Categoria: VIRTUDES

  • Educar para a liberdade

    Educar para a liberdade

    1 – Não temer a liberdade dos filhos. 2 – Ensinar os filhos a serem livres. 3 – Atribuir responsabilidades aos filhos. 4 – Saber exigir das crianças. 5 – Não imponha; explique os motivos de um comportamento. 6 – Crianças livres, não dependentes de telas digitais.

    1 – Não temer a liberdade dos filhos

              Os pais devem refletir se estão educando os filhos para agir com liberdade e responsabilidade em cada campo de atuação: família, escola, amizades, relações sociais, porque muito em breve atuarão sozinhos, longe do olhar dos pais.

        Pertence à essência da educação familiar o respeito pela liberdade dos filhos, segundo a idade e circunstâncias de cada um. Só onde há o ar puro da liberdade germinam as virtudes humanas ou hábitos que fazem cada filho querer o que é bom, belo e verdadeiro. Os pais não devem ter medo de educar na liberdade! Tenham presente que até Deus deseja que o sirvamos com liberdade, e respeita as nossas decisões: “e deixou Deus o homem em mãos do seu livre arbítrio” (Eccli. 15,14).

    2 – Ensinar os filhos a serem livres

         Os pais têm uma dupla função: ensinar os filhos a serem livres ao dar a eles motivos de atuação que lhes ilumine a mente e mova a vontade para querer o bem; não os abandoná-los, mas vigiar discretamente o exercício dessa liberdade. Muitos são os campos em que os pais devem orientar a liberdade dos filhos: em primeiro lugar a relação com Deus; depois, encarar as outras responsabilidades, segundo a idade de cada um: colaborar para o bom andamento do lar por meio de tarefas que lhes são atribuídas, pois não devem pensar que tudo deva chegar a eles de mão beijada, e que não precisam se preocupar com o bom andamento da casa; ajudar os irmãos e os amigos em suas dificuldades; ordenar seus objetos pessoais, estudar com empenho…

         É necessário criar situações em que a criança tenha que tomar uma decisão: ir ao parque ou ao shopping? Se a escolha recaiu no shopping e ao chegar no local se arrepende da eleição e deseja e ir ao parque, a fim de aprender a refletir melhor sobre suas escolhas e assumir as consequências, não deve ser levada ao parque, que ficará para outro dia. Se pede sorvete e bolo deve decidir por um só. Se colocou os tênis em pés trocados e pergunta se está certo, a mãe olha em silêncio e espera que a criança tenha a segurança de concluir por si mesma que errou. Se o menino tem a tarefa de tirar o pó dos móveis, mas quer sair para jogar futebol, a mãe só deve autorizá-lo depois que cumprir seu encargo. Se a criança tropeçou na cadeira e, raivosa, chuta o móvel e o xinga, é preciso dizer que culpa não deve ser atribuída à cadeira, mas à falta de atenção da própria criança.

    3 – Atribuir responsabilidades aos filhos

         A liberdade não se perde ao eleger ou se comprometer com algo. A liberdade não é um fim em si mesma, mas para ser utilizada em escolhas livres e assumir posturas na vida. O processo de amadurecimento da pessoa exige a capacidade de se comprometer. É preciso ensinar aos filhos que não podem atuar irresponsavelmente e que cada atitude deve responder a um porquê que os leve a assumir as próprias decisões, sem esconder-se atrás de circunstâncias, pessoas ou acontecimentos alheios. Liberdade sem responsabilidade se transforma em libertinagem, como ocorre quando os filhos não têm encargos ou responsabilidade no lar e só fazem o que gostam.

         Os pais devem ir soltando paulatinamente os filhos, e estar atentos para observar o modo como empregam o tempo livre cada dia, como descansam nos fins de semana, os ambientes em que se movem e as amizades que possuem. Quanto ao dinheiro, devem dispor de pouco, pois só assim concluirão como é custoso ganhá-lo, e que devem aprender a poupá-lo: crianças que na escola compram doces ou guloseimas que quiserem, é porque lhes sobra dinheiro.

    4 – Saber exigir das crianças

         Educar com carinho não significa ceder a todos os caprichos da criança, porque isso cria nela os piores defeitos. Carinho não exclui a exigência, que não é brutalidade, mas bigorna de ferro almofadada. Educar para a liberdade implica exercer uma autoridade que evita os extremos: nem demasiada bondade ou frouxidão, nem demasiado rigor. Age mal a mãe que faz o que os filhos deveriam fazer: põe a comida no prato, veste e amarra os sapatos dele, arruma suas roupas e brinquedos. Tudo aquilo que a criança tem condições de fazer sozinha, deve fazê-lo. Agir de modo contrário tornará a criança dependente e desqualificada para agir sozinha no lar, na escola e na vida social.

    5 – Não imponha, mas explique os motivos de um comportamento

        A educação dos filhos só funciona se abrange a pessoa integralmente: inteligência, vontade, afetos ou sentimentos, em clima de liberdade, pois com pancadarias e ordens taxativas é muito difícil que os filhos sejam verdadeiramente educados (obedecem apenas diante dos olhos dos pais, mas não quando estiverem sozinhos). A imposição autoritária ou goela abaixo não é acertada para educar e leva a desprezar as indicações, obtendo-se, com isso, o oposto do que se queria e se perde o esforço educativo.

         Pedagogicamente deve-se mostrar às crianças − desde muito pequenas − os motivos que aconselham determinados comportamentos. Respeitar a liberdade é ajudar a que queiram assumir como próprias as suas responsabilidades. Chegará o momento, depois de dar conselhos e fazer as considerações necessárias para orientar a liberdade, em que os pais devem ir se retirando delicadamente para respeitar as decisões dos filhos. Por exemplo, os pais não podem obrigar a ir à Missa ou culto religioso ao arrastar a criança pelas orelhas, pois isso não serve para formar os filhos na fé. É preciso transmitir as razões que ajudem a decidir com liberdade e, claro, com o bom exemplo dos pais.

         Um indicador da qualidade da educação oferecida é quando o educando assumiu como princípios próprios e determinantes para sua vida aquilo que lhe foi transmitido. Se a filha caprichosa só come salada diante da mãe, que a obriga, mas fora dos olhos da mãe − na escola ou na casa da avó − não come, é porque não assumiu como própria essa ação por falta de explicação mais convincente que mova a vontade dela para querer.

    6 – Crianças livres, não dependentes de telas digitais

         Os problemas não deixam de existir porque se desconhece a existência deles, e tenderão a aumentar se não forem colocados os remédios para eliminá-los. Formação e liberdade caminham inseparavelmente: se o filho não estiver bem educado – por exemplo, no interesse de estudar por conta própria –, não poderá ser verdadeiramente livre, porque escolherá formas de perder o tempo, que é escolher o mal: quem escolhe o mal é escravo dele (A verdade vos fará livre, disse Cristo).

         Pode alguém pensar que é livre ao decidir gastar suas horas em curiosidades nas telas digitais, mas essa eleição ao proceder de um conhecimento falso da realidade, não a torna uma pessoa livre, mas imprudente ao eleger o erro, e caso persevere nesse comportamento, ficará escravo de um vício. O bom exercício da liberdade pressupõe a aquisição de virtudes, e nisso os pais são insubstituíveis. Por exemplo, para os filhos serem livres da dependência no uso de telas digitais e mídias sociais, e da forte pressão dos meios de comunicação, os pais devem, além de dar exemplo de vida, oferecer as razões profundas para que as crianças e os adolescentes compreendam o mal que está por trás dessa perda de tempo, e fomentar neles o desejo de querer aproveitar melhor o tempo para atividades mais enriquecedoras, criativas e virtuosas, pois assim, terão a vontade fortalecida.

         Para que os filhos sejam livres e não dependentes de telas digitais, influi muito uma cultura familiar que promova opções de lazer úteis e formativos. Para valorizar o tempo das crianças e adolescentes, além de orientar suas energias e interesses para o que vale à pena, pode-se incentivar a prática de esporte em locais de bom ambiente humano, participar de iniciativas sociais (arrecadar brinquedos ou alimentos no colégio ou no bairro para famílias carentes), fomentar a leitura de livros de contos e aventuras adequados à idade de cada filho; afeiçoá-los pelo colecionismo, xadrez, quebra-cabeças; procurar amigos interessados em cultivar inciativas científicas e culturais como visitar museus e livrarias; programar vídeos sobre arte, história, ciências, etc.

       Texto produzido por Ari Esteves (staging.ariesteves.com.br/).

  • Conflito com os filhos: previna-se.

    Conflito com os filhos: previna-se.

    1 – Pais inseguros. 2 – Pais agressivos. 3 – Pais assertivos. 4 – A importância das medidas corretivas.

    1 – Pais inseguros

        Três reações que costumam ter os pais em conflito com um filho: Insegurança ou permissividade, agressividade, assertividade.

        Inseguros ou permissivos são os pais que não sabem como agir diante de um conflito com o filho. Confusos, não transmitem de modo claro e firme o que esperam do filho. Por isso, são ignorados e não levados a sério. Então, encolhem os ombros e deixam as coisas ficarem como estão, acreditando falsamente que com o tempo a criança irá se autoeducar.

        O que leva esses pais a tolerarem o erro? Medo de passarem um mal bocado com os filhos; aceitarem modelos liberais de conduta impostos pelas novelas, filmes, sites, programas de TV; deixarem-se influenciar por correntes psicológicas que insistem em não reprimir as crianças para não causar traumas; ou porque se deixam levar pela lei do menor esforço – preguiça! –, que nos afeta a todos.

        Pais inseguros constroem em casa uma bomba-relógio que explodirá em breve tempo. O falso sossego que conseguem com a omissão findará logo, porque os defeitos vão crescer no espírito do filho como mato em campo abandonado, fazendo valer o ditado “É de pequenino que se torce o pepino”. Ou seja, é mais fácil evitar que um defeito se fixe no temperamento e caráter do filho, do que arrancar dele algo que deitou raízes profundas: não estudar, apegar-se a jogos e mídias, não cumprir os encargos familiares, irreverencias, teimosias…

    2 – Pais agressivos

        Os pais agressivos ou violentos se sentem fracassados por terem chegado a esse nível de educação. Ao não saberem lidar com as rebeldias se valem da força física para serem obedecidos: seguram o filho pelo braço com violência, sacodem e beliscam. Por vezes, colocam o indicador no rosto da criança e gritam palavras hostis do tipo: “Você me deixa louca, doente”, “Você é um desastre, um sem-vergonha e irresponsável”. Essas atitudes fazem os pais perderem o prestígio e a autoridade moral diante do filho. Ao humilhar e ignorar os sentimentos da criança, diminuem a autoestima dela, atemorizam-na e a tornam apática, indecisa e com medo de agir para não ser repreendida.

        Para se ver livre da brutalidade a criança obedece a um pai agressivo, mas desenvolve sentimentos de revolta e distanciamento; e se tiver personalidade forte, logo partirá para o enfrentamento.

    3 – Pais assertivos

        Pais assertivos não esperam que a criança se torne ingovernável para começar agir. Iniciam o quanto antes a educação do comportamento, harmonizando firmeza carinhosa com carinho firme (bigorna almofadada). Não têm medo de exigir e de utilizar uma linguagem positiva, afetuosa, mas exigente em suas mensagens, que são claras quanto ao que deve ser feito, quando deve ser feito e as consequências se não for feito (medidas corretivas).

        Estar atentos às reações dos filhos é atitude presente em pais assertivos, que percebem e agem rápido ao notar falhas de caráter e tendências temperamentais ou ações instintivas desordenadas e dominantes: desobediências, rebeldias para não cumprir os encargos familiares, preguiças, frivolidades, explosões de raiva nos jogos.  Para isso, procuram ler bons livros de orientação familiar, pois sabem que hoje a educação do comportamento exige mais do que o bom senso e a experiência pessoal. Diálogo com uma mãe assertiva:

        Mãe: – “Não é hora de videogame, mas de arrumar seu quarto e os brinquedos”.

        Filho: – “Quero continuar jogando”.

        Mãe: – “Já sabe a regra: não haverá jogo se antes não arrumar seu quarto e os brinquedos… Ou ficará no seu quarto por duas horas, sem jogos”.

    4 – A importância das medidas corretivas

        Os pais devem ajudar o filho a se conhecer e a ter uma luta alegre e esportiva, feita de pequenos atos diários e contrários ao defeito que o domina. Conseguem isso por meio de comparações e explicações bem pensadas, que fazem a criança compreender que não pode admitir defeitos na vida dela como quem cultiva vírus ou bactérias dentro de si. Claro, esses pais primeiramente lutam para serem melhores, pois sabem que o exemplo vale mais que mil palavras.

        As vias de fato são mais eloquentes do que as palavras. Para não improvisar uma medida disciplinar de modo impensado e de bate-pronto – sempre são exageradas e não educam –, os pais assertivos combinam previamente com os filhos qual medida disciplinar será aplicada se desobedecerem. Os filhos, por saberem que os pais sempre cumprem o que dizem, policiam melhor os seus atos.

        Importante sugestão de leitura: livro “Carinho e firmeza com os filhos”, de Alexander Lyfor-Pike, Editora Quadrante, São Paulo.

    Texto produzido por Ari Esteves com base no livro “Carinho e firmeza com os filhos”.

  • Carinho e firmeza com os filhos – I

    Carinho e firmeza com os filhos – I

    1 – Não há educação sem autoridade. 2 – Os filhos não melhoram com o tempo. 3 – Filhos tiranos, imperadores. 4 – Filhos não têm apenas direitos, mas também obrigações. 5 – Firmeza carinhosa é como bigorna almofadada. 6 – Receita caseira para ter filhos maravilhosos.

    1 – Não há educação sem autoridade

        Os pais não devem ter medo de exigir dos filhos. Trata-se de um direito e um dever que possuem, já que as crianças não têm experiência de vida e necessitam de orientação para agir bem; e porque os bons hábitos se conquistam desde as primeiras idades. Por isso, ter presente que não há educação sem autoridade, mas esta se enfraquece nas seguintes situações:

    • Não exigir dos filhos por medo de perder o carinho deles (comum em pais que passam o dia fora);
    • Desconhecer os modos de lidar com situações de conflitos com as crianças (pais submissos ou agressivos);
    • Admitir modelos liberais de conduta impostos pelas novelas, filmes e programas de tv;
    • Tolerar a má conduta do filho por influência de correntes psicológicas que insistem em não reprimir as crianças para não provocar traumas;
    • Desconhecer a natureza humana e não ter presente o princípio inato de desordem e tendência à lei do menor esforço que todos carregamos dentro.

    2 – Os filhos não melhoram com o tempo

        Só o bom vinho melhora com o passar do tempo. Se não há esforço para nos aprimorarmos cada dia, pioramos. Os defeitos crescem na proporção geométrica da passagem do tempo. É triste constatar que o tempo passa e muitas crianças continuam sendo preguiçosas, desordenadas, birrentas, comilonas, malcriadas. Isso acontece porque os pais não sobem trabalhar os aspectos negativos do caráter e temperamento do filho, e enganam-se com o falso o raciocínio de que irão melhorar com o decorrer dos anos.

        Ciência boa é ajudar cada filho a se conhecer e estabelecer uma luta alegre e esportiva, tal como a do atleta que não desiste de melhorar a performance a cada dia. Pequenos atos diários, e contrários ao defeito dominante, são poderosos para corrigir o temperamento e o caráter.

        Os filhos não devem aceitar ou conviver com defeitos pessoais, por menores que sejam, como quem cultiva dentro de si vírus e bactérias (que também são pequenos, mas estragam tudo). Com o espírito do esportista que quer melhorar sua performance, devem estabelecer pequenas metas diárias para irem reformando-se.

    3 – Filhos tiranos, imperadores

        Não é boa experiência aguardar até que as crianças se tornem ingovernáveis, nem que se transformem em senhorzinhos tirânicos ou pequenos imperadores para iniciar o processo de educação comportamental. Ao notar que algo precisa mudar, é preciso agir prontamente como quem corrige o pequeno desvio da rota do barco, se quer chegar ao destino. “É melhor prevenir do que remediar”, diz a sabedoria popular, porque é mais fácil evitar que um mau comportamento crie raízes do que erradicar aquele que se arraigou: ações ruins e reiteradas geram pré-disposições ou vícios difíceis de arrancar. Sempre podemos mudar para melhor; basta querer. Quando lutamos para superar os defeitos pessoais ganhamos autodomínio e fortalecemos a vontade para enfrentar ideais que custam sacrifício.

         Quando a criança se põe birrenta ao ser contrariada em sua vontade, é necessário tomar providências, principalmente a de não ceder, mesmo que force o choro ou queira causar escândalo para intimidar os pais no shopping ou supermercado. Não deve ser atendida para que não se sinta empoderada por meio dos péssimos recursos que utilizou. Depois, em casa, quando a criança já estiver bem-humorada, é preciso explicar a ela que não pode ser atendida em tudo o que quer, pois há limitações econômicas, de tempo (ser paciente e saber esperar a ocasião certa) e ser desprendida de caprichos, pois tem mais quem precisa de menos.

    4 – Filhos não têm apenas direitos, mas também obrigações

        Os pais não podem ser submissos e inconscientes ao julgar que os filhos são apenas sujeitos de direitos, já que não pediram para nascer. Ninguém pediu para nascer, já que é Deus que nos infunde a alma, que dá vida ao corpo; além disso, todos agradecemos o dom da vida. Os filhos são também sujeitos de deveres ou obrigações filiais-paternais, fraternais e até  sociais (amigos, vizinhos, professores…). É importante que os filhos − do menor ao maior − tenham tarefas ou encargos no lar, adaptadas às aptidões e capacidades de cada um. Condoer-se e não exigir que cumpram as tarefas ou − o que é pior − fazer as coisas por eles, transformará os pimpolhos em pessoas frágeis e acostumadas a que alguém sempre faça as coisas por eles. Sábio é o recado do dito popular sobre esse tipo de comportamento de pais e mães: “Com churros não se faz alavanca!”. Ou seja, logo serão adolescentes e jovens egoístas e metidos exclusivamente em suas coisas pessoais.

    5 – Firmeza carinhosa é como bigorna almofadada

        Os pais não precisam ser perfeitos para corrigir os filhos, desde que lutem por melhorar. Sêneca dizia que “longo é o caminho com palavras, mas curto e eficaz o caminho com exemplos”; e outros já disseram: “As palavras movem, mas o exemplo arrasta”. Para serem admirados e imitados, os pais não devem ceder a todos os caprichos dos filhos, pois estes valorizam nos pais as virtudes de que carecem: determinação, firmeza de caráter, espírito de luta ou resiliência, sentido de justiça, aproveitamento do tempo, amor aos livros, espírito de serviço, desprendimento das coisas.

        Pais assertivos harmonizam firmeza carinhosa com carinho firme (bigorna almofadada), e não têm medo de exigir e de utilizar uma linguagem positiva, afetuosa, mas exigente em suas mensagens, que são claras quanto ao que deve ser feito, quando devem ser realizadas e consequências se não forem cumpridas (aplicação de medidas corretivas).

    6 – Receita caseira para ter filhos maravilhosos

        Para ajudar os filhos a se tornarem pessoas virtuosas é necessário penetrar no mundo interior deles e não ficar na periferia. Para saber onde chegar com cada um, é necessário conhecer os pontos fortes e fracos do caráter, as características temperamentais, as reações instintivas dominantes, as explosões de raiva nos jogos e brincadeiras; as inclinações sentimentais, hábitos e tendência à preguiça ou à frivolidade; as reações de desobediência e rebeldias; as fugas dos deveres e encargos familiares. Todos querem que seus filhos sejam excelentes pessoas. Para isso, pode utilizar receitas caseiras e baratas, mas extremamente eficazes e utilizadas pelos nossos avós, que eram antigos mas não bobos!:

    • Ensinar as crianças a servir, a doar-se e se preocuparem com os pais, irmãos, avós, tios;
    • Ajudá-las a se compadecerem pela dor dos outros, mesmo daqueles que não conhecem;
    • Ao filho preguiçoso insistir para que tenha horário de acordar, de iniciar seus estudos e encargos familiares. Assim aprenderá ser laborioso;
    • Se desordenado, ensinar a colocar no lugar seus objetos (roupas, brinquedos, material escolar e esportivo), a fim de que ganhe a virtude da ordem, que levará vida a fora;
    • A partir dos 7 ou 8 anos, quando começa a despertar a sexualidade, não permitir computador no quarto, nem que durma com celular (que não deveria ter), já que a impureza enfraquece a vontade, cria obstinações e faz a criança perder o gosto por estudar, sacrificar-se pelos demais. Também deixará de rezar e de abraçar ideais que exijam esforços;
    • Ao egoísta e metido nas coisas pessoais, estimule-o a ser generoso com seu tempo ao ajudar irmãos e colegas de sala nas matérias que sentem dificuldades; se desprender das coisas pessoais e doar brinquedos ou objetos a quem carece deles;
    • À filha caprichosa que não come salada, explique sobre a importância de fortalecer a vontade contra o imperialismo dos sentimentos e do fazer apenas o que gosta.

        Importantes sugestões de leituras: livro “Carinho e firmeza com os filhos”, de Alexander Lyfor-Pike e “Como ser um bom pai”, de James B. Stenson, ambos da Editora Quadrante, São Paulo (SP).

    Texto produzido por Ari Esteves. Imagem de Aguida Medeiros (@aguidamedeirosm).

  • Seu filho é preguiçoso?

    Seu filho é preguiçoso?

    1 – A preguiça tem cara divertida, mas é um câncer. 2 – Como vencer a preguiça? 3 – A criança obediente vence a preguiça.

    1 – A preguiça tem cara divertida, mas é um câncer

        Uma das muitas fraquezas humanas é a preguiça, definida como a tristeza diante do cumprimento de um dever. A preguiça teme o esforço e pode ter como cúmplices os sentimentos, quando estes protestam ou se resistem a cumprir um dever. Deve-se olhar não para o que as coisas custam, mas para o que valem. Por preguiça há pais que se omitem de corrigir os filhos, a autoridade pública não intervém para que um serviço público seja prestado com qualidade, o estudante deixa de enfrentar os livros…

        Infelizmente muitos pais não dão importância à preguiça do filho porque esse vício se apresenta com cara divertida, marota, inofensiva, já que se omitir de fazer uma coisa parece menos grave do que realizar algo mau. Mas, esse vício é um câncer que vai minando o caráter do filho e produzirá muitos estragos na vida dele: ao descumprir suas obrigações diárias por temor à fadiga que causam, deixará também de realizar qualquer ideal que exija maior empenho.

    2 – Como vencer a preguiça?

        Os pais devem ser exemplares em laboriosidade e aproveitamento do tempo, para exigir isso dos filhos. A eficácia de uma vida tem muito a ver com a capacidade de vencer a indolência e a mandriice: se as coisas importantes custam esforço, as mais importantes exigirão maior empenho. Só dará certo na vida, e realizará algo que vale a pena, quem ganhar o hábito de vencer a sua comodidade.

        A preguiça se vence com o cumprimento diário dos pequenos deveres de cada momento: ao recolocar no lugar o objeto que acabou de ser utilizado, ao iniciar pontualmente um trabalho ou chegar no horário combinado, ao não divagar com a imaginação ou curiosear na internet enquanto se cumpre uma tarefa.

        É obrigação dos pais exigir dos filhos que coloquem no lugar as próprias roupas e o material esportivo, façam diariamente a cama ao acordar, enxuguem o box do banheiro para o próximo encontrá-lo seco, coloquem no lugar a mochila, cheguem pontualmente às refeições. É preciso admoestar o pupilo a que abandone formas sorrateiras de preguiça como, por exemplo, interromper o horário das tarefas escolares para vaguear com a imaginação, consultar o celular ou ir até a geladeira, ficar muitas horas diante da televisão vendo desenhos. E também vale insistir com o pimpolho que cresça em espírito de serviço e cumpra os encargos familiares que lhe foram atribuídos.

        Ao negar-se diariamente aos pequenos desvios da negligência, crescerão nos filhos as virtudes da ordem, laboriosidade, fortaleza e espírito de serviço. E o mais importante: a vontade deles terá um “querer” decidido e o caráter será forjado em estrutura de bom aço.

    3 – A criança obediente vence a preguiça

        Crianças a partir dos 2 anos ou 2,5 anos gostam de obedecer aos pais para agradá-los, e facilmente ganham o hábito de serem ordenadas e exigentes consigo mesmas. Para isso, devem ser exigidas com afeto a fazer o que é certo: a menina deverá acostumar-se a colocar as bonecas na caixa de bonecas, os pratinhos na de pratinhos, as panelinhas na caixa de panelinhas; o menino, a guardar os soldadinhos na caixa de soldadinhos, carrinhos na de carrinhos, bolinhas na de bolas, lego na de lego. O que não podem é jogar tudo dentro de um mesmo recipiente! Como não sabem ler nessas idades, é inevitável que os pais diferenciem as caixas ao colar o desenho correspondente do lado de fora.

        Evidentemente, a criança de 2 anos ou 2,5 anos não percebe ter adquirido a virtude da ordem, mas logo notará que muitos coleguinhas do infantil ou fundamental são desordenados, bagunçados e preguiçosos, e que para ela não custa esforço algum agir corretamente.

        Com paciência e carinho, os pais não devem temer exigir das crianças! Elas não têm experiência de vida e carecem de ser orientadas. Estejam certos de que em pouco tempo seus filhos adquirirão bons hábitos para a vida afora, e o agradecimento deles, pela insistência de vocês, será eterno. Bom treinamento!

    Texto produzido por Ari Esteves (staging.ariesteves.com.br/).

  • Educar a vontade

    Educar a vontade

    1 – Tornar a vontade forte. 2 – Os filhos devem realizar ações que não gostam.

    1 – Tornar a vontade forte

        Muitos pais se preocupam em fortalecer a inteligência dos filhos, e preenchem a agenda deles com aulas, jogos e atividades que, dizem, estimulam os neurônios. Mas, se pouco fazem para fortalecer a vontade ou a capacidade de querer das crianças, mau negócio, pois elas poderão ser muito “inteligentes” para fugir das próprias obrigações por preguiça. Educar a Vontade dos filhos significa torná-la forte por meio de ações pequenas e constantes que criem hábitos bons.

        Para fortalecer a vontade é preciso distinguir na pessoa humana algumas de suas faculdades: inteligência vontade como capacidades espirituais, e afetividade (sentimentosemoções paixões) como faculdades sensíveis e não racionais. Cada uma dessas faculdades – vontade e sentimentos – tem uma ação que lhe é própria: querer e gostar.

        Querer é ação própria da vontade, também chamada de apetite da inteligência. Esse querer da vontade é sempre intelectualizado porque passa primeiramente pela capacidade de compreender. É a partir desse conhecimento que se quer ou não se quer algo, porque foi revelado pela inteligência como bom ou mal. O querer da vontade está na esfera do livre arbítrio, do decidir se queremos ou não algo que foi pensado.

        Gostar é ação própria dos sentimentos, emoções e paixões, que são irracionais e nos fazem simplesmente gostar ou não gostar de algo sem explicação para isso: gostamos ou não gostamos de tal tipo de alimento, música, roupa, filme ou obra literária; preferimos essa cor e não outra, etc. Não sendo racionais, os sentimentos não são chamados para serem reitores das ações, e só devem ser seguidos depois de analisados pela inteligência e queridos (ou não) pela vontade. Se a vontade com o seu querer estiver enfraquecida, não conseguirá se sobrepor à lei do gosto, que é a lei dos sentimentos ou estados de ânimo. Estes, por serem irracionais e cambiantes, não devem comandar nossas ações: se gostar, faço; se não gostar, não faço. Quem se pauta por isso terá muitos dissabores na vida.

        Para compreender a diferença entre querer gostar, pensemos que ao recolher indigentes cobertos de pústulas nas sarjetas de Calcutá, Madre Teresa o fazia porque sua inteligência mostrava ser importante essa obra de caridade, e sua vontade decidia cumprir tal ação. Mas, podemos razoavelmente acreditar que os sentimentos dela, ao recolher nos braços alguém cheio de pus, sujo e cheirando mal, poderiam ser de rejeição e repulsa. Por isso se diz que a vontade de alguém é forte quando o seu querer  se impõe à lei do gostoprópria dos sentidos ou dos sentimentos.

    2 – Os filhos devem realizar ações que não gostam

        Pensemos agora no comportamento das crianças, quando os sentimentos delas levam a gostar ou não gostar de brincar com bola, preferir carrinhos ou miniaturas de super-heróis, dançar ou cantar, correr ou brincar sentados. Até aí tudo bem, porque os sentimentos, muito ligados ao temperamento de cada filho, levam a que prefiram uma coisa e não outra, o que é uma maravilha, pois isso revela que pessoa humana não é fabricada em série como as garrafas de refrigerantes, e somos muito diferentes uns dos outros.

        Mas há ações que as crianças precisam ser incentivadas a realizar, independente de gostar ou não delas: estudar, ajudar o irmão mais novo a aprender matemática, colocar em ordem seus brinquedos (bolinhas na caixa de bolinhas, lego na caixa de lego, carrinhos na caixa de carrinhos), guardar a roupa na gaveta ou no cesto para serem lavadas, levar o lixo para fora, colocar pratos e talheres na mesa, dormir e acordar no horário, não comer fora de hora, ir brincar só após ter feito a lição de casa ou cumprido o encargo que lhe foi atribuído. Quando a criança possuir controle motor deverá arrumar a cama, banhar-se e enxugar o box, vestir-se, preparar seu prato e cortar o bife.

        Ao exigir o cumprimento dos deveres, os pais tornam a vontade dos filhos forte e robusta para que se sobreponha à preguiça ou ao comodismo, pois, como diz o ditado, “com churros não se faz alavanca”. Em pouco tempo, a criança que adquiriu bons hábitos realizará com alegria e prontidão aquilo que deve ser feito.

    Texto produzido por Ari Esteves (staging.ariesteves.com.br/). Imagem de Aguida Medeiros (@aguidamedeirosm)

  • O subconsciente é chave para as motivações

    O subconsciente é chave para as motivações

    1 – O subconsciente pode ser utilizado para incentivas boas ações. 2 – O subconsciente e a sensibilidade humana. 3 – O subconsciente nas ações agradáveis. 4 – O sonambulismo e o subconsciente.

    1 – O subconsciente pode ser utilizado para incentivas boas ações

        O subconsciente é chave nas motivações da pessoa, e pode ser utilizado para incentivar as boas ações. Quando o cérebro trabalha fora do nível da consciência, ou em atividades não governadas pelas ações de livre escolha, se diz que trabalha a nível subconsciente. No seio materno começam as primeiras conexões neurais, e o cérebro inicia as atividades do subconsciente. Ao nascer, enquanto a criança não é livre para decidir, seu cérebro é governado pelo subconsciente, de modo que seus atos ainda não podem ser avaliados como moralmente bons ou maus. Quando a liberdade passa a atuar pelo ato da vontade, a pessoa torna-se capaz de escolher, fazendo ceder o subconsciente.

        O subconsciente atua também em adultos: nos sonhos, pesadelos, sonambulismo, na busca involuntária de lembranças. À noite, durante o sono, o subconsciente continua a trabalhar e por vezes se desperta com a resposta de um problema que ocupou o dia da pessoa. Neste caso, é bom levantar e anotar a ideia para descarregar a pressão do subconsciente, ou porque se não anotar a resposta, esta ficará no subconsciente e não será lembrada. O subconsciente também atua como despertador quando, por exemplo, a pessoa está preocupada em não acordar e perder o horário de ir para o aeroporto: acordará antes do relógio despertar. 

    2 – O subconsciente e a sensibilidade humana

        O subconsciente atua com maior força na área da sensibilidade humana, onde os sentimentos de agrado ou desagrado atuam mais: o subconsciente é atraído pelo carinho, pela alegria ou bem-estar, e recusa-se ao medo, tristeza e a dor. Quando uma criança faz uma boa ação e recebe carinho, o subconsciente (e também o consciente) a anima a repetir a ação para receber mais carinho, pois é muito sensível a esses estímulos. Por isso, se a criança fez uma ação má, e não é corrigida, mas tratada com carinho, o subconsciente guardará impresso esse fato e tenderá a repetir a ação má para receber mais carinho. Isso ocorre porque o subconsciente não avalia o bem ou o mal das ações, mas apenas registra o agradável ou desagradável das ações. O mais recomendável em tais casos é oferecer razões à criança para informar ao seu nível consciente sobre o desacerto da ação praticada, sem dar mostras de carinho. Assim, tanto o consciente atuará em favor dos pais, quanto o subconsciente, que não entrará em contradição porque não recebeu estímulos de agrado.

    3 – O subconsciente nas ações agradáveis

        Há relatos de casos que sinalizam fortemente a ação do subconsciente: Uma idosa de 90 anos telefona de madrugada à filha dizendo que tem dores de reumatismo e pede que venha atendê-la. A filha vai à casa da mãe e a trata com muito carinho, lhe dá os remédios de sempre, espera que a dor passe e volta para casa. Os remédios tiraram a dor da mãe, mas o subconsciente registrou os momentos sensíveis de carinho. No dia seguinte o subconsciente fez a mãe reproduzir as mesmas dores, sem que existissem realmente, e a mãe tornou a chamar a filha para que viesse atendê-la. É o típico caso de receber carinho por algo ruim, o reumatismo. 

        Outro relato: um bebe de dois meses ficou em posição incômoda no berço e se pôs a chorar. A mãe o posicionou melhor e o encheu de beijos e carícias. O subconsciente processou que graças ao choro recebeu carinho. Quanto mais a mãe o acariciar por deixá-lo sozinho, mais irá chorar motivado pelo subconsciente.

        Uma menina de três anos só se alimentava se a mãe lhe desse de comer. Mesmo estando o prato à sua frente ela poderia passar horas sem provar a comida, pois seu subconsciente sabia que a mãe lhe daria a comida. Em uma ocasião, a mãe se ausentou e o pai e os irmãos viram a menina comer sozinha. Ao retornar a mãe no final da tarde, a menina se esqueceu de comer outra vez. 

    4 – O sonambulismo e o subconsciente

        Um caso de sonambulismo: um menino de cinco anos assistiu por descuido dos pais a um filme de terror na televisão. Depois do jantar a criança foi dormir e logo pegou no sono porque o sangue ao se concentrar mais no estômago faz a pressão sanguínea do cérebro diminuir, induzindo rapidamente ao sono. Porém, de madrugada a criança acordou chorando e assustada, pois seu subconsciente estava repleto de monstros e cenas de horror, e a tensão lhe interrompeu o sono. A mãe foi ao quarto do filho e o encheu de beijos e carícias afirmando que monstros não existiam, levando-o para a cama dela. A partir desse dia o menino levantava de sua cama e ia dormindo ao quarto dos pais, sem lembrar-se de nada no dia seguinte, pois passou a ser um trabalho do subconsciente que gravou o fato de que graças aos monstros recebia beijos e era levado à cama dos pais. A mãe conscientizou o filho de que não era bom que ele fosse para a cama dela, pois seus amigos ao saberem disso iriam rir dele; e o pior seria se ele fosse dormir na casa de um primo ou amigo e repetisse essas cenas. Depois explicou ao garoto sobre o funcionamento do subconsciente, e que este deveria ser corrigido. Então combinou um plano com o filho, tendo ele concordado que monstros não existiam. Na noite seguinte ela fechou a porta do quarto pelo lado do corredor, e o pequeno sonâmbulo tentou abrir a porta, que ao estar fechada o fez chorar. Ao despertar pelo próprio choro, o garoto se lembrou do plano estabelecido com a mãe e retornou à própria cama. O subconsciente pelo fato de ter recebido uma resposta negativa -acordar sem receber beijos e carícias- arquivou a façanha noturna nos confins de seus múltiplos fólios.

    Texto produzido por Ari Esteves, com base no livro “Educar en positivo”, de Fernando Corominas, Coleccion Hacer Familia, Espanha

  • Não aprove um erro do seu filho

    Não aprove um erro do seu filho

    1 – A criança deve assumir sua culpa. 2 – Ajude a criança a compreender seu erro.

    1 – A criança deve assumir sua culpa

        Todos conhecemos a tendência psicológica humana de manifestar descontentamento por gestos bruscos, às vezes violentos, quando algo ou alguém se opõe aos desejos pessoais. Percebemos isso até nas crianças que, ao serem contrariadas, desde o berço atiram para longe o objeto que têm nas mãos. Ao crescer um pouco e correr pela casa, a criança poderá tropeçar numa cadeira, machucar-se e, contrariada e quase que por instinto, se vingar do móvel dando-lhe pontapés.

        Se o seu filho tropeçar na cadeira e chorar, não diga “cadeira malvada”, nem dê tapinhas para “repreender” a mobília, mas faça a criança compreender que a culpa terá sido pela falta de atenção dela. É preciso educar a criança para que assuma as consequências de seus atos. Um erro que poderá cometer a mãe, para fazer cessar as lágrimas do filho, será incentivá-lo a bater na “cadeira malvada”, ou, pior, ajudar o filho a golpear o móvel, sem perceber que estará contribuindo para arraigar no coração dele a tendência –essa sim, malvada– de bater nos irmãos ou na própria mãe quando for contrariado por eles.

    2 – Ajude a criança a compreender seu erro

        Se a criança tropeçar na cadeira, o mais razoável é que a mãe a faça compreender que o móvel não teve culpa, e que o acidente ocorreu pela desatenção dela. Com isso, desde o início da sua educação, a criança estará sendo ajudada a reconhecer seus próprios erros, ao invés de atribuí-los às circunstâncias externas. Aqui está um aspecto fundamental da educação de qualquer pessoa, desde criança: ser humilde e reconhecer a verdade e a responsabilidade de seus próprios atos.

    Texto produzido por Ari Esteves (staging.ariesteves.com.br/)

  • Afetos e emoções não devem comandar as ações

    Afetos e emoções não devem comandar as ações

    1 – O sentimentalismo é um mal. 2 – Os sentimentos podem conduzir a erros. 3 – Não confiar plenamente nos sentimentos.

    1 – O sentimentalismo é um mal

    O sentimentalismo é um mal, pois se trata da pré-disposição ou atitude de permitir que a vida seja comandada pelos afetos e emoções. O sentimental ou emotivista transfere para as coisas o afeto que deveria ter para com as pessoas, já que adota como motivo de sua conduta a presença ou ausência de sentimentos: se gosta faz, se não gosta não faz (ou adia). Vive a lei do gosto, própria dos sentimentos, pois a sua vontade (potencia espiritual) tem um querer fraco e já não comanda suas ações. Ao confiar demasiadamente nos sentimentos, o emotivista deixa de examinar com a inteligência se deve ou não fazer algo; caso examine, não consegue ultrapassar a barreira dos sentimentos, como o da preguiça, e deixará de fazer o que deve (poderá fazer se o sentimento for de entusiasmo).

    2 – Os sentimentos podem conduzir a erros

    Ao variar com frequência, porque não são equânimes, os sentimentos fazem o emotivista mudar constantemente de planos, o que faz de sua vida um eterno começar sem nunca acabar. Seu caráter, por depender de estados de ânimo, torna-se inconstante, inseguro e superficial. Quem confia demasiadamente nos sentimentos acaba tendo desenganos ou decepções ao não penetrar com a inteligência, por exemplo, no conhecimento da pessoa com quem deseja montar uma família (se tudo ficou apenas no nível dos sentimentos poderá ter decepções).

    Outra falha a que nos podem levar os sentimentos é amar desmedidamente realidades que não merecem tantos sentimentos, como transferir a animais os mesmos sentimentos que deveriam ser colocados, por exemplo, em crianças privadas de amor, enfermas ou sem recursos; idosos sem familiares em asilos. Todos seremos julgados pelo amor que não tributamos às pessoas.

    3 – Não confiar plenamente nos sentimentos

    Por que não confiar demasiadamente nos sentimentos? Aristóteles dizia que os sentimentos são como o nosso gato doméstico: pode-se amestrá-lo, mas não se pode confiar plenamente nele, pois pode nos atacar. Platão se referia aos sentimentos como grandes companheiros do homem, ainda que não tenham a maioridade e são como crianças pequenas e irresponsáveis. Ou seja, é bom desconfiar e examinar por onde eles nos levam. É próprio do ser humano ser racional, o que o leva a examinar tudo pela inteligência, pois esta é a única que aprecia todos os aspectos de cada realidade, a fim de que a vontade possa assumir com segurança o melhor comportamento. Os sentimentos devem apoiar e seguir aquilo que foi fruto de um juízo correto. E se os sentimentos não seguirem o mesmo caminho, devem ser corrigidos e não acolhidos.

    Texto produzido por Ari Esteves. Fotografia de Alex Azabache.

  • A má vontade

    A má vontade

    1 – Falhamos muitas vezes. 2 – Por que nos deixamos vencer? 3 As crianças e a má vontade.
    4 – Para mudar necessitamos de um querer forte.

    1 – Falhamos muitas vezes

        Digam-me: quem nunca falhou em nada? Falhamos muitas vezes e não fazemos o bem que gostaríamos de fazer, nem evitamos o mal que desejaríamos evitar. Por vezes, nos propomos fazer uma coisa que nos custa um pouco e depois não a fazemos: regime para emagrecer, exercícios físicos, deixar de fumar, chegar no horário, ser mais organizado, dedicar um tempo diário ao estudo dos assuntos da nossa profissão, exigir um dia e outro que os filhos cumpram as suas tarefas.

        Quando o querer da vontade não tem forças para resistir ao “conforto” que a preguiça oferece, surge o sentimento de má vontade, e então cedemos, deixando de fazer o que deveríamos.

    2 – Por que nos deixamos vencer?

        Mas por que custa tanto mudar de atitude?

    1. Todo esforço desagrada, e a isso chamamos de preguiça, que é a tristeza diante do dever a ser cumprido. Custa sair da rotina ou da comodidade para complicar a vida e se sacrificar pelo bem dos outros.
    2. A pressão social ou vergonha de ir contra o ambiente pode nos levar a agir de forma diferente da que pensamos.
    3. Porque nos deixamos arrastar pelos bens que nos atraem mais, tais como os ligados ao instinto: comida, bebida, conforto…
    4. Também podemos ser arrastados por bens de inclinação psicológica aos quais nos afeiçoamos de forma desordenada: trabalho exagerado; ânsia por dinheiro, posição ou poder; paixão desmedida por um hobby ou passatempo que faz abandonar outros afazeres. Trata-se da desordem ou intemperança no modo de desejar as coisas.
    5. Há pessoas que falham mais gravemente ao se deixar arrastar de forma desordenada pela lei do gosto imposta pelas inclinações primárias (comer, beber, divertir-se). São os vícios que que arrastam a ponto de tirar a capacidade de decidir livremente e dizer um não a essas forças, extremamente deletérias: jogos de azar, drogas, pornografia, intemperança na comida ou bebida… Tais afagos, quando se incrustam na imaginação e na memória, obscurece a consciência, debilita a vontade e a pessoa cede.

    3. As crianças e a má vontade

        É um grave erro antropológico pensar que as crianças estão imunes à má vontade. Como todos os filhos de Eva, elas também padecem do vírus da preguiça, do desejo de comodidades e de empurrar com a barriga o que custa fazer. Os pais precisam ensiná-las a fazer não apenas o que gostam, como ficar metidas em seus jogos e brincadeiras. Para isso, é necessário motivá-las a ajudar, a assumir tarefas ou encargos adaptados à idade de cada uma, a fim de que possam colaborar para o bem de todos no lar. Ao deixar uma atividade prazerosa para colocar, por exemplo, os pratos na mesa, tirar o pó dos móveis, arrumar o quarto e os brinquedos, fortalecerão a vontade e criarão o hábito de cumprir primeiramente seus deveres para ir depois aos seus prazeres. Ao se habituarem a fazer não só o gostoso, nunca serão molengonas como churros e sem forças para estudar, ter disciplina para acordar e chegar pontualmente à escola. Além disso, ganharão virtudes como a fortaleza, espírito de solidariedade, sentido de responsabilidade, ordem, autodisciplina, entre outras.

    4 – Para mudar necessitamos de um querer forte

        Deixar-se vencer pelo mais cômodo é uma condição que não devemos aceitar. Ninguém busca o mal pelo mal, mas porque este parece prometer muito, mas por fim oferece pouco, pois tudo o que verdadeiramente vale a pena custa esforço. O segredo é conservar a capacidade de ver a verdade com a inteligência e tomar decisões pelo querer da vontade. Ambas − inteligência e vontade − devem ser as nossas capacidades reitoras, e não as paixões, que apenas gostam ou não de algo (claro, elas são ótimas quando apoiam as decisões corretas, pois nos ajudam a enfrentar os obstáculos para chegarmos ao fim proposto).

        Com um querer forte não seremos marionetes dos nossos sentimentos e instintos: quem deve comandar nossos atos somos cada um de nós que, por meio de um juízo prático da inteligência, e com uma vontade forte, guiada pela luz da inteligência, nos deve levar a tomar decisões acertadas. Imaginem um cavalo que conduz o cavaleiro para onde, ele, cavalo, bem gostar, porque o cavaleiro não tem inteligência para guiar o animal para onde ele deveria ir! Imaginaram? Pois temos aí a imagem de quem se deixa conduzir pelos sentimentos e instintos e não pela inteligência e vontade.

        Como se fortalece a vontade? Por meio de virtudes! Comece a fazer pequenos atos contrários aos defeitos pessoais, e ajude as crianças também a realizarem atos contrários aos defeitos que possuem: pontualidade, não perder tempo em redes sociais, temperança na comida e bebida (não comer fora de hora), não adiar os deveres, ordem nos objetos pessoais (é mais fácil deixar os livros ou brinquedos em qualquer lugar), aproveitar melhor o tempo e não ficar horas diante da televisão, entre outros muitos pequenos exercícios.

        Bom treino! E não esqueça de ensinar as crianças a se exigirem mais de si mesmos.

    Texto produzido por Ari Esteves.

  • Normalizar os sentimentos dos filhos

    Normalizar os sentimentos dos filhos

    1 – Sentimentos normalizados: base da personalidade sadia. 2 – Iniciar a normalização pelo autodomínio. 3 – Pais, melhores educadores da afetividade dos filhos.

    1 – Sentimentos normalizados: bases da personalidade sadia

        Aos pais corresponde antes de tudo normalizar os afetos dos filhos (sentimentos, emoções, paixões), pois são bases para uma personalidade sadia. Se falharem nessa tarefa os filhos terão dificuldades para dominar-se, crescer em virtudes, ter um amadurecimento psicológico de acordo com a idade, o que afetará também a convivência com os demais. Se desde a infância e adolescência os filhos aprenderem a ter harmonia sentimental, saberão resolver suas crises afetivas, darão à inteligência a direção da conduta e não aos sentimentos, manifestarão de modo adequado seus sentimentos ao não colocar demasiado afeto em realidades que merece menos (perder um jogo sem irar-se) e colocarão mais sentimentos em realidades que merecem mais (compadecer-se dos que sofrem), suportarão um “não” ou uma contradição sem emburramentos, aprenderão esperar com paciência e assumirão projetos ou ideais de serviço aos demais, mesmo que exijam sacrifícios pessoais.

    2 – Iniciar a normalização pelo autodomínio

        Diz o ditado que “é de pequenino que se torce o pepino”. Para não deixar o pepino entortar, há pais que iniciam a educação para o autodomínio a partir dos dois anos, porque nessa idade as crianças já compreendem as indicações e cumprem com alegria as pequenas tarefas adaptadas à sua capacidade: ao colocar nas respectivas caixas os brinquedos após o uso, a criança estará dominando-se para não deixá-los jogados no chão, que seria o seu natural, e o mesmo ocorrerá ao colocar a roupa para lavar no cesto ou pôr no lixo a fralda suja, entre outros encargos que cumprirão sorrindo.

        Mais do que iniciar a educação dos filhos através de aulas e cursos para fortalecer a inteligência, os pais devem começar pela educação ou normalização dos sentimentos, porque é a base para o autodomínio e o fortalecimento da vontade (uma vontade fraca se deixa vencer por muitos vícios). O dia a dia da vida familiar está repleto de oportunidades para estimular a criação de hábitos bons ou virtudes que evitarão as desordens da preguiça, intemperanças e egoísmos. Para isso, os pais precisam ajudar os filhos a crescer não apenas em autodomínio, mas em fortaleza, preocupação pelos demais, espírito de serviço, entre outras virtudes que levarão por toda a vida, ao exigir, por exemplo, que mantenham em ordem suas roupas e demais objetos pessoais; a serem pontuais nos horários de dormir, acordar, fazer as refeições, jogar ou brincar; ao cumprir encargos para o bom andamento do lar, ao ter um horário diário após as aulas para estudar em casa, ao aproveitar o tempo livre para leituras e ampliação cultural.

    Ao não educar a afetividade desde as primeiras idades, já na adolescência a falta de domínio das paixões levarão a comportamentos que enfraquecerão o caráter e a personalidade: intemperança na comida, pornografia na internet, fuga das tarefas que exijam esforço (estudar, ajudar em casa), modos desregrados de divertir-se e descansar. É triste ver estatísticas que apontam ser a faixa etária de 13 a 25 anos a que comete crimes mais violentos, porque não houve educação familiar na infância e na adolescência. São os pais e não os órgãos públicos os mais indicados para eliminar a violência juvenil. Os estados que apoiarem as famílias na educação dos filhos atuarão com inteligência, maior eficácia e menos gastos públicos, já que os pais não exigem salários, não fazem greves, não tiram férias e não folgas aos domingos e feriados, não precisam de secretarias ou órgãos de controle para que cumpram suas obrigações, e gastarão menos com o aparato policial de repressão à violência.

    3 – Pais, melhores educadores da afetividade dos filhos

    Os pais são os únicos e mais eficientes educadores da afetividade, temperamento e caráter dos filhos. Essa eficiência radica-se no amor e na natural confiança que os filhos têm pelos pais. Ao estarem sempre presentes, são os únicos que podem oferecer uma eficiente educação personalizada aos filhos.

    Para normalizar os sentimentos dos filhos, os pais devem ir na frente e serem modelos, pois a falta de exemplo afeta os filhos. Para educar hoje, os pais não devem confiar apenas no bom senso, pois a descarga de desinformação que recai sobre os filhos faz urgir que se oferecem a eles respostas que satisfaçam plenamente a inteligência, pois já não basta dizer os ultrapassados “Porque não pode” ou “Porque eu quero”. Pai e mãe mal preparados não podem ser bons educadores, e por isso devem buscar uma sólida formação por meio de leituras, palestras, áudios e cursos para educar com eficiência.

    Texto produzido por Ari Esteves. Imagem de Aguida Medeiros (@aguidamedeirosm).