razoavelmente acreditar que os sentimentos dela, ao recolher nos braços alguém cheio de pus, sujo e cheirando mal, poderiam ser de rejeição e repulsa. Por isso se diz que a vontade de alguém é forte quando o seu querer  se impõe à lei do gostoprópria dos sentidos ou dos sentimentos.

    2 – Os filhos devem realizar ações que não gostam

        Pensemos agora no comportamento das crianças, quando os sentimentos delas levam a gostar ou não gostar de brincar com bola, preferir carrinhos ou miniaturas de super-heróis, dançar ou cantar, correr ou brincar sentados. Até aí tudo bem, porque os sentimentos, muito ligados ao temperamento de cada filho, levam a que prefiram uma coisa e não outra, o que é uma maravilha, pois isso revela que pessoa humana não é fabricada em série como as garrafas de refrigerantes, e somos muito diferentes uns dos outros.

        Mas há ações que as crianças precisam ser incentivadas a realizar, independente de gostar ou não delas: estudar, ajudar o irmão mais novo a aprender matemática, colocar em ordem seus brinquedos (bolinhas na caixa de bolinhas, lego na caixa de lego, carrinhos na caixa de carrinhos), guardar a roupa na gaveta ou no cesto para serem lavadas, levar o lixo para fora, colocar pratos e talheres na mesa, dormir e acordar no horário, não comer fora de hora, ir brincar só após ter feito a lição de casa ou cumprido o encargo que lhe foi atribuído. Quando a criança possuir controle motor deverá arrumar a cama, banhar-se e enxugar o box, vestir-se, preparar seu prato e cortar o bife.

        Ao exigir o cumprimento dos deveres, os pais tornam a vontade dos filhos forte e robusta para que se sobreponha à preguiça ou ao comodismo, pois, como diz o ditado, “com churros não se faz alavanca”. Em pouco tempo, a criança que adquiriu bons hábitos realizará com alegria e prontidão aquilo que deve ser feito.

    Texto produzido por Ari Esteves (staging.ariesteves.com.br/). Imagem de Aguida Medeiros (@aguidamedeirosm)

  • Comunicação inadequada com os filhos

    Comunicação inadequada com os filhos

    1 – Perguntas inseguras ou em tom de reclamação não funcionam com os filhos. 2 – Implorar pela compaixão do filho enfraquece a autoridade dos pais.

    1 – Perguntas inseguras ou em tom de reclamação não funcionam com os filhos

        Conseguir que os filhos abandonem condutas ou hábitos ruins não é processo impossível. Para um bom começo evite perguntas que não comuniquem claramente o que se espera deles. Perguntas inseguras, sejam em tom de reclamação ou de súplica, não funcionam com as crianças, e abrem as portas para que as palavras dos pais sejam ignoradas:

        − Pedi que você arrumasse o seu quarto e nada foi feito! Apenas foi dito à criança que ela deixou de cumprir uma ordem. A mensagem foi incompleta porque não transmitiu o que deveria ser feito, quando deveria ser feito e as consequências do incumprimento. Cingiu-se apenas a uma queixa que a criança não fez caso porque não se sentiu comprometida.

        Por que você não presta atenção ao que eu falo? Pergunta em tom de reclamação não funciona. Muitos pais pensam que ao levar a criança a refletir sobre o motivo do seu mau procedimento, ela passará a reconhecer o erro e a evitá-lo. Além de não conseguir tais efeitos, a pergunta foi insegura ao desviar a atenção da criança para algo que ela não saberia explicar: as razões de sua desatenção.

       Quantas vezes tenho que dizer para terminar a lição de casa antes de sair?  Foi pergunta insegura ao não oferecer instruções claras: apenas transmitiu o desgosto da mãe e a falta de autoridade dela. O garoto nunca responderia à mãe que ela “deveria dizer nove vezes” para que ele não saísse de casa antes de ter feito as suas tarefas. A reação assertiva da mãe deveria ser a de proibir a saída do filho enquanto não terminasse os deveres.

        O filho quebrou o vidro da janela e o pai disse: − Você tem ideia de quanto custa um vidro novo? O pai não deveria esperar que o filho respondesse sobre o valor de um vidro novo, porque ele não saberia dizer. Foi uma pergunta insegura ao exigir apenas a informação sobre o custo da reposição, sem transmitir à criança que a atitude dela foi irresponsável e que o prejuízo econômico causado à família ficaria por conta de sua mesada.

    2 – Implorar pela compaixão do filho enfraquece a autoridade dos pais

        Mãe: − Vá dormir.

        Filho: − Não estou com sono.

        Mãe: − Já é tarde e estou cansada. Por favor, vá dormir.

        Filho: − Mas eu não estou cansado.

        Mãe: − Mas eu estou. Por favor, vá para a cama!

        A mãe se dirigiu ao filho implorando pela compaixão dele. Essa razão nunca é suficiente, já que as crianças não compreendem até onde vai o cansaço de um adulto, pois mal sabem o que é o cansaço. A súplica da mãe apenas transmitiu a fragilidade e a insegurança dela. Ter horário de dormir e de acordar deve ser hábito disciplinar vivido por todos na família, a fim de que cada um possa atender com ordem seus deveres cotidianos, além de facilitar o trabalho dos demais. A criança deve saber que no lar ela não possui apenas direitos, mas também deveres para com os pais, irmãos, empregada.

    Texto produzido por Ari Esteves com base no livro “Carinho e firmeza com os filhos”, de Alexander Lyford-Pike (ver em staging.ariesteves.com.br/livros.

  • O subconsciente é chave para as motivações

    O subconsciente é chave para as motivações

    1 – O subconsciente pode ser utilizado para incentivas boas ações. 2 – O subconsciente e a sensibilidade humana. 3 – O subconsciente nas ações agradáveis. 4 – O sonambulismo e o subconsciente.

    1 – O subconsciente pode ser utilizado para incentivas boas ações

        O subconsciente é chave nas motivações da pessoa, e pode ser utilizado para incentivar as boas ações. Quando o cérebro trabalha fora do nível da consciência, ou em atividades não governadas pelas ações de livre escolha, se diz que trabalha a nível subconsciente. No seio materno começam as primeiras conexões neurais, e o cérebro inicia as atividades do subconsciente. Ao nascer, enquanto a criança não é livre para decidir, seu cérebro é governado pelo subconsciente, de modo que seus atos ainda não podem ser avaliados como moralmente bons ou maus. Quando a liberdade passa a atuar pelo ato da vontade, a pessoa torna-se capaz de escolher, fazendo ceder o subconsciente.

        O subconsciente atua também em adultos: nos sonhos, pesadelos, sonambulismo, na busca involuntária de lembranças. À noite, durante o sono, o subconsciente continua a trabalhar e por vezes se desperta com a resposta de um problema que ocupou o dia da pessoa. Neste caso, é bom levantar e anotar a ideia para descarregar a pressão do subconsciente, ou porque se não anotar a resposta, esta ficará no subconsciente e não será lembrada. O subconsciente também atua como despertador quando, por exemplo, a pessoa está preocupada em não acordar e perder o horário de ir para o aeroporto: acordará antes do relógio despertar. 

    2 – O subconsciente e a sensibilidade humana

        O subconsciente atua com maior força na área da sensibilidade humana, onde os sentimentos de agrado ou desagrado atuam mais: o subconsciente é atraído pelo carinho, pela alegria ou bem-estar, e recusa-se ao medo, tristeza e a dor. Quando uma criança faz uma boa ação e recebe carinho, o subconsciente (e também o consciente) a anima a repetir a ação para receber mais carinho, pois é muito sensível a esses estímulos. Por isso, se a criança fez uma ação má, e não é corrigida, mas tratada com carinho, o subconsciente guardará impresso esse fato e tenderá a repetir a ação má para receber mais carinho. Isso ocorre porque o subconsciente não avalia o bem ou o mal das ações, mas apenas registra o agradável ou desagradável das ações. O mais recomendável em tais casos é oferecer razões à criança para informar ao seu nível consciente sobre o desacerto da ação praticada, sem dar mostras de carinho. Assim, tanto o consciente atuará em favor dos pais, quanto o subconsciente, que não entrará em contradição porque não recebeu estímulos de agrado.

    3 – O subconsciente nas ações agradáveis

        Há relatos de casos que sinalizam fortemente a ação do subconsciente: Uma idosa de 90 anos telefona de madrugada à filha dizendo que tem dores de reumatismo e pede que venha atendê-la. A filha vai à casa da mãe e a trata com muito carinho, lhe dá os remédios de sempre, espera que a dor passe e volta para casa. Os remédios tiraram a dor da mãe, mas o subconsciente registrou os momentos sensíveis de carinho. No dia seguinte o subconsciente fez a mãe reproduzir as mesmas dores, sem que existissem realmente, e a mãe tornou a chamar a filha para que viesse atendê-la. É o típico caso de receber carinho por algo ruim, o reumatismo. 

        Outro relato: um bebe de dois meses ficou em posição incômoda no berço e se pôs a chorar. A mãe o posicionou melhor e o encheu de beijos e carícias. O subconsciente processou que graças ao choro recebeu carinho. Quanto mais a mãe o acariciar por deixá-lo sozinho, mais irá chorar motivado pelo subconsciente.

        Uma menina de três anos só se alimentava se a mãe lhe desse de comer. Mesmo estando o prato à sua frente ela poderia passar horas sem provar a comida, pois seu subconsciente sabia que a mãe lhe daria a comida. Em uma ocasião, a mãe se ausentou e o pai e os irmãos viram a menina comer sozinha. Ao retornar a mãe no final da tarde, a menina se esqueceu de comer outra vez. 

    4 – O sonambulismo e o subconsciente

        Um caso de sonambulismo: um menino de cinco anos assistiu por descuido dos pais a um filme de terror na televisão. Depois do jantar a criança foi dormir e logo pegou no sono porque o sangue ao se concentrar mais no estômago faz a pressão sanguínea do cérebro diminuir, induzindo rapidamente ao sono. Porém, de madrugada a criança acordou chorando e assustada, pois seu subconsciente estava repleto de monstros e cenas de horror, e a tensão lhe interrompeu o sono. A mãe foi ao quarto do filho e o encheu de beijos e carícias afirmando que monstros não existiam, levando-o para a cama dela. A partir desse dia o menino levantava de sua cama e ia dormindo ao quarto dos pais, sem lembrar-se de nada no dia seguinte, pois passou a ser um trabalho do subconsciente que gravou o fato de que graças aos monstros recebia beijos e era levado à cama dos pais. A mãe conscientizou o filho de que não era bom que ele fosse para a cama dela, pois seus amigos ao saberem disso iriam rir dele; e o pior seria se ele fosse dormir na casa de um primo ou amigo e repetisse essas cenas. Depois explicou ao garoto sobre o funcionamento do subconsciente, e que este deveria ser corrigido. Então combinou um plano com o filho, tendo ele concordado que monstros não existiam. Na noite seguinte ela fechou a porta do quarto pelo lado do corredor, e o pequeno sonâmbulo tentou abrir a porta, que ao estar fechada o fez chorar. Ao despertar pelo próprio choro, o garoto se lembrou do plano estabelecido com a mãe e retornou à própria cama. O subconsciente pelo fato de ter recebido uma resposta negativa -acordar sem receber beijos e carícias- arquivou a façanha noturna nos confins de seus múltiplos fólios.

    Texto produzido por Ari Esteves, com base no livro “Educar en positivo”, de Fernando Corominas, Coleccion Hacer Familia, Espanha

  • Não aprove um erro do seu filho

    Não aprove um erro do seu filho

    1 – A criança deve assumir sua culpa. 2 – Ajude a criança a compreender seu erro.

    1 – A criança deve assumir sua culpa

        Todos conhecemos a tendência psicológica humana de manifestar descontentamento por gestos bruscos, às vezes violentos, quando algo ou alguém se opõe aos desejos pessoais. Percebemos isso até nas crianças que, ao serem contrariadas, desde o berço atiram para longe o objeto que têm nas mãos. Ao crescer um pouco e correr pela casa, a criança poderá tropeçar numa cadeira, machucar-se e, contrariada e quase que por instinto, se vingar do móvel dando-lhe pontapés.

        Se o seu filho tropeçar na cadeira e chorar, não diga “cadeira malvada”, nem dê tapinhas para “repreender” a mobília, mas faça a criança compreender que a culpa terá sido pela falta de atenção dela. É preciso educar a criança para que assuma as consequências de seus atos. Um erro que poderá cometer a mãe, para fazer cessar as lágrimas do filho, será incentivá-lo a bater na “cadeira malvada”, ou, pior, ajudar o filho a golpear o móvel, sem perceber que estará contribuindo para arraigar no coração dele a tendência –essa sim, malvada– de bater nos irmãos ou na própria mãe quando for contrariado por eles.

    2 – Ajude a criança a compreender seu erro

        Se a criança tropeçar na cadeira, o mais razoável é que a mãe a faça compreender que o móvel não teve culpa, e que o acidente ocorreu pela desatenção dela. Com isso, desde o início da sua educação, a criança estará sendo ajudada a reconhecer seus próprios erros, ao invés de atribuí-los às circunstâncias externas. Aqui está um aspecto fundamental da educação de qualquer pessoa, desde criança: ser humilde e reconhecer a verdade e a responsabilidade de seus próprios atos.

    Texto produzido por Ari Esteves (staging.ariesteves.com.br/)

  • Afetos e emoções não devem comandar as ações

    Afetos e emoções não devem comandar as ações

    1 – O sentimentalismo é um mal. 2 – Os sentimentos podem conduzir a erros. 3 – Não confiar plenamente nos sentimentos.

    1 – O sentimentalismo é um mal

    O sentimentalismo é um mal, pois se trata da pré-disposição ou atitude de permitir que a vida seja comandada pelos afetos e emoções. O sentimental ou emotivista transfere para as coisas o afeto que deveria ter para com as pessoas, já que adota como motivo de sua conduta a presença ou ausência de sentimentos: se gosta faz, se não gosta não faz (ou adia). Vive a lei do gosto, própria dos sentimentos, pois a sua vontade (potencia espiritual) tem um querer fraco e já não comanda suas ações. Ao confiar demasiadamente nos sentimentos, o emotivista deixa de examinar com a inteligência se deve ou não fazer algo; caso examine, não consegue ultrapassar a barreira dos sentimentos, como o da preguiça, e deixará de fazer o que deve (poderá fazer se o sentimento for de entusiasmo).

    2 – Os sentimentos podem conduzir a erros

    Ao variar com frequência, porque não são equânimes, os sentimentos fazem o emotivista mudar constantemente de planos, o que faz de sua vida um eterno começar sem nunca acabar. Seu caráter, por depender de estados de ânimo, torna-se inconstante, inseguro e superficial. Quem confia demasiadamente nos sentimentos acaba tendo desenganos ou decepções ao não penetrar com a inteligência, por exemplo, no conhecimento da pessoa com quem deseja montar uma família (se tudo ficou apenas no nível dos sentimentos poderá ter decepções).

    Outra falha a que nos podem levar os sentimentos é amar desmedidamente realidades que não merecem tantos sentimentos, como transferir a animais os mesmos sentimentos que deveriam ser colocados, por exemplo, em crianças privadas de amor, enfermas ou sem recursos; idosos sem familiares em asilos. Todos seremos julgados pelo amor que não tributamos às pessoas.

    3 – Não confiar plenamente nos sentimentos

    Por que não confiar demasiadamente nos sentimentos? Aristóteles dizia que os sentimentos são como o nosso gato doméstico: pode-se amestrá-lo, mas não se pode confiar plenamente nele, pois pode nos atacar. Platão se referia aos sentimentos como grandes companheiros do homem, ainda que não tenham a maioridade e são como crianças pequenas e irresponsáveis. Ou seja, é bom desconfiar e examinar por onde eles nos levam. É próprio do ser humano ser racional, o que o leva a examinar tudo pela inteligência, pois esta é a única que aprecia todos os aspectos de cada realidade, a fim de que a vontade possa assumir com segurança o melhor comportamento. Os sentimentos devem apoiar e seguir aquilo que foi fruto de um juízo correto. E se os sentimentos não seguirem o mesmo caminho, devem ser corrigidos e não acolhidos.

    Texto produzido por Ari Esteves. Fotografia de Alex Azabache.

  • A má vontade

    A má vontade

    1 – Falhamos muitas vezes. 2 – Por que nos deixamos vencer? 3 As crianças e a má vontade.
    4 – Para mudar necessitamos de um querer forte.

    1 – Falhamos muitas vezes

        Digam-me: quem nunca falhou em nada? Falhamos muitas vezes e não fazemos o bem que gostaríamos de fazer, nem evitamos o mal que desejaríamos evitar. Por vezes, nos propomos fazer uma coisa que nos custa um pouco e depois não a fazemos: regime para emagrecer, exercícios físicos, deixar de fumar, chegar no horário, ser mais organizado, dedicar um tempo diário ao estudo dos assuntos da nossa profissão, exigir um dia e outro que os filhos cumpram as suas tarefas.

        Quando o querer da vontade não tem forças para resistir ao “conforto” que a preguiça oferece, surge o sentimento de má vontade, e então cedemos, deixando de fazer o que deveríamos.

    2 – Por que nos deixamos vencer?

        Mas por que custa tanto mudar de atitude?

    1. Todo esforço desagrada, e a isso chamamos de preguiça, que é a tristeza diante do dever a ser cumprido. Custa sair da rotina ou da comodidade para complicar a vida e se sacrificar pelo bem dos outros.
    2. A pressão social ou vergonha de ir contra o ambiente pode nos levar a agir de forma diferente da que pensamos.
    3. Porque nos deixamos arrastar pelos bens que nos atraem mais, tais como os ligados ao instinto: comida, bebida, conforto…
    4. Também podemos ser arrastados por bens de inclinação psicológica aos quais nos afeiçoamos de forma desordenada: trabalho exagerado; ânsia por dinheiro, posição ou poder; paixão desmedida por um hobby ou passatempo que faz abandonar outros afazeres. Trata-se da desordem ou intemperança no modo de desejar as coisas.
    5. Há pessoas que falham mais gravemente ao se deixar arrastar de forma desordenada pela lei do gosto imposta pelas inclinações primárias (comer, beber, divertir-se). São os vícios que que arrastam a ponto de tirar a capacidade de decidir livremente e dizer um não a essas forças, extremamente deletérias: jogos de azar, drogas, pornografia, intemperança na comida ou bebida… Tais afagos, quando se incrustam na imaginação e na memória, obscurece a consciência, debilita a vontade e a pessoa cede.

    3. As crianças e a má vontade

        É um grave erro antropológico pensar que as crianças estão imunes à má vontade. Como todos os filhos de Eva, elas também padecem do vírus da preguiça, do desejo de comodidades e de empurrar com a barriga o que custa fazer. Os pais precisam ensiná-las a fazer não apenas o que gostam, como ficar metidas em seus jogos e brincadeiras. Para isso, é necessário motivá-las a ajudar, a assumir tarefas ou encargos adaptados à idade de cada uma, a fim de que possam colaborar para o bem de todos no lar. Ao deixar uma atividade prazerosa para colocar, por exemplo, os pratos na mesa, tirar o pó dos móveis, arrumar o quarto e os brinquedos, fortalecerão a vontade e criarão o hábito de cumprir primeiramente seus deveres para ir depois aos seus prazeres. Ao se habituarem a fazer não só o gostoso, nunca serão molengonas como churros e sem forças para estudar, ter disciplina para acordar e chegar pontualmente à escola. Além disso, ganharão virtudes como a fortaleza, espírito de solidariedade, sentido de responsabilidade, ordem, autodisciplina, entre outras.

    4 – Para mudar necessitamos de um querer forte

        Deixar-se vencer pelo mais cômodo é uma condição que não devemos aceitar. Ninguém busca o mal pelo mal, mas porque este parece prometer muito, mas por fim oferece pouco, pois tudo o que verdadeiramente vale a pena custa esforço. O segredo é conservar a capacidade de ver a verdade com a inteligência e tomar decisões pelo querer da vontade. Ambas − inteligência e vontade − devem ser as nossas capacidades reitoras, e não as paixões, que apenas gostam ou não de algo (claro, elas são ótimas quando apoiam as decisões corretas, pois nos ajudam a enfrentar os obstáculos para chegarmos ao fim proposto).

        Com um querer forte não seremos marionetes dos nossos sentimentos e instintos: quem deve comandar nossos atos somos cada um de nós que, por meio de um juízo prático da inteligência, e com uma vontade forte, guiada pela luz da inteligência, nos deve levar a tomar decisões acertadas. Imaginem um cavalo que conduz o cavaleiro para onde, ele, cavalo, bem gostar, porque o cavaleiro não tem inteligência para guiar o animal para onde ele deveria ir! Imaginaram? Pois temos aí a imagem de quem se deixa conduzir pelos sentimentos e instintos e não pela inteligência e vontade.

        Como se fortalece a vontade? Por meio de virtudes! Comece a fazer pequenos atos contrários aos defeitos pessoais, e ajude as crianças também a realizarem atos contrários aos defeitos que possuem: pontualidade, não perder tempo em redes sociais, temperança na comida e bebida (não comer fora de hora), não adiar os deveres, ordem nos objetos pessoais (é mais fácil deixar os livros ou brinquedos em qualquer lugar), aproveitar melhor o tempo e não ficar horas diante da televisão, entre outros muitos pequenos exercícios.

        Bom treino! E não esqueça de ensinar as crianças a se exigirem mais de si mesmos.

    Texto produzido por Ari Esteves.

  • Normalizar os sentimentos dos filhos

    Normalizar os sentimentos dos filhos

    1 – Sentimentos normalizados: base da personalidade sadia. 2 – Iniciar a normalização pelo autodomínio. 3 – Pais, melhores educadores da afetividade dos filhos.

    1 – Sentimentos normalizados: bases da personalidade sadia

        Aos pais corresponde antes de tudo normalizar os afetos dos filhos (sentimentos, emoções, paixões), pois são bases para uma personalidade sadia. Se falharem nessa tarefa os filhos terão dificuldades para dominar-se, crescer em virtudes, ter um amadurecimento psicológico de acordo com a idade, o que afetará também a convivência com os demais. Se desde a infância e adolescência os filhos aprenderem a ter harmonia sentimental, saberão resolver suas crises afetivas, darão à inteligência a direção da conduta e não aos sentimentos, manifestarão de modo adequado seus sentimentos ao não colocar demasiado afeto em realidades que merece menos (perder um jogo sem irar-se) e colocarão mais sentimentos em realidades que merecem mais (compadecer-se dos que sofrem), suportarão um “não” ou uma contradição sem emburramentos, aprenderão esperar com paciência e assumirão projetos ou ideais de serviço aos demais, mesmo que exijam sacrifícios pessoais.

    2 – Iniciar a normalização pelo autodomínio

        Diz o ditado que “é de pequenino que se torce o pepino”. Para não deixar o pepino entortar, há pais que iniciam a educação para o autodomínio a partir dos dois anos, porque nessa idade as crianças já compreendem as indicações e cumprem com alegria as pequenas tarefas adaptadas à sua capacidade: ao colocar nas respectivas caixas os brinquedos após o uso, a criança estará dominando-se para não deixá-los jogados no chão, que seria o seu natural, e o mesmo ocorrerá ao colocar a roupa para lavar no cesto ou pôr no lixo a fralda suja, entre outros encargos que cumprirão sorrindo.

        Mais do que iniciar a educação dos filhos através de aulas e cursos para fortalecer a inteligência, os pais devem começar pela educação ou normalização dos sentimentos, porque é a base para o autodomínio e o fortalecimento da vontade (uma vontade fraca se deixa vencer por muitos vícios). O dia a dia da vida familiar está repleto de oportunidades para estimular a criação de hábitos bons ou virtudes que evitarão as desordens da preguiça, intemperanças e egoísmos. Para isso, os pais precisam ajudar os filhos a crescer não apenas em autodomínio, mas em fortaleza, preocupação pelos demais, espírito de serviço, entre outras virtudes que levarão por toda a vida, ao exigir, por exemplo, que mantenham em ordem suas roupas e demais objetos pessoais; a serem pontuais nos horários de dormir, acordar, fazer as refeições, jogar ou brincar; ao cumprir encargos para o bom andamento do lar, ao ter um horário diário após as aulas para estudar em casa, ao aproveitar o tempo livre para leituras e ampliação cultural.

    Ao não educar a afetividade desde as primeiras idades, já na adolescência a falta de domínio das paixões levarão a comportamentos que enfraquecerão o caráter e a personalidade: intemperança na comida, pornografia na internet, fuga das tarefas que exijam esforço (estudar, ajudar em casa), modos desregrados de divertir-se e descansar. É triste ver estatísticas que apontam ser a faixa etária de 13 a 25 anos a que comete crimes mais violentos, porque não houve educação familiar na infância e na adolescência. São os pais e não os órgãos públicos os mais indicados para eliminar a violência juvenil. Os estados que apoiarem as famílias na educação dos filhos atuarão com inteligência, maior eficácia e menos gastos públicos, já que os pais não exigem salários, não fazem greves, não tiram férias e não folgas aos domingos e feriados, não precisam de secretarias ou órgãos de controle para que cumpram suas obrigações, e gastarão menos com o aparato policial de repressão à violência.

    3 – Pais, melhores educadores da afetividade dos filhos

    Os pais são os únicos e mais eficientes educadores da afetividade, temperamento e caráter dos filhos. Essa eficiência radica-se no amor e na natural confiança que os filhos têm pelos pais. Ao estarem sempre presentes, são os únicos que podem oferecer uma eficiente educação personalizada aos filhos.

    Para normalizar os sentimentos dos filhos, os pais devem ir na frente e serem modelos, pois a falta de exemplo afeta os filhos. Para educar hoje, os pais não devem confiar apenas no bom senso, pois a descarga de desinformação que recai sobre os filhos faz urgir que se oferecem a eles respostas que satisfaçam plenamente a inteligência, pois já não basta dizer os ultrapassados “Porque não pode” ou “Porque eu quero”. Pai e mãe mal preparados não podem ser bons educadores, e por isso devem buscar uma sólida formação por meio de leituras, palestras, áudios e cursos para educar com eficiência.

    Texto produzido por Ari Esteves. Imagem de Aguida Medeiros (@aguidamedeirosm).