Categoria: FAMÍLIA

  • O autodomínio e sua educação

    O autodomínio e sua educação

    1 – Iniciar a educação do autodomínio a partir dos dois anos de idade. 2 – Normalizar os sentimentos dos filhos. 3 – Os pais como educadores dos sentimentos dos filhos. 4 – Era uma vez um menino cheio de dengos.

    1 – Iniciar a educação do autodomínio a partir dos dois anos de idade

         Para não acontecer isso de que “é de pequenino que se torce o pepino”, a educação para o autodomínio deve começar quando os filhos ainda são pequenos. A partir dos dois ou dois anos e meio, as crianças compreendem e já obedecem em pequenos aspectos de ordem nos brinquedos e roupas, no horário de dormir e asseio pessoal. Ao adquirir esses bons hábitos desde a infância − excelente caminho para o autodomínio −, aprendem a dominar e a vencer a lei da preguiça que habita em todos os filhos de Eva.

    2 – Normalizar os sentimentos dos filhos

         Aos pais corresponde, antes de tudo, capacitar os filhos para serem donos de si mesmos. Isso é base de uma personalidade que sabe dominar as crises temperamentais, os impulsos afetivos e manter equilíbrio no uso dos bens materiais. Precisam ajudá-los a colocar ordem na sensibilidade e na afetividade, nos gostos e desejos, nas tendências mais íntimas do eu. Se falharem nisso, os filhos sofrerão consequências graves na maturidade, no domínio do próprio temperamento, e terão desajustes na convivência com os demais.

         Mais do que iniciar pela educação da inteligência com muitos cursos e vídeos, os pais devem começar pela educação dos sentimentos e seus afetos, que é fundamento para o autodomínio. Se não educarem na austeridade nada conseguirão, como estimular a criação de hábitos que contradigam as desordens da preguiça; da intemperança no comer, beber e se divertir (passar muitas horas na internet). Ao exigir, por exemplo, ordem nos objetos pessoais, pontualidade nos horários de refeições e de dormir, cumprimento dos encargos familiares, a ter horário de brincar e estudar, etc, os filhos aprendem a se dominar com as correspondentes virtudes ou bons hábitos que vão adquirindo, e passam a compreender que a vida não é um mero satisfazer prazeres e caprichos.

         Depois, é preciso ajudar as crianças a compreenderem que não devem atribuir demasiado sentimento ao que merece menos, como perder um jogo, nem demonstrar excessiva vibração por coisas banais ou suportar pequenas contrariedades como se o mundo fosse desabar na cabeça delas; e necessitam saber esperar por algo sem maus modos. Estimular as crianças a colocarem mais sentimentos ao que merece mais, e que por vezes elas colocam menos: ajudar os pais, irmãos e amigos em suas necessidades; ter espírito de serviço no lar; não ser indiferente com a dor dos outros diante de notícias trágicas; compadecer-se dos que passam necessidades; doar alimentos e brinquedos a crianças pobres, etc.

    3 – Os pais como educadores dos sentimentos dos filhos

         Os pais são os primeiros e mais eficientes educadores da afetividade, temperamento e caráter dos filhos. Essa eficiência radica-se na natural confiança que os filhos têm pelos pais, e porque os pais, por estarem sempre presentes, oferecem uma educação personalizada e baseada no carinho e na exigência.

         Para educar, os pais não devem confiar apenas no bom senso: urge que leiam boas obras sobre a educação comportamental dos filhos. A título de sugestão, deixamos em nosso site uma lista dessas obras.

    4 – Era uma vez um menino cheio de dengos

        Era uma vez um menino cheio de caprichos e dengos: “Não gosto”, “Não quero’, “Não vou comer essa porcaria” eram frases frequentes em sua prosopopeia. Não havia argumento que o demovesse de sua enjoadice. Então, de comum acordo, os pais adotaram uma atitude mais firme: serviram só arroz, feijão e bife. E lá veio ele com a suas frescuras: “Não vou comer essa droga”, “Não quero, não quero”. Então os pais retiraram o prato e o colocaram na geladeira. No jantar serviram o mesmo prato e, lógico, ele reclamou, esperneou e foi dormir com o estômago roncando. No café da manhã do dia seguinte apresentaram a mesma gororoba e, como a fome é o melhor condimento, a fera atacou-a com veemência e papou tudo. E assim, mantendo-se firme no plano estabelecido, foram acabando com as manias e dengos do pirralho. Anos depois, esse menino, já personagem ilustre da nossa sociedade atual, tinha um profundo agradecimento pelos seus pais, que fizeram com que ele não se tornasse um banana incapaz de fazer algo razoável que viesse a contrariar o seu gosto. Essa história é real e foi relatada pelo meu amigo Francisco Faus em seu livro Autodomínio – Elogio da temperança, e que conhece o personagem central desta história, hoje um preclaro bispo!

    Texto produzido por Ari Esteves (staging.ariesteves.com.br/)

  • Educar para a liberdade

    Educar para a liberdade

    1 – Não temer a liberdade dos filhos. 2 – Ensinar os filhos a serem livres. 3 – Atribuir responsabilidades aos filhos. 4 – Saber exigir das crianças. 5 – Não imponha; explique os motivos de um comportamento. 6 – Crianças livres, não dependentes de telas digitais.

    1 – Não temer a liberdade dos filhos

              Os pais devem refletir se estão educando os filhos para agir com liberdade e responsabilidade em cada campo de atuação: família, escola, amizades, relações sociais, porque muito em breve atuarão sozinhos, longe do olhar dos pais.

        Pertence à essência da educação familiar o respeito pela liberdade dos filhos, segundo a idade e circunstâncias de cada um. Só onde há o ar puro da liberdade germinam as virtudes humanas ou hábitos que fazem cada filho querer o que é bom, belo e verdadeiro. Os pais não devem ter medo de educar na liberdade! Tenham presente que até Deus deseja que o sirvamos com liberdade, e respeita as nossas decisões: “e deixou Deus o homem em mãos do seu livre arbítrio” (Eccli. 15,14).

    2 – Ensinar os filhos a serem livres

         Os pais têm uma dupla função: ensinar os filhos a serem livres ao dar a eles motivos de atuação que lhes ilumine a mente e mova a vontade para querer o bem; não os abandoná-los, mas vigiar discretamente o exercício dessa liberdade. Muitos são os campos em que os pais devem orientar a liberdade dos filhos: em primeiro lugar a relação com Deus; depois, encarar as outras responsabilidades, segundo a idade de cada um: colaborar para o bom andamento do lar por meio de tarefas que lhes são atribuídas, pois não devem pensar que tudo deva chegar a eles de mão beijada, e que não precisam se preocupar com o bom andamento da casa; ajudar os irmãos e os amigos em suas dificuldades; ordenar seus objetos pessoais, estudar com empenho…

         É necessário criar situações em que a criança tenha que tomar uma decisão: ir ao parque ou ao shopping? Se a escolha recaiu no shopping e ao chegar no local se arrepende da eleição e deseja e ir ao parque, a fim de aprender a refletir melhor sobre suas escolhas e assumir as consequências, não deve ser levada ao parque, que ficará para outro dia. Se pede sorvete e bolo deve decidir por um só. Se colocou os tênis em pés trocados e pergunta se está certo, a mãe olha em silêncio e espera que a criança tenha a segurança de concluir por si mesma que errou. Se o menino tem a tarefa de tirar o pó dos móveis, mas quer sair para jogar futebol, a mãe só deve autorizá-lo depois que cumprir seu encargo. Se a criança tropeçou na cadeira e, raivosa, chuta o móvel e o xinga, é preciso dizer que culpa não deve ser atribuída à cadeira, mas à falta de atenção da própria criança.

    3 – Atribuir responsabilidades aos filhos

         A liberdade não se perde ao eleger ou se comprometer com algo. A liberdade não é um fim em si mesma, mas para ser utilizada em escolhas livres e assumir posturas na vida. O processo de amadurecimento da pessoa exige a capacidade de se comprometer. É preciso ensinar aos filhos que não podem atuar irresponsavelmente e que cada atitude deve responder a um porquê que os leve a assumir as próprias decisões, sem esconder-se atrás de circunstâncias, pessoas ou acontecimentos alheios. Liberdade sem responsabilidade se transforma em libertinagem, como ocorre quando os filhos não têm encargos ou responsabilidade no lar e só fazem o que gostam.

         Os pais devem ir soltando paulatinamente os filhos, e estar atentos para observar o modo como empregam o tempo livre cada dia, como descansam nos fins de semana, os ambientes em que se movem e as amizades que possuem. Quanto ao dinheiro, devem dispor de pouco, pois só assim concluirão como é custoso ganhá-lo, e que devem aprender a poupá-lo: crianças que na escola compram doces ou guloseimas que quiserem, é porque lhes sobra dinheiro.

    4 – Saber exigir das crianças

         Educar com carinho não significa ceder a todos os caprichos da criança, porque isso cria nela os piores defeitos. Carinho não exclui a exigência, que não é brutalidade, mas bigorna de ferro almofadada. Educar para a liberdade implica exercer uma autoridade que evita os extremos: nem demasiada bondade ou frouxidão, nem demasiado rigor. Age mal a mãe que faz o que os filhos deveriam fazer: põe a comida no prato, veste e amarra os sapatos dele, arruma suas roupas e brinquedos. Tudo aquilo que a criança tem condições de fazer sozinha, deve fazê-lo. Agir de modo contrário tornará a criança dependente e desqualificada para agir sozinha no lar, na escola e na vida social.

    5 – Não imponha, mas explique os motivos de um comportamento

        A educação dos filhos só funciona se abrange a pessoa integralmente: inteligência, vontade, afetos ou sentimentos, em clima de liberdade, pois com pancadarias e ordens taxativas é muito difícil que os filhos sejam verdadeiramente educados (obedecem apenas diante dos olhos dos pais, mas não quando estiverem sozinhos). A imposição autoritária ou goela abaixo não é acertada para educar e leva a desprezar as indicações, obtendo-se, com isso, o oposto do que se queria e se perde o esforço educativo.

         Pedagogicamente deve-se mostrar às crianças − desde muito pequenas − os motivos que aconselham determinados comportamentos. Respeitar a liberdade é ajudar a que queiram assumir como próprias as suas responsabilidades. Chegará o momento, depois de dar conselhos e fazer as considerações necessárias para orientar a liberdade, em que os pais devem ir se retirando delicadamente para respeitar as decisões dos filhos. Por exemplo, os pais não podem obrigar a ir à Missa ou culto religioso ao arrastar a criança pelas orelhas, pois isso não serve para formar os filhos na fé. É preciso transmitir as razões que ajudem a decidir com liberdade e, claro, com o bom exemplo dos pais.

         Um indicador da qualidade da educação oferecida é quando o educando assumiu como princípios próprios e determinantes para sua vida aquilo que lhe foi transmitido. Se a filha caprichosa só come salada diante da mãe, que a obriga, mas fora dos olhos da mãe − na escola ou na casa da avó − não come, é porque não assumiu como própria essa ação por falta de explicação mais convincente que mova a vontade dela para querer.

    6 – Crianças livres, não dependentes de telas digitais

         Os problemas não deixam de existir porque se desconhece a existência deles, e tenderão a aumentar se não forem colocados os remédios para eliminá-los. Formação e liberdade caminham inseparavelmente: se o filho não estiver bem educado – por exemplo, no interesse de estudar por conta própria –, não poderá ser verdadeiramente livre, porque escolherá formas de perder o tempo, que é escolher o mal: quem escolhe o mal é escravo dele (A verdade vos fará livre, disse Cristo).

         Pode alguém pensar que é livre ao decidir gastar suas horas em curiosidades nas telas digitais, mas essa eleição ao proceder de um conhecimento falso da realidade, não a torna uma pessoa livre, mas imprudente ao eleger o erro, e caso persevere nesse comportamento, ficará escravo de um vício. O bom exercício da liberdade pressupõe a aquisição de virtudes, e nisso os pais são insubstituíveis. Por exemplo, para os filhos serem livres da dependência no uso de telas digitais e mídias sociais, e da forte pressão dos meios de comunicação, os pais devem, além de dar exemplo de vida, oferecer as razões profundas para que as crianças e os adolescentes compreendam o mal que está por trás dessa perda de tempo, e fomentar neles o desejo de querer aproveitar melhor o tempo para atividades mais enriquecedoras, criativas e virtuosas, pois assim, terão a vontade fortalecida.

         Para que os filhos sejam livres e não dependentes de telas digitais, influi muito uma cultura familiar que promova opções de lazer úteis e formativos. Para valorizar o tempo das crianças e adolescentes, além de orientar suas energias e interesses para o que vale à pena, pode-se incentivar a prática de esporte em locais de bom ambiente humano, participar de iniciativas sociais (arrecadar brinquedos ou alimentos no colégio ou no bairro para famílias carentes), fomentar a leitura de livros de contos e aventuras adequados à idade de cada filho; afeiçoá-los pelo colecionismo, xadrez, quebra-cabeças; procurar amigos interessados em cultivar inciativas científicas e culturais como visitar museus e livrarias; programar vídeos sobre arte, história, ciências, etc.

       Texto produzido por Ari Esteves (staging.ariesteves.com.br/).

  • 5 Técnicas para manejar discussão com crianças

    5 Técnicas para manejar discussão com crianças

    A criança pode tentar manipular os pais. 1 – Técnica do Disco Riscado. 2. Técnica do Nevoeiro. 3. Técnica da Interrogação Negativa. 4. Técnica da Extinção. 5. Técnica do Tempo Afastado. Os filhos devem ter encargos domésticos.

    A criança pode manipular os pais

        Em vez de obedecer, a criança pode argumentar ou discutir para descumprir a ordem que lhe foi dada. Trata-se de uma tentativa de manipular os pais para que cedam. A criança não deve vencer os pais numa discussão; e estes não devem entrar na controvérsia criada pelo filho, que não terá fim e os desautoriza.

        Seguem cinco técnicas para os pais frustrarem as intenções bélicas dos pirralhos e colocarem um fim nas tentativas de embate:

    1 – Disco Riscado

        Soa feito disco riscado que repete sempre a mesma frase. O pai − ou a mãe − deve repetir ao filho a ordem dada enquanto ele argumenta de modo contrário. Ao não responder aos seus questionamentos, porque continua a ouvir o mesmo, o garoto percebe que sua tentativa de manipulação foi ignorada:
        Mãe: − Ricardo, por favor, recolha já seus brinquedos porque estão jogados pelo quarto.

        Filho: − Por que sempre eu tenho que recolher? O Thiago nunca faz isso!

        Mãe, com voz tranquila, diz: − Esse não é o tema. Eu quero que você recolha já os brinquedos (disco riscado).
        Um modo errado de agir seria a mãe enredar-se para provar que não é injusta ou implicante. Se agisse assim teria perdido autoridade e empoderado o filho, cujos argumentos teriam alcançado o efeito desejado.

        Pensemos na situação onde o disco riscado não causou efeito. Então, deve-se unir gestos à ordem e informar sobre o castigo que poderá acontecer: olhar nos olhos do filho, pôr delicadamente a mão sobre o ombro dele, e voltar a afirmar:
        Pai: − Já disse que parasse de brigar com o seu irmão agora mesmo.

        Filho: − Não é culpa minha; ele que começou.

        Pai, com firmeza: 

        Essa não é a questão. Eu disse para você deixar agora mesmo de incomodar seu irmão (disco riscado).

        Filho: − Por que você só chama a minha atenção?

        Pai: − Raul, deixe já de incomodar seu irmão (disco riscado).

        Filho: − Por que sempre implica comigo?
        Mantendo-se firme na ordem dada e sem contra-argumentá-la, o pai apoia serenamente a mão sobre o ombro da criança e diz:

        Raul, se voltar a incomodar seu irmão ficará de castigo em seu quarto por toda a manhã, sem os seus jogos (disco riscado).

    2 – Técnica do Nevoeiro

        No nevoeiro se escondiam os navios piratas para não serem vistos; nas guerras os soldados lançam bomba-fumaça para confundir a visão e não serem alvejados. Também no nevoeiro os pais podem se ocultar diante das intenções bélicas e manipulativas da criança, que não encontrará oponente porque os pais lhe devolvem a provocação, sem questioná-la:
        A mãe impõe um castigo ao filho que a desobedeceu. O garoto reage de bate-pronto: 

        Você é malvada!

        A mãe, tranquilamente, afirma:

        Pode ser que pra você eu pareça malvada (nevoeiro: não entrou no conflito).

        Filho: − Você sempre zomba de mim.

        Mãe: − Pode ser que você pense que eu sempre zombe de você (nevoeiro).

        Pode-se unir a Técnica do Nevoeiro à do Disco Riscado ao não reagir à crítica e tornar a exigir que cumpra a ordem:
        Mãe: − Recolha seus brinquedos agora mesmo.

        Filho: − Você é malvada; sempre eu tenho que guardar!

        Mãe: − Pode ser que pra você eu seja malvada (nevoeiro), mas recolha seus brinquedos agora mesmo (disco riscado).

        Filho: − Tá sempre pegando no meu pé.

        Mãe: − Pode ser que você pense que eu sempre pego no seu pé (nevoeiro), mas recolha os brinquedos agora mesmo (disco riscado).

    3 – Técnica da interrogação negativa

        A resposta agressiva do filho pode esconder um problema, e você será o bode expiatório para aplacar a raiva dele. Faça perguntas para neutralizar a agressão.
        É o aniversário da Aninha e a mãe prepara o bolo. A filha mostra uma atitude negativa e, com má cara, diz que o bolo está feio. A mãe ouve, mas não reclama e nem a chama de ingrata, porque sabe que o bolo não está feio. Com calma e firmeza diz:
        Mãe: − E por que você acha que está feio? (interrogação negativa).

       Aninha: − Porque minhas amigas vão rir dele.

        Mãe: − E por que você acha que irão rir do bolo? (interrogação negativa).

       Aninha: − Porque sempre riem de mim (o problema não está no bolo).

        Mãe: − Riem só de você?

        Aninha: − Sim.

        Mãe: − Não riem às vezes de outras meninas?

        Aninha: − Às vezes

      Mãe: − Não acha que fazem isso porque querem se divertir com você?

      Aninha: − Pode ser, porque me chateio e deixo de brincar com elas.

        Agora vem a pergunta mais importante, que será a solução do problema:
        Mãe: − E o que você poderia fazer para não se chatear e continuar a brincar?

        Filha: − Não ligar pra o que elas falam.

        Mãe: − Muito bem, filha, é exatamente isso que deve fazer para que não caçoem: não dar a menor importância. Assim perceberão que essa brincadeira não causa efeito em você.

    4 – Técnica da Extinção

        Baseia no princípio psicológico de que “se um estímulo não encontra resposta, se extingue”.
        O filho no supermercado recebe um “não” gordo, firme, rotundo, ao pedido de que lhe comprem uma barra de chocolate, e começa a berrar. Ao não dar importância ao berreiro da criança, esse reforço negativo de chamar a atenção irá se extinguir. Se cederem, o reforço positivo do choro se repetirá, porque surte o efeito desejado: agregou-lhe o chocolate.
        Outra situação: a criança chora porque quer o colo da mãe, que cansada não a recolhe nos braços. A não-resposta da mãe aumentará o choro da filha para chamar a atenção de todos sobre ela, que está desagradada. Só a desatenção da mãe fará extinguir pouco a pouco o reforçador negativo da criança. Se a pegasse no colo, o reforçador (o choro) seria positivo e faria a cena se repetir em outras ocasiões.

    5 -Técnica do tempo afastado

        Esta técnica elimina um comportamento indesejado ao afastar a criança da situação que incentiva a conduta irreverente.
        Um exemplo: o menino atira pedacinhos de pão nos irmãos durante a refeição, e estes riem. A mãe pede para cessar a brincadeira, mas incentivado pelas risadas dos maninhos ele continua com a peraltice. Solução: 

        Mãe: − Se continuar fazendo isso você irá comer sozinho no quarto.
        O filho continuou com a travessura e a mãe, que não deve deixar de cumprir o prometido, ordenou que ele fosse imediatamente para o quarto. Ao deixar de ser o centro das atenções, a criança não tinha mais incentivo para bancar a engraçadinha. O castigo evitará que a ação inadequada se repita.

    Os filhos devem ter encargos domésticos

             Os pais devem ter presente que, para o bem ou para o mal, a família é a influência mais profunda e duradoura na vida de qualquer pessoa. Para haver educação é necessária a diferença clara de papeis: educador e educando. Educador é guia. Crianças e adolescentes necessitam de guias e não de cúmplices que cedem em tudo diante da vontade deles. Ou seja, necessitam de pais no papel de pais.
         Enquanto os filhos viverem na casa paterna, têm que se submeter às exigências da vida em comum, e aceitar o modo como os pais disciplinam o lar. É legitimo que os pais peçam determinados serviços domésticos aos filhos, e estes estão obrigados a obedecer, pois não são apenas sujeitos de direito, mas possuem obrigações familiares. Se a mãe manda o filho cumprir um encargo doméstico, é dever de justiça a obrigação de cumprir. Já com pouca idade as crianças devem se acostumar a uma disciplina que as estimulem a contribuir pelo bem-estar de todos na casa, com tarefas adaptadas às possibilidades de sua idade. A solidariedade começa a ser vivida desde pequenas.
        Sugestão de Leitura: livro “Carinho e firmeza com os filhos”, de Alexander Lyfor-Pike, Editora Quadrante, São Paulo (SP).

    Texto produzido por Ari Esteves, com base no livro “Carinho e Firmeza com os filhos”.

  • Conflito com os filhos: previna-se.

    Conflito com os filhos: previna-se.

    1 – Pais inseguros. 2 – Pais agressivos. 3 – Pais assertivos. 4 – A importância das medidas corretivas.

    1 – Pais inseguros

        Três reações que costumam ter os pais em conflito com um filho: Insegurança ou permissividade, agressividade, assertividade.

        Inseguros ou permissivos são os pais que não sabem como agir diante de um conflito com o filho. Confusos, não transmitem de modo claro e firme o que esperam do filho. Por isso, são ignorados e não levados a sério. Então, encolhem os ombros e deixam as coisas ficarem como estão, acreditando falsamente que com o tempo a criança irá se autoeducar.

        O que leva esses pais a tolerarem o erro? Medo de passarem um mal bocado com os filhos; aceitarem modelos liberais de conduta impostos pelas novelas, filmes, sites, programas de TV; deixarem-se influenciar por correntes psicológicas que insistem em não reprimir as crianças para não causar traumas; ou porque se deixam levar pela lei do menor esforço – preguiça! –, que nos afeta a todos.

        Pais inseguros constroem em casa uma bomba-relógio que explodirá em breve tempo. O falso sossego que conseguem com a omissão findará logo, porque os defeitos vão crescer no espírito do filho como mato em campo abandonado, fazendo valer o ditado “É de pequenino que se torce o pepino”. Ou seja, é mais fácil evitar que um defeito se fixe no temperamento e caráter do filho, do que arrancar dele algo que deitou raízes profundas: não estudar, apegar-se a jogos e mídias, não cumprir os encargos familiares, irreverencias, teimosias…

    2 – Pais agressivos

        Os pais agressivos ou violentos se sentem fracassados por terem chegado a esse nível de educação. Ao não saberem lidar com as rebeldias se valem da força física para serem obedecidos: seguram o filho pelo braço com violência, sacodem e beliscam. Por vezes, colocam o indicador no rosto da criança e gritam palavras hostis do tipo: “Você me deixa louca, doente”, “Você é um desastre, um sem-vergonha e irresponsável”. Essas atitudes fazem os pais perderem o prestígio e a autoridade moral diante do filho. Ao humilhar e ignorar os sentimentos da criança, diminuem a autoestima dela, atemorizam-na e a tornam apática, indecisa e com medo de agir para não ser repreendida.

        Para se ver livre da brutalidade a criança obedece a um pai agressivo, mas desenvolve sentimentos de revolta e distanciamento; e se tiver personalidade forte, logo partirá para o enfrentamento.

    3 – Pais assertivos

        Pais assertivos não esperam que a criança se torne ingovernável para começar agir. Iniciam o quanto antes a educação do comportamento, harmonizando firmeza carinhosa com carinho firme (bigorna almofadada). Não têm medo de exigir e de utilizar uma linguagem positiva, afetuosa, mas exigente em suas mensagens, que são claras quanto ao que deve ser feito, quando deve ser feito e as consequências se não for feito (medidas corretivas).

        Estar atentos às reações dos filhos é atitude presente em pais assertivos, que percebem e agem rápido ao notar falhas de caráter e tendências temperamentais ou ações instintivas desordenadas e dominantes: desobediências, rebeldias para não cumprir os encargos familiares, preguiças, frivolidades, explosões de raiva nos jogos.  Para isso, procuram ler bons livros de orientação familiar, pois sabem que hoje a educação do comportamento exige mais do que o bom senso e a experiência pessoal. Diálogo com uma mãe assertiva:

        Mãe: – “Não é hora de videogame, mas de arrumar seu quarto e os brinquedos”.

        Filho: – “Quero continuar jogando”.

        Mãe: – “Já sabe a regra: não haverá jogo se antes não arrumar seu quarto e os brinquedos… Ou ficará no seu quarto por duas horas, sem jogos”.

    4 – A importância das medidas corretivas

        Os pais devem ajudar o filho a se conhecer e a ter uma luta alegre e esportiva, feita de pequenos atos diários e contrários ao defeito que o domina. Conseguem isso por meio de comparações e explicações bem pensadas, que fazem a criança compreender que não pode admitir defeitos na vida dela como quem cultiva vírus ou bactérias dentro de si. Claro, esses pais primeiramente lutam para serem melhores, pois sabem que o exemplo vale mais que mil palavras.

        As vias de fato são mais eloquentes do que as palavras. Para não improvisar uma medida disciplinar de modo impensado e de bate-pronto – sempre são exageradas e não educam –, os pais assertivos combinam previamente com os filhos qual medida disciplinar será aplicada se desobedecerem. Os filhos, por saberem que os pais sempre cumprem o que dizem, policiam melhor os seus atos.

        Importante sugestão de leitura: livro “Carinho e firmeza com os filhos”, de Alexander Lyfor-Pike, Editora Quadrante, São Paulo.

    Texto produzido por Ari Esteves com base no livro “Carinho e firmeza com os filhos”.

  • Carinho e firmeza com os filhos – I

    Carinho e firmeza com os filhos – I

    1 – Não há educação sem autoridade. 2 – Os filhos não melhoram com o tempo. 3 – Filhos tiranos, imperadores. 4 – Filhos não têm apenas direitos, mas também obrigações. 5 – Firmeza carinhosa é como bigorna almofadada. 6 – Receita caseira para ter filhos maravilhosos.

    1 – Não há educação sem autoridade

        Os pais não devem ter medo de exigir dos filhos. Trata-se de um direito e um dever que possuem, já que as crianças não têm experiência de vida e necessitam de orientação para agir bem; e porque os bons hábitos se conquistam desde as primeiras idades. Por isso, ter presente que não há educação sem autoridade, mas esta se enfraquece nas seguintes situações:

    • Não exigir dos filhos por medo de perder o carinho deles (comum em pais que passam o dia fora);
    • Desconhecer os modos de lidar com situações de conflitos com as crianças (pais submissos ou agressivos);
    • Admitir modelos liberais de conduta impostos pelas novelas, filmes e programas de tv;
    • Tolerar a má conduta do filho por influência de correntes psicológicas que insistem em não reprimir as crianças para não provocar traumas;
    • Desconhecer a natureza humana e não ter presente o princípio inato de desordem e tendência à lei do menor esforço que todos carregamos dentro.

    2 – Os filhos não melhoram com o tempo

        Só o bom vinho melhora com o passar do tempo. Se não há esforço para nos aprimorarmos cada dia, pioramos. Os defeitos crescem na proporção geométrica da passagem do tempo. É triste constatar que o tempo passa e muitas crianças continuam sendo preguiçosas, desordenadas, birrentas, comilonas, malcriadas. Isso acontece porque os pais não sobem trabalhar os aspectos negativos do caráter e temperamento do filho, e enganam-se com o falso o raciocínio de que irão melhorar com o decorrer dos anos.

        Ciência boa é ajudar cada filho a se conhecer e estabelecer uma luta alegre e esportiva, tal como a do atleta que não desiste de melhorar a performance a cada dia. Pequenos atos diários, e contrários ao defeito dominante, são poderosos para corrigir o temperamento e o caráter.

        Os filhos não devem aceitar ou conviver com defeitos pessoais, por menores que sejam, como quem cultiva dentro de si vírus e bactérias (que também são pequenos, mas estragam tudo). Com o espírito do esportista que quer melhorar sua performance, devem estabelecer pequenas metas diárias para irem reformando-se.

    3 – Filhos tiranos, imperadores

        Não é boa experiência aguardar até que as crianças se tornem ingovernáveis, nem que se transformem em senhorzinhos tirânicos ou pequenos imperadores para iniciar o processo de educação comportamental. Ao notar que algo precisa mudar, é preciso agir prontamente como quem corrige o pequeno desvio da rota do barco, se quer chegar ao destino. “É melhor prevenir do que remediar”, diz a sabedoria popular, porque é mais fácil evitar que um mau comportamento crie raízes do que erradicar aquele que se arraigou: ações ruins e reiteradas geram pré-disposições ou vícios difíceis de arrancar. Sempre podemos mudar para melhor; basta querer. Quando lutamos para superar os defeitos pessoais ganhamos autodomínio e fortalecemos a vontade para enfrentar ideais que custam sacrifício.

         Quando a criança se põe birrenta ao ser contrariada em sua vontade, é necessário tomar providências, principalmente a de não ceder, mesmo que force o choro ou queira causar escândalo para intimidar os pais no shopping ou supermercado. Não deve ser atendida para que não se sinta empoderada por meio dos péssimos recursos que utilizou. Depois, em casa, quando a criança já estiver bem-humorada, é preciso explicar a ela que não pode ser atendida em tudo o que quer, pois há limitações econômicas, de tempo (ser paciente e saber esperar a ocasião certa) e ser desprendida de caprichos, pois tem mais quem precisa de menos.

    4 – Filhos não têm apenas direitos, mas também obrigações

        Os pais não podem ser submissos e inconscientes ao julgar que os filhos são apenas sujeitos de direitos, já que não pediram para nascer. Ninguém pediu para nascer, já que é Deus que nos infunde a alma, que dá vida ao corpo; além disso, todos agradecemos o dom da vida. Os filhos são também sujeitos de deveres ou obrigações filiais-paternais, fraternais e até  sociais (amigos, vizinhos, professores…). É importante que os filhos − do menor ao maior − tenham tarefas ou encargos no lar, adaptadas às aptidões e capacidades de cada um. Condoer-se e não exigir que cumpram as tarefas ou − o que é pior − fazer as coisas por eles, transformará os pimpolhos em pessoas frágeis e acostumadas a que alguém sempre faça as coisas por eles. Sábio é o recado do dito popular sobre esse tipo de comportamento de pais e mães: “Com churros não se faz alavanca!”. Ou seja, logo serão adolescentes e jovens egoístas e metidos exclusivamente em suas coisas pessoais.

    5 – Firmeza carinhosa é como bigorna almofadada

        Os pais não precisam ser perfeitos para corrigir os filhos, desde que lutem por melhorar. Sêneca dizia que “longo é o caminho com palavras, mas curto e eficaz o caminho com exemplos”; e outros já disseram: “As palavras movem, mas o exemplo arrasta”. Para serem admirados e imitados, os pais não devem ceder a todos os caprichos dos filhos, pois estes valorizam nos pais as virtudes de que carecem: determinação, firmeza de caráter, espírito de luta ou resiliência, sentido de justiça, aproveitamento do tempo, amor aos livros, espírito de serviço, desprendimento das coisas.

        Pais assertivos harmonizam firmeza carinhosa com carinho firme (bigorna almofadada), e não têm medo de exigir e de utilizar uma linguagem positiva, afetuosa, mas exigente em suas mensagens, que são claras quanto ao que deve ser feito, quando devem ser realizadas e consequências se não forem cumpridas (aplicação de medidas corretivas).

    6 – Receita caseira para ter filhos maravilhosos

        Para ajudar os filhos a se tornarem pessoas virtuosas é necessário penetrar no mundo interior deles e não ficar na periferia. Para saber onde chegar com cada um, é necessário conhecer os pontos fortes e fracos do caráter, as características temperamentais, as reações instintivas dominantes, as explosões de raiva nos jogos e brincadeiras; as inclinações sentimentais, hábitos e tendência à preguiça ou à frivolidade; as reações de desobediência e rebeldias; as fugas dos deveres e encargos familiares. Todos querem que seus filhos sejam excelentes pessoas. Para isso, pode utilizar receitas caseiras e baratas, mas extremamente eficazes e utilizadas pelos nossos avós, que eram antigos mas não bobos!:

    • Ensinar as crianças a servir, a doar-se e se preocuparem com os pais, irmãos, avós, tios;
    • Ajudá-las a se compadecerem pela dor dos outros, mesmo daqueles que não conhecem;
    • Ao filho preguiçoso insistir para que tenha horário de acordar, de iniciar seus estudos e encargos familiares. Assim aprenderá ser laborioso;
    • Se desordenado, ensinar a colocar no lugar seus objetos (roupas, brinquedos, material escolar e esportivo), a fim de que ganhe a virtude da ordem, que levará vida a fora;
    • A partir dos 7 ou 8 anos, quando começa a despertar a sexualidade, não permitir computador no quarto, nem que durma com celular (que não deveria ter), já que a impureza enfraquece a vontade, cria obstinações e faz a criança perder o gosto por estudar, sacrificar-se pelos demais. Também deixará de rezar e de abraçar ideais que exijam esforços;
    • Ao egoísta e metido nas coisas pessoais, estimule-o a ser generoso com seu tempo ao ajudar irmãos e colegas de sala nas matérias que sentem dificuldades; se desprender das coisas pessoais e doar brinquedos ou objetos a quem carece deles;
    • À filha caprichosa que não come salada, explique sobre a importância de fortalecer a vontade contra o imperialismo dos sentimentos e do fazer apenas o que gosta.

        Importantes sugestões de leituras: livro “Carinho e firmeza com os filhos”, de Alexander Lyfor-Pike e “Como ser um bom pai”, de James B. Stenson, ambos da Editora Quadrante, São Paulo (SP).

    Texto produzido por Ari Esteves. Imagem de Aguida Medeiros (@aguidamedeirosm).

  • Seu filho é preguiçoso?

    Seu filho é preguiçoso?

    1 – A preguiça tem cara divertida, mas é um câncer. 2 – Como vencer a preguiça? 3 – A criança obediente vence a preguiça.

    1 – A preguiça tem cara divertida, mas é um câncer

        Uma das muitas fraquezas humanas é a preguiça, definida como a tristeza diante do cumprimento de um dever. A preguiça teme o esforço e pode ter como cúmplices os sentimentos, quando estes protestam ou se resistem a cumprir um dever. Deve-se olhar não para o que as coisas custam, mas para o que valem. Por preguiça há pais que se omitem de corrigir os filhos, a autoridade pública não intervém para que um serviço público seja prestado com qualidade, o estudante deixa de enfrentar os livros…

        Infelizmente muitos pais não dão importância à preguiça do filho porque esse vício se apresenta com cara divertida, marota, inofensiva, já que se omitir de fazer uma coisa parece menos grave do que realizar algo mau. Mas, esse vício é um câncer que vai minando o caráter do filho e produzirá muitos estragos na vida dele: ao descumprir suas obrigações diárias por temor à fadiga que causam, deixará também de realizar qualquer ideal que exija maior empenho.

    2 – Como vencer a preguiça?

        Os pais devem ser exemplares em laboriosidade e aproveitamento do tempo, para exigir isso dos filhos. A eficácia de uma vida tem muito a ver com a capacidade de vencer a indolência e a mandriice: se as coisas importantes custam esforço, as mais importantes exigirão maior empenho. Só dará certo na vida, e realizará algo que vale a pena, quem ganhar o hábito de vencer a sua comodidade.

        A preguiça se vence com o cumprimento diário dos pequenos deveres de cada momento: ao recolocar no lugar o objeto que acabou de ser utilizado, ao iniciar pontualmente um trabalho ou chegar no horário combinado, ao não divagar com a imaginação ou curiosear na internet enquanto se cumpre uma tarefa.

        É obrigação dos pais exigir dos filhos que coloquem no lugar as próprias roupas e o material esportivo, façam diariamente a cama ao acordar, enxuguem o box do banheiro para o próximo encontrá-lo seco, coloquem no lugar a mochila, cheguem pontualmente às refeições. É preciso admoestar o pupilo a que abandone formas sorrateiras de preguiça como, por exemplo, interromper o horário das tarefas escolares para vaguear com a imaginação, consultar o celular ou ir até a geladeira, ficar muitas horas diante da televisão vendo desenhos. E também vale insistir com o pimpolho que cresça em espírito de serviço e cumpra os encargos familiares que lhe foram atribuídos.

        Ao negar-se diariamente aos pequenos desvios da negligência, crescerão nos filhos as virtudes da ordem, laboriosidade, fortaleza e espírito de serviço. E o mais importante: a vontade deles terá um “querer” decidido e o caráter será forjado em estrutura de bom aço.

    3 – A criança obediente vence a preguiça

        Crianças a partir dos 2 anos ou 2,5 anos gostam de obedecer aos pais para agradá-los, e facilmente ganham o hábito de serem ordenadas e exigentes consigo mesmas. Para isso, devem ser exigidas com afeto a fazer o que é certo: a menina deverá acostumar-se a colocar as bonecas na caixa de bonecas, os pratinhos na de pratinhos, as panelinhas na caixa de panelinhas; o menino, a guardar os soldadinhos na caixa de soldadinhos, carrinhos na de carrinhos, bolinhas na de bolas, lego na de lego. O que não podem é jogar tudo dentro de um mesmo recipiente! Como não sabem ler nessas idades, é inevitável que os pais diferenciem as caixas ao colar o desenho correspondente do lado de fora.

        Evidentemente, a criança de 2 anos ou 2,5 anos não percebe ter adquirido a virtude da ordem, mas logo notará que muitos coleguinhas do infantil ou fundamental são desordenados, bagunçados e preguiçosos, e que para ela não custa esforço algum agir corretamente.

        Com paciência e carinho, os pais não devem temer exigir das crianças! Elas não têm experiência de vida e carecem de ser orientadas. Estejam certos de que em pouco tempo seus filhos adquirirão bons hábitos para a vida afora, e o agradecimento deles, pela insistência de vocês, será eterno. Bom treinamento!

    Texto produzido por Ari Esteves (staging.ariesteves.com.br/).

  • A educação familiar tem sentido profissional

    A educação familiar tem sentido profissional

    1 – A educação familiar tem sentido profissional. 2 – Motivos da eficaz educação familiar. 3 – Valores que nortearão a vida toda.

    1 – A educação familiar tem sentido profissional

         O ensino oferecido pela família exige dos pais mentalidade profissional para buscar novos conhecimentos sobre como ser eficaz na educação comportamental da criança ou do adolescente. Essa educação foge das improvisações e da mera confiança no sentido comum, ou de que os filhos irão melhorar com o tempo, pois tais comodidades já não respondem aos atuais desafios educativos. Pobre herança deixam os pais se esta se constituir apenas de bens materiais, que muitas vezes dividem os filhos. Por isso, não basta a presença física dos pais para educar com eficácia: se não estudarem e conversarem entre si para detectar os traços do temperamento e caráter que devem ser corrigidos no filho, e estabelecerem um plano de ação para suprir tais deficiências, tal cumplicidade e comodidade será uma bomba relógio que explodirá em breve tempo.

         Preparar os filhos para a vida é o maior investimento que os pais podem fazer. Para isso, não necessitam ser profissional da educação, mas devem ter a mentalidade de buscar contínuo conhecimento em livros e cursos sobre orientação familiar e educação dos filhos, visitar a sites especializados, lives, palestras e conhecer a opinião de pessoas criteriosas, mas tendo presente que a decisão sempre será do casal.

    2 – Motivos da eficaz educação familiar

         Os professores não conseguem oferecer uma educação que chegue ao profundo da personalidade (à alma). Essa tarefa pertence ao pai e à mãe, que procuram conversar sobre os aspectos mais relevantes para a melhora de cada filho: caráter, temperamento, namoro, sexualidade, casamento, amizade com Deus… A educação proporcionada pela família desenvolve em cada filho atitudes positivas e permanentes, o que possibilita que alce voo não de tico-tico sobre telhados, mas de águia até os píncaros das montanhas, de onde pode divisar lonjuras. Isso porque a educação familiar encarada com sentido profissional não se cinge apenas à escolar, com vista a uma futura atuação profissional, mas é para todos os âmbitos e etapas da vida dos filhos.

         Essa educação tem como fundamento o natural amor e confiança que os filhos sentem pelos pais. Ao respeitar os traços de cada filhos, os pais oferecem uma educação personalizada e integral porque alcança não só a inteligência, mas também a vontade e os sentimentos. Ao levar em conta as circunstâncias e o meio em que vive a família e, a educação familiar não é periférica, mas profunda, sendo capaz de estimular o fortalecimento da vontade dos filhos por meio de situações simples no dia a dia: por exemplo, ao exigir deles o cumprimento dos encargos familiares, os ajuda a vencerem a preguiça. Isso é importante porque, se a vontade de um filho se tornar fraca, ele não se sentirá movido a melhorar e se orientará apenas pelos impulsos dos sentimentos, que são volúveis, inconstantes e buscam apenas o agradável.

         Outro motivo da eficaz ação educativa da família é o diálogo que os pais mantêm com cada filho, que sendo o modo de fazer crescer a amizade mútua, será fundamental para atender o impulso natural que todos temos de procurar o melhor amigo para confidenciar nossas dúvidas e incertezas: se os pais não forem os melhores confidentes dos filhos − e para isso é preciso ser amigo! −, estes irão se aconselhar com colegas na maioria das vezes mal orientados como pessoas. Por isso, a maior conquista de uma mãe é ouvir da filha que sua melhor amiga é ela, e o pai ouvir do filho que seu melhor amigo é ele.

    3 – Valores que nortearão a vida toda

         Pai e mãe devem combinar as ações pedagógicas e falas, a fim de um não desautorizar o outro, o que abriria espaço para a desobediência e de serem manipulados pelos filhos. A educação familiar é ofertada por meio da comunicação clara, dialógica, criativa, paciente, que penetra pelos ouvidos e se ancora permanentemente no coração e na inteligência, tornando os filhos prudentes e profundamente agradecidos aos pais porque se veem munidos de valores que os nortearão vida afora.

    Texto produzido por Ari Esteves, com base no livro “La realización personal en el ámbito familiar”, de Gerardo Castilho, Ediciones Universidad de Navarra, 2009, Espanha.

  • Crianças viciadas em mídias

    Crianças viciadas em mídias


    1 – As mídias tornam passivas as crianças e lhe roubam a imaginação. 2 – O contato com a natureza torna a criança contemplativa. 3 – Teste seu filho para saber se é dependente de mídias.

    1 – As mídias tornam passivas as crianças e lhe roubam a imaginação

        A criança desde o nascimento deve interagir sossegadamente com o ambiente que a cerca, a fim de se desenvolver física e psicologicamente. Tal como o trabalho desenvolve a personalidade do adulto, a da criança se desenvolve brincando, porque esse é seu trabalho. Quanto mais experiências tiver a criança de tocar, fazer, imaginar, recolher, levantar, reiniciar, mais se desenvolverá. Portanto, menos brinquedos eletrônicos, videogames e bonecas que falam, e mais objetos comuns; menos celulares e mais interação com seus familiares. A infância é mágica; não é necessário artificializá-la com mídias. A criança precisa de um estímulo mínimo, em ambiente normal e cheio de carinho: receber o sorriso de seus familiares, ouvir os ruídos da casa, sentir o cheiro de limpeza e o que vem da cozinha.

        Expostas pelos pais ao excesso de mídias, s crianças têm a infância artificializada. Desenhos como Bob Esponja, Madagascar, Carros & Cia, Monstros SA, A era de gelo, entre outros, exibem em média 7,5 mudanças de cenas por minuto, o que não acontece na vida real das crianças. Hipnotizadas pelo excessivo movimento das telas, as crianças se tornam viciadas em níveis altos e artificiais de estímulos. Ao retornarem à vida real, se sentem entediadas e aborrecidas e desejam logo voltar à irrealidade das mídias.

        Celulares e tabletes roubam a imaginação infantil. É melhor que a criança crie seus brinquedos ao transformar uma caixa de leite vazia em miniatura de ônibus, do que assistir passivamente a um desenho de carros; imaginar um barco com uma lata de sardinha ou um foguete com o tubo do papel celofane, do que ganhar um brinquedo pronto; entreter-se com bolinhas, figurinhas e brinquedos caseiros, do que gastar horas em desenhos animados. Com um lençol a criança cria uma cabana entre os móveis da sala; sentada no sofá imaginará pilotar um caminhão; fará de uma caixa de papelão o cockpit de sua máquina voadora.

    2 – O contato com a natureza torna a criança contemplativa

        É necessário educar os filhos na curiosidade pela realidade, que é fonte de verdadeiro conhecimento, e não no ritmo frenético das novas tecnologias. A criança necessita encontrar inspiração na beleza e contemplação do mundo que a cerca. Por isso, outra janela de curiosidade da criança é a natureza, que deve ser aproveitada pelos pais para educá-la. Ao correr, pular, pesquisar, subir nas árvores, ocultar-se atrás de arbustos, a criança interage com a natureza e ganha excelente controle motor. Dar alimentos a aves e peixes e rir das formigas que carregam fardos maiores do que elas próprias, são atitudes contemplativas. A criança aprenderá a ser paciente ao fixar os olhos no lento arrastar-se do caracol; aprenderá a esperar e não exigir tudo prontamente ao perceber que tudo na natureza tem seu tempo, tal como o broto da flor que se alça timidamente da terra. A criança deve deitar na grama com seus pais e sentir cócegas, sem medo de alergia, e olhar para o céu a fim de descobrir o que as nuvens desenham.

        É curioso o medo que a natureza causa nos pais, medo transmitido às crianças: medo de que os filhos se arranhem, medo de se sujar, medo de que caiam de árvores, medo de alergia por pólen de flores. É espantoso ver como crianças fogem das gotas de chuva! Pais, não temam os dias chuvosos! A natureza tem muito a ensinar nesses dias: o cheiro da terra; as cores que se realçam; as gotas que escorrem pelas folhas ou ficam presas na teia de aranha; os pequenos habitantes do ecossistema que se deixam ver nesses dias: lesmas, caracóis, pererecas, sapos. Medo de resfriado? Diz Catherine L’Ecuyer*, que é um preconceito acreditar ser a chuva causa resfriado. Einstein disse que é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito.     

        Gaudí, o genial arquiteto do Templo da Sagrada Família, em Barcelona, ​​disse que a natureza foi sua mestra vital. Desde pequeno teve ataques de reumatismo, que o afastaram das brincadeiras infantis. Então, sua mãe passava muitas horas com ele no campo, observando a natureza. Gaudí recordava sua infância entre flores, prados, videiras, oliveiras, pio dos pássaros, zumbido de insetos e montanhas ao fundo. Ele não precisou artificializar sua infância para criar uma das mais belas obras de arquitetura do mundo, onde as colunas imitam troncos de árvores. Sua infância foi um contemplar silencioso da natureza.

        Academia Americana de Pediatria diz que o frio não é causa de resfriado ou gripe; e que se as queixas são comuns no inverno, é porque as crianças ficam amontoadas em salas com pouca circulação de ar, o que facilita a propagação do vírus. Para ter crianças mais resistentes, é só deixá-las brincar ao ar livre em dias de chuva, usando botas e capa de chuva, tal como acontece nos países nórdicos, onde as crianças saem para se divertir com 20 °C negativos, ou em algumas cidades do Nordeste brasileiro, em que as crianças brincam na chuva. Que boa notícia é essa, quando você pensava que não havia alternativa para dias chuvosos, a não ser as telas!

    3 – Teste seu filho para saber se é dependente de mídias

        Certa professora levou um grupo de crianças “drogadas” pelas mídias a um passeio no campo, e constatou a falta de iniciativas delas para brincar na grama e entre as árvores. Passivas, desejavam ansiosamente voltar para casa e apertar botões para terem a ilusão de dominar a realidade, pois preferiam os insetos irreais. Teste seu filho! Leve-o a um parque sem celular ou tablete. Se não for capaz de desfrutar da natureza, porque deseja retornar logo para casa, onde tem à disposição várias mídias, é porque já está artificializado.

    Texto produzido por Ari Esteves (staging.ariesteves.com.br/), com base nos livros “Educar na curiosidade” e "Educar na realidade", de Catherine L'Ecuyer, publicado pela Fons Sapientiae. 

  • Educar a vontade

    Educar a vontade

    1 – Tornar a vontade forte. 2 – Os filhos devem realizar ações que não gostam.

    1 – Tornar a vontade forte

        Muitos pais se preocupam em fortalecer a inteligência dos filhos, e preenchem a agenda deles com aulas, jogos e atividades que, dizem, estimulam os neurônios. Mas, se pouco fazem para fortalecer a vontade ou a capacidade de querer das crianças, mau negócio, pois elas poderão ser muito “inteligentes” para fugir das próprias obrigações por preguiça. Educar a Vontade dos filhos significa torná-la forte por meio de ações pequenas e constantes que criem hábitos bons.

        Para fortalecer a vontade é preciso distinguir na pessoa humana algumas de suas faculdades: inteligência vontade como capacidades espirituais, e afetividade (sentimentosemoções paixões) como faculdades sensíveis e não racionais. Cada uma dessas faculdades – vontade e sentimentos – tem uma ação que lhe é própria: querer e gostar.

        Querer é ação própria da vontade, também chamada de apetite da inteligência. Esse querer da vontade é sempre intelectualizado porque passa primeiramente pela capacidade de compreender. É a partir desse conhecimento que se quer ou não se quer algo, porque foi revelado pela inteligência como bom ou mal. O querer da vontade está na esfera do livre arbítrio, do decidir se queremos ou não algo que foi pensado.

        Gostar é ação própria dos sentimentos, emoções e paixões, que são irracionais e nos fazem simplesmente gostar ou não gostar de algo sem explicação para isso: gostamos ou não gostamos de tal tipo de alimento, música, roupa, filme ou obra literária; preferimos essa cor e não outra, etc. Não sendo racionais, os sentimentos não são chamados para serem reitores das ações, e só devem ser seguidos depois de analisados pela inteligência e queridos (ou não) pela vontade. Se a vontade com o seu querer estiver enfraquecida, não conseguirá se sobrepor à lei do gosto, que é a lei dos sentimentos ou estados de ânimo. Estes, por serem irracionais e cambiantes, não devem comandar nossas ações: se gostar, faço; se não gostar, não faço. Quem se pauta por isso terá muitos dissabores na vida.

        Para compreender a diferença entre querer gostar, pensemos que ao recolher indigentes cobertos de pústulas nas sarjetas de Calcutá, Madre Teresa o fazia porque sua inteligência mostrava ser importante essa obra de caridade, e sua vontade decidia cumprir tal ação. Mas, podemos razoavelmente acreditar que os sentimentos dela, ao recolher nos braços alguém cheio de pus, sujo e cheirando mal, poderiam ser de rejeição e repulsa. Por isso se diz que a vontade de alguém é forte quando o seu querer  se impõe à lei do gostoprópria dos sentidos ou dos sentimentos.

    2 – Os filhos devem realizar ações que não gostam

        Pensemos agora no comportamento das crianças, quando os sentimentos delas levam a gostar ou não gostar de brincar com bola, preferir carrinhos ou miniaturas de super-heróis, dançar ou cantar, correr ou brincar sentados. Até aí tudo bem, porque os sentimentos, muito ligados ao temperamento de cada filho, levam a que prefiram uma coisa e não outra, o que é uma maravilha, pois isso revela que pessoa humana não é fabricada em série como as garrafas de refrigerantes, e somos muito diferentes uns dos outros.

        Mas há ações que as crianças precisam ser incentivadas a realizar, independente de gostar ou não delas: estudar, ajudar o irmão mais novo a aprender matemática, colocar em ordem seus brinquedos (bolinhas na caixa de bolinhas, lego na caixa de lego, carrinhos na caixa de carrinhos), guardar a roupa na gaveta ou no cesto para serem lavadas, levar o lixo para fora, colocar pratos e talheres na mesa, dormir e acordar no horário, não comer fora de hora, ir brincar só após ter feito a lição de casa ou cumprido o encargo que lhe foi atribuído. Quando a criança possuir controle motor deverá arrumar a cama, banhar-se e enxugar o box, vestir-se, preparar seu prato e cortar o bife.

        Ao exigir o cumprimento dos deveres, os pais tornam a vontade dos filhos forte e robusta para que se sobreponha à preguiça ou ao comodismo, pois, como diz o ditado, “com churros não se faz alavanca”. Em pouco tempo, a criança que adquiriu bons hábitos realizará com alegria e prontidão aquilo que deve ser feito.

    Texto produzido por Ari Esteves (staging.ariesteves.com.br/). Imagem de Aguida Medeiros (@aguidamedeirosm)

  • Comunicação inadequada com os filhos

    Comunicação inadequada com os filhos

    1 – Perguntas inseguras ou em tom de reclamação não funcionam com os filhos. 2 – Implorar pela compaixão do filho enfraquece a autoridade dos pais.

    1 – Perguntas inseguras ou em tom de reclamação não funcionam com os filhos

        Conseguir que os filhos abandonem condutas ou hábitos ruins não é processo impossível. Para um bom começo evite perguntas que não comuniquem claramente o que se espera deles. Perguntas inseguras, sejam em tom de reclamação ou de súplica, não funcionam com as crianças, e abrem as portas para que as palavras dos pais sejam ignoradas:

        − Pedi que você arrumasse o seu quarto e nada foi feito! Apenas foi dito à criança que ela deixou de cumprir uma ordem. A mensagem foi incompleta porque não transmitiu o que deveria ser feito, quando deveria ser feito e as consequências do incumprimento. Cingiu-se apenas a uma queixa que a criança não fez caso porque não se sentiu comprometida.

        Por que você não presta atenção ao que eu falo? Pergunta em tom de reclamação não funciona. Muitos pais pensam que ao levar a criança a refletir sobre o motivo do seu mau procedimento, ela passará a reconhecer o erro e a evitá-lo. Além de não conseguir tais efeitos, a pergunta foi insegura ao desviar a atenção da criança para algo que ela não saberia explicar: as razões de sua desatenção.

       Quantas vezes tenho que dizer para terminar a lição de casa antes de sair?  Foi pergunta insegura ao não oferecer instruções claras: apenas transmitiu o desgosto da mãe e a falta de autoridade dela. O garoto nunca responderia à mãe que ela “deveria dizer nove vezes” para que ele não saísse de casa antes de ter feito as suas tarefas. A reação assertiva da mãe deveria ser a de proibir a saída do filho enquanto não terminasse os deveres.

        O filho quebrou o vidro da janela e o pai disse: − Você tem ideia de quanto custa um vidro novo? O pai não deveria esperar que o filho respondesse sobre o valor de um vidro novo, porque ele não saberia dizer. Foi uma pergunta insegura ao exigir apenas a informação sobre o custo da reposição, sem transmitir à criança que a atitude dela foi irresponsável e que o prejuízo econômico causado à família ficaria por conta de sua mesada.

    2 – Implorar pela compaixão do filho enfraquece a autoridade dos pais

        Mãe: − Vá dormir.

        Filho: − Não estou com sono.

        Mãe: − Já é tarde e estou cansada. Por favor, vá dormir.

        Filho: − Mas eu não estou cansado.

        Mãe: − Mas eu estou. Por favor, vá para a cama!

        A mãe se dirigiu ao filho implorando pela compaixão dele. Essa razão nunca é suficiente, já que as crianças não compreendem até onde vai o cansaço de um adulto, pois mal sabem o que é o cansaço. A súplica da mãe apenas transmitiu a fragilidade e a insegurança dela. Ter horário de dormir e de acordar deve ser hábito disciplinar vivido por todos na família, a fim de que cada um possa atender com ordem seus deveres cotidianos, além de facilitar o trabalho dos demais. A criança deve saber que no lar ela não possui apenas direitos, mas também deveres para com os pais, irmãos, empregada.

    Texto produzido por Ari Esteves com base no livro “Carinho e firmeza com os filhos”, de Alexander Lyford-Pike (ver em staging.ariesteves.com.br/livros.