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  • Por que exigir dos filhos?

    Por que exigir dos filhos?

    1 – Os animais também oferecem alimento e abrigo. 2 – Por que exigir? 3 – Não ter medo de exigir. 4 – Exigir que ajudem nas tarefas do lar.

    1 – Os animais também oferecem alimento e abrigo

        Trata-se de um grave erro antropológico desconhecer o princípio inato de desordem que todos carregamos dentro. As reações histéricas dos pais diante dos erros dos filhos revelam desconhecimento dessa desordem ou despreparo para corrigi-las.

        Sendo débil a condição da criatura humana, seu processo educativo é longo (12 a 13 anos), pois compreende a educação do comportamento e a aquisição dos valores pelos quais deverá pautar a vida para ser feliz. Nesse período é radical a dependência dos pais. Preparar uma criança para a vida não é só dar a ela alimento e abrigo, porque isso também fazem os animais. Oferecer aos filhos meramente a sobrevivência física seria exilá-los do mundo dos homens, que é mais rico que o dos animais. Desde muito cedo as crianças carecem aprender critérios comportamentais, distinguir o que é bom ou vicioso para o ideal humano, ser apresentadas às diferentes manifestações culturais e artísticas… E tudo isso porque devem nortear sua conduta por critérios racionais, e não por impulsos natos ou instintivos, que nos homens não são seguros como nos animais.

    2 – Por que exigir?

        Quando se nota que um comportamento deve ser retificado − em nós ou nas crianças −, é preciso agir prontamente. É ilusório acreditar que melhoramos com o tempo, pois não somos como o bom vinho que chega à perfeição com o decorrer dos anos. Ao não corrigir, o problema continuará latente e aumentará tornando mais difícil a sua remoção. Quando não se luta para erradicar um defeito, ele progride em proporção geométrica à passagem do tempo.

        Deixar um filho nas garras de uma desordem interior é desumano. Ao perceber nele predisposição à preguiça não achar divertido esse vício, que tenderá a aumentar e demolirá todos os ideais que exijam esforços. Se a filha tem conversas frívolas sobre suas relações com rapazes, é preciso alertá-la de imediato. Explosões de raiva nos jogos, crueldade com os animais, rebeldias, brigas entre irmãos, desobediências, fuga do estudo, desordens nos brinquedos e roupas, ou atrasar-se para as refeições, tudo isso exige a atuação paciente e perseverante dos pais.

        Os pais não devem esperar que a criança se torne ingovernável para iniciar o processo de educação do comportamento. Não se pode deixar que a desobediência se transforme em caso grave, como o da criança de 9 anos que se enfureceu com sua mãe porque não a deixou brincar na rua (chovia) e lançou sobre ela uma pedra que a feriu; ou o caso do médico que recebeu um telefonema desesperado de um pai porque o filho adolescente ameaçava a mãe com uma faca junto ao pescoço dela.

    3 – Não ter medo de exigir

        Os pais têm o direito e o dever de polir os filhos com bons hábitos desde a primeira infância. Assim o fazem ao fortalecer neles os pontos fracos do caráter; ao corrigir as características temperamentais destoantes, como as explosões raivosas ao perder um jogo ou rebeldias para não cumprir os encargos familiares; ao moderar as inclinações instintivas dominantes que levam a atuar de modo intemperado nas comidas e opções de lazer.

        Diz o sábio que “é melhor prevenir do que remediar”, porque é mais fácil evitar que um comportamento inadequado se fixe do que desarraigar um que já deitou raízes. Os filhos devem saber que sempre será aplicada uma punição ao desobedecerem ou faltarem o respeito para com os pais. As vias de fato são mais eloquentes do que as palavras, e fazem os filhos policiarem melhor seus atos.

        É triste ver que o tempo passa e muitas crianças continuam preguiçosas, desordenadas, birrentas e comilonas, porque seus pais não atuam sobre essas desordens. O ambiente em que vivemos é de relaxamento, de falta de exigência, excesso de comodidades e apelo ao prazer a qualquer preço. Não sendo a vida tão suave como nos apresentam as publicidades midiáticas, o aperfeiçoamento pessoal se torna um imperativo constante e laborioso.

        Para educar é preciso distinguir e priorizar o mais importante, e abrir mão do que não o é: se a menina deseja ir à festa com o vestido vermelho, não decretar que vá com o azul; se faltam cinco minutos para acabar o desenho animado, e há tempo suficiente para se aprontar, não force o garoto a desligar a TV: diga apenas que a apague em cinco minutos e se apronte para sair. Ou seja, não vale a pena se desgastar pelo que não é significativo, mas só pelo que é relevante, como exigir que guardem no cabide suas roupas, que mantenham ordenado o quarto, que estudem no horário combinado e colaborem nas demais tarefas do lar. Exigir dos filhos é um santo e poderoso remédio.

    4 – Exigir que ajudem nas tarefas do lar

        Permitir que os filhos se tornem senhoritos ou pequenos imperadores porque não são exigidos para ajudar, para doarem-se e se desprenderem de suas coisas e de seu tempo, é a pior conduta que tomam seus pais. Filhos que recebem tudo de mão beijada, e pouco se requer para que se empenhem em servir, se acostumam a que os demais façam tudo por eles. Com isso, se tornam fracos de caráter e moles como churros, sendo incapazes de enfrentar os problemas por conta própria (com churros não se faz alavanca). Exigir que a filha não tenha caprichos de dondoca e coma o que for colocado na mesa; ou que o filho se rale para lavar o quintal, são medidas terapêuticas para a saúde espiritual deles. Quando os hábitos bons deitam raízes na alma não há quem os desarraigue.

    Texto produzido por Ari Esteves (staging.ariesteves.com.br/)

  • Promover a cultura na família

    Promover a cultura na família

    1 – O papel da família na cultura dos filhos. 2 – Pais cultos sabem cultivar os filhos. 3 – O tempo gasto em mídias sociais empobrece a criança. 4 – Caminhos para fomentar a cultura familiar.

    1 – O papel da família na cultura dos filhos

         A arte, atividade humana criadora de beleza, é regida pelo sentido da estética e não pelo de utilidade, que é próprio da ciência e da técnica. A beleza tem algo de divino e inspira o coração e a mente das crianças. O teatro, a pintura, a escultura, a poesia e a arte narrativa (conto, romance, novela) tornam rico o espírito humano, que passará a produzir do que se alimenta.

         Cultura é um termo que indica a ação de cultivar. Toda pessoa humana recebe em sua natureza faculdades que a distinguem dos animais: inteligência, vontade e afetividade. Quem irresponsavelmente não cultiva esse rico patrimônio − os pais devem ajudar as crianças a cultivá-lo! − torna-se uma pessoa em estado bruto ao não se permitir desenvolver toda a riqueza para a qual está chamado.

         A família é o primeiro âmbito de promoção da cultura que, por ser o ambiente mais próximo da pessoa, deve ajudar seus integrantes a desenvolver a sensibilidade para a verdade, o bem e o belo. Gustave Thibon dizia que “uma das principais funções da família é criar um ambiente em que a instrução tende a converter-se em cultura e a cultura converter-se em sabedoria no sentido de saborear”.

         Se os pais não desejam que as filhas pequenas imitem as danças sensuais que veem na TV e cantem letras ofensivas − mesmo que no momento não compreendam o que dizem −, precisam criar no lar uma atmosfera de cultura vivida ao colocar as crianças frente ao que é estética e moralmente mais belo. Assim, as filhas saberão fugir da subcultura e de seus sucedâneos.

    2 – Pais cultos sabem cultivar os filhos

         Hoje, muitas pessoas se conformam apenas com a cultura profissional. As especializações modernas vêm produzindo homens doutos num campo científico, mas com uma visão parca sobre a família, filhos, vida humana, relações sociais, sentido da arte, da religião, do bem-comum e da sociedade. Com isso, não desfrutam da beleza que se esconde atrás de tantas outras realidades. Muitos pais dedicam tempo ao conhecimento profissional, mas descuidam a sua formação humanística e com isso empobrecem também os filhos. Não basta dar aos rebentos abrigo, alimento e segurança física, porque isso também fazem os animais. Oferecer a uma criança apenas a sobrevivência é exilá-la do mundo dos homens, que é mais rico que o dos animais.

         Os pais conseguem que seus filhos rapidamente se cultivem se eles, pais, forem cultivados: a qualidade da educação que oferecem é proporcional à qualidade da formação que possuem. O exemplo educa mais do que as palavras. Sêneca dizia que é “longo o caminho com preceitos, mas breve e eficaz com exemplos”.  A falta de interesse e esforço dos pais pela própria formação cultural decepciona os filhos, que logo se lamentarão de não valorizarem essa educação porque seus genitores agiram preguiçosamente nesse campo.

    3 – O tempo gasto em mídias sociais empobrece a criança

         As crianças precisam ser introduzidas pelos pais no mundo da cultura a fim de descobrir a beleza estética encontrada nas diversas manifestações artísticas: escultura, pintura, música, teatro e literatura. Não subestimem as crianças! Foi incrível a experiência narrada por Helena Lubienska com a Divina Comédia, de Dante Alighieri, lida com avidez em sala por meninos de 7 a 12 anos. Ela se surpreendeu com a atenção que colocavam na narrativa e a facilidade com que decoravam trechos da obra; e por fim, apresentaram uma peça teatral baseada nesse texto.

         O tempo dedicado à leitura de um bom livro oferece muito mais à inteligência e à sensibilidade, do que as longas horas deglutindo sucessivos desenhos, jogos eletrônicos e fotos em redes sociais. Se queremos que as crianças tenham riqueza interior e desenvolvam uma sadia imaginação que as levará a serem criativas em suas brincadeiras e a terem grande força de expressão e inteligência no falar e agir, fomentemos nelas o paladar pela leitura e boa música; incitemos o gosto por estar em contato com a natureza;  ajudemos a que amem o silêncio contemplativo que faz perceber a beleza oculta nas pequenas coisas, e não na estrondosa agitação das telas que roubam o tempo da reflexão.

        O amor pelos livros será um forte antídoto para as crianças se verem livres do vício de celulares, tabletes e TV. Promover uma rica cultura familiar é o melhor antídoto para os pais afastarem as crianças do vício da chupeta eletrônica, que as torna hiperativas e entediadas com o mundo real. A leitura e outras expressões artísticas fortalecerão o potencial imaginativo da criança e dará a elas grande força de expressão e inteligência no falar e no agir.

    4 – Caminhos para fomentar a cultura familiar

         Os primeiros e principais educadores dos filhos são os pais, que devem promover a cultura familiar por meio de tertúlias ou bate-papos familiares, refeições e momentos de lazer para ilustrar as crianças sobre a profissão do pai e da mãe, seus gostos artísticos, seus hobbies. Muitas crianças não sabem como é o trabalho do pai e da mãe porque estes dialogam pouco com elas sobre isso (pensam erradamente que elas não compreenderão). As vivências e experiências narradas enriquecerão as crianças, que se sentirão valorizadas pelos pais.

         Os pais não são os únicos responsáveis pela cultura familiar: filhos mais velhos, tias, tios e avós podem colaborar nessa promoção ao falar de suas experiências, estudos, hobbies. Podem também convidar amigos para contar alguma experiência interessante que tiveram: viagem, alpinismo, mergulho, pintura, música, colecionismo. A transmissão do patrimônio cultural da família pode ser feito com fotografias, objetos de decoração que são lembranças de pessoas ou momentos vividos no passado, vídeos e gravações de viagens, tradições e costumes da família.

         Para uma cultura familiar programada os pais podem se valer do colégio ou criar em casa um clube familiar com encontro semanal onde seus filhos possam brincar com outras crianças, aproveitando os vários vídeos do Youtube com jogos que fomentam a convivência entre pais e filhos, além de vivenciarem no clube outras atividades culturais.

         É interessante visitar com as crianças livrarias ou sebos e deixá-las escolher um livro; percorrer feiras de livros, bibliotecas, exposições de quadros ou esculturas; participar de audições musicais de diferentes gêneros que sejam esteticamente bons; levá-las ao teatro infantil e programar sessões de vídeos culturais, históricos, geográficos; irem ao cinema e depois incentivar as crianças para que façam comentários sobre o filme.

        A vista a museus é de grande valia, e para isso os pais devem dar a sensação de aventura. Seria tedioso explicar a uma criança a história da arte por meio de palestras sobre os diferentes gêneros de pintura. Para evitar isso é só criar um jogo para divertir as crianças, sem alterar o silêncio, a paz dos museus e o sorriso complacente dos guardas e seguranças do local. Antes de ir ao museu, veja no site dele as obras em exposição, e pergunte à criança qual ela mais gostaria de ver. Depois, coloque no celular as imagens escolhidas e no museu peça que a criança localize cada tela escolhida. Não manifeste sua opinião contrária ao gosto da criança, pois irá deixá-la confusa e inibirá sua inclinação. Quando ela encontrar o quadro, pergunte o que mais ela colocaria nele, se fosse o pintor, a fim de que se fixe nos detalhes da tela.

    Texto produzido por Ari Esteves. Imagem de Ron Lach

  • O sentimentalismo é um mal

    O sentimentalismo é um mal

         1 – O que é o sentimentalismo. 2 – Os efeitos nocivos do sentimentalismo. 3 – A educação dos sentimentos começa na infância.

    1 – O que é o sentimentalismo

        O sentimentalismo é a predisposição ou atitude de permitir que as ações sejam comandadas pelo mundo dos sentimentos, emoções e paixões, e não pela razão, que é a capacidade reitora da pessoa humana. Por que não se deixar comandar pelos sentimentos? Aristóteles dizia que os sentimentos são como o gato: pode-se amestrá-lo, mas não confiar plenamente nele, pois pode atacar. Platão afirmava que os sentimentos são grandes companheiros do homem, mas se parecem com crianças pequenas e irresponsáveis, porque ainda não possuem a razão desenvolvida.

        Por vezes é necessário agir contra os sentimentos: por exemplo, sentir repulsa diante de alguém que exala mal cheiro, porque está sujo e coberto de pústulas, não é motivo para não atender tal pessoa. Importa superar esse sentimento ao pensar no bem dessa pessoa, e atuar por amor a ela, levando-a a um hospital. As mães levantam de madrugada para atender o bebê que chora, mesmo que os sentimentos pedem para que fique na cama.

    2 – Os efeitos nocivos do sentimentalismo

        Os sentimentos fazem parte da natureza humana e possuem enorme valor, porque podem reforçar as decisões ao apoiá-las e ajudar alcançar as metas desejadas: um profissional que coloca sentimentos naquilo que faz, fará melhor; quem persegue um grande ideal enfrentará melhor as dificuldades quando está animado pelos seus sentimentos.

        Porém, ao condicionar seu comportamento por afeições ou desafeições, agrados ou desagrados, gostar ou não gostar, e não pelo prudente exame ou juízo de cada situação, a vida do emotivista muda de direção com frequência, pois os chips sentimentais não são equânimes, mas cambiantes, o que torna seu caráter inconstante, inseguro e superficial, e sua vida será um eterno começar sem nunca acabar.

        Quem se deixa levar apenas pelos sentimentos, soma desenganos e decepções em seus projetos de vida, porque não sabe avaliar com inteligência a realidade: se pretende montar uma família, e o faz apenas por motivos sentimentais, deixará de aproveitar o tempo de namoro, que é um tempo para avaliar racionalmente a outra pessoa em todos os aspectos (caráter, temperamento, disposições), poderá ter desenganos e decepções durante a vida em comum.

        Ao não saber distinguir o valor hierárquico de cada realidade (tarefa que pertence à inteligência), o sentimental pode colocar demasiado afeto em realidades que merecem menos sentimentos: seu gosto pelo trabalho pode levá-lo a não encerrar o expediente e retornar para casa, a fim de ajudar nas tarefas domésticas e dedicar mais tempo à família; pode não perceber a diferença entre amar uma pessoa ou um animal, colocando ambos no mesmo patamar.

    3 – A educação dos sentimentos começa na infância

        Para que os sentimentos sejam um apoio, devem ser revestidos de virtudes, que é dotá-los de racionalidade (ler o boletim Educação da afetividade). A educação dos sentimentos começa desde a infância, quando os pais percebem desajustes nos afetos das crianças e adolescentes: reagir mal ao perder em um jogo; animosidade duradoura porque não lhe permitiram fazer o que gostaria; colocar mais afeição em seus interesses e menos em ajudar os pais e irmãos… As crianças aprendem a ser solidárias e saírem de si mesmas ao colaborar para o bem-estar de todos, encarregando-se de tarefas domésticas; ao aprender a ter compaixão pelas crianças doentes; ao doar a crianças pobres os brinquedos em bom estado que já não utilizam; diante de notícias tristes, aprender a condoer-se pelo sofrimento dos demais…

    Texto produzido por Ari Esteves (staging.ariesteves.com.br/). Imagem de Olya Prutskova.

  • A fraqueza da vontade

    A fraqueza da vontade

    1 – Fortalecer vontade. 2 – A vontade débil foge das metas altas. 3 – Raciocínios falsos a que conduzem a vontade débil. 4 – A vontade se fortalece com a verdade.

    1 – Fortalecer vontade

        É necessária, desde a adolescência, uma formação que dê solidez à vontade para que esta não fique ao sabor de sentimentos contrários. Quem se propõe uma meta que vale a pena, e não teme enfrentar os obstáculos até chegar a ela, enrijece a vontade à medida que realiza os atos para alcançar seu alvo. Uma pessoa não se constrói ao esperar algo da vida, mas em propor-se metas altas e correr atrás delas. Quem culpa as dificuldades externas e reclama da vida, o faz para se eximir da própria responsabilidade.

        Os pais temerosos de exigir que os filhos cumpram as próprias obrigações, trabalham pelo enfraquecimento da vontade deles. As tarefas formativas devem ser atraentes não porque sejam divertidas ou prazenteiras, mas porque revelam o modo autêntico e atrativo da realização do bem. Quem se realiza ao fazer o bem é feliz, mais do que aquele que necessita de muitos objetos para ser feliz: tem mais aquele que precisa de menos

    2 – A vontade débil foge das metas altas

        A vontade se debilita quando só se busca o prazenteiro e o divertido, que vão se fazendo cada vez mais necessários e exigidos como um direito. Se a vida não respeita esse “direito” surgem queixas e lamentações. Há quem deseja atuar bem e se propõe fins mais elevados. Mas, ao perceber que para atingi-los nem tudo é prazeroso, perde o entusiasmo inicial e abandona o projeto julgando-o ilusório ou difícil de chegar. Isso significa que possui uma vontade débil, fraca.

        Se “vida feliz” é sinônimo de “vida prazenteira”, então a vontade débil só vai atrás de escopos fáceis de se buscar. Se os objetivos são facilmente substituíveis significa que não possuem grande valor. Toda questão está no valor dado ao pretendido: se é considerado decisivo para a vida, deve-se estar disposto a qualquer esforço para torná-lo realidade. Os pais, para educarem a vontade dos filhos, podem exemplificar com a própria vida ao narrar conquistas que lhes exigiram uma vontade forte, quando seus sentimentos eram contrários.

        Papo bom de abordar com cada adolescente, a sós, numa caminhada de sábado à tarde, lógico, saboreando um sorvete, é sobre o valor das metas e o sacrifício em buscá-las, a fim de que enfrente questões como a do estudo para se pôr ao serviço dos demais com competência; a solidariedade e preocupação pelos outros − especialmente pelos que sofrem −, para o afastar do egoísmo de se encerrar nas coisas pessoais, que são sempre causa de tristezas.

    3 – Raciocínios falsos a que conduzem a vontade débil

        A vontade débil também se deixa levar pela força contrária dos sentimentos e paixões. Por exemplo, todos estamos inclinados à verdade porque ela nos atrai (ninguém gosta de ser enganado, nem pelos próprios sentimentos). Mas também nos atraem outras realidades como, por exemplo, que os demais tenham uma boa imagem de nós, que obtenhamos vantagens econômicas ou de outro tipo. Se o juízo de valor sobre essas tendências estiver assentado nas bases falsas do orgulho, vaidade e cupidez, essas tendências poderão apresentar como valiosa a mentira a fim de conseguir passar uma boa imagem de si ou para obter certos ganhos. E com isso, tanto a inteligência quanto a vontade serão enganadas.

        A razão prática é a que dirige o nosso comportamento e pode contribuir para uma vida plena. Se essa razão está influenciada pelas paixões (comodismo, preguiça, entre outras) e não pela inteligência especulativa apoiada na verdade, torna-se difícil acertar no juízo sobre a conveniência de certos comportamentos. As paixões se ordenam com virtudes para que possibilitem a razão julgar corretamente e a vontade decidir sem a pressão contrária de inclinações torcidas. 

        Aqui está também um tema interessante para conversar com os filhos: o erro não é o melhor caminho, mesmo que pareça prometer um bem maior, mas falso ao oferecer uma “felicidade” apoiada na mentira. A mentira é um erro prático, não teórico, porque quem mente sabe que não deve mentir (juízo de consciência), mas mente porque lhe parece conveniente mentir (juízo de eleição).

    4 – A vontade se fortalece com a verdade

        A liberdade radica na vontade, mas a causa da liberdade está na razão, dizia Tomás de Aquino. Nossas ações livres são decididas pela vontade, mas esta segue o juízo da razão: elegemos com o querer da vontade aquilo que o juízo da inteligência mostrou ser o melhor. Os atos humanos se distinguem dos atos dos animais porque são voluntários e dirigidos pela inteligência e vontade.

        É preciso ensinar aos filhos, calma e pacientemente, que a conduta deles deve ser guiada pela inteligência bem formada, e não pelos instintos e sentimentos (estes, quando bem educados, são um apoio para a vontade arrostar as dificuldades). Recentemente um casal amigo − Matheus e Larissa − falaram aos filhos de três, cinco e sete anos que iriam levá-los para tomar vacina. De pronto as crianças rechaçaram tal plano porque, diziam, iria doer, etc. Então, o casal explicou o que aconteceria se eles ficassem doentes: internação (possivelmente longe dos pais, dependendo da doença), fraquezas, febres, dificuldades para caminhar, remédios e, às vezes, até muitas injeções. Então, os pais perguntaram: − “O que vocês escolhem?”. Claro, com a inteligência esclarecida a vontade pode decidir livre e corretamente. Em uníssono responderam: − “Queremos tomar a vacina!”.

        A verdade é sempre o apoio mais sólido para se construir a felicidade humana, porque ao oferecer à razão bases corretas para a apreciação do autêntico valor das coisas, produz juízos acertados. A vontade, apoiada na razão ou juízo prático esclarecido pela verdade, ao decidir livremente pelo bem, conduz à pratica dos atos necessários para chegar ao que se tem em mente. Por sua vez, a prática desses atos formam as virtudes correspondentes e colocam ordem nos afetos e nas inclinações.

        Eis um círculo virtuoso: juízos acertados fazem a vontade eleger o melhor e encaminhar aos atos correspondentes; os atos criarão hábitos bons ou virtudes que colocarão ordem nos sentimentos e inclinações pessoais.

    Texto produzido por Ari Esteves, com base na obra “Formar personas libres”, de Julio Diegues, Editora Ética e Politica, Roma, 2019.

  • Educa-se a dois: pais, não se desautorizem!

    Educa-se a dois: pais, não se desautorizem!

    1 – Pai e mãe devem estar em acordo. 2 – Erra a mãe que desautoriza o marido, e vice-versa.

    1 – Pai e mãe devem estar em acordo

    Sejam quais forem as circunstâncias de um casal, pai e mãe devem estar de acordo com cada medida corretiva imposta à criança, com o fim de ajudá-la a formar bem a sua personalidade. Diante de um filho, inicia para os pais a mais importante missão: educar. Não basta dar abrigo, alimento e segurança, já que isso até os animais fazem isso. Um filho é o remate da família, ou esforço que o artista faz para deixar perfeita a obra que gerou.

    2 – Erra a mãe que desautoriza o marido, e vice-versa

    Mãe ou pai deve apoiar sempre a correção imposta pelo outro, desde que não atente contra a dignidade da criança. Se um dos cônjuges não concordar com o castigo imposto, deverá falar posteriormente, e a sós, com quem o impôs. Se o pai exige do filho que procedeu mal que vá para a cama sem comer a sobremesa, e a mãe leva ocultamente o acepipe até o quarto da criança, age erroneamente e demonstra falhar como esposa e mãe. Neste caso, o cônjuge que age astutamente, a fim de burlar a determinação do outro para corrigir o filho, desmoraliza afetiva e psicologicamente a criança ao fazê-la crer que é amada apenas por quem a alimenta, e não por quem a corrige. O sentimento do filho para com o pai que lhe impôs um castigo, suprimido pela mãe, será de rancor, porque passou a considerá-lo como injusto. A partir desse momento, a tarefa educativa da criança ficará dificultada.

    A esposa que atua de costas ao marido (ou vice-versa) engana-o, e o motivo é um carinho mal-entendido pelo filho. O pai poderá não se dar conta do que se passou, e acreditar que o filho se corrigiu. Mas, se for observador, notará no dia seguinte a mudança de atitude do filho para com ele. Então, deverá perguntar à esposa se contrariou a ordem que ele deu ao filho. E, para salvar a situação, explicará ao garoto, mesmo diante da esposa, que ele o castigou pelo bem dele, filho. Assim, o pai evitará que a criança o considere injusto, ou que pense ser amado apenas pela mãe. Poderá falar sobre isso a sós com o filho, ou na presença da esposa, que compreenderá não ter agido corretamente nem como esposa, ao deixar o marido em péssima situação diante do filho, nem como mãe, ao não corrigir a criança.

    Texto produzido por Ari Esteves (staging.ariesteves.com.br/)

  • O autodomínio e sua educação

    O autodomínio e sua educação

    1 – Iniciar a educação do autodomínio a partir dos dois anos de idade. 2 – Normalizar os sentimentos dos filhos. 3 – Os pais como educadores dos sentimentos dos filhos. 4 – Era uma vez um menino cheio de dengos.

    1 – Iniciar a educação do autodomínio a partir dos dois anos de idade

         Para não acontecer isso de que “é de pequenino que se torce o pepino”, a educação para o autodomínio deve começar quando os filhos ainda são pequenos. A partir dos dois ou dois anos e meio, as crianças compreendem e já obedecem em pequenos aspectos de ordem nos brinquedos e roupas, no horário de dormir e asseio pessoal. Ao adquirir esses bons hábitos desde a infância − excelente caminho para o autodomínio −, aprendem a dominar e a vencer a lei da preguiça que habita em todos os filhos de Eva.

    2 – Normalizar os sentimentos dos filhos

         Aos pais corresponde, antes de tudo, capacitar os filhos para serem donos de si mesmos. Isso é base de uma personalidade que sabe dominar as crises temperamentais, os impulsos afetivos e manter equilíbrio no uso dos bens materiais. Precisam ajudá-los a colocar ordem na sensibilidade e na afetividade, nos gostos e desejos, nas tendências mais íntimas do eu. Se falharem nisso, os filhos sofrerão consequências graves na maturidade, no domínio do próprio temperamento, e terão desajustes na convivência com os demais.

         Mais do que iniciar pela educação da inteligência com muitos cursos e vídeos, os pais devem começar pela educação dos sentimentos e seus afetos, que é fundamento para o autodomínio. Se não educarem na austeridade nada conseguirão, como estimular a criação de hábitos que contradigam as desordens da preguiça; da intemperança no comer, beber e se divertir (passar muitas horas na internet). Ao exigir, por exemplo, ordem nos objetos pessoais, pontualidade nos horários de refeições e de dormir, cumprimento dos encargos familiares, a ter horário de brincar e estudar, etc, os filhos aprendem a se dominar com as correspondentes virtudes ou bons hábitos que vão adquirindo, e passam a compreender que a vida não é um mero satisfazer prazeres e caprichos.

         Depois, é preciso ajudar as crianças a compreenderem que não devem atribuir demasiado sentimento ao que merece menos, como perder um jogo, nem demonstrar excessiva vibração por coisas banais ou suportar pequenas contrariedades como se o mundo fosse desabar na cabeça delas; e necessitam saber esperar por algo sem maus modos. Estimular as crianças a colocarem mais sentimentos ao que merece mais, e que por vezes elas colocam menos: ajudar os pais, irmãos e amigos em suas necessidades; ter espírito de serviço no lar; não ser indiferente com a dor dos outros diante de notícias trágicas; compadecer-se dos que passam necessidades; doar alimentos e brinquedos a crianças pobres, etc.

    3 – Os pais como educadores dos sentimentos dos filhos

         Os pais são os primeiros e mais eficientes educadores da afetividade, temperamento e caráter dos filhos. Essa eficiência radica-se na natural confiança que os filhos têm pelos pais, e porque os pais, por estarem sempre presentes, oferecem uma educação personalizada e baseada no carinho e na exigência.

         Para educar, os pais não devem confiar apenas no bom senso: urge que leiam boas obras sobre a educação comportamental dos filhos. A título de sugestão, deixamos em nosso site uma lista dessas obras.

    4 – Era uma vez um menino cheio de dengos

        Era uma vez um menino cheio de caprichos e dengos: “Não gosto”, “Não quero’, “Não vou comer essa porcaria” eram frases frequentes em sua prosopopeia. Não havia argumento que o demovesse de sua enjoadice. Então, de comum acordo, os pais adotaram uma atitude mais firme: serviram só arroz, feijão e bife. E lá veio ele com a suas frescuras: “Não vou comer essa droga”, “Não quero, não quero”. Então os pais retiraram o prato e o colocaram na geladeira. No jantar serviram o mesmo prato e, lógico, ele reclamou, esperneou e foi dormir com o estômago roncando. No café da manhã do dia seguinte apresentaram a mesma gororoba e, como a fome é o melhor condimento, a fera atacou-a com veemência e papou tudo. E assim, mantendo-se firme no plano estabelecido, foram acabando com as manias e dengos do pirralho. Anos depois, esse menino, já personagem ilustre da nossa sociedade atual, tinha um profundo agradecimento pelos seus pais, que fizeram com que ele não se tornasse um banana incapaz de fazer algo razoável que viesse a contrariar o seu gosto. Essa história é real e foi relatada pelo meu amigo Francisco Faus em seu livro Autodomínio – Elogio da temperança, e que conhece o personagem central desta história, hoje um preclaro bispo!

    Texto produzido por Ari Esteves (staging.ariesteves.com.br/)

  • Educar para a liberdade

    Educar para a liberdade

    1 – Não temer a liberdade dos filhos. 2 – Ensinar os filhos a serem livres. 3 – Atribuir responsabilidades aos filhos. 4 – Saber exigir das crianças. 5 – Não imponha; explique os motivos de um comportamento. 6 – Crianças livres, não dependentes de telas digitais.

    1 – Não temer a liberdade dos filhos

              Os pais devem refletir se estão educando os filhos para agir com liberdade e responsabilidade em cada campo de atuação: família, escola, amizades, relações sociais, porque muito em breve atuarão sozinhos, longe do olhar dos pais.

        Pertence à essência da educação familiar o respeito pela liberdade dos filhos, segundo a idade e circunstâncias de cada um. Só onde há o ar puro da liberdade germinam as virtudes humanas ou hábitos que fazem cada filho querer o que é bom, belo e verdadeiro. Os pais não devem ter medo de educar na liberdade! Tenham presente que até Deus deseja que o sirvamos com liberdade, e respeita as nossas decisões: “e deixou Deus o homem em mãos do seu livre arbítrio” (Eccli. 15,14).

    2 – Ensinar os filhos a serem livres

         Os pais têm uma dupla função: ensinar os filhos a serem livres ao dar a eles motivos de atuação que lhes ilumine a mente e mova a vontade para querer o bem; não os abandoná-los, mas vigiar discretamente o exercício dessa liberdade. Muitos são os campos em que os pais devem orientar a liberdade dos filhos: em primeiro lugar a relação com Deus; depois, encarar as outras responsabilidades, segundo a idade de cada um: colaborar para o bom andamento do lar por meio de tarefas que lhes são atribuídas, pois não devem pensar que tudo deva chegar a eles de mão beijada, e que não precisam se preocupar com o bom andamento da casa; ajudar os irmãos e os amigos em suas dificuldades; ordenar seus objetos pessoais, estudar com empenho…

         É necessário criar situações em que a criança tenha que tomar uma decisão: ir ao parque ou ao shopping? Se a escolha recaiu no shopping e ao chegar no local se arrepende da eleição e deseja e ir ao parque, a fim de aprender a refletir melhor sobre suas escolhas e assumir as consequências, não deve ser levada ao parque, que ficará para outro dia. Se pede sorvete e bolo deve decidir por um só. Se colocou os tênis em pés trocados e pergunta se está certo, a mãe olha em silêncio e espera que a criança tenha a segurança de concluir por si mesma que errou. Se o menino tem a tarefa de tirar o pó dos móveis, mas quer sair para jogar futebol, a mãe só deve autorizá-lo depois que cumprir seu encargo. Se a criança tropeçou na cadeira e, raivosa, chuta o móvel e o xinga, é preciso dizer que culpa não deve ser atribuída à cadeira, mas à falta de atenção da própria criança.

    3 – Atribuir responsabilidades aos filhos

         A liberdade não se perde ao eleger ou se comprometer com algo. A liberdade não é um fim em si mesma, mas para ser utilizada em escolhas livres e assumir posturas na vida. O processo de amadurecimento da pessoa exige a capacidade de se comprometer. É preciso ensinar aos filhos que não podem atuar irresponsavelmente e que cada atitude deve responder a um porquê que os leve a assumir as próprias decisões, sem esconder-se atrás de circunstâncias, pessoas ou acontecimentos alheios. Liberdade sem responsabilidade se transforma em libertinagem, como ocorre quando os filhos não têm encargos ou responsabilidade no lar e só fazem o que gostam.

         Os pais devem ir soltando paulatinamente os filhos, e estar atentos para observar o modo como empregam o tempo livre cada dia, como descansam nos fins de semana, os ambientes em que se movem e as amizades que possuem. Quanto ao dinheiro, devem dispor de pouco, pois só assim concluirão como é custoso ganhá-lo, e que devem aprender a poupá-lo: crianças que na escola compram doces ou guloseimas que quiserem, é porque lhes sobra dinheiro.

    4 – Saber exigir das crianças

         Educar com carinho não significa ceder a todos os caprichos da criança, porque isso cria nela os piores defeitos. Carinho não exclui a exigência, que não é brutalidade, mas bigorna de ferro almofadada. Educar para a liberdade implica exercer uma autoridade que evita os extremos: nem demasiada bondade ou frouxidão, nem demasiado rigor. Age mal a mãe que faz o que os filhos deveriam fazer: põe a comida no prato, veste e amarra os sapatos dele, arruma suas roupas e brinquedos. Tudo aquilo que a criança tem condições de fazer sozinha, deve fazê-lo. Agir de modo contrário tornará a criança dependente e desqualificada para agir sozinha no lar, na escola e na vida social.

    5 – Não imponha, mas explique os motivos de um comportamento

        A educação dos filhos só funciona se abrange a pessoa integralmente: inteligência, vontade, afetos ou sentimentos, em clima de liberdade, pois com pancadarias e ordens taxativas é muito difícil que os filhos sejam verdadeiramente educados (obedecem apenas diante dos olhos dos pais, mas não quando estiverem sozinhos). A imposição autoritária ou goela abaixo não é acertada para educar e leva a desprezar as indicações, obtendo-se, com isso, o oposto do que se queria e se perde o esforço educativo.

         Pedagogicamente deve-se mostrar às crianças − desde muito pequenas − os motivos que aconselham determinados comportamentos. Respeitar a liberdade é ajudar a que queiram assumir como próprias as suas responsabilidades. Chegará o momento, depois de dar conselhos e fazer as considerações necessárias para orientar a liberdade, em que os pais devem ir se retirando delicadamente para respeitar as decisões dos filhos. Por exemplo, os pais não podem obrigar a ir à Missa ou culto religioso ao arrastar a criança pelas orelhas, pois isso não serve para formar os filhos na fé. É preciso transmitir as razões que ajudem a decidir com liberdade e, claro, com o bom exemplo dos pais.

         Um indicador da qualidade da educação oferecida é quando o educando assumiu como princípios próprios e determinantes para sua vida aquilo que lhe foi transmitido. Se a filha caprichosa só come salada diante da mãe, que a obriga, mas fora dos olhos da mãe − na escola ou na casa da avó − não come, é porque não assumiu como própria essa ação por falta de explicação mais convincente que mova a vontade dela para querer.

    6 – Crianças livres, não dependentes de telas digitais

         Os problemas não deixam de existir porque se desconhece a existência deles, e tenderão a aumentar se não forem colocados os remédios para eliminá-los. Formação e liberdade caminham inseparavelmente: se o filho não estiver bem educado – por exemplo, no interesse de estudar por conta própria –, não poderá ser verdadeiramente livre, porque escolherá formas de perder o tempo, que é escolher o mal: quem escolhe o mal é escravo dele (A verdade vos fará livre, disse Cristo).

         Pode alguém pensar que é livre ao decidir gastar suas horas em curiosidades nas telas digitais, mas essa eleição ao proceder de um conhecimento falso da realidade, não a torna uma pessoa livre, mas imprudente ao eleger o erro, e caso persevere nesse comportamento, ficará escravo de um vício. O bom exercício da liberdade pressupõe a aquisição de virtudes, e nisso os pais são insubstituíveis. Por exemplo, para os filhos serem livres da dependência no uso de telas digitais e mídias sociais, e da forte pressão dos meios de comunicação, os pais devem, além de dar exemplo de vida, oferecer as razões profundas para que as crianças e os adolescentes compreendam o mal que está por trás dessa perda de tempo, e fomentar neles o desejo de querer aproveitar melhor o tempo para atividades mais enriquecedoras, criativas e virtuosas, pois assim, terão a vontade fortalecida.

         Para que os filhos sejam livres e não dependentes de telas digitais, influi muito uma cultura familiar que promova opções de lazer úteis e formativos. Para valorizar o tempo das crianças e adolescentes, além de orientar suas energias e interesses para o que vale à pena, pode-se incentivar a prática de esporte em locais de bom ambiente humano, participar de iniciativas sociais (arrecadar brinquedos ou alimentos no colégio ou no bairro para famílias carentes), fomentar a leitura de livros de contos e aventuras adequados à idade de cada filho; afeiçoá-los pelo colecionismo, xadrez, quebra-cabeças; procurar amigos interessados em cultivar inciativas científicas e culturais como visitar museus e livrarias; programar vídeos sobre arte, história, ciências, etc.

       Texto produzido por Ari Esteves (staging.ariesteves.com.br/).

  • 5 Técnicas para manejar discussão com crianças

    5 Técnicas para manejar discussão com crianças

    A criança pode tentar manipular os pais. 1 – Técnica do Disco Riscado. 2. Técnica do Nevoeiro. 3. Técnica da Interrogação Negativa. 4. Técnica da Extinção. 5. Técnica do Tempo Afastado. Os filhos devem ter encargos domésticos.

    A criança pode manipular os pais

        Em vez de obedecer, a criança pode argumentar ou discutir para descumprir a ordem que lhe foi dada. Trata-se de uma tentativa de manipular os pais para que cedam. A criança não deve vencer os pais numa discussão; e estes não devem entrar na controvérsia criada pelo filho, que não terá fim e os desautoriza.

        Seguem cinco técnicas para os pais frustrarem as intenções bélicas dos pirralhos e colocarem um fim nas tentativas de embate:

    1 – Disco Riscado

        Soa feito disco riscado que repete sempre a mesma frase. O pai − ou a mãe − deve repetir ao filho a ordem dada enquanto ele argumenta de modo contrário. Ao não responder aos seus questionamentos, porque continua a ouvir o mesmo, o garoto percebe que sua tentativa de manipulação foi ignorada:
        Mãe: − Ricardo, por favor, recolha já seus brinquedos porque estão jogados pelo quarto.

        Filho: − Por que sempre eu tenho que recolher? O Thiago nunca faz isso!

        Mãe, com voz tranquila, diz: − Esse não é o tema. Eu quero que você recolha já os brinquedos (disco riscado).
        Um modo errado de agir seria a mãe enredar-se para provar que não é injusta ou implicante. Se agisse assim teria perdido autoridade e empoderado o filho, cujos argumentos teriam alcançado o efeito desejado.

        Pensemos na situação onde o disco riscado não causou efeito. Então, deve-se unir gestos à ordem e informar sobre o castigo que poderá acontecer: olhar nos olhos do filho, pôr delicadamente a mão sobre o ombro dele, e voltar a afirmar:
        Pai: − Já disse que parasse de brigar com o seu irmão agora mesmo.

        Filho: − Não é culpa minha; ele que começou.

        Pai, com firmeza: 

        Essa não é a questão. Eu disse para você deixar agora mesmo de incomodar seu irmão (disco riscado).

        Filho: − Por que você só chama a minha atenção?

        Pai: − Raul, deixe já de incomodar seu irmão (disco riscado).

        Filho: − Por que sempre implica comigo?
        Mantendo-se firme na ordem dada e sem contra-argumentá-la, o pai apoia serenamente a mão sobre o ombro da criança e diz:

        Raul, se voltar a incomodar seu irmão ficará de castigo em seu quarto por toda a manhã, sem os seus jogos (disco riscado).

    2 – Técnica do Nevoeiro

        No nevoeiro se escondiam os navios piratas para não serem vistos; nas guerras os soldados lançam bomba-fumaça para confundir a visão e não serem alvejados. Também no nevoeiro os pais podem se ocultar diante das intenções bélicas e manipulativas da criança, que não encontrará oponente porque os pais lhe devolvem a provocação, sem questioná-la:
        A mãe impõe um castigo ao filho que a desobedeceu. O garoto reage de bate-pronto: 

        Você é malvada!

        A mãe, tranquilamente, afirma:

        Pode ser que pra você eu pareça malvada (nevoeiro: não entrou no conflito).

        Filho: − Você sempre zomba de mim.

        Mãe: − Pode ser que você pense que eu sempre zombe de você (nevoeiro).

        Pode-se unir a Técnica do Nevoeiro à do Disco Riscado ao não reagir à crítica e tornar a exigir que cumpra a ordem:
        Mãe: − Recolha seus brinquedos agora mesmo.

        Filho: − Você é malvada; sempre eu tenho que guardar!

        Mãe: − Pode ser que pra você eu seja malvada (nevoeiro), mas recolha seus brinquedos agora mesmo (disco riscado).

        Filho: − Tá sempre pegando no meu pé.

        Mãe: − Pode ser que você pense que eu sempre pego no seu pé (nevoeiro), mas recolha os brinquedos agora mesmo (disco riscado).

    3 – Técnica da interrogação negativa

        A resposta agressiva do filho pode esconder um problema, e você será o bode expiatório para aplacar a raiva dele. Faça perguntas para neutralizar a agressão.
        É o aniversário da Aninha e a mãe prepara o bolo. A filha mostra uma atitude negativa e, com má cara, diz que o bolo está feio. A mãe ouve, mas não reclama e nem a chama de ingrata, porque sabe que o bolo não está feio. Com calma e firmeza diz:
        Mãe: − E por que você acha que está feio? (interrogação negativa).

       Aninha: − Porque minhas amigas vão rir dele.

        Mãe: − E por que você acha que irão rir do bolo? (interrogação negativa).

       Aninha: − Porque sempre riem de mim (o problema não está no bolo).

        Mãe: − Riem só de você?

        Aninha: − Sim.

        Mãe: − Não riem às vezes de outras meninas?

        Aninha: − Às vezes

      Mãe: − Não acha que fazem isso porque querem se divertir com você?

      Aninha: − Pode ser, porque me chateio e deixo de brincar com elas.

        Agora vem a pergunta mais importante, que será a solução do problema:
        Mãe: − E o que você poderia fazer para não se chatear e continuar a brincar?

        Filha: − Não ligar pra o que elas falam.

        Mãe: − Muito bem, filha, é exatamente isso que deve fazer para que não caçoem: não dar a menor importância. Assim perceberão que essa brincadeira não causa efeito em você.

    4 – Técnica da Extinção

        Baseia no princípio psicológico de que “se um estímulo não encontra resposta, se extingue”.
        O filho no supermercado recebe um “não” gordo, firme, rotundo, ao pedido de que lhe comprem uma barra de chocolate, e começa a berrar. Ao não dar importância ao berreiro da criança, esse reforço negativo de chamar a atenção irá se extinguir. Se cederem, o reforço positivo do choro se repetirá, porque surte o efeito desejado: agregou-lhe o chocolate.
        Outra situação: a criança chora porque quer o colo da mãe, que cansada não a recolhe nos braços. A não-resposta da mãe aumentará o choro da filha para chamar a atenção de todos sobre ela, que está desagradada. Só a desatenção da mãe fará extinguir pouco a pouco o reforçador negativo da criança. Se a pegasse no colo, o reforçador (o choro) seria positivo e faria a cena se repetir em outras ocasiões.

    5 -Técnica do tempo afastado

        Esta técnica elimina um comportamento indesejado ao afastar a criança da situação que incentiva a conduta irreverente.
        Um exemplo: o menino atira pedacinhos de pão nos irmãos durante a refeição, e estes riem. A mãe pede para cessar a brincadeira, mas incentivado pelas risadas dos maninhos ele continua com a peraltice. Solução: 

        Mãe: − Se continuar fazendo isso você irá comer sozinho no quarto.
        O filho continuou com a travessura e a mãe, que não deve deixar de cumprir o prometido, ordenou que ele fosse imediatamente para o quarto. Ao deixar de ser o centro das atenções, a criança não tinha mais incentivo para bancar a engraçadinha. O castigo evitará que a ação inadequada se repita.

    Os filhos devem ter encargos domésticos

             Os pais devem ter presente que, para o bem ou para o mal, a família é a influência mais profunda e duradoura na vida de qualquer pessoa. Para haver educação é necessária a diferença clara de papeis: educador e educando. Educador é guia. Crianças e adolescentes necessitam de guias e não de cúmplices que cedem em tudo diante da vontade deles. Ou seja, necessitam de pais no papel de pais.
         Enquanto os filhos viverem na casa paterna, têm que se submeter às exigências da vida em comum, e aceitar o modo como os pais disciplinam o lar. É legitimo que os pais peçam determinados serviços domésticos aos filhos, e estes estão obrigados a obedecer, pois não são apenas sujeitos de direito, mas possuem obrigações familiares. Se a mãe manda o filho cumprir um encargo doméstico, é dever de justiça a obrigação de cumprir. Já com pouca idade as crianças devem se acostumar a uma disciplina que as estimulem a contribuir pelo bem-estar de todos na casa, com tarefas adaptadas às possibilidades de sua idade. A solidariedade começa a ser vivida desde pequenas.
        Sugestão de Leitura: livro “Carinho e firmeza com os filhos”, de Alexander Lyfor-Pike, Editora Quadrante, São Paulo (SP).

    Texto produzido por Ari Esteves, com base no livro “Carinho e Firmeza com os filhos”.

  • Conflito com os filhos: previna-se.

    Conflito com os filhos: previna-se.

    1 – Pais inseguros. 2 – Pais agressivos. 3 – Pais assertivos. 4 – A importância das medidas corretivas.

    1 – Pais inseguros

        Três reações que costumam ter os pais em conflito com um filho: Insegurança ou permissividade, agressividade, assertividade.

        Inseguros ou permissivos são os pais que não sabem como agir diante de um conflito com o filho. Confusos, não transmitem de modo claro e firme o que esperam do filho. Por isso, são ignorados e não levados a sério. Então, encolhem os ombros e deixam as coisas ficarem como estão, acreditando falsamente que com o tempo a criança irá se autoeducar.

        O que leva esses pais a tolerarem o erro? Medo de passarem um mal bocado com os filhos; aceitarem modelos liberais de conduta impostos pelas novelas, filmes, sites, programas de TV; deixarem-se influenciar por correntes psicológicas que insistem em não reprimir as crianças para não causar traumas; ou porque se deixam levar pela lei do menor esforço – preguiça! –, que nos afeta a todos.

        Pais inseguros constroem em casa uma bomba-relógio que explodirá em breve tempo. O falso sossego que conseguem com a omissão findará logo, porque os defeitos vão crescer no espírito do filho como mato em campo abandonado, fazendo valer o ditado “É de pequenino que se torce o pepino”. Ou seja, é mais fácil evitar que um defeito se fixe no temperamento e caráter do filho, do que arrancar dele algo que deitou raízes profundas: não estudar, apegar-se a jogos e mídias, não cumprir os encargos familiares, irreverencias, teimosias…

    2 – Pais agressivos

        Os pais agressivos ou violentos se sentem fracassados por terem chegado a esse nível de educação. Ao não saberem lidar com as rebeldias se valem da força física para serem obedecidos: seguram o filho pelo braço com violência, sacodem e beliscam. Por vezes, colocam o indicador no rosto da criança e gritam palavras hostis do tipo: “Você me deixa louca, doente”, “Você é um desastre, um sem-vergonha e irresponsável”. Essas atitudes fazem os pais perderem o prestígio e a autoridade moral diante do filho. Ao humilhar e ignorar os sentimentos da criança, diminuem a autoestima dela, atemorizam-na e a tornam apática, indecisa e com medo de agir para não ser repreendida.

        Para se ver livre da brutalidade a criança obedece a um pai agressivo, mas desenvolve sentimentos de revolta e distanciamento; e se tiver personalidade forte, logo partirá para o enfrentamento.

    3 – Pais assertivos

        Pais assertivos não esperam que a criança se torne ingovernável para começar agir. Iniciam o quanto antes a educação do comportamento, harmonizando firmeza carinhosa com carinho firme (bigorna almofadada). Não têm medo de exigir e de utilizar uma linguagem positiva, afetuosa, mas exigente em suas mensagens, que são claras quanto ao que deve ser feito, quando deve ser feito e as consequências se não for feito (medidas corretivas).

        Estar atentos às reações dos filhos é atitude presente em pais assertivos, que percebem e agem rápido ao notar falhas de caráter e tendências temperamentais ou ações instintivas desordenadas e dominantes: desobediências, rebeldias para não cumprir os encargos familiares, preguiças, frivolidades, explosões de raiva nos jogos.  Para isso, procuram ler bons livros de orientação familiar, pois sabem que hoje a educação do comportamento exige mais do que o bom senso e a experiência pessoal. Diálogo com uma mãe assertiva:

        Mãe: – “Não é hora de videogame, mas de arrumar seu quarto e os brinquedos”.

        Filho: – “Quero continuar jogando”.

        Mãe: – “Já sabe a regra: não haverá jogo se antes não arrumar seu quarto e os brinquedos… Ou ficará no seu quarto por duas horas, sem jogos”.

    4 – A importância das medidas corretivas

        Os pais devem ajudar o filho a se conhecer e a ter uma luta alegre e esportiva, feita de pequenos atos diários e contrários ao defeito que o domina. Conseguem isso por meio de comparações e explicações bem pensadas, que fazem a criança compreender que não pode admitir defeitos na vida dela como quem cultiva vírus ou bactérias dentro de si. Claro, esses pais primeiramente lutam para serem melhores, pois sabem que o exemplo vale mais que mil palavras.

        As vias de fato são mais eloquentes do que as palavras. Para não improvisar uma medida disciplinar de modo impensado e de bate-pronto – sempre são exageradas e não educam –, os pais assertivos combinam previamente com os filhos qual medida disciplinar será aplicada se desobedecerem. Os filhos, por saberem que os pais sempre cumprem o que dizem, policiam melhor os seus atos.

        Importante sugestão de leitura: livro “Carinho e firmeza com os filhos”, de Alexander Lyfor-Pike, Editora Quadrante, São Paulo.

    Texto produzido por Ari Esteves com base no livro “Carinho e firmeza com os filhos”.

  • Carinho e firmeza com os filhos – I

    Carinho e firmeza com os filhos – I

    1 – Não há educação sem autoridade. 2 – Os filhos não melhoram com o tempo. 3 – Filhos tiranos, imperadores. 4 – Filhos não têm apenas direitos, mas também obrigações. 5 – Firmeza carinhosa é como bigorna almofadada. 6 – Receita caseira para ter filhos maravilhosos.

    1 – Não há educação sem autoridade

        Os pais não devem ter medo de exigir dos filhos. Trata-se de um direito e um dever que possuem, já que as crianças não têm experiência de vida e necessitam de orientação para agir bem; e porque os bons hábitos se conquistam desde as primeiras idades. Por isso, ter presente que não há educação sem autoridade, mas esta se enfraquece nas seguintes situações:

    • Não exigir dos filhos por medo de perder o carinho deles (comum em pais que passam o dia fora);
    • Desconhecer os modos de lidar com situações de conflitos com as crianças (pais submissos ou agressivos);
    • Admitir modelos liberais de conduta impostos pelas novelas, filmes e programas de tv;
    • Tolerar a má conduta do filho por influência de correntes psicológicas que insistem em não reprimir as crianças para não provocar traumas;
    • Desconhecer a natureza humana e não ter presente o princípio inato de desordem e tendência à lei do menor esforço que todos carregamos dentro.

    2 – Os filhos não melhoram com o tempo

        Só o bom vinho melhora com o passar do tempo. Se não há esforço para nos aprimorarmos cada dia, pioramos. Os defeitos crescem na proporção geométrica da passagem do tempo. É triste constatar que o tempo passa e muitas crianças continuam sendo preguiçosas, desordenadas, birrentas, comilonas, malcriadas. Isso acontece porque os pais não sobem trabalhar os aspectos negativos do caráter e temperamento do filho, e enganam-se com o falso o raciocínio de que irão melhorar com o decorrer dos anos.

        Ciência boa é ajudar cada filho a se conhecer e estabelecer uma luta alegre e esportiva, tal como a do atleta que não desiste de melhorar a performance a cada dia. Pequenos atos diários, e contrários ao defeito dominante, são poderosos para corrigir o temperamento e o caráter.

        Os filhos não devem aceitar ou conviver com defeitos pessoais, por menores que sejam, como quem cultiva dentro de si vírus e bactérias (que também são pequenos, mas estragam tudo). Com o espírito do esportista que quer melhorar sua performance, devem estabelecer pequenas metas diárias para irem reformando-se.

    3 – Filhos tiranos, imperadores

        Não é boa experiência aguardar até que as crianças se tornem ingovernáveis, nem que se transformem em senhorzinhos tirânicos ou pequenos imperadores para iniciar o processo de educação comportamental. Ao notar que algo precisa mudar, é preciso agir prontamente como quem corrige o pequeno desvio da rota do barco, se quer chegar ao destino. “É melhor prevenir do que remediar”, diz a sabedoria popular, porque é mais fácil evitar que um mau comportamento crie raízes do que erradicar aquele que se arraigou: ações ruins e reiteradas geram pré-disposições ou vícios difíceis de arrancar. Sempre podemos mudar para melhor; basta querer. Quando lutamos para superar os defeitos pessoais ganhamos autodomínio e fortalecemos a vontade para enfrentar ideais que custam sacrifício.

         Quando a criança se põe birrenta ao ser contrariada em sua vontade, é necessário tomar providências, principalmente a de não ceder, mesmo que force o choro ou queira causar escândalo para intimidar os pais no shopping ou supermercado. Não deve ser atendida para que não se sinta empoderada por meio dos péssimos recursos que utilizou. Depois, em casa, quando a criança já estiver bem-humorada, é preciso explicar a ela que não pode ser atendida em tudo o que quer, pois há limitações econômicas, de tempo (ser paciente e saber esperar a ocasião certa) e ser desprendida de caprichos, pois tem mais quem precisa de menos.

    4 – Filhos não têm apenas direitos, mas também obrigações

        Os pais não podem ser submissos e inconscientes ao julgar que os filhos são apenas sujeitos de direitos, já que não pediram para nascer. Ninguém pediu para nascer, já que é Deus que nos infunde a alma, que dá vida ao corpo; além disso, todos agradecemos o dom da vida. Os filhos são também sujeitos de deveres ou obrigações filiais-paternais, fraternais e até  sociais (amigos, vizinhos, professores…). É importante que os filhos − do menor ao maior − tenham tarefas ou encargos no lar, adaptadas às aptidões e capacidades de cada um. Condoer-se e não exigir que cumpram as tarefas ou − o que é pior − fazer as coisas por eles, transformará os pimpolhos em pessoas frágeis e acostumadas a que alguém sempre faça as coisas por eles. Sábio é o recado do dito popular sobre esse tipo de comportamento de pais e mães: “Com churros não se faz alavanca!”. Ou seja, logo serão adolescentes e jovens egoístas e metidos exclusivamente em suas coisas pessoais.

    5 – Firmeza carinhosa é como bigorna almofadada

        Os pais não precisam ser perfeitos para corrigir os filhos, desde que lutem por melhorar. Sêneca dizia que “longo é o caminho com palavras, mas curto e eficaz o caminho com exemplos”; e outros já disseram: “As palavras movem, mas o exemplo arrasta”. Para serem admirados e imitados, os pais não devem ceder a todos os caprichos dos filhos, pois estes valorizam nos pais as virtudes de que carecem: determinação, firmeza de caráter, espírito de luta ou resiliência, sentido de justiça, aproveitamento do tempo, amor aos livros, espírito de serviço, desprendimento das coisas.

        Pais assertivos harmonizam firmeza carinhosa com carinho firme (bigorna almofadada), e não têm medo de exigir e de utilizar uma linguagem positiva, afetuosa, mas exigente em suas mensagens, que são claras quanto ao que deve ser feito, quando devem ser realizadas e consequências se não forem cumpridas (aplicação de medidas corretivas).

    6 – Receita caseira para ter filhos maravilhosos

        Para ajudar os filhos a se tornarem pessoas virtuosas é necessário penetrar no mundo interior deles e não ficar na periferia. Para saber onde chegar com cada um, é necessário conhecer os pontos fortes e fracos do caráter, as características temperamentais, as reações instintivas dominantes, as explosões de raiva nos jogos e brincadeiras; as inclinações sentimentais, hábitos e tendência à preguiça ou à frivolidade; as reações de desobediência e rebeldias; as fugas dos deveres e encargos familiares. Todos querem que seus filhos sejam excelentes pessoas. Para isso, pode utilizar receitas caseiras e baratas, mas extremamente eficazes e utilizadas pelos nossos avós, que eram antigos mas não bobos!:

    • Ensinar as crianças a servir, a doar-se e se preocuparem com os pais, irmãos, avós, tios;
    • Ajudá-las a se compadecerem pela dor dos outros, mesmo daqueles que não conhecem;
    • Ao filho preguiçoso insistir para que tenha horário de acordar, de iniciar seus estudos e encargos familiares. Assim aprenderá ser laborioso;
    • Se desordenado, ensinar a colocar no lugar seus objetos (roupas, brinquedos, material escolar e esportivo), a fim de que ganhe a virtude da ordem, que levará vida a fora;
    • A partir dos 7 ou 8 anos, quando começa a despertar a sexualidade, não permitir computador no quarto, nem que durma com celular (que não deveria ter), já que a impureza enfraquece a vontade, cria obstinações e faz a criança perder o gosto por estudar, sacrificar-se pelos demais. Também deixará de rezar e de abraçar ideais que exijam esforços;
    • Ao egoísta e metido nas coisas pessoais, estimule-o a ser generoso com seu tempo ao ajudar irmãos e colegas de sala nas matérias que sentem dificuldades; se desprender das coisas pessoais e doar brinquedos ou objetos a quem carece deles;
    • À filha caprichosa que não come salada, explique sobre a importância de fortalecer a vontade contra o imperialismo dos sentimentos e do fazer apenas o que gosta.

        Importantes sugestões de leituras: livro “Carinho e firmeza com os filhos”, de Alexander Lyfor-Pike e “Como ser um bom pai”, de James B. Stenson, ambos da Editora Quadrante, São Paulo (SP).

    Texto produzido por Ari Esteves. Imagem de Aguida Medeiros (@aguidamedeirosm).