Categoria: FAMÍLIA

  • A conquista das virtudes requer esforço

    A conquista das virtudes requer esforço

    1 – A tarefa de buscar o aperfeiçoamento pessoal. 2 – Como ganhar virtudes?

    1 – A tarefa de buscar o aperfeiçoamento pessoal

        Cada pessoa tem a tarefa iniludível − e intransferível − de aperfeiçoar a si própria, de construir a sua biografia mediante as escolhas que faz. Seu auto aperfeiçoamento está no bom uso da liberdade e nas boas escolhas, pois estas criam hábitos ou costumes que predispõem para agir de uma determinada maneira. Compete a cada um a tarefa de se examinar e detectar o seu calcanhar de Aquiles, ou o defeito dominante, e pôr mãos à obra para erradicá-lo por meio de uma luta alegre e esportiva, feita de pequenos vencimentos diários, começando e recomeçando a lutar após cada derrota.

        Quem não procura ser melhor e deixa-se vencer pelo mais cômodo, ganha os hábitos ou os vícios correspondentes às suas más escolhas. Se não rechaçamos os nossos defeitos, os bons ideais se transformam em pó. As virtudes são necessárias para as metas altas que alguém se propõe a realizar. Alcançar um ideal ou o projeto vital, dependerá da conquista das virtudes correspondentes.

    2 – Como ganhar virtudes?

        Para superar os obstáculos internos e externos que dificultam o aperfeiçoamento pessoal, é necessário fortalecer a capacidade humana por meio de virtudes, palavra originada de vis (força, em latim), que ao serem adquiridas facilitam a ação. A virtude permite aspirar bens árduos ao dar à vontade a força que antes não tinha para manter a excelência de seus objetivos. As virtudes se entrelaçam e, quando melhoramos em um aspecto, melhoramos em todos os outros pelo princípio de unidade da pessoa humana.

        Tal como o esportista ganha força e facilidade em agir pelo treinamento diário, as virtudes são ganhas mediante o exercício constante de pequenas ações, como por exemplo: acordar no horário, não adiar ou marretar as tarefas, manter a ordem nos objetos pessoais, aproveitar bem as horas de cada dia, ser paciente, ter espírito de serviço, saber ouvir os demais, ter bom humor, ser temperado no comer e beber… 

    Texto produzido por Ari Esteves staging.ariesteves.com.br/

  • A tarefa educativa da família

    A tarefa educativa da família

    1 – A influência da família na personalidade. 2 – A família como o melhor negócio dos pais.

    1 – A influência da família na personalidade

        Os pais devem ter presente que, para o bem ou para o mal, a família é a influência mais profunda e duradoura na vida de qualquer pessoa. Se os pais não educam os filhos, a fim de que amadureçam e sejam responsáveis, ninguém os substituirá. Esse dever educativo dos pais é exclusivo e está ligado à transmissão da vida, tornando-os, assim, os principais protagonistas dessa educação.

        Não basta dar alimento e abrigo. Ao gerar, os pais contraem a obrigação de instruir, colocando os filhos em condições de enfrentar a vida em suas diversas etapas e exigências. Essa preocupação educativa deve dominar a vida dos pais, que não podem regatear esforços para isso.

    2 – A família como o melhor negócio dos pais

        Jacques Leclercq diz que “os filhos são o remate da família”. Remate é um substantivo que significa a última operação destinada a tornar uma obra perfeita e acabada. Se não conseguem isso, por mais que a carreira profissional esteja bem, os pais não serão felizes, mas frustrados, pois a família é o seu melhor negócio.

        Victor García Hoz diz que a educação familiar se orienta para três finalidades:

    1) Cultivar a personalidade;

    2) Preparar a pessoa para o âmbito familiar e social;

    3) Educar a vontade para o bem (educação moral).

        Tudo Isso implica que a qualidade da educação dos filhos dependerá da qualidade da formação dos pais, que necessitam preparar-se cientificamente. Os pais não precisam ser profissionais da educação, mas devem educar com mentalidade profissional. E para isso não basta o sentido comum nem a experiência de ser pais, sendo necessário valer-se de estudos acadêmicos e práticos no âmbito da orientação familiar. Veja em staging.ariesteves.com.br/livros-orientacao-familiar/ a lista de obras que ajudará os pais a se prepararem, ao reservar alguns minutos diários para essas leituras.

    Texto produzido por Ari Esteves staging.ariesteves.com.br/. Imagem de Arina Krasnikova.

  • A escolha de valores ou modelos de conduta

    A escolha de valores ou modelos de conduta

    1 – Quais os valores que regem a minha vida? 2 – Necessitamos de valores possíveis de imitar. 3 – Podemos acertar ou errar na escolha dos modelos. 4 – Os livros de literatura transmitem valores.

    1 – Quais os valores que regem a minha vida?

        Antes de agir necessitamos aplicar alguns critérios prévios chamados “valores” ou referências para pautar a ação em direção à verdade e ao bem, fim natural da pessoa. A educação em boa parte consiste em transmitir modelos e valores, a fim de que cada pessoa saiba fazer boas escolhas por si mesma.

        Examinar sobre os valores que regem a própria vida é medida de prudência para não construir sobre o erro, que seria fatal e origem de fracassos. Quem se preocupa com a saúde examina o grau de colesterol ou de calorias antes de consumir determinado alimento, pois tem como valor o cuidado com sua saúde. Há quem age pautado por valores de utilidade, beleza, fama, poder, dinheiro, pátria, sabedoria, destreza técnica, solidariedade, família, religião etc. A pergunta sobre os valores ou modelos que escolhemos tem sentido porque “diz-me com quem andas e te direi quem és”.

    2 – Necessitamos de valores possíveis de imitar

        Não desejamos valores teóricos, mas aqueles que vemos representados em modelos a serem imitados. Precisamos de alguém com quem possamos nos identificar, porque vive ou viveu uma vida cheia de significados pelos quais vale a pena se arriscar e deixar de lado a comodidade para sair da arquibancada e vir à arena lutar! A vida de quem encarna os valores que admiramos não pode ser inexequível, mas imitável no quotidiano, sendo por isso eleito como modelo. Em tempos de crises de valores podemos encontrar gente que personifica um ideal de excelência humana na própria família, na profissão ou nas relações sociais. Essas pessoas são modelos porque a história ou existência delas está lastreada em fatos edificantes.

    3 – Podemos acertar ou errar na escolha dos modelos

        Ter modelos é algo muito humano, mas a questão está em acertar ou errar na escolha. Muitos escolhem modelos de conduta determinado pelos modismos que visam a fama, o sucesso profissional a qualquer preço, a busca contínua de satisfações sensitivas, a beleza corporal… A personalidade madura escolhe por convicção e não pela moda, e preza mais os valores interiores ligados ao caráter e à personalidade, do que à beleza física externa. Quem só escolhe exemplos de sucesso (os best-sellers de ocasião), se deixa envolver pela massificação, que é deixar os outros decidirem por si.

    4 – Os livros de literatura transmitem valores

            É interessante notar que as narrativas têm influência enorme na vida humana, pois geram condutas. Contar histórias tem alcance maior do que discursos teóricos na configuração da vida de uma pessoa ou de um povo. A transmissão oral de contos feita pelos pais às crianças, a leitura de romances épicos, drama, e mesmo os bons filmes, são veículos de transmissão de valores ou modelos de condutas. Porém, temos que estar atentos porque em nossos dias os grandes narradores são o cinema, a TV e a publicidade, que podem nos manipular por meio de narrativas que apresentam modelos de conduta familiar, profissional, social ou de lazer que não condizem com a verdade sobre o homem.

    Texto produzido por Ari Esteves (staging.ariesteves.com.br/), inspirado no livro “Fundamentos de Antropologia”, de Ricardo Yepes e Javier Aranguren, Instituto Raimundo Lúlio.
     

  • Educar para a contemplação

    Educar para a contemplação

    1 – O benevolente caminha para a perfeição humana. 2 – O ser humano é capaz de compreender a finalidade dos seres. 3 – O homem pode danificar o mundo que o circunda.

    1 – O benevolente caminha para a perfeição humana

        Diante de um besouro caído de costas, esperneando para voltar à posição normal, pode-se ter três atitudes: ficar indiferente, esmagá-lo ou virá-lo. Quem ajuda o inseto para que siga sobre suas patinhas, esta dizendo a ele “seja você mesmo”. É benevolente quem reconhece e dá valor ao real − pessoas ou coisas − e diz a cada ser “alcance a sua plenitude ou fim próprio!”. O desenvolvimento de uma pessoa tem caráter moral e não é isolado, mas influi sobre toda a realidade circundante. A benevolência é atitude ética que faz o homem reconhecer e ajudar a que pessoas ou coisas sejam o que devem ser. O benevolente caminha para a excelência humana e converte-se em aperfeiçoador e contemplador da natureza e do mistério da vida, pois vê o Cosmos como algo organizado e dotado de uma finalidade.

    2 – O ser humano é capaz de compreender a finalidade dos seres

        O homem é capaz de compreender o sentido ou razão de ser das coisas − sua teleologia ou finalidade para a qual existem − e dispô-las em relação ao seu fim: dispor de um martelo é usá-lo para pregar. Devemos respeitar todos os seres porque todos somos criaturas! O respeito ao homem e à natureza radica em Deus, seu Criador e dono. O amor desinteressado às pessoas e à Criação é caminho para o conhecimento e o amor a Deus. Assentir com o real significa reconhecer as coisas em seu verdadeiro valor (pisar no besouro não faz sentido porque o destrói).

    3 – O homem pode danificar o mundo que o circunda

        Existe no homem a capacidade de danificar o mundo circundante por meio de hábitos ruins (vícios), e isso pode torná-lo um destruidor de pessoas ou da natureza! O destrutor vê o universo criado como pura matéria desorganizada, sem referência a nenhum Ser superior que o pensou para um fim, caindo no evolucionismo desmedido. Se tudo está em evolução não há motivos para respeitar o ser das coisas, pois qualquer ação destruidora da realidade deverá ser tomada como um novo momento dessa evolução total e desordenada.

        O homem deixa de ser benevolente ao não levar em conta o sentido próprio de cada ser, a fim de utilizá-lo para seus interesses pessoais. O instrumentalismo despoja as pessoas e os demais seres da finalidade que lhes é própria: a família, a profissão e as relações sociais são utilizadas para fins pessoais, exclusivistas, descaracterizando a finalidade de cada ser. A tecnocracia extrapola a importância dos processos econômicos e faz originar o consumismo que rompe com os valores ecológicos criando, por exemplo, os desastres ambientais e torna os homens escravos dos bens de consumo por meio de falsas mensagens publicitárias.

        Amar a natureza e respeitar a finalidade de cada ser − e educar as crianças para tal −, é excelente caminho para ser feliz sem ser consumista.

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    Texto produzido por Ari Esteves (staging.ariesteves.com.br/), inspirado no livro “Fundamentos de Antropologia”, de Ricardo Yepes e Javier Aranguren, Instituto Raimundo Lúlio; e “Felicidad y benevolencia”, de R. Spaemann, Rialp, Madri.
     

  • Quem deve educar: a família ou a escola?

    Quem deve educar: a família ou a escola?

    1 – A família educa para o bem ou para o mal. 2 – A educação escolar é insuficiente. 3 – A família forma nos valores essenciais. 4 – A escola tem função subsidiária. 5 – Escolas inteligentes orientam os pais no comportamento dos filhos.

    1 – A família educa para o bem ou para o mal

        A família é a primeira e fundamental escola porque é comunidade de amor, onde os filhos são queridos não pelas qualidades que possuem, mas porque são filhos. O ambiente familiar marca o indivíduo para sempre, sendo a influência mais profunda e duradoura em sua vida. Nesse espaço se constrói a personalidade e o amadurecimento afetivo que condicionam todo o desenvolvimento humano, cultural e social de seus integrantes. O entorno natural de afetos proporcionado pela família é o mais adequado à dignidade da pessoa, sempre necessitada de carinho, instrução personalizada, compreensão e estímulo para superar-se e crescer em virtudes. A influência familiar dá-se tanto para o bem quanto para o mal, dependendo da qualidade de seu ambiente e da educação oferecida.

        A educação familiar não é formal como a escolar, mas espontânea e descontraída. Esse clima de informalidade é o mais adequado para os pais se ocuparem de questões profundas como as de caráter, temperamento, transmissão de valores, virtudes humanas, atitudes cívicas, orientação profissional alicerçada no autoconhecimento e espírito de serviço.

    2 – A educação escolar é insuficiente

        Não basta a educação escolar para as pessoas darem certo na vida. Muitos pais estão satisfeitos com esse tipo de educação e acreditam que ao proporcionar uma instituição de grife sua responsabilidade está cumprida. Resta então torcer para que o tempo e a sorte ofereçam uma boa oportunidade profissional ao filho, e este corresponda com as qualidades humanas − que terá que desenvolver sozinho −, para ser um profissional de excelência em todos os aspectos. A valorização do aprendizado científico em detrimento da formação integral da pessoa (que inclui a educação da vontade e dos afetos), faz-nos presenciar   horrorizados a atuação de “competentes” técnicos em altos cargos no governo e na sociedade civil, que se corrompem facilmente pelo dinheiro e se destroem moralmente.

    3 – A família forma nos valores essenciais

        A família é a principal transmissora de valores éticos, culturais, sociais, espirituais e religiosos. Quando interiorizados, esses valores se tornam bússolas que apontam para o correto agir e orientam a vontade até o bem, norteando a pessoa para mover-se retamente em todos os âmbitos de sua vida. Os valores que se cultivam no lar são entesourados de forma indelével e performativa no coração e na mente. Ao inerir num filho convidam-no à contínua superação de seus limites e a realizar com esforço e perfeição crescentes seus deveres familiares, acadêmicos e sociais, sem se acomodar com o nível alcançado, pois quem não avança retrocede.

        Os filhos devem ser educados para os valores essenciais da vida humana, e essa tarefa cabe à família, que evidentemente poderá contar com programas de formação comportamental em boas escolas. Porém, os filhos só crescerão numa justa liberdade diante dos bens materiais se os pais derem exemplo de que o homem vale mais pelo que é do que pelo que possui, ajudando-os a crescer sem apegos diante dos bens materiais, e adotando um estilo de vida simples e austero. Sem valores uma pessoa desiste da tarefa que se tornou cansativa, foge do dever árduo a cumprir, ouve uma murmuração ou calúnia sem reagir, ferra-se em sua opinião e discute de forma agressiva, claudica diante do ganho fácil dos subornos.

        Na família se dá uma forma de aprendizagem por impregnação ou osmose onde as crianças, desde muito pequenas, imitam os adultos ao ver seus costumes, forma de agir, modos de se conduzir e falar. Isso ocorre porque a família é uma comunidade de convivência intensa, onde as relações informais fazem as pessoas se comportarem espontânea e naturalmente, revelando-se como são e tornando-se, os adultos, referências para os pequenos.

    4 – A escola tem função subsidiária

        A tarefa educativa compete primeiramente aos pais, dada a primária incumbência de que quem gerou deve educar, e não pode ser transferida à escola. É natural que os pais deleguem, sob vigilância, algumas funções a esta, como o ensino de várias disciplinas apropriadas à faixa etária dos filhos. Mas, não se pode concluir que ao delegar devam abandonar a educação dos filhos nas mãos de outros. Por isso, os pais têm o direito e o dever de conhecer o ideário e objetivos da escola, seus programas e corpo docente. Infelizmente, a necessidade de trabalhar fora faz que muitos pais transfiram a educação à escola e, como Pilatos, lavam as mãos e se desobrigam da responsabilidade de dar uma formação integral a cada filho.

        Nem todas as escolas se preocupam com a formação integral de seus alunos, ou possuem um bom programa para transmitir valores humanos. Porém, não deixam de indicar padrões de comportamento quando um professor, ao explicar o conteúdo de sua disciplina, revela aos alunos suas crenças, visão de mundo, virtudes ou vícios. Se a conduta do mestre não é exemplar provocará no aprendiz confusão e diminuição de valores. Por isso, não é razoável que a família se despreocupe com a qualidade ética do professorado e do material didático que utiliza. O que constrói arduamente a família não pode ser destruído pela atitude irresponsável do docente.

        Os professores estão desmotivados porque ganham pouco e seu trabalho não é valorizado. Soma-se a isso o fato de que muitos jovens enfrentam desrespeitosamente seus mestres e, quando corrigidos, seus pais vão à escola para repreendê-los, ao invés de agradecer a ajuda prestada. Com isso, aplaudem os erros dos filhos, e fixam-nos na conduta da qual um dia serão suas vítimas.

    5 – Escolas inteligentes orientam os pais no comportamento dos filhos

        As escolas inteligentes sabem que a falta de um bom ambiente familiar faz surgir nos adolescentes transtornos comportamentais, medos, ansiedades, agressividades, pessimismos, incapacidade para relações sociais profundas, falta de respeito ou interesse pelos demais. Por serem inteligentes, essas escolas também reconhecem que os adolescentes mais adaptados à instituição geralmente têm um histórico de famílias coesas, transmissoras de valores e onde a comunicação entre seus membros está sempre presente. Por isso, essas escolas reconhecem o protagonismo dos pais na ação educativa dos seus alunos, e sabem que a família não pode ser substituída nem por elas − instituições de ensino −, nem por outros entes privados ou púbicos.

        Conscientes também das dificuldades que os pais enfrentam na educação do comportamento de seus filhos − dada a descarga desinformativa e manipuladoras das diferentes mídias −, as escolas inteligentes trazem os pais para dentro de seus muros, a fim de ajudá-los por meio de programas como Escola de famíliaPais que educam Escola de pais, entre outros, e aproximam deles conteúdos acadêmicos e práticos desenvolvidos por profissionais seguros e competentes no âmbito da orientação familiar. Se a escola se faz eco do que os pais devem ensinar aos filhos, tal coerência e unidade educativa reforçam nos alunos a convicção de que seus pais estão com a verdade e que vale a pena seguir suas orientações.

        Entre a família e a escola deve existir sintonia, unidade de princípios e de valores. Quando as instituições de ensino atuam conjuntamente com os pais na transmissão dos valores humanos, mesmo tendo presente que sua ação não é tão profunda como a da família, os resultados no ambiente escolar são excelentes e de curto, como o respeito pelos professores e funcionários, ambiente de verdadeira amizade e ajuda mútua entre os alunos, além da valorização do conceito da  própria instituição.

    Texto produzido por Ari Esteves (staging.ariesteves.com.br/)

  • Autoridade dos pais

    Autoridade dos pais

    Autoridade dos pais

    1 – Crianças necessitam de pais que sejam guias, não cúmplices. 2 – Autoridade não arbitrária, mas baseada na confiança. 3 – Não basta mandar, é preciso explicar os motivos de uma ordem.

    1 – Crianças necessitam de pais que sejam guias, não cúmplices

        Para haver educação é necessária a diferença clara de papeis: educando e educador. Crianças e adolescentes necessitam de pais na qualidade de guias, não de cúmplices. A autoridade dos pais esvai-se ao não exigir por medo de perder o carinho dos filhos (comum em pais que passam o dia fora); ao não saber lidar com as situações de conflito junto às crianças; ao tolerar o erro; ao se deixar influenciar pela teoria de que reprimir as crianças provoca traumas; ao aceitar modelos liberais de conduta impostos pelas novelas, filmes e programas de TV. A ideia liberal é falsa porque a criança, que não nasce sabendo, à medida que se desenvolve necessita adquirir princípios, já que não há educação sem princípios! (só os animais não necessitam deles, porque se guiam pelos instintos, bastante falhos nos seres humanos).

        A família forma uma pequena sociedade, com um poder de governo onde os filhos são os membros dessa comunidade e os pais os governantes. Enquanto os filhos vivem no lar paterno, têm que se submeter às exigências da vida em comum, do modo como os pais disciplinam. A autoridade que os pais exercem sobre os filhos é consequência do seu dever de educar: devem mandar à medida que a educação ou o bem dos filhos o requeiram. E a obediência não é um capricho exigido pelos pais, mas virtude a ser vivida pelos filhos para se deixar educar. “Autoridade” remete aos verbos latinos auctoritas (apoiar) e augere (fazer crescer, desenvolver), onde o educando ao descobrir uma verdade assume-a em vista do seu desenvolvimento. Quem reconhece uma autoridade adere aos valores ou verdades que ela representa: «o educador é uma testemunha da verdade e do bem», disse Bento XVI.

    2 – Autoridade não arbitrária, mas baseada na confiança

        É preciso educar num clima de familiaridade, porque exigir secamente leva a conflitos constantes. À medida que os filhos crescem, a autoridade paterna e materna dependerá cada vez mais dessa relação de amizade, carinho e confiança. Por isso, não dar nunca a impressão de desconfiar de um filho, sendo preferível deixar-se enganar alguma vez para que este se sinta envergonhado por ter traído essa confiança. No fundo, trata-se de acreditar no filho e «aceitar o risco da liberdade, permanecendo sempre atentos a ajudá-lo a corrigir ideias e opções erradas. O que nunca devemos fazer é favorecê-lo nos erros, fingir que não os vemos, ou pior partilhá-los» (Bento XVI).

        A presença dos pais no lar é insubstituível e sempre requerida, mesmo que isso imponha sacrifícios. Ao jantarem juntos é significativo ouvir atentamente as crianças discorrerem sobre os acontecimentos do seu dia, como também os pais devem narrar suas vivências profissionais a fim de que os filhos conheçam o dia a dia da mãe e do pai, que será enriquecedor para eles. Será essa ótima ocasião para rir e comentar com bom humor as ocorrências e aproveitar para dar um critério ou outro, e tirar importância de algo que as crianças relevaram desmedidamente.

        Os filhos prestam atenção em tudo que os pais fazem, tendem a imitá-los e esperam que sejam coerentes e exemplares nos valores que transmitem. Isso não significa que os pais têm que ser perfeitos, desde que reconheçam seus erros, lutem para corrigi-los e saibam pedir desculpas quando se equivocam. Só assim serão admirados, imitados e prestigiados.

        Faz parte da autoridade manter o calor de lar e promover um ambiente de alegria e entrega generosa de uns aos outros. Pedir aos filhos, desde pequenos, que ajudem nos serviços da casa favorece neles a preocupação de apoiar os pais e os irmãos. Não se trata de “dar coisas para fazer” com o objetivo de mantê-los ocupados, mas para que sejam também protagonistas do bom funcionamento da casa e do bem-estar da família: ajudar a preparar a mesa, dedicar tempo à organização dos objetos, atender a porta e o telefone, cuidar de um irmão, levar o lixo para fora, etc.

    3 – Não basta mandar, é preciso explicar os motivos de uma ordem

        Os adolescentes não duvidam da autoridade dos pais, mas não se limitam a aceitar de modo acrítico o que lhes dizem. Fazem isso porque querem compreender melhor a verdade que lhes foi transmitida. É bom facilitar ocasiões para tratar mais pausadamente sobre os temas que questionam: aproveitar um percurso a sós; em casa, com ocasião de um filme ou livro; ou aproveitar um ocorrido escolar que propicie a abordagem do um tema.

        Há coisas secundárias que talvez os pais não aprovem, mas que não justificam promover uma guerra. Bastará apenas um comentário desaprovador, sem ser chatos, para que os filhos tenham um ponto de referência e decidam livremente sobre um comportamento menos importante. Se em alguma ocasião o filho parece não se interessar muito por um critério, não se alarme, e tenha certeza de que ficou gravado nele, porque comprovou o que pensam seus pais, e isso lhe servirá de bússola.

        Em conclusão, podemos afirmar que a autoridade é necessária para educar, e a obediência é a condição para se deixar educar. Os filhos têm necessidade de aprender de seus pais normas, critérios e modelos de conduta, dada a pouca vivência que possuem. Ao se omitir e não oferecer referências claras, os pais privam os filhos de orientação, deixando-os como um caminhante à deriva: quem não sabe para onde ir, tanto faz o caminho que escolhe.

    Texto produzido por Ari Esteves (staging.ariesteves.com.br/)

  • Por que exigir dos filhos?

    Por que exigir dos filhos?

    1 – Os animais também oferecem alimento e abrigo. 2 – Por que exigir? 3 – Não ter medo de exigir. 4 – Exigir que ajudem nas tarefas do lar.

    1 – Os animais também oferecem alimento e abrigo

        Trata-se de um grave erro antropológico desconhecer o princípio inato de desordem que todos carregamos dentro. As reações histéricas dos pais diante dos erros dos filhos revelam desconhecimento dessa desordem ou despreparo para corrigi-las.

        Sendo débil a condição da criatura humana, seu processo educativo é longo (12 a 13 anos), pois compreende a educação do comportamento e a aquisição dos valores pelos quais deverá pautar a vida para ser feliz. Nesse período é radical a dependência dos pais. Preparar uma criança para a vida não é só dar a ela alimento e abrigo, porque isso também fazem os animais. Oferecer aos filhos meramente a sobrevivência física seria exilá-los do mundo dos homens, que é mais rico que o dos animais. Desde muito cedo as crianças carecem aprender critérios comportamentais, distinguir o que é bom ou vicioso para o ideal humano, ser apresentadas às diferentes manifestações culturais e artísticas… E tudo isso porque devem nortear sua conduta por critérios racionais, e não por impulsos natos ou instintivos, que nos homens não são seguros como nos animais.

    2 – Por que exigir?

        Quando se nota que um comportamento deve ser retificado − em nós ou nas crianças −, é preciso agir prontamente. É ilusório acreditar que melhoramos com o tempo, pois não somos como o bom vinho que chega à perfeição com o decorrer dos anos. Ao não corrigir, o problema continuará latente e aumentará tornando mais difícil a sua remoção. Quando não se luta para erradicar um defeito, ele progride em proporção geométrica à passagem do tempo.

        Deixar um filho nas garras de uma desordem interior é desumano. Ao perceber nele predisposição à preguiça não achar divertido esse vício, que tenderá a aumentar e demolirá todos os ideais que exijam esforços. Se a filha tem conversas frívolas sobre suas relações com rapazes, é preciso alertá-la de imediato. Explosões de raiva nos jogos, crueldade com os animais, rebeldias, brigas entre irmãos, desobediências, fuga do estudo, desordens nos brinquedos e roupas, ou atrasar-se para as refeições, tudo isso exige a atuação paciente e perseverante dos pais.

        Os pais não devem esperar que a criança se torne ingovernável para iniciar o processo de educação do comportamento. Não se pode deixar que a desobediência se transforme em caso grave, como o da criança de 9 anos que se enfureceu com sua mãe porque não a deixou brincar na rua (chovia) e lançou sobre ela uma pedra que a feriu; ou o caso do médico que recebeu um telefonema desesperado de um pai porque o filho adolescente ameaçava a mãe com uma faca junto ao pescoço dela.

    3 – Não ter medo de exigir

        Os pais têm o direito e o dever de polir os filhos com bons hábitos desde a primeira infância. Assim o fazem ao fortalecer neles os pontos fracos do caráter; ao corrigir as características temperamentais destoantes, como as explosões raivosas ao perder um jogo ou rebeldias para não cumprir os encargos familiares; ao moderar as inclinações instintivas dominantes que levam a atuar de modo intemperado nas comidas e opções de lazer.

        Diz o sábio que “é melhor prevenir do que remediar”, porque é mais fácil evitar que um comportamento inadequado se fixe do que desarraigar um que já deitou raízes. Os filhos devem saber que sempre será aplicada uma punição ao desobedecerem ou faltarem o respeito para com os pais. As vias de fato são mais eloquentes do que as palavras, e fazem os filhos policiarem melhor seus atos.

        É triste ver que o tempo passa e muitas crianças continuam preguiçosas, desordenadas, birrentas e comilonas, porque seus pais não atuam sobre essas desordens. O ambiente em que vivemos é de relaxamento, de falta de exigência, excesso de comodidades e apelo ao prazer a qualquer preço. Não sendo a vida tão suave como nos apresentam as publicidades midiáticas, o aperfeiçoamento pessoal se torna um imperativo constante e laborioso.

        Para educar é preciso distinguir e priorizar o mais importante, e abrir mão do que não o é: se a menina deseja ir à festa com o vestido vermelho, não decretar que vá com o azul; se faltam cinco minutos para acabar o desenho animado, e há tempo suficiente para se aprontar, não force o garoto a desligar a TV: diga apenas que a apague em cinco minutos e se apronte para sair. Ou seja, não vale a pena se desgastar pelo que não é significativo, mas só pelo que é relevante, como exigir que guardem no cabide suas roupas, que mantenham ordenado o quarto, que estudem no horário combinado e colaborem nas demais tarefas do lar. Exigir dos filhos é um santo e poderoso remédio.

    4 – Exigir que ajudem nas tarefas do lar

        Permitir que os filhos se tornem senhoritos ou pequenos imperadores porque não são exigidos para ajudar, para doarem-se e se desprenderem de suas coisas e de seu tempo, é a pior conduta que tomam seus pais. Filhos que recebem tudo de mão beijada, e pouco se requer para que se empenhem em servir, se acostumam a que os demais façam tudo por eles. Com isso, se tornam fracos de caráter e moles como churros, sendo incapazes de enfrentar os problemas por conta própria (com churros não se faz alavanca). Exigir que a filha não tenha caprichos de dondoca e coma o que for colocado na mesa; ou que o filho se rale para lavar o quintal, são medidas terapêuticas para a saúde espiritual deles. Quando os hábitos bons deitam raízes na alma não há quem os desarraigue.

    Texto produzido por Ari Esteves (staging.ariesteves.com.br/)

  • Promover a cultura na família

    Promover a cultura na família

    1 – O papel da família na cultura dos filhos. 2 – Pais cultos sabem cultivar os filhos. 3 – O tempo gasto em mídias sociais empobrece a criança. 4 – Caminhos para fomentar a cultura familiar.

    1 – O papel da família na cultura dos filhos

         A arte, atividade humana criadora de beleza, é regida pelo sentido da estética e não pelo de utilidade, que é próprio da ciência e da técnica. A beleza tem algo de divino e inspira o coração e a mente das crianças. O teatro, a pintura, a escultura, a poesia e a arte narrativa (conto, romance, novela) tornam rico o espírito humano, que passará a produzir do que se alimenta.

         Cultura é um termo que indica a ação de cultivar. Toda pessoa humana recebe em sua natureza faculdades que a distinguem dos animais: inteligência, vontade e afetividade. Quem irresponsavelmente não cultiva esse rico patrimônio − os pais devem ajudar as crianças a cultivá-lo! − torna-se uma pessoa em estado bruto ao não se permitir desenvolver toda a riqueza para a qual está chamado.

         A família é o primeiro âmbito de promoção da cultura que, por ser o ambiente mais próximo da pessoa, deve ajudar seus integrantes a desenvolver a sensibilidade para a verdade, o bem e o belo. Gustave Thibon dizia que “uma das principais funções da família é criar um ambiente em que a instrução tende a converter-se em cultura e a cultura converter-se em sabedoria no sentido de saborear”.

         Se os pais não desejam que as filhas pequenas imitem as danças sensuais que veem na TV e cantem letras ofensivas − mesmo que no momento não compreendam o que dizem −, precisam criar no lar uma atmosfera de cultura vivida ao colocar as crianças frente ao que é estética e moralmente mais belo. Assim, as filhas saberão fugir da subcultura e de seus sucedâneos.

    2 – Pais cultos sabem cultivar os filhos

         Hoje, muitas pessoas se conformam apenas com a cultura profissional. As especializações modernas vêm produzindo homens doutos num campo científico, mas com uma visão parca sobre a família, filhos, vida humana, relações sociais, sentido da arte, da religião, do bem-comum e da sociedade. Com isso, não desfrutam da beleza que se esconde atrás de tantas outras realidades. Muitos pais dedicam tempo ao conhecimento profissional, mas descuidam a sua formação humanística e com isso empobrecem também os filhos. Não basta dar aos rebentos abrigo, alimento e segurança física, porque isso também fazem os animais. Oferecer a uma criança apenas a sobrevivência é exilá-la do mundo dos homens, que é mais rico que o dos animais.

         Os pais conseguem que seus filhos rapidamente se cultivem se eles, pais, forem cultivados: a qualidade da educação que oferecem é proporcional à qualidade da formação que possuem. O exemplo educa mais do que as palavras. Sêneca dizia que é “longo o caminho com preceitos, mas breve e eficaz com exemplos”.  A falta de interesse e esforço dos pais pela própria formação cultural decepciona os filhos, que logo se lamentarão de não valorizarem essa educação porque seus genitores agiram preguiçosamente nesse campo.

    3 – O tempo gasto em mídias sociais empobrece a criança

         As crianças precisam ser introduzidas pelos pais no mundo da cultura a fim de descobrir a beleza estética encontrada nas diversas manifestações artísticas: escultura, pintura, música, teatro e literatura. Não subestimem as crianças! Foi incrível a experiência narrada por Helena Lubienska com a Divina Comédia, de Dante Alighieri, lida com avidez em sala por meninos de 7 a 12 anos. Ela se surpreendeu com a atenção que colocavam na narrativa e a facilidade com que decoravam trechos da obra; e por fim, apresentaram uma peça teatral baseada nesse texto.

         O tempo dedicado à leitura de um bom livro oferece muito mais à inteligência e à sensibilidade, do que as longas horas deglutindo sucessivos desenhos, jogos eletrônicos e fotos em redes sociais. Se queremos que as crianças tenham riqueza interior e desenvolvam uma sadia imaginação que as levará a serem criativas em suas brincadeiras e a terem grande força de expressão e inteligência no falar e agir, fomentemos nelas o paladar pela leitura e boa música; incitemos o gosto por estar em contato com a natureza;  ajudemos a que amem o silêncio contemplativo que faz perceber a beleza oculta nas pequenas coisas, e não na estrondosa agitação das telas que roubam o tempo da reflexão.

        O amor pelos livros será um forte antídoto para as crianças se verem livres do vício de celulares, tabletes e TV. Promover uma rica cultura familiar é o melhor antídoto para os pais afastarem as crianças do vício da chupeta eletrônica, que as torna hiperativas e entediadas com o mundo real. A leitura e outras expressões artísticas fortalecerão o potencial imaginativo da criança e dará a elas grande força de expressão e inteligência no falar e no agir.

    4 – Caminhos para fomentar a cultura familiar

         Os primeiros e principais educadores dos filhos são os pais, que devem promover a cultura familiar por meio de tertúlias ou bate-papos familiares, refeições e momentos de lazer para ilustrar as crianças sobre a profissão do pai e da mãe, seus gostos artísticos, seus hobbies. Muitas crianças não sabem como é o trabalho do pai e da mãe porque estes dialogam pouco com elas sobre isso (pensam erradamente que elas não compreenderão). As vivências e experiências narradas enriquecerão as crianças, que se sentirão valorizadas pelos pais.

         Os pais não são os únicos responsáveis pela cultura familiar: filhos mais velhos, tias, tios e avós podem colaborar nessa promoção ao falar de suas experiências, estudos, hobbies. Podem também convidar amigos para contar alguma experiência interessante que tiveram: viagem, alpinismo, mergulho, pintura, música, colecionismo. A transmissão do patrimônio cultural da família pode ser feito com fotografias, objetos de decoração que são lembranças de pessoas ou momentos vividos no passado, vídeos e gravações de viagens, tradições e costumes da família.

         Para uma cultura familiar programada os pais podem se valer do colégio ou criar em casa um clube familiar com encontro semanal onde seus filhos possam brincar com outras crianças, aproveitando os vários vídeos do Youtube com jogos que fomentam a convivência entre pais e filhos, além de vivenciarem no clube outras atividades culturais.

         É interessante visitar com as crianças livrarias ou sebos e deixá-las escolher um livro; percorrer feiras de livros, bibliotecas, exposições de quadros ou esculturas; participar de audições musicais de diferentes gêneros que sejam esteticamente bons; levá-las ao teatro infantil e programar sessões de vídeos culturais, históricos, geográficos; irem ao cinema e depois incentivar as crianças para que façam comentários sobre o filme.

        A vista a museus é de grande valia, e para isso os pais devem dar a sensação de aventura. Seria tedioso explicar a uma criança a história da arte por meio de palestras sobre os diferentes gêneros de pintura. Para evitar isso é só criar um jogo para divertir as crianças, sem alterar o silêncio, a paz dos museus e o sorriso complacente dos guardas e seguranças do local. Antes de ir ao museu, veja no site dele as obras em exposição, e pergunte à criança qual ela mais gostaria de ver. Depois, coloque no celular as imagens escolhidas e no museu peça que a criança localize cada tela escolhida. Não manifeste sua opinião contrária ao gosto da criança, pois irá deixá-la confusa e inibirá sua inclinação. Quando ela encontrar o quadro, pergunte o que mais ela colocaria nele, se fosse o pintor, a fim de que se fixe nos detalhes da tela.

    Texto produzido por Ari Esteves. Imagem de Ron Lach

  • O sentimentalismo é um mal

    O sentimentalismo é um mal

         1 – O que é o sentimentalismo. 2 – Os efeitos nocivos do sentimentalismo. 3 – A educação dos sentimentos começa na infância.

    1 – O que é o sentimentalismo

        O sentimentalismo é a predisposição ou atitude de permitir que as ações sejam comandadas pelo mundo dos sentimentos, emoções e paixões, e não pela razão, que é a capacidade reitora da pessoa humana. Por que não se deixar comandar pelos sentimentos? Aristóteles dizia que os sentimentos são como o gato: pode-se amestrá-lo, mas não confiar plenamente nele, pois pode atacar. Platão afirmava que os sentimentos são grandes companheiros do homem, mas se parecem com crianças pequenas e irresponsáveis, porque ainda não possuem a razão desenvolvida.

        Por vezes é necessário agir contra os sentimentos: por exemplo, sentir repulsa diante de alguém que exala mal cheiro, porque está sujo e coberto de pústulas, não é motivo para não atender tal pessoa. Importa superar esse sentimento ao pensar no bem dessa pessoa, e atuar por amor a ela, levando-a a um hospital. As mães levantam de madrugada para atender o bebê que chora, mesmo que os sentimentos pedem para que fique na cama.

    2 – Os efeitos nocivos do sentimentalismo

        Os sentimentos fazem parte da natureza humana e possuem enorme valor, porque podem reforçar as decisões ao apoiá-las e ajudar alcançar as metas desejadas: um profissional que coloca sentimentos naquilo que faz, fará melhor; quem persegue um grande ideal enfrentará melhor as dificuldades quando está animado pelos seus sentimentos.

        Porém, ao condicionar seu comportamento por afeições ou desafeições, agrados ou desagrados, gostar ou não gostar, e não pelo prudente exame ou juízo de cada situação, a vida do emotivista muda de direção com frequência, pois os chips sentimentais não são equânimes, mas cambiantes, o que torna seu caráter inconstante, inseguro e superficial, e sua vida será um eterno começar sem nunca acabar.

        Quem se deixa levar apenas pelos sentimentos, soma desenganos e decepções em seus projetos de vida, porque não sabe avaliar com inteligência a realidade: se pretende montar uma família, e o faz apenas por motivos sentimentais, deixará de aproveitar o tempo de namoro, que é um tempo para avaliar racionalmente a outra pessoa em todos os aspectos (caráter, temperamento, disposições), poderá ter desenganos e decepções durante a vida em comum.

        Ao não saber distinguir o valor hierárquico de cada realidade (tarefa que pertence à inteligência), o sentimental pode colocar demasiado afeto em realidades que merecem menos sentimentos: seu gosto pelo trabalho pode levá-lo a não encerrar o expediente e retornar para casa, a fim de ajudar nas tarefas domésticas e dedicar mais tempo à família; pode não perceber a diferença entre amar uma pessoa ou um animal, colocando ambos no mesmo patamar.

    3 – A educação dos sentimentos começa na infância

        Para que os sentimentos sejam um apoio, devem ser revestidos de virtudes, que é dotá-los de racionalidade (ler o boletim Educação da afetividade). A educação dos sentimentos começa desde a infância, quando os pais percebem desajustes nos afetos das crianças e adolescentes: reagir mal ao perder em um jogo; animosidade duradoura porque não lhe permitiram fazer o que gostaria; colocar mais afeição em seus interesses e menos em ajudar os pais e irmãos… As crianças aprendem a ser solidárias e saírem de si mesmas ao colaborar para o bem-estar de todos, encarregando-se de tarefas domésticas; ao aprender a ter compaixão pelas crianças doentes; ao doar a crianças pobres os brinquedos em bom estado que já não utilizam; diante de notícias tristes, aprender a condoer-se pelo sofrimento dos demais…

    Texto produzido por Ari Esteves (staging.ariesteves.com.br/). Imagem de Olya Prutskova.

  • Educa-se a dois: pais, não se desautorizem!

    Educa-se a dois: pais, não se desautorizem!

    1 – Pai e mãe devem estar em acordo. 2 – Erra a mãe que desautoriza o marido, e vice-versa.

    1 – Pai e mãe devem estar em acordo

    Sejam quais forem as circunstâncias de um casal, pai e mãe devem estar de acordo com cada medida corretiva imposta à criança, com o fim de ajudá-la a formar bem a sua personalidade. Diante de um filho, inicia para os pais a mais importante missão: educar. Não basta dar abrigo, alimento e segurança, já que isso até os animais fazem isso. Um filho é o remate da família, ou esforço que o artista faz para deixar perfeita a obra que gerou.

    2 – Erra a mãe que desautoriza o marido, e vice-versa

    Mãe ou pai deve apoiar sempre a correção imposta pelo outro, desde que não atente contra a dignidade da criança. Se um dos cônjuges não concordar com o castigo imposto, deverá falar posteriormente, e a sós, com quem o impôs. Se o pai exige do filho que procedeu mal que vá para a cama sem comer a sobremesa, e a mãe leva ocultamente o acepipe até o quarto da criança, age erroneamente e demonstra falhar como esposa e mãe. Neste caso, o cônjuge que age astutamente, a fim de burlar a determinação do outro para corrigir o filho, desmoraliza afetiva e psicologicamente a criança ao fazê-la crer que é amada apenas por quem a alimenta, e não por quem a corrige. O sentimento do filho para com o pai que lhe impôs um castigo, suprimido pela mãe, será de rancor, porque passou a considerá-lo como injusto. A partir desse momento, a tarefa educativa da criança ficará dificultada.

    A esposa que atua de costas ao marido (ou vice-versa) engana-o, e o motivo é um carinho mal-entendido pelo filho. O pai poderá não se dar conta do que se passou, e acreditar que o filho se corrigiu. Mas, se for observador, notará no dia seguinte a mudança de atitude do filho para com ele. Então, deverá perguntar à esposa se contrariou a ordem que ele deu ao filho. E, para salvar a situação, explicará ao garoto, mesmo diante da esposa, que ele o castigou pelo bem dele, filho. Assim, o pai evitará que a criança o considere injusto, ou que pense ser amado apenas pela mãe. Poderá falar sobre isso a sós com o filho, ou na presença da esposa, que compreenderá não ter agido corretamente nem como esposa, ao deixar o marido em péssima situação diante do filho, nem como mãe, ao não corrigir a criança.

    Texto produzido por Ari Esteves (staging.ariesteves.com.br/)