Categoria: CULTURA

  • Filhos que não gostam de ler

    Filhos que não gostam de ler

    1 – A falta de incentivo familiar para a leitura. 2 – As crianças gostam de ouvir histórias. 3 – Vantagens da leitura. 4 – As telas empobrecem a mente. 5 – Promover uma rica cultura familiar

    1 – A falta de incentivo familiar para a leitura

       Quando um adolescente afirma que não gosta de ler, não se pode atribuir a culpa à escola, mas à falta de incentivo familiar. Logicamente a liberdade pessoal sempre estará presente nas decisões pessoais, e mesmo sendo os pais bons leitores, poderá um filho não apreciar a leitura. Porém, constata-se na maioria dos casos que a falta de estímulo pelos livros vem do desinteresse dos pais, que não leem e não souberam promover a leitura.

         Causa pesar constatar que muitos pais e mães mal percebem que desaproveitaram a ocasião de ler para os filhos, quando estes eram pequenos, pois teria sido um modo magnífico de criar neles o interesse pelos livros, e não pelas preguiçosas telas digitais.

         Ao serem privados de descobrir o prazer de fixar a atenção na narração de histórias lidas ou ouvidas, ao chegar à adolescência encharcados de imagens, os filhos logo se entediam com os textos e se tornam arredios a eles, pois se acostumaram com o pouco esforço mental que as telas exigem. Com isso, não descobrem que a leitura é em si mesma um universo, que os livros falam conosco como bons amigos, que alimentam criativamente a imaginação ao torná-la mais rica que as telas digitais, e que fomentam a capacidade de concentração e o gosto pelo estudo.

    2 – As crianças gostam de ouvir histórias

         Faz parte da natureza humana ouvir histórias e penetrar em mundos desconhecidos. Os tradicionais contos infantis arrebatam as crianças, que pedem incansavelmente para que releiam suas histórias preferidas, e aguardam ansiosamente a hora em que os pais ou um irmão façam isso para elas. Quando fisgadas, sonham um dia ler por conta própria, pois percebem que é a chave para viajarem com a imaginação. Para a criança, a leitura é um jogo entre ela, a mãe ou pai e o conto, sendo o adulto a voz das histórias e a mão que a conduz para dentro da narrativa. Os pais devem ser pacientes e repetir esse jogo dia após dia, reservando um tempo exclusivo para isso. Grandes escritores relatam que desde pequenos foram insaciáveis “devoradores” de livros. É através dos personagens dos contos que as crianças começam a compreender que existe o bem e o mal; que devem amar o bem e odiar o mal.

         Para afastar o feitiço das telas digitais deve-se aumentar a satisfação de ler. Para isso, é necessário encontrar um tipo de leitura que agrade, e de acordo com a idade dos filhos: contos, dramas, romances, suspense, aventuras, comédias, fantasias, biográficas, livros históricos, entre tantos outros gêneros e estilos. A emoção da leitura tem a ver com o texto e o contexto, e com o modo do escritor se relacionar com o leitor, seja pelo seu modo de dizer ou pelas metáforas e imagens que utiliza.

    3 – Vantagens da leitura

         Deveria ser desnecessário listar os benefícios infinitos da leitura, que é uma forma profunda de conhecimento, mas torna-se necessário mencionar alguns para que não passem despercebidos pelos pais. A literatura além de iluminar a inteligência ao dar a ela riqueza léxica e capacidade de argumentar e expressar pensamentos e sentimentos de forma rica, é também um laboratório que ensina coisas insubstituíveis para a vida: a maneira de compreender a si e as pessoas, os valores que valem a pena conquistar, o significado do amor verdadeiro, a experiência alheia que se pode colher, permite distinguir muitos valores, como o da amizade verdadeira da falsa (para isso basta ler Pinóquio, de Carlos Collodi).

         A leitura promove um grande acontecimento na vida da criança: a faz descobrir o que cada coisa é, que nome e significado possui, e isso a permite ganhar conceitos para se expressar. Ao se aproximar da palavra, a criança percebe nela há um mistério que provoca sentimentos.

         A leitura é íntima, e mantém um diálogo interior ao buscar na alma os conceitos das palavras para manejá-los por meio da memória, imaginação e inteligência, o que permite a reflexão, que é outro mecanismo linguístico da inteligência para analisar situações e sentimentos, e isso só é possível mediante a palavra.

         Porém, o vício de permanecer frente as telas digitais vendo discorrer diante dos olhos excessivas imagens, que mal podem ser processadas, impede o senso crítico e a capacidade de tirar consequências. A literatura vai além do conhecimento. Hannah Arendt estabelece uma distinção entre conhecimento e pensamento: conhecimento é fácil, diz ela, sendo o que aprendemos com a técnica, a ciência e o método. Já o pensamento é a capacidade da pessoa refletir sobre si (cair em si), pois se o homem perde a capacidade de pensar acaba sem distinguir entre o bem e o mal.

    4 – As telas empobrecem a mente

         Hoje, os audiovisuais podem ser considerados os adversários principais da leitura, pois fascinam a criança: são agradáveis e não exigem esforço mental para se postar passivamente diante de uma tela e assistir a uma enxurrada de imagens prontas.
         Quando os pais ofertam ao filho um celular ou tablete, a fim de que fique em casa e fujam dos perigos da rua, mal percebem que tal atitude cômoda gera na criança vícios, atitudes de preguiça ou comodidade, tornando-a passiva e indiferente às pessoas e às realidades que a cercam. E ao retornar ao mundo real sente-se entediada dele.
         Se por um lado o excesso de imagens faz adormecer a inteligência, por outro instiga as paixões e leva o adolescente a não se questionar se é certo ou errado moralmente − tarefa essa da inteligência ou consciência prática − ver cenas pornográficas, debilitando, com isso, sua vontade para decidir de modo contrário. A inteligência necessita de valores para pensar bem, e estes são facilmente aprendidos na leitura e releitura de bons livros.

    5 – Promover uma rica cultura familiar

         É tarefa dos pais promover um sadio ambiente cultural na família, a fim de ampliar a sensibilidade de todos para as diferentes formas de beleza. Uma criança que desde sua casa ouve os “pancadões” com músicas e letras de péssimo gosto, que chega da rua aos seus ouvidos nos fins de semana, não saberá da existência de gêneros musicais mais ricos se os pais não os apresentar a ela, seja por vídeos ou participando ao vivo de boas apresentações.
         Não é preciso ter poder aquisitivo para fomentar um excelente ambiente cultural na família, mas possuir sensibilidade, bom gosto e capacidade de avaliar o que é bom a fim de programar vídeos, leituras, visitas a museus e exposições (cerâmica, pintura, artesanatos, escultura), apresentações musicais de diferentes gêneros em polos culturais gratuitos da cidade… Os grandes museus da Europa possuem sites, sendo possível viajar dentro deles, e no YouTube basta localizar shows musicais de alto nível estético, seja do gênero popular ou clássico para crianças.

         Sempre é tempo de recomeçar, caso os pais tenham perdido o tempo oportuno de promover a leitura em família. Para isso, devem explicar aos filhos sobre a importância desse hábito, e que pretendem corrigir-se e se tornar bons leitores. Depois, informar que deixarão de ficar grudados na tv e outras telas para aproveitar esses espaços com bons livros. Entusiasmar os filhos para organizarem juntos uma biblioteca familiar, informando-se com amigos de critério e bom gosto sobre as excelentes obras literárias. Introduzir nos passeios familiares visitas a livrarias, sebos, feiras de livros, locais de contação de histórias ou de leitura de poesias; e programar vídeos com esses conteúdos. Veja a lista de livros de literatura infanto-juvenil para sugerir ao seu filho: staging.ariesteves.com.br/livros

    Texto produzido por Ari Esteves para o site staging.ariesteves.com.br/.

  • Lazer e tempo livre dos filhos

    Lazer e tempo livre dos filhos

    1 – O lazer é necessário para se trabalhar bem. 2 – Diversão em todas as etapas da vida. 3 – A família ensina a brincar. 4 – Atividades que respeitem o gosto dos filhos. 5 – Ao brincar as crianças aprendem a viver. 6 – Promover Clubes Familiares ou espaços educativos.

    1 – O lazer é necessário para se trabalhar bem

          Um arco em constante tensão se estraga e deixa de cumprir a função de lançar a seta ao alvo. Uma pessoa também não pode levar a vida em constante pressão, e necessita de momentos de distensão. Trabalhar e brincar são atividades diferentes, mas realizadas pela mesma pessoa. O descanso permite retornar às reponsabilidades familiares, profissionais e sociais com energias renovadas.  Em grego, educação (paideia) e jogo (paidiá) são termos do mesmo campo semântico. De fato, aprendendo a jogar se pode adquirir atitudes para enfrentar a vida.

          As obras humanas − seja trabalhar ou brincar − envelhecem, caducam, e são colocadas no arquivo morto da história. O seu valor mais elevado está em que, ao serem realizadas, façam crescer no amor, o que corresponde também crescer em virtudes. A vida só tem sentido pleno quando fazemos as coisas por amor a Deus, em primeiro lugar, e aos demais, porque só as obras de amor ultrapassarão as fronteiras desta vida e acompanharão na eternidade os que as realizam.

        A atual indústria do entretenimento promove diversões viciosas que dificultam ou impedem o crescimento em virtudes, como a temperança ou autodomínio, a laboriosidade, entre outras. A desorientação dos jovens não é diferente da que se verifica em muitos adultos, que também confundem a felicidade, que é resultado de uma vida plena, com uma efêmera sensação de alegria pontual, que logo passa e deixa um sabor amargo.

          Toda pessoa deseja ser feliz. Porém, muitos − jovens e adultos − não perceberam que a felicidade é um bem espiritual e não material, e se propõem diversões superficiais que apenas afagam os instintos e a sensibilidade, sem preencher a alma. Assim, se sentem tristes, embotados e com a sensação de que lhes falta algo, uma vez satisfeitos seus caprichos. Nos clubes, o crescimento em virtudes, o espirito de solidariedade ou de serviço aos demais, ensinam que a diversão deve ter em conta a Deus e o bem do outro.

          Feriados e fins de semana quebram a monotonia do quotidiano e são ocasiões para descansar, desfrutar da vida em família, educar os filhos e viver a fé em Deus. Na tradição judeu-cristã são dias com sentido religioso, associados ao descanso de Deus, uma vez terminada a Criação, quando Ele abençoou e santificou o sétimo dia e nele contemplou sua maravilhosa obra, vendo que tudo era muito bom, especialmente a criação do ser humano. Assim, desde tempos imemoriais os dias de folga têm pleno sentido em Deus.

          É missão dos pais mostrar aos filhos esse caráter de dom que os feriados e domingos possuem. Devem organizar esses períodos sem deixar Deus ausente ou para o final do dia, mas dando prioridade a Ele. Se os filhos percebem que os pais organizam com antecedência o fim de semana, privilegiando os atos de culto a Deus, compreenderão de modo natural que o tempo livre permanece vazio sem a presença divina.

    2 – Diversão em todas as etapas da vida

          Os humanos necessitam de momentos de diversão durante toda a vida, porque podem continuar a crescer como pessoas. O animal também brinca, mas muito menos do que o homem, porque a sua aprendizagem logo se estabiliza. A natureza humana serve-se do divertimento para alegrar, aprender, descansar, motivar, conviver. Nem só as crianças têm necessidade de brincar. O adulto que mantém um espírito jovem, com capacidade de se entusiasmar, de recomeçar, de enfrentar cada novo dia como uma estreia, procura ter momentos de lazer. O idoso, mesmo tendo limitações físicas notáveis, necessita brincar, jogar e sentir que possui ainda forças para enfrentar os desafios da vida. É triste ver jovens ou velhos que carecem da flexibilidade necessária para enfrentar situações novas.

          À medida que o tempo passa, tem cada vez mais importância ao homem encarar a vida com certo sentido lúdico para aplicá-lo às “coisas sérias”, às tarefas habituais, às situações novas que poderiam conduzir ao desânimo ou sentimento de incapacidade. Porque aprendeu a jogar e relativizar os êxitos e os fracassos, a fim de não estragar a diversão, passou a arriscar perante novas situações da vida.

         O lazer é excelente momento para conhecer e moldar a personalidade e o caráter dos filhos: nos passeios, visitas, jogos, excursões e esportes pode-se incentivar a viver muitas virtudes. Com isso, o tempo livre deixa de ser “o tempo para as coisas banais” e transforma-se em tempo qualitativo e performativo.

          Pais que entendem os tempos livres como oportunidades de evasão e perdas de tempo, abrem mão de excelentes oportunidades de crescimento humano e espiritual dos filhos. Também não se trata de ensinar a aproveitar os tempos livres “só para fazer coisas úteis” como estudar, aprender línguas, instrumentos musicais, etc., mas ensinar a desenvolver a unidade de vida, o espírito contemplativo, o amor ao silêncio e à reflexão, o mergulhar a alma na boa literatura, a viver com mais intensidade a vida em família e o trato com os amigos. Tudo isso desenvolve nos filhos uma personalidade firme, o bom uso da própria liberdade e a oportunidade de transcender-se ao exercitar a fé. Só assim aprenderão a conviver com os outros e a aspirar a uma vida plena.

          É necessário orientar crianças, adolescentes e jovens para que valorizem os dias em que as atividades escolares não os obrigam. Assim, donos de si, devem decidir com liberdade e responsabilidade sobre o que desejam fazer. É caminho de excelência humana incentivá-los a utilizar o tempo livre para cultivar o bem (educação da vontade), a verdade (educação da inteligência) e a beleza (educação dos afetos). 

          Descuidar o lazer dos filhos é malograr tudo o que de bom esses momentos podem oferecer; é permitir que sejam vítimas da preguiça ou da comodidade ao se deixar levar por formas passivas e pouco criativas de descanso, como a de passar longo tempo diante da televisão, redes sociais ou games.

          Educar para viver melhor o tempo livre exige que os pais sejam modelos em não “Matar o tempo”, que é atitude egoísta de quem se retrai em suas coisas e não oferece seu tempo a Deus e aos demais. Os filhos devem compreender que descansar não é não fazer nada, mas distrair-se em atividades que exijam menos esforços.

    3 – A família ensina a brincar

          Aprende-se a brincar principalmente na família, que se transforma em palco de criatividade: um cobertor sobre os móveis da sala se transforma em cabana, circo, gruta, quartel. Se para a criança viver é competir e conviver, é difícil compreender como se pode harmonizar ambos os aspectos – competir e conviver – à margem da instituição familiar, que é a primeira célula de socialização da pessoa.

          O grande valor pedagógico de brincar reside em vincular os afetos à ação: poucas coisas unem de modo imediato pais e filhos do que brincarem juntos. Partilhar momentos felizes em família evita futuros passatempos nocivos. Quem não faz memória dos momentos da infância brincando com os pais? E se tiveram a dita de vê-los rezando, podem compreender quão nocivo é o descanso que afasta de Deus!

          Por vezes, os pais temem que os filhos “percam o tempo” durante os dias não letivos, e enche-os de atividades extraescolares: aprender idiomas, um instrumento musical, natação, reforço escolar, etc. Com isso, as crianças perdem a oportunidade do ócio criativo, pois o seu tempo livre se converte em prolongamento dos dias “úteis”, a fim de atender atividades ligadas aos afazeres escolares e organizadas por iniciativa dos pais, dando-lhes a impressão de que viver é só cumprir com obrigações sérias.

          Qualquer atividade deve contribuir para o crescimento integral dos filhos (inteligência, vontade e afetos). Porém, entupi-los de compromissos não significa que irão melhorar como pessoas, porque não terão tempo para refletir sobre si mesmos. Os filhos têm que ter oportunidade de exercitar a liberdade própria, tendo a oportunidade de escolher as atividades que mais apreciam para descansar. Entulhá-los com ocupações que os impeça de descontrair-se livre e criativamente e de conviver com os amigos não é formativo, e corre-se o risco de que cresçam sem saber como descansar, se não há quem os dirija. Logo mais se deixarão guiar pelas imposições da sociedade de consumo.

    4 – Atividades que respeitem o gosto dos filhos

          Educar para o bom aproveitamento dos tempos de lazer implica propor atividades atraentes que respeitem o modo de ser de cada filho, seus interesses, capacidades e gostos, a fim de que descansem, se divirtam e cresçam humana e espiritualmente. Incentivá-los desde pequenos a descobrir por si próprios o melhor modo de empregar o tempo livre requer dos pais imaginação e espírito de sacrifício. Por exemplo, ajudá-los a perceber que as atividades que consomem tempo desproporcionado ou levem a isolar-se, como ocorre com as horas diante da televisão, internet, redes sociais, games, é menos criativa e saudável do que formas de lazer que permitam cultivar relações presenciais de amizade como ocorrem com o esporte, excursões, jogos ao ar livre com amigos, etc.

          Os filhos, como parte do processo normal de amadurecimento e independência, querem estar com os de sua idade fora do lar e sem a intromissão de adultos. É grande desfrute para eles sair com os amigos para ouvir música, adquirir coisas (roupa, material esportivo, acessórios informáticos, etc.), pois são ocasiões de estarem juntos. Isso não significa que os pais deixem perguntar como se divertem e com quem, afim de orientá-los.

    5 – Ao brincar as crianças aprendem a viver

          O que as crianças querem é brincar, pois essa atividade associa-se à felicidade, ao sair fora do tempo e abrir-se à admiração e ao inesperado a que pode levar a imaginação. A brincadeira revela a identidade de cada criança, porque ela se envolve com todo o seu ser naquilo que faz. Brincar é modelo do que será a vida ao assimilar e imitar as atuações dos mais velhos; é jeito de aprender a utilizar as energias e de descobrir as qualidades e as limitações próprias (limitação é diferente de defeitos). Ao brincar, aprende-se a se conhecer e a conhecer os amigos de um modo divertido; exige interpretar os conhecimentos adquiridos nos jogos e a ensaiar suas forças nas competições; brincar leva ao desafio de integrar − com a ajuda dos pais − os diferentes aspectos da personalidade: liderança, sociabilidade, espírito de equipe, reconhecimento das falhas pessoais e compreensão com as falhas dos amigos…

          A brincadeira contém um valor ético e ajuda a ser sujeitos morais: tem regras que devem se assumidas livremente, fixam-se objetivos e aprende-se a relativizar derrotas e vitórias. Por isso, o normal é brincar com outros, “brincar em sociedade”. Este caráter social está tão radicado no ser humano que as crianças ao brincar sozinhas falam consigo e tendem a construir cenários fantásticos, histórias e outras personagens com quem dialogam e se relacionam.

          O interesse dos pais pelo lazer dos filhos pode adotar diferentes formas. Por exemplo, se os filhos convidam os amigos para casa, seja para brincar ou assistir a jogos esportivos, permitirá conhecer a eles e suas famílias, sem dar a errada impressão de que se pretende controlá-los ou que se desconfia deles. Muito interessante é incentivar os filhos que estão na escola fundamental para que convidem de cada vez três ou quatro amigos da turma para lanchar ou brincar em casa. Assim, aos poucos, o filho deixará as “panelinhas” de lado e crescerá em sociabilidade e fortalecerá a amizade com todos, e os pais conhecerão os garotos da turma para orientar os filhos nas escolhas que faz.

    6 – Promover Clubes Familiares ou espaços educativos

          Os pais podem promover, com a ajuda de outras famílias, lugares adequados para os filhos crescerem humana e espiritualmente durante os tempos livres nos fins de semana.

          Grupos de pais vêm criando Clubes Familiares em condomínios residenciais, associações, ONGs, escolas em dias não letivos. Esses clubes ajudam os pais a fortalecerem a amizade com os filhos e as mães com as filhas. A estrutura desses clubes é muito simples: reúnem-se uma vez por semana durante três horas, geralmente no sábado pela manhã ou à tarde, em local que contenha uma quadra esportiva e um espaço coberto. Forma-se um grupo só de meninos ou só de meninas, sempre com idade aproximada, a partir dos quatro anos (esses dois grupos devem funcionar em horários distintos).

        As atividades das meninas são organizadas e conduzidas pelas mães, e as dos meninos pelos pais, pois deve-se ter em conta as características físicas, psicológicas e de interesses de cada sexo, que são diferentes. Fomenta-se alguma prática esportiva na quadra e, na parte coberta, um breve lanche que cada criança traz e que pode compartilhar, uma palestra de 15 minutos sobre alguma virtude (com exemplos práticos) e uma aula de religião (15 minutos). Outras atividades podem ser: montagem de modelos, aquarismo, pintura, jogo tipo de sala em equipe, etc. Uma vez por mês o grupo de meninos com os pais e o de meninas com as mães podem programar um passeio ou visita cultural. Assim, as crianças aprendem a brincar sem perder de vista a sua dignidade de filhos de Deus, ao mesmo tempo que convivem com outras crianças com boa formação humana e espiritual. A experiência dos pais é que as crianças esperam ansiosamente pelo dia do clube.  Vale a pena dar essa alegria a elas.

    Texto adaptado por Ari Esteves para o site https://staging.ariesteves.com.br/, com base nos artigos “Lazer e tempo livre (1): brincar para viver”, de J.M. Martín e J. Verdiá, em https://bityli.com/uLiYPi; e “Lazer e tempo livre (2): feriado e diversão”, de J.M. Martín e M. Díez, em https://bityli.com/ZnCNbz

  • Quem sou? Sou as minhas escolhas

    Quem sou? Sou as minhas escolhas

         1 – Não acomodar-se: fomos criados para muito mais. 2 – A vida animal é condicionada pelo instinto, mas a humana não. 3 – O homem busca um fim pessoal e não o da espécie humana. 4 – O homem rompe o determinismo instintivo. 5 – Nascemos para pensar e amar. 6 – Suprimos os instintos pela aprendizagem. 7 – Não se deixar dominar pelos instintos.

    1 – Não acomodar-se: fomos criados para muito mais

         Descobrir a verdade sobre o homem causa admiração, e isso não pode ser feito com olhar único, mas pela contemplação sossegada do seu modo de ser e atuar. A vida humana é futurística: orienta-se para o futuro como antecipação de si mesma. Não nos acostumamos com a realidade presente, que sempre parece insuficiente e estática, e almejamos alcançar outra situação ou modo de ser, pois somos seres perfectíveis. A imaginação é projetiva e lança-se para algo que ainda não existe, mas com possibilidade de vir a ser.

    2 – A vida animal é condicionada pelo instinto, mas a humana não

         A vida dos animais está condicionada pelo instinto, que é a tendência do organismo biológico até seus objetivos mais básicos (comer, beber, abrigar-se, procriar), originando o automatismo da conduta: se o animal sentir fome irá inexoravelmente atrás de comida. O estímulo-reposta dos animais, seja para saciar a fome, buscar segurança ou procriar, é ocasionado pela intervenção da sensibilidade, que desencadeia neles uma conduta imodificável e automática com o fim de preservar a espécie.

         A vida de cada animal já está resolvida e ele não precisa decidir sobre o que fará durante sua existência, pois não busca um fim individual. Sua natureza o fará repetir o que fizeram seus iguais, porque visa somente perpetuar a espécie: o joão-de-barro construirá sua casinha como todos os seus paisanos; os peixes emigrarão por rotas marítimas determinadas pelo instinto; as feras caçarão como sempre fizeram seus ancestrais…

    3 – O homem busca um fim pessoal e não o da espécie humana

         A vida humana não é automática e tem que ser resolvida caso a caso. Não basta ao homem nascer, crescer, reproduzir-se e morrer para alcançar sua realização pessoal. Somos mais complicados que um pássaro ou uma beterraba. Ao possuir inteligência e vontade livre, a criatura humana está acima da ditadura ou determinismo dos instintos e rompe o circuito estímulo-resposta dos animais, a fim de buscar um fim pessoal, e não o da espécie humana. Ser dono de si é ser pessoa, e não apenas um indivíduo da espécie, como os animais em geral.

    4 – O homem rompe o determinismo instintivo

         O êxito da vida humana não está resolvido ou assegurado pelo instinto, já que até para comer o homem decide sobre o que deve ou não ingerir, quando fará sua refeição ou se jejuará, contrariando sua pulsão instintiva (o uso de pratos e talheres mostra o quanto racionalizamos o instinto de comer).

         Ao avaliar suas aptidões e possibilidades, cada pessoa determinará para si o modo de viver e de servir, seja como motorista, mecânico, médico, chefe de cozinha, artesão, desenhista, engenheiro. Mas, sendo livre poderá transformar sua liberdade em libertinagem e escolher ser ladrão, estelionatário, vigarista, vagabundo, mentiroso… O homem é o único animal capaz de fazer fracassar a sua vida voluntariamente ou conduzi-la para melhor.

         Portanto, a finalidade da vida humana é encontrada pela via racional, sendo que os instintos não conduzem a isso, além de que não basta ao homem perseguir apenas suas funções vegetativas (comer, beber, abrigar-se, crescer, etc.). A conduta humana é principiada e dirigida pelo conhecimento intelectual. Ao ser livre e dono de seus fins, o homem busca uma finalidade para a vida e elege os meios que o levarão a conquistá-la.

    5 – Nascemos para pensar e amar

         O homem só pode ser compreendido pela sua condição racional, e a faculdade de pensar é tão radical nele que até a sua biologia é condicionada pela via intelectiva: tem aparelho fonético apto para transmitir seus pensamentos pela palavra; anda ereto e tem as mãos livres para seguir as determinações da inteligência e criar instrumentos, produzir arte, manifestar sentimentos por sinais; seu rosto e seu olhar são expressivos e refletem o estado de sua alma; etc.

         E porque é racional, o ser humano ama. O amor não é um sentimento adocicado, mas exige renúncia e sacrifício. O verdadeiro amor é holocausto e depende do querer da vontade, e não da inconstância dos sentimentos.

         Se a resposta humana não pode ser conduzida pelo automatismo dos instintos − o que nem sempre ocorre, infelizmente −, mas dirigida pela razão, isso implica na necessidade de aprender a ser, tornando a infância humana mais prolongada que a de qualquer outro animal para receber educação.

    6 – Suprimos os instintos pela aprendizagem

         Para aprender a viver o homem precisa raciocinar, e isso torna a aprendizagem mais decisiva que o instinto. E porque possui inteligência e vontade para agir livremente, sua natureza não o dotou de inclinações instintivas plenamente seguras, mas que devem ser analisadas, corrigidas ou substituídas pela aprendizagem: se no inverno muitas aves são obrigadas a partir para lugares quentes, o homem não precisa emigrar nem hibernar como certos animais e árvores, pois veste roupas apropriadas, fabrica aquecedores e mantas para enfrentar o frio. Ou seja, na biológica humana os instintos são supridos pela aprendizagem.

    7 – Não se deixar dominar pelos instintos

         Ao não se comportar segundo a razão, o ser humano corre o risco de tornar desmesurados seus instintos, coisa que não ocorre com os animais. Há homens iracundos, tristes, covardes, invejosos, suscetíveis, que são defeitos da afetividade; ou dominados pela pulsão de comer, beber ou procriar (esta é desviada de seus fins para obter apenas o prazer em diversas formas).

         Ao deixar de ser racional, o homem torna-se pior que os animais. A força de seus instintos, quando desgovernados, tem poder destruidor para si e aos demais. Rimos ao ver um bêbado aos tropeções e a repetir asneiras, mas trata-se de situação dramática a da pessoa que perde o controle de si diante de uma garrafa de bebida alcóolica. Isso se pode dizer de outros descontroles instintivos, como a busca do prazer erótico pelo vício da pornografia, o medo de engordar (anorexia), a gula, etc. No fundo, mais que desvios da afetividade, são desvios da liberdade. Se o homem não controla seu instintos e afetos mediante a razão, auxiliada pelas virtudes humanas, não os controlará de nenhum outro modo.

    Texto produzido por Ari Esteves com base nas obras “Fundamentos de antropologia – Um ideal de excelência humana”, de Ricardo Yepes Stork e Javier Aranguren Echevarría, São Paulo, Instituto Brasileiro de Filosofia Raimundo Lúlio, 2005; e “Mapa do mundo pessoal”, de Julián Marías, Campinas, SP, Editora Auster, 2021.

  • Educar para a temperança

    Educar para a temperança

    1 – Temperança é afirmação. É senhorio da conduta. 2 – Os frutos a temperança. 3 – As marcas e as modas valorizam o ter e não o ser. 4 – A temperança é iniciada na vida familiar. 5 – Sobriedade nos hobbies e divertimentos. 6 – Os pais não devem projetar-se nos filhos.

    1 – Temperança é afirmação. É senhorio da conduta

         Utilizar os bens que possuímos ou o tempo que dispomos é facilitado pela virtude da temperança que, após a avaliação entre o razoável e o caprichoso, feito pela inteligência, dá forças para agir com medida em tudo: trabalho, descanso, música, esportes, refeições… O verdadeiro sentido dessa virtude não está na negação do que atrai ou é gostoso, mas na beleza ou afirmação que torna a pessoa dona de si mesma ao colocar ordem e equilíbrio na sua afetividade (sentimentos, emoções, paixões), afim de que esta não assuma o papel reitor das ações que cabe à inteligência.

         Há pessoas atadas aos seus objetos e rotinas, e quando não podem dispor de sua cadeira favorita, ouvir as notícias antes de sair de casa, ou porque não puderam fazer o plano esportivo para atender a família, se revelam mal-humoradas e egoístas. Quem diz “não” a si para vencer na luta interior contra paixões descentradas, afirma o “eu” e se torna livre dos laços sutis que tolhem a liberdade. Dizer “sim” a tudo que agrada relativiza a vida e transforma a pessoa em marionete de gostos e sentimentos. Quem vive de sensações pontuais ao julgar que isso é a felicidade, será um eterno insatisfeito que irá de um lado para outro em contínua fuga de si mesmo, pois os sentimentos, sendo mutantes, impedem de perseguir ideais valiosos, que normalmente custam esforço. Isso não significa que os sentimentos e os apetites sensitivos sejam maus, pois seria negar a própria natureza humana que se vale deles para realizar com garra e ânimo o bem que se tem em vista.

    2 – Os frutos a temperança

         Quando os pais negam aos filhos algum capricho para educá-los no autodomínio ou na temperança, é comum que estes perguntem “por que não podem fazer tudo o que desejam”, “por que devem comer algo que não gostam”, ou “qual o motivo para não passar horas na internet”. De bate-pronto, e para sair do sufoco, a primeira resposta poderia ser “porque não podemos permitir essa perda de tempo”, ou “porque você ainda tem outros deveres a cumprir”, ou “para que você não se torne um garoto caprichoso que só faz o que gosta e não o que deve”. Porém, a verdadeira resposta seria mostrar que a temperança ou sobriedade é senhorio e afirmação − não negação − que facilitará o império da inteligência sobre as próprias ações, impedindo que o comando seja das paixões e instintos.

         A temperança deve ser proposta como um estilo de vida que exige a valentia de não reclamar do frio ou do calor, dos trabalhos ou incomodidades materiais, dos achaques ou indisposições da saúde, que devem ser resolvidas sem manhas ou choradeiras. A paz e a serenidade são frutos dessa virtude, pois ao colocar ordem no mundo das inclinações apetitivas, vive-se a alegria do dever cumprido, e não a posterior tristeza que traz a comodidade e a preguiça àquele que descumpriu suas obrigações.

         A temperança ou sobriedade não é um fardo, mas galhardia, elegância e soltura. Quem não se serve de todos canapés, acepipes e bebidas que os garçons servem continuamente nas festas, revela-se como alguém atraente e desprendido, não subjugado pelo instinto ou paixão de comer e beber.

    3 – As marcas e as modas valorizam o ter e não o ser

         Há marcas e modas que propõem um estilo de vida para identificar umas pessoas e diferenciar outras. Fazem crer que possuir determinada marca assegura a inserção social e a aceitação em algum grupo: ou seja, não valorizam a pessoa pelo que é, mas pelo que tem. Tal estilo de vida atinge também os adolescentes, pois o consumo entre eles não está determinado pelo desejo de ter, como ocorre com as crianças, mas como maneira de expressar a personalidade ou manifestar a sua posição entre os colegas.

         O consumismo incita as pessoas a não se conformarem com o que possuem, instigando-as a adquirir o último lançamento do mercado; a trocar o computador, o carro e o celular a cada ano; afirma que a pessoa se torna especial se utilizar determinada marca de roupa esportiva ou social. Essas falsas apreciações são facilitadas pela ausência de senso crítico e pelo errado entendimento de que autoestima significa não negar-se nada, nem suportar o menor tipo de privação. Com tudo isso, a paixão de consumir ganha campo aberto para deitar e rolar.

    4 – A temperança é iniciada na vida familiar

         A vida familiar é o grande campo de treinamento para a temperança ou sobriedade; é onde adultos e crianças aprendem a não fazer cara azeda para praticar essa virtude, pois associam-na à alegria de viver sem falsas ataduras e ao serviço aos demais. A família é também o âmbito onde crianças e adolescentes aprendem a economizar e a dispor de pouco dinheiro para gastar, pois só assim compreendem o esforço dos pais para obtê-lo. 

         Os filhos começam a viver a temperança ao verem os pais renunciarem com elegância ao que consideram caprichos. E como não basta o bom exemplo para educar, explicam aos filhos os motivos para não comer ou beber demais; para determinar os tempos de divertimentos; para ter moderação nas relações sociais, esporte e passeios; informam o quanto custam as coisas para que as crianças valorizem o que possuem, e  porque seus pais e avós não tiveram a oportunidade de tê-las; não dão várias camisas de times de futebol para evitar o supérfluo; fomentam a alegria de doar os brinquedos que não utilizam para crianças de creches, orfanatos ou comunidades pobres; fazem perceber que coleções de pares de tênis, roupas, brinquedos e objetos de esporte revelam falta de justiça diante dos mais necessitados. 

         As refeições são o primeiro campo para educar os filhos na virtude da temperança, pois o controle do apetite é caminho para o autodomínio e a edificação de uma personalidade sadia: utilizar os talheres com elegância, aguardar todos se servirem antes de comer, não abarrotar o prato com comida, comer sem reclamar do que não gostou, não deixar no prato algo que se serviu, sair da mesa não saturado e com um pouquinho de fome, não comer fora de hora…

    5 – Sobriedade nos hobbies e divertimentos

         É essencial à sobriedade o uso harmonioso do tempo para atender a tudo: família, trabalho, deveres de cidadãos, amizades, trato com Deus. As crianças precisam ser ensinadas a distribuir o tempo entre as diversas atividades para não adquirirem vícios (ou hábitos ruins) que deformam o caráter: dormir fora de hora; dedicar tempo demais à televisão, videogames e computador; praticar hobbies em excesso; gastar demasiadas horas com trabalhos escolares em prejuízo da caridade ou amor aos demais (por exemplo, desatendendo os pais e os irmãos). 

         Educa-se na temperança em clima de liberdade, porque não se vive essa virtude como algo imposto pelos outros, mas como conduta desejada e amada. Também não se educa com uma atitude protetora que toma o lugar da vontade da criança, ou com modos autoritários que suprimem o crescimento da personalidade e impedem de assumir como próprios os valores das virtudes.

    6 – Os pais não devem projetar-se nos filhos

         Quando os pais impõem a sua personalidade e impedem que os filhos se manifestem como são, transformam estes em pessoas sem caráter. Devem criar oportunidades para os filhos tomarem decisões de acordo com a idade, tendo presente as consequências dos seus atos: se escolheram ir ao shopping e lá chegando se arrependem e pedem para ir ao parque, não se vai e explica-se que essa foi a escolha deles).

         Certo garoto, caprichoso e enjoado, não quis comer o que lhe foi oferecido; e ao perceber que sua mãe não lhe faria um prato diferente, lançou a comida contra a parede, que ficou suja por vários meses a fim de que ele tivesse sempre presente as consequências da sua ação. Com isso, os pais uniram o respeito à liberdade do garoto com a necessária fortaleza para não transigir com o que era um simples capricho: queriam o melhor para o filho e tinham ideias claras sobre o que poderia ser um mal para ele. Substituir as crianças nas ações que elas conseguiriam fazer (vestir-se sozinha, servir-se na mesa, amarrar os sapatos, guardar suas roupas e brinquedos, ter encargos familiares, etc) é outro modo de impedir a autonomia delas.

    Texto adaptado por Ari Esteves com base em lições de J. De la Veja, J.M. Martín e David Isaac.

  • Menos telas digitais e mais livros

    Menos telas digitais e mais livros

    1 – O excesso de imagens empobrece a inteligência. 2 – Quem lê pouco, pouco tem a transmitir. 3 – Os pais devem ler e incentivar a leitura de seus filhos. 4 – Argumentos para incentivar a leitura. 5 – Expressar o pensamento pela escrita

    1 – O excesso de imagens empobrece a inteligência

        Com a leitura aumentamos a preparação intelectual, porque ela incide diretamente sobre a inteligência e faz aumentar o nível e o alcance do pensamento. Quando esclarecida pelos bons livros, a inteligência extasia-se com o bem e a verdade. A leitura, além de excelente modo de descansar e de aproveitar o tempo, aumenta a cultura humanística, melhora a forma de expressar o pensamento escrito e oral, enriquece o vocabulário e nos faz ganhar com a experiência do outro (“escarmentar em cabeça alheia”, diz o ditado).

         Hoje, muitos afogam a inteligência com imagens, notícias, videogames, programas fúteis de televisão, etc. As milhares de imagens e informações dão a ilusão de que se conhece tudo, mas a mente não processa nem relaciona tanta informação desencontrada, e tão pouco os sentimentos reagem diante do que veem, e o resultado é um mundo interior pobre, com a espessura da tela que, ao ser apagada, apaga também a mente de seu espectador, que  perde a capacidade de reflexão e de sentir. Não se trata de demonizar as telas porque são muito úteis, desde que utilizadas para uma cultura programada.

    2 – Quem lê pouco, pouco tem a transmitir

         Quem não lê biografias, artigos, ensaios, história, livros sobre família e educação dos filhos, romances, contos, não saberá dar respostas a si e a quem necessita (filhos, parentes, amigos, colegas) sobre questões como namoro, arte e sua importância para o espírito humano, sexualidade, família, casamento, amizade, religião, atitudes éticas, drogas… Certa mãe, encharcada de TV e com pouca leitura, respondeu à filha que foi buscar orientação para um problema com o marido: − “Você quis casar, agora aguente!”. Se essa mãe aproveitasse seu tempo com boas leituras saberia de sua missão e diria algo como: – “Filha, compreendo a situação, mas é necessário o seu sacrifício para reconquistar seu marido e ser fiel à palavra dada a Deus, e para o bem dos seus filhos”.

         Os grandes gênios da arte literária aprofundam a nossa formação, pois acertaram no modo de contar os dramas do coração do homem de todos os tempos: o amor e o ódio, a alegria e a dor, a covardia e a coragem, a fidelidade e a traição… Os valores retratados na Odisseia de Homero (VIII a.C.) são perenes na conduta humana: fidelidade, coragem, prudência…

    3 – Os pais devem ler e incentivar a leitura de seus filhos

         Muitos pais não sabem como motivar seus filhos adolescentes a lerem os bons livros de literatura, e reclamam do tempo que seus rebentos perdem nas telas digitais. Razões não faltam para que se entristeçam com tal situação, mas o culpado são eles mesmos, pais, porque não incentivaram a leitura dos filhos quando estes ainda eram pequenos, já que esse hábito é iniciado com contos e histórias lidas para as crianças. Agora, para entusiasmar os adolescentes a descobrirem o prazer e a importância da leitura, será necessário que os pais meditem em argumentos convincentes (a seguir daremos alguns) para transmitir a eles. Outra dica é aguardar até o dia em que a garota ou o garoto esteja bem-humorado e predisposto para um bom papo, pois esta será a melhor ocasião de abordar o tema do hábito da leitura (o local para o esse diálogo é importante: uma agradável caminhada no parque ou tomando um gelado na sorveteria). Nesse momento trate a filha ou o filho como uma pessoa madura, a fim de que ele se sinta valorizado. Aproveite e seja sincero ao dizer que você − pai ou mãe – também está procurando dedicar mais tempo à leitura e menos às telas digitais.

    4 – Argumentos para incentivar a leitura

         Seguem alguns argumentos que podem motivar o hábito de leitura:

    • “Sem a arte narrativa – e aí se enquadra o cinema – o ser humano teria que contar tão só com suas próprias experiências, o que significa que se veria obrigado a aprender tudo desde o princípio. Sem conhecer a Odisseia, o homem não saberia nada da fidelidade de Penélope; sem Shakespeare ignoraria as dúvidas de Hamlet, o amor de Romeu por Julieta. Sem Dom Quixote, teríamos que descobrir por conta própria a diferença entre ver o mundo como é e vê-lo como deveria ser” (Krzysztof Zanussi, filósofo e cineasta polonês).
    • Ao sair do plano cotidiano e imergir na trama de outras vidas, os enredos literários provocam o imaginário do leitor e permitem discernir o caráter benéfico ou maléfico de certas atitudes, transformando a experiência da leitura em vivência pessoal.
    • As grandes obras da literatura universal proporcionam um profundo conhecimento da alma humana. Já foi dito que a literatura é como um espelho que o homem levanta diante de si para ajudá-lo a conhecer-se melhor.
    • Aprender a ler é aprender a viver, porque na leitura encontramos respostas para os grandes interrogantes do homem e da sociedade, sem nos conformarmos com uma visão superficial da vida. A boa leitura nos livra de preconceitos infundados que se valem da nossa ignorância ou desconhecimento da realidade.
    • As leituras condicionam o modo de pensar, e este determina a forma de viver. Eleger bons livros não é ato moralmente indiferente. A pessoa prudente busca informações sobre o que ler.
    • Sendo curto o tempo que a vida moderna dispõe para a leitura, não vale a pena gastá-lo com obras que desfiguram a verdade e que influenciarão o modo de agir. Há excelentes livros ou textos que convém ler: biografias, ensaios, artigos, contos, amor conjugal, educação comportamental dos filhos, romances, história, etc. Revistas de novelas ou gibis podem servir para descansar em momentos particulares da vida, mas restringir as leituras apenas a isso revelaria superficialidade, frivolidade e triste perda de tempo.
    • Um bom livro não atua sozinho: o leitor dialoga com o autor e os personagens e cria com eles certa forma de amizade.
    • A leitura por vezes pode não causar prazer ao exigir esforço e fadiga, que devem ser enfrentados como quem busca metas altas sem ceder à comodidade ou preguiça.
    • Ler e reler os autores favoritos é um grande modo de penetrar mais a fundo no argumento das histórias, pois os bons autores sempre têm uma mensagem profunda a transmitir (ajudar as crianças a descobrir esse argumento).
    • Trazer sempre consigo um livro é o modo de aproveitar uns minutos aqui e outros ali para folheá-lo, seja no metrô, ônibus, fila ou sala de espera, mesmo que sejam poucas páginas por vez. Quem não tem um livro à mão nunca encontra tempo para ler. Para muitas famílias ler após o jantar é um ritual maravilhoso.
    • A leitura prende-se no espírito e desperta a atenção que se deve dar às palavras, e estas instigam a imaginação com boas ideias; o mesmo não ocorre a quem se põe passivamente diante da sucessão de imagens desencontradas das telas, pois o cérebro abandona o esforço por dar sentido a elas, e a pessoa esquece tudo o que viu nos dias sucessivos. Quem não lê não se renova e tende a ser repetitivo em suas falas.

    5 – Expressar o pensamento pela escrita

         A vida moderna obriga a expressar o pensamento por meio da escrita, seja no trabalho, na escola ou na vida social. O hábito de ler  desperta o espírito de quem escreve para as armadilhas que por vezes as palavras conduzem: patético não é pateta, mas comovente, pois vem de pathos ou sentimentos em latim. Ao expressar um sentimento, saiba com exatidão o significado de angústia. Acintoso é termo por vezes mal empregado. Ou seja: não “chutar” o sentido de uma palavra, mas ganhar o hábito de consultar o dicionário sempre que necessário (essa tarefa hoje é facilitada pela internet). Tenha sempre presente que as palavras não devem ser utilizadas para impressionar, porque isso se chama pedantismo.

    Texto produzido por Ari Esteves (staging.ariesteves.com.br/). Fotografia de Anastasia Shuraeva.

  • Apego digital: teste seu filho

    Apego digital: teste seu filho

    1 – Observe como sua criança reage diante da natureza. 2 – Como resolver o problema do tédio da criança?

    1 – Observe como sua criança reage diante da natureza

        A natureza é uma das primeiras janelas de curiosidade da criança; é onde ela conclui que as coisas não são imediatas e possuem ritmo próprio: o arrastar do caracol, o broto da planta que surge lentamente da terra, o ovo no ninho, a incansável formiga em sua sinuosa trilha, o casulo da borboleta debaixo da folha, a pequenina aranha tecendo sua teia… Todas as coisas belas e valiosas requerem tempo de maturação: a gravidez, a árvore, a amizade, o amor. Ajude seu filho a se encantar com as coisas simples!

        Nos feriados ou fins de semanas vá a espaços abertos na natureza (parque, praça arborizada, jardim, campo), onde não haja atividades estruturadas, brinquedos ou alguém que dite como brincar, e observe se a sua criança sabe se divertir sozinha ao imaginar brincadeiras e jogos, ou se logo fica entediada e quer voltar para casa.

    2 – Como resolver o problema do tédio da criança?

        Não é normal o tédio ou apatia em criança de 3 e 6 anos, pois sua criatividade é infinita. Se ela passar pela prova da natureza, passará pela prova do comportamento na igreja, na sala de espera do consultório, supermercado, shopping… Se age com birra ou impaciência, se bate, se grita e joga as coisas, talvez seja porque – além da falta de autoridade dos pais – anda hiperestimulada pelas telas digitais, e não suporta aguardar o ritmo real das coisas, pois o excesso de mídias dá a ilusão de que tudo se resolve com apertar botões de aplicativos para obter na hora o que quiser.

        Einstein dizia que não podemos resolver problemas usando o mesmo padrão de pensamento que tivemos ao criá-los, o que significa que não será por meio de telas que a hiperatividade se consertará. Como resolver essa questão? A resposta foi dada há mais de sete séculos por Tomás de Aquino: a admiração, que é o desejo de conhecimento.

        A infância é mágica e tem sede de curiosidades, sendo desnecessário artificializá-la. A estrutura, que é meio, deve ser mínima para estimular a criatividade, a observação silenciosa e a descoberta que faz extasiar. Deixe a criança se entreter em sua quietude misteriosa ao manipular pequenos objetos; não interrompa nem ofereça tabletes ou TV, pois ela está fazendo suas próprias descobertas. Educar com menos brinquedos eletrônicos faz com que as pilhas e os botões estejam dentro da criança, e não fora dela.

    Texto produzido por Ari Esteves com base na obra “Educar na curiosidade”, de Catherine L´Ecuyer, Editora Fons Sapientiae, 3ª. Edição, São Paulo, 2016.

  • Educar na realidade

    Educar na realidade

    1 – A criança deve se admirar com as coisas simples ao seu redor. 2 – O perigo da superestimulação das telas. 3 – A perda da curiosidade e da criatividade infantil. 4 – Fomentar brincadeiras imaginativas.

    1 – A criança deve se admirar com as coisas simples ao seu redor

    O essencial na educação da criança é a qualidade do relacionamento dela com seus pais ou educadores. A criança necessita olhar para rostos carinhosos e dispostos a dedicar tempo a ela, e não se fixar em telas de tabletes ou tv. Dos seis aos vinte e quatro meses a criança se diverte quando o pai ou a mãe brinca de se esconder e reaparecer, gosta de engatinhar e se encanta com os pequenos objetos que encontra no caminho: a cor e o ruído do papel celofane, a formiga que carrega uma folha, a embalagem vazia no chão da cozinha. É assim que ela vivencia suas próprias experiências e desenvolve as habilidades motoras e de percepção.

    As crianças necessitam despertar a curiosidade diante das pessoas e objetos que as cercam, buscar respostas para as suas próprias experiências, e não obter tudo pronto ao apertar botões de equipamentos eletrônicos, que roubam delas a interação com as pessoas e o mundo ao seu redor. A admiração é um sentimento de elevação diante de algo que supera a própria pessoa. A curiosidade provoca o interesse e isso é fundamental no desenvolvimento psicológico da criança, que passa a tirar suas próprias conclusões. As perguntas das crianças de dois ou três anos não exigem respostas profundas, pois são a maneira de se admirar com a realidade: “Pai, por que não chove para cima?”, “Mãe, por que as abelhas não fabricam doce de leite? “As formigas não sentem preguiça?”.

    2 – O perigo da superestimulação das telas

    A criança que passa a depender da superestimulação artificial das telas, se acomoda e não é capaz de se encantar ou admirar-se com nada mais, pois deseja apenas retornar à hiperatividade das tecnologias, onde muitos desenhos tidos como “infantis” mudam de cena a cada oito segundos (7,5 cenas por minuto), o que não acontece no mundo real da criança. A televisão ligada diante do campo de visão do bebê é algo imprudente, pois desvia o olhar dele do entorno em que vive – e com o qual deve se deliciar: ver os pais e irmãos, sentir os cheiros e os sons da casa – para fixar sua atenção no campo frenético da tela.

    Encontrar estimulação em detalhes que passam despercebidos aos adultos é próprio das crianças: sua baixa estatura a faz atentar às pequenas realidades ao seu entorno. Porém, pais ou educadores com pouca sensibilidade ou dificuldade para colocar-se no lugar da criança, ao pô-las diante de telas digitais – julgam que a ajudarão se divertir e aprender mais – entopem-na de estímulos artificiais que anulam a curiosidade e a capacidade dela de se motivar com a vida real. O excesso de imagens satura os sentidos e bloqueia a imaginação. A criança se torna passiva e entediada com o mundo real, porque acha-o chato, lento e sem graça. Quando sai à rua com os pais não sabe fixar a atenção em nada ao seu redor porque, acostumada à superestimulação, perdeu a curiosidade e sua imaginação se acomodou.

    3 – A perda da curiosidade e da criatividade infantil

    A falta de limites e o consumismo vertiginoso das crianças atuais vêm destruindo a curiosidade delas, pois acham que tudo deve vir à la carte pela tela. O modo mais fácil de matar a curiosidade delas é deixar a vida ao alcance do botão play. Uma mente assim acostumada fica preguiçosa e pouco imaginativa. Contudo, a criança se torna hiperativa, nervosa e com desejo de chamar a atenção quando é afastada desse mundo irreal dos videogames, etc. Como um fumante ansioso, a criança acostumada às sensações aceleradas necessita de conteúdos cada vez mais agressivos, o que a tornará um adolescente desejoso de estímulos novos e mais agressivos (pornografia, drogas), porque já viu e se acostumou com tudo.

    Muitas crianças hoje são hiperativas, dispersas e com dificuldades para se relacionar, estabelecer vínculos e demonstrar afeto ou aceitar a autoridade (fenômenos raros antes das telas!). São crianças-troféu para serem exibidas, mas que crescem sem limites e pouco acostumadas a receberem um “não”. É comum ver nos supermercados e shoppings a tirania das que pedem aos gritos, xingam e batem porque não aguentam receber uma recusa, nunca dita a elas.

    4 – Fomentar brincadeiras imaginativas

    É importante que os brinquedos escolhidos não tenham pilhas ou botões, que devem estar dentro da criança, e não fora dela: não é a brincadeira que deve funcionar, mas a criança. A brincadeira é a atividade por excelência com a qual a criança aprende movida pela curiosidade.

    Vários estudos associam a brincadeira imaginativa da criança com a melhora e controle de sua impulsividade, porque a capacidade de imaginar e de desejar algo faz a criança refletir, começar e recomeçar, agindo ativamente. Filmes, desenhos e videogames, ainda que com o fim educativos, tornam a criança passiva, preguiçosa e sem iniciativa, dado o pouco esforço que é exigido dela.

    Brincar é o trabalho da criança. Mas isso não se confunde com o lançar-se sobre o sofá e jogar videogames a tarde toda, como recurso para matar o tédio do mundo real. A brincadeira deve ser a realização de uma tarefa que a criança faz com o coração, colocando nela a imaginação e a criatividade. A criança que passa horas concentrada em montar um castelo de lego ou armando uma cabana de lençol entre os móveis da sala, usa criativamente a imaginação e faz descobertas vivenciais.

        Nos fins de semana, quando não há atividades estruturadas ou formais – sejam as da escola ou de outro local que dizem às crianças o que devem fazer −, é um bom momento para observar se, no espaço aberto de um parque, seu filho brinca por horas sozinho ou com o irmão, sem outros brinquedos, mas imaginando as diversões que a natureza pode proporcionar. No entretenimento livre a criança equilibra os estados de tédio com o de ansiedade (tédio quando algo é fácil de realizar; ansiedade quando é difícil demais). Caso ela fique entediada em pouco tempo e ansiosa para retornar às telas, é que sua mente já se tornou hiperativa e dependente do ritmo dos ambientes artificializados, estruturados e com níveis altos de estímulos.

    A criança não se educa sozinha, mas necessita ser ajudada por adultos com sensibilidade para preparar um ambiente que não cede ao mais fácil (colocar nas mãos dela um tablete, por exemplo), mas deixam que ela seja a protagonista da sua própria educação. Ao invés de perguntarem à criança se deseja ver televisão, indagam sobre o que ela gostaria de construir com os tijolos de lego. Assim, permitem que a iniciativa seja da própria criança, que utilizará sua imaginação e aumentará suas habilidades.

    Texto produzido por Ari Esteves, com base na obra “Educar na curiosidade”, de Catherine L´Ecuyer, Editora Fons Sapientiae, 3ª. Edição, São Paulo, 2016.

  • Os valores são guias para os filhos.

    Os valores são guias para os filhos.

    1 – Valores fortalecem a vontade. 2 – Tenacidade e Constância. 3 – Obediência e Diligência. 4 – Sinceridade e Generosidade. 5 – Respeito e Responsabilidade. 6 – Ternura e Temperança. 7 – Ordem e Asseio.

    1 – Valores fortalecem a vontade

        A transmissão de valores começa desde os primeiros anos da criança ao incentivá-la a ter bons hábitos que logo se tornarão virtudes e alicerces do caráter. Quem não tem valores ou guias de conduta é como o barco sem leme que segue qualquer vento.

    2 – Tenacidade e Constância

        A tenacidade e precisa ser fortalecida entre um e três anos, ao ensinar a criança a ser perseverante e constante. Ao ver que ela tenta fazer uma torre com cubos, anime-a a concluir para que se habitue a terminar o que começou. Ao finalizar, aplauda-a, parabenize-a, pois é uma maneira de motivá-la a se esforçar sempre para findar o que iniciou. A aprovação do pai e da mãe é sempre animadora. Encoraje-a a fazer as coisas sozinha: vestir a boneca, montar um castelo de lego, devolver os brinquedos nas caixas, colocar no prato a própria comida, limpar os sapatos. A criança deve ver que os pais também se empenham naquilo que fazem. Ensine-a a não fazer apenas o que agrada: não a deixe ver televisão a tarde inteira, e force-a para que vá brincar no quintal ou jardim; não permita que abra a geladeira ou o pote de bolachas no armário, a fim de não se habituar a comer fora de hora. Uma criança com a vontade educada desde pequena, logo será um jovem perseverante, tenaz e decidido. A preguiça e o ócio − que estão ligados a uma vontade fraca − não criarão raízes nele. Não espere o tempo passar para iniciar o fortalecimento da vontade de seu filho.

    3 – Obediência e Diligência

    A desobediência é um péssimo hábito da criança, que desespera os pais. É preciso explicar sempre a ela o porquê de uma atitude, pois é mais fácil obedecer quando se compreende a razão de uma ordem. A obediência aos pais deve se converter em hábito. Mas atenção, pais, não fiquem obcecados com a obediência, pois a criança pode acabar farta de tanta cobrança. Não se esforcem por arranjar situações em que coloque à prova a obediência de seu filho. Façam as coisas de modo natural, e aproveitem as ocasiões que surgem: por exemplo, se a criança rasgou o desenho da irmã, explique serenamente que a maninha fez a pintura na escola, e queria que todos pudessem apreciá-la. Ao rasgá-la, ninguém pode vê-las, o que deixou triste a todos. De modo delicado foi explicado o que não deveria ser feito e como respeitar os outros. Mas não cante vitória antecipadamente, pois o pirralho poderá repetir sua habilidade de picar papéis. Não desanime até que ele deixe de fazê-lo. Se for necessário, repita a explicação todas as vezes que ele rasgar, pois trata-se da psicologia do anúncio: de tanto repetir, a coisa entra na cabeça.

    Seu filho deve ser diligente a partir dos 2 anos e meio ou três. Não permita que demore muito a obedecer, porque isso poderá se transformar num péssimo hábito. Não é exagerado exigir a obediência desde pequeno. Muitos pais desistem dessa luta. Porém, esse esforço não será em vão, pois ao habituar a criança a não fazer só o que agrada, ela se fortalecerá para metas altas e que custam mais esforços para serem atingidas (estudar para entrar numa universidade pública). Crianças mimadas só fazem o que gostam e fogem do esforço e do sacrifício.

    4 – Sinceridade e Generosidade

    O diálogo entre pais e filhos deve ser aberto, desde o momento em que a criança começa falar: – Filho, quem colocou o brinquedo dentro do vaso sanitário? Diga-me, porque se me contar, o papai não vai se aborrecer, mas se me esconder a verdade, irei descobrir e castigar quem fez isso.  − Fui eu, pai! − Grande garoto. Limpe o brinquedo e coloque ele para secar. Cuide e não estrague suas coisas. Que conseguiu o pai com este diálogo?  Criou um clima de confiança entre ele e a criança ao não dar um show de histeria.  Isso evitará que o filho faça as coisas ocultamente. Com destemperos, a criança tende a negar a má ação, e você perderá a oportunidade de corrigi-la.  A criança deve comentar com os pais as coisas boas e más que fez, porque sabe que o pai ficará zangado ao ver as paredes sujas e a lâmpada quebrada, sem que o autor tenha se acusado.  O clima de diálogo prepara os filhos para que na adolescência fale de seus planos de fins de semana (com quem sairá; o que fará na casa dos amigos), e assim você não terá que dar uma de Sherlock Holmes para investigar. A criança habitua-se a dizer a verdade se vive num ambiente de confiança. E assim, não terá a personalidade dupla de quem é simpática e aberta com os amigos, mas estranha e ressabiada dentro de casa. Quem se habituou desde a infância a dizer a verdade, não muda nunca seu modo de agir.

    Dizer que a criança é egoísta soa a afirmação gratuita, pois dependerá de como foi educada. Uma criança se torna generosa quando seu coração desde a infância compartilha as próprias coisas com os pais, irmãos, amigos e crianças carentes. Mostre a seu filho que a verdadeira felicidade não está em ter muitas coisas, mas em estar desprendido (tem mais quem precisa de menos). A criança aprende rápido a sair de seu próprio ego ao ser estimulada a doar seus brinquedos, e ficará feliz com isso. Generosidade significa renúncia de si mesmo, e torna a alma grande, magnânima. Dar é sempre difícil, mas se a criança começa a fazê-lo, crescerá desprendida e feliz, contrariamente à egoísta, que é triste porque nunca está contente com o que tem, sempre quer mais e inveja o que não possui. Ao emprestar o seu carrinho ao irmão menor, ficará feliz ao vê-lo alegre. Estimule sua filha a deixar o chocolate para o pai, porque ele gosta muito e chegará cansado do trabalho. Não se trata de ajudar a criança a ser generosa apenas em coisas materiais, mas também com as imateriais, ao dedicar tempo para servir aos demais. Claro, não exija que seu filho doe o ursinho com que dorme todas as noites, porque não irá parar de chorar ao pensar que o boneco sofre ao não dormir mais a seu lado.

    5 – Respeito e Responsabilidade

    Não é correto pensar que nos primeiros anos as crianças são terríveis e não há nada a fazer. É muito cômodo deixar de corrigir, mas a fatura chegará com juros altos. Desde pequenas devem ser ensinadas a ter respeito pelas pessoas e pelas coisas, e a ter limites. Assim, entrarão na adolescência sabendo se apresentar em qualquer lugar, dando mostras de que seus pais foram bons educadores. Logo que a criança começar a falar, deve aprender a ter bons modos e a viver as regras de boa educação (obrigado, por favor, desculpe, olá, tchau, com licença). Vale a pena aplicar um corretivo com uma explicação carinhosa para a criança aprender a não entrar na sala e brincar sobre o sofá, nem ligar a televisão ou manchar as paredes. Ao exigir respeito a algumas regras, a criança terá pontos de referência para distinguir o que pode ou não fazer. Não limitar-se a gritar, mas faça-a entender a diferença entre o certo e o errado.

        Nas famílias numerosas, os filhos mais novos aprendem observando os mais velhos. Com dois anos e meio ou três a criança pode começar a fazer as coisas sozinha, ainda que tenha que ser ajudada no começo: regar as plantas, pôr a comida do cachorro, atender ao telefone, dar o dinheiro ao entregador do mercado, colocar o lixo no cesto, deixar a roupa suja ao lado da máquina de lavar. A criança cumpre essas tarefas com alegria, pois se sente importante como os pais, que também têm tarefas diárias a cumprir. Elogie a criança que fez uma tarefa bem feita; estimule-a a que continue a realizá-la para o conforto de todos da casa. Quando incentivada a ser responsável, a criança se torna mais independente, e os pais não terão que andar atrás dela o dia todo para que dê descarga no vaso sanitário, almoce no horário e se apronte para a escola. É melhor gastar tempo durante alguns dias ao ensiná-la a se vestir sozinha, do que varar os anos vestindo-a, e fazendo-a pensar que todos devem fazer as coisas para ela. Ao se habituar a realizar os encargos domésticos, na adolescência não fugirá das responsabilidades escolares e outros compromissos; e se tornará segura de si própria e sem medo ou preguiça para se propor metas altas nos estudos e na vida.

    6 – Ternura e Temperança

    Quanto mais amor receber um filho, mais alegre e seguro ele será, porque se sentirá protegido pelos seus pais. Os beijos e abraços dos pais nunca são demais, nem tornam os filhos mimados, se também são exigidos para que cumpram seus deveres. Mostre a seu filho que é amado: “Meu tesouro!”. Criança a quem não foi manifestado muito amor, torna-se reservada, distante e custará a ela expressar seus sentimentos. É melhor exceder-se em dar amor, do que errar pela ausência dele. Nos primeiros anos, dê à criança todo afeto que puder: por amor a seus pais ela se portará bem mesmo na ausência deles. Muitos adultos têm problemas emocionais relacionados à ausência de carinho na infância.

    Aprende-se a ser sóbrio e desprendido dos objetos desde a infância, começando pelos brinquedos e doces. Ajude seu filho a valorizar o que possui, e aprender a viver com pouco, pois saberá desfrutar melhor do que possui. Ao não ter muitos brinquedos, aprenderá a ser constante e imaginativo ao se divertir durante um bom tempo com o que possui. A criança abarrotada de brinquedos não percebe o quanto as coisas custam, se entedia rápido com aquilo que tem entre as mãos e torna-se inconstante ao largá-lo para pegar outro. Não permita que avós e tias encham as crianças de presentes. Contrarie os caprichos da criança insaciável por ganhar brinquedos, não para aborrecê-la, mas para não destruir a imaginação dela, que deve fazer seus carrinhos com embalagens vazias de produtos caseiros (se divertirá mais com isso do que com carros elétricos que fazem tudo sozinhos). Que tenham poucos brinquedos bons, ganhos em épocas especiais (Natal, aniversário…). Quanto aos doces, limite-os para os fins de semana. Assim, quando forem mais velhos não terão problemas de autocontrole, porque se habituaram a privar-se e a dizer não a muitas coisas que poderiam agradar. Começam por dominar-se diante das guloseimas, e mais adiante não serão vítimas dos apelos consumistas, excesso de jogos e lazer, e saberão privar-se de buscar novas sensações nas drogas.

    7 – Ordem e Asseio

    É preciso tornar a criança ordenada desde pequena, sendo esta uma das primeiras virtudes a ser ensinada. Procure que ela identifique a palavra brincar com a de arrumar, após brincar. Não espere que cresça para exigir isso, nem aceite a desculpa de que durante os primeiros anos o bebê pode fazer o que quiser. A ordem deve começar a ser vivida desde o dia em que a criança nasce: ordem no sono (pouca ou nenhuma luz para atender o bebê na madrugada fará que perceba que há dia e noite, e que a noite é silenciosa e está feita para dormir); ordem nos horários de refeições e banhos, nas roupas e brinquedos. Os pais não podem passar o dia recolhendo o que a criança deixou por todo canto. Desde que tenha um ano, ao acabar de brincar, deve colocar na caixa os seus brinquedos (cole em cada caixa o desenho ou figura do que ali deve ser guardado). Ponha prateleiras ao alcance da criança. Aos três anos do pirralho, consiga uma mesa de trabalho com gavetas para ele fazer desse o lugar de recortar, colar, rabiscar, montar o quebra-cabeças, desenhar; mais tarde esse será o lugar de estudar, concentrar-se, ler e fazer as tarefas escolares. Se a criança começa a ser ordenada por fora, logo o será por dentro (gavetas, armários); e quando for adolescente será organizado na distribuição do tempo e na capacidade de planejar o que irá fazer em cada momento. Organizar-se no dia a dia não se aprende de um momento para outro, mas se capacita desde muito cedo. Mas, pais, não fiquem obcecados pela ordem, nem passem o dia gritando com a criança. Basta dedicar um tempo diário – por exemplo, antes do banho da tarde − para que ela arrume o próprio quarto.

    É preciso aprender a ser asseado desde pequeno: banho diário, dentes e cabelos lavados e escovados, roupa limpa. Torne o banho atraente ao colocar dentro da banheira algum brinquedo, pois é a maneira da criança associar o banho com divertimento, em vez de convertê-lo num suplício diário. Para ter hábitos de higiene, crie horários: pela manhã, lavar o rosto, as mãos, escovar os dentes e pentear os cabelos; ao retornar das brincadeiras ou da rua, lavar as mãos; à noite, tomar banho, limpar os ouvidos e pentear bem os cabelos; aos sábados, cortar as unhas. Quem não aprende a ser limpo desde pequeno, será difícil andar arrumado quando for adulto, pois sempre faltará algum detalhe. A criança com costumes de higiene apreciará manter a casa arrumada por fora (aquilo que toda a gente vê) e por dentro (aquilo que não se vê). O hábito de asseio será levado vida afora pela criança. Já se disse que uma criança é desmazelada porque seus pais o são. Mas, pais, não fiquem obcecados a ponto de ralhar com a criança porque se sujou no jardim ou durante a refeição. As crianças têm que se sujar, o que não quer dizer que devam andar sujas o todo o dia.

    Texto produzido por Ari Esteves, com base na obra “Tu hijos de 1 a 3 años”, de Blanca de Jordán de Urríes, Colección Hacer Familia, Espanha.

  • O hábito de leitura

    O hábito de leitura

    1 – O papel da literatura. 2 – Ganhar o hábito da leitura. 3 – O que ler? 4 – Nada me afeta; leio qualquer coisa”, dizem os soberbos.

    1 – O papel da literatura

         A literatura tem um papel transformador em nossa vida. Já se disse que a leitura dos clássicos forja o caráter, cura as doenças da alma e resgata a autoestima. Com a leitura aumentamos a preparação intelectual, porque ela incide diretamente sobre a inteligência e faz aumentar o nível e o alcance do pensamento. Quando esclarecida pelos bons livros, a inteligência extasia-se com o bem e a verdade. A leitura, além de excelente modo de descansar e de aproveitar o tempo, aumenta a cultura humanística, melhora a forma de expressar o pensamento escrito e oral, enriquece o vocabulário e nos faz ganhar com a experiência do outro (“escarmentar em cabeça alheia”, diz o ditado).

    2 – Ganhar o hábito da leitura

         Para começar a ganhar o bom hábito ou gosto pela leitura, e ajudar as crianças a irem por esse caminho e a não serem dependentes digitais, tenha sempre um livro nas mãos, pois só assim você encontrará cinco minutos aqui e dez ali para lê-lo todos os dias, seja em sala de espera, no transporte público, naqueles minutos que antecedem o início do trabalho, no final do dia e, claro, nos fins de semana, quando podemos dedicar mais tempo à leitura.

        O nosso tempo é curto e não vale a pena perdê-lo com obras que desfiguram a verdade. Existem muitas obras de qualidade que convém ler: novelas, biografias, ensaios, artigos, contos, romances, etc. Uma revista de novelas ou gibi pode servir para descansar em momentos particulares, mas restringir as leituras apenas a isso revela sintomas de superficialidade, frivolidade e de perda de tempo.

    3 – O que ler?

         Todos temos que formar uma reta opinião sobre tantas questões que nos cercam, e isso não será possível com o malfado “ouvi dizer”, mas pela leitura de autores que fundamentam suas obras na verdade. Há livros que produzem confusão ou propagam ataques que não toleraríamos se fossem dirigidos aos nossos pais ou à nação (nem divulgaríamos tais obras).

         Atualmente, interesses econômicos fazem proliferar livros que chamam de best-sellers, mas que são escandalosos, sensuais e com falso entendimento sobre o que é a vida e o amor. Ninguém deve se sentir cobrado para ler algum Prêmio Nobel de literatura sem informar-se sobre o conteúdo moral de sua obra. É necessário ter um são espírito crítico, próprio de pessoas maduras, para ir contra a corrente e ler apenas bons livros.

         Como saber se devemos ou não ler uma obra? É medida de prudência pedir conselho a pessoas com sólida preparação intelectual e moral acerca do livro que pretendemos ler, para não perder o pouco tempo que temos, nem nos encharcarmos de ideias falsas. Também podemos pesquisar no site www.delibris.org, que nos posicionará sobre o conteúdo de muitas obras. Se não encontrarmos informações sobre um livro, a prudência exige atenção redobrada ao lê-lo, tal como quem dirige à noite em estrada desconhecida, e também para deixar de lê-lo se surgir alguma dúvida.

         Belo depoimento sobre isso deu Juan Pablo II, reconhecido por todos como grande intelectual, quando em seu testemunho biográfico “Levantai-vos, vamos”, disse: “Sempre tive um dilema: o que ler? Tentava escolher o mais essencial. A produção editorial é tão ampla! Nem tudo é valioso e útil. É preciso saber eleger e pedir conselho sobre o que se vai ler“. Veja sugestão de leitura por idade.

    4 – Nada me afeta; leio qualquer coisa”, dizem os soberbos

        Quem se habitua a ler qualquer obra corre o risco de envenenar-se de ideias tortas que influenciarão o pensamento, pois inverdades não refutadas pela falta de conhecimento modelam a conduta. Há livros que apresentam só parte da verdade, sem diagnosticar com clareza o erro que jaz em seus argumentos, e apenas lançam meias verdades, que são mais perniciosas e enganadoras do que uma mentira evidente. O ditado popular “O soberbo morre pela boca” pode ser aplicado a quem diz “leio qualquer coisa e nada me faz mal”. Não se trata de assunto novo, já que Platão, Séneca, Petrarca, entre outros, falaram das boas e más influências que recebemos por meio das leituras. 

       Alguém poderia objetar que deve conhecer as opiniões contrárias para formar o juízo próprio. Não há dúvida de que isso é correto em matérias opináveis. Mas há verdades sobre a natureza humana, família, casamento e atitudes éticas que não se alteram nunca, mesmo que muitos tenham opinião contrária sobre elas (os valores retratados na Odisseia, de Homero, escrita no século VIII a.C., são perenes na conduta humana). Para saber os efeitos de um veneno não precisamos bebê-lo: basta ler um livro que trate de seus efeitos.

    Texto produzido por Ari Esteves staging.ariesteves.com.br/

  • Ordem e aproveitamento do tempo

    Ordem e aproveitamento do tempo

    1 – A virtude da ordem multiplica o tempo. 2 – Critérios para hierarquizar as tarefas. 3 – O cumprimento dos deveres fortalece a vontade e o caráter.

    1 – A virtude da ordem multiplica o tempo

       A ordem dá harmonia e paz à vida porque leva a cumprir o que deve ser feito em cada momento; além disso, multiplica o tempo porque evita desperdiçá-lo em afazeres desnecessários ou menos importantes. Ordem − do grego “orthos”, reto, correto − é a disposição conveniente dos meios para se atingir um fim. Várias coisas entre si têm em vista a ordem que possuem em relação a um fim: tijolos, areia, telhas, ferros e encanamentos organizados em um pátio têm a finalidade de edificar uma casa.

    2 – Critérios para hierarquizar as tarefas

    Para que a ordem ocorra é necessário definir diariamente as prioridades, diferenciando as tarefas mais importantes das mais urgentes: é urgente atender ao telefone que esbraveja; é importante iniciar imediatamente a preparação para um exame que ocorrerá daqui a um mês. Ao definir as tarefas diárias é preciso estar atento para não se deixar levar pela comodidade ou lei do menor esforço, que ronda a todos os filhos de Eva e induz a iniciar as tarefas pelas mais agradáveis. Quem não estabelece prioridades se dispersa em afazeres menos importantes, e deixa de atender suas principais responsabilidades. A repetição dessas falhas cria o vício da preguiça que debilita o caráter, enfraquece a vontade e liquefaz qualquer ideal ou projeto de vida que exija esforço. 

    Hierarquizar os afazeres é atribuir valor a cada um com base em finalidades, pois dificilmente todos os afazeres terão o mesmo grau de importância. Essa estimativa é realizada pela virtude da prudência, que evita a ineficácia da desordem ao julgar o que é mais importante entre os inúmeros afazeres a serem realizados a cada dia. Assim, caso sobrem tarefas para o dia seguinte, devido ao acúmulo delas, certamente terão sido as menos importantes ou as que poderiam esperar até o dia seguinte.

    Para hierarquizar os afazeres com base em finalidades é necessário distinguir o valor moral de cada assunto. Por exemplo, uma pessoa que goste de sua atividade profissional poderá se ver na disjuntiva de continuar ou não na empresa além do horário previsto, sem um motivo importante ou extraordinário que o exija. Então, neste caso, o moralmente correto será encerrar o expediente e sair pontualmente para retornar ao lar a fim de conviver com o outro cônjuge e com os filhos, pois o fim do trabalho não se encerra nele mesmo, mas é meio para um fim mais alto.

    3 – O cumprimento dos deveres fortalece a vontade e o caráter

    As prioridades devem ser estabelecidas no início do dia por meio de um exame breve, de 3 a 4 minutos. Para executar as tarefas previamente definidas pela prudência e o juízo, entram também em jogo as da fortaleza e da laboriosidade, que levam a trabalhar com intensidade e a fugir das “paradinhas” desnecessárias e a evitar curiosidades ou perdas de tempo em mídias sociais, etc.

      O cumprimento responsável dos deveres é excelente exercício para o fortalecimento da vontade e enriquecimento do caráter. Quando alguém ganha um valor – por exemplo, a virtude da ordem –, não adquiriu apenas um hábito bom e isolado, pois, dada a unidade da pessoa humana, ao melhorar em um aspecto aperfeiçoam-se ao mesmo tempo todos os demais.

    Texto produzido por Ari Esteves staging.ariesteves.com.br/. Imagem de Darya Sannikova.