Categoria: EDUCAÇÃO

  • Educar em valores

    Educar em valores

    1 – A família é o melhor negócio dos pais. 2 – Educar é transmitir valores. 3 – A boa literatura tem muitos exemplos de valores. 4 – Pensar a longo prazo. 5 – O que serão ao invés de o que farão.

    1 – A família é o melhor negócio dos pais

         A família é o principal negócio dos pais, e o trabalho profissional é um meio. Muitos profissionais testemunharam que o sucesso da carreira não lhes trouxe felicidade, pois seus filhos se perderam em alguma forma de evasão.

         Os pais têm hoje pouco tempo para estar com os filhos, e esse curto período deve ser empregado com qualidade, tendo um projeto educativo para cada filho, pois não basta apenas dar abrigo e alimento e deixar o tempo passar para que melhorem.

         A desinformação, que afeta as crianças desde pequenas, chega por todos os lados: programas de tv, desenhos com conteúdo ideológico, mau exemplo de artistas, influência de crianças que procedem de famílias com valores discutíveis, notícias sobre violência e corrupção… Nos ensinos fundamental, médio e profissional os filhos serão expostos a muitas ideias distorcidas sobre a sexualidade humana, namoro, casamento, família…

         Portanto, os pais não podem dormir sobre louros, pois a crise de valores e o analfabetismo moral acossam por todos os lados e atingem profundamente as crianças, dada a inexperiência delas. Só a família reverterá esse quadro de desorientação, porque é a primeira e principal escola de valores, e o ambiente onde se desenvolvem mais profundamente a personalidade e a liberdade responsável. Cada filho nasce com características positivas e negativas, e a família é a única que pode assumir os aspectos débeis dos filhos e potenciar os positivos, ajudando-os a se desenvolver para servir aos demais com suas qualidades.

    2 – Educar é transmitir valores

         Os pais devem viver e ensinar os valores que acreditam. Valores são modelos de conduta que adotamos para orientar a nossa vida: “são como raios de luz de um mesmo esplendor, o da Verdade que torna livre os homens, e se faz justiça, ou liberdade, ou fidelidade ou honradez, mas que é indivisível, fruto de uma mesma e vital raiz”, ensina Gustavo Villapalos em sua obra “El libro de los valores”. Há quem identifica valores com virtudes.

         Educar em boa parte é transmitir os valores que se acreditam e que filhos devem assumir por vontade própria, sem necessidade de vigilâncias. A pergunta sobre os valores ou modelos que escolhemos tem sentido porque direcionamos a nossa vida por eles. Há quem age por valores de utilidades primárias (comer, beber, se divertir); outros pela beleza física, fama, poder, dinheiro, pátria, cultura, destreza técnica, família, religião etc. Examinar os valores que regem a própria vida e os que se querem para os filhos é necessário para não construir sobre bases falsas e origem de fracassos.

         Na convivência familiar encontram-se as melhores oportunidades de promoção dos valores considerados importantes e decisivos para uma vida reta e feliz. Sendo os pais os melhores e principais educadores (função indelegável), o que fazem ou deixam de fazer na infância influirá no modo como os filhos enfrentarão a vida.

         Apreciam-se não valores teóricos, mas imitáveis e assumidos por pessoas que se quer como modelos. Mesmo em tempos de crise de valores encontramos pessoas que personificam um ideal de excelência humana na própria família e nas relações profissionais ou sociais. Essas pessoas são modelos porque a história delas está assentada em fatos edificantes: um casal que completa 30, 40 ou 50 anos de casamento é um valor de fidelidade e de verdadeiro amor que deve ser imitado e ensinado; o amigo que não aceita subornos ou pais que levam adiante e com sacrifícios um lar com vários filhos são exemplos de valores.

    3 – A boa literatura tem muitos exemplos de valores

         Ter modelos é algo muito humano, mas a questão está em acertar e não errar na escolha. Um modo de ensinar valores aos filhos são as narrativas (romances, novelas, contos, biografias, bons filmes), pois têm influência enorme na vida humana como veículos de transmissão de valores ou modelos de condutas. Basta ler a “Odisseia”, de Homero, para ver a fidelidade entre Ulisses e Penélope; ou entre Romeu e Julieta, de Shakespeare. Contar histórias é melhor que discursos teóricos, seja para configuração moral da vida de uma pessoa ou de um povo.

         Atualmente os pais devem estar atentos, pois os grandes narradores são o cinema, a TV, as mídias, os videogames e a publicidade, que podem manipular por meio de narrativas que apresentam modelos de família, de sucesso profissional ou de lazer que não condizem com o tipo de vida que os pais querem para os seus filhos. Hoje, muitas crianças são influenciadas pela mídia e, mesmo sem ter nada a oferecer, se lançam como youtubers ou sonham em ser estrelas do futebol, atrizes ou atores de novelas, pois acreditam que fama seja sinônimo de felicidade, e não percebem que esse bem espiritual se deve a uma plenitude de vida bem vivida e fundamentada em verdades sobre a natureza humana. Escolher modelos de sucesso a qualquer preço é deixar-se massificar e permitir que outros decidam por si.

    4 – Pensar a longo prazo

         Em lares com crianças parece não haver tempo para pensar sobre qualquer assunto a longo prazo, pois um turbilhão de tarefas acontece diariamente e dificulta a reflexão. Além disso, os pais olham para os filhos pequenos com ternura e graça, e não conseguem imaginá-los 15 ou 20 anos depois, como jovens ou adultos, e quais os problemas que enfrentarão.
         James Stenson, em seu livro “Enquanto ainda é tempo”, e baseando-se em dados estatísticos atuais, pede para olhar um pátio escolar com 500 crianças na hora do intervalo, por exemplo, esse onde seus filhos correm, riem, jogam bola, pulam. As estatísticas atuais aplicadas sobre essas crianças preveem que nos próximos 20 anos ocorrerão os seguintes fatos:

    • 60% abandonarão por completo a prática religiosa e aceitarão qualquer opinião sobre a família, sexualidade, vida humana, e não transmitirão a fé aos filhos que tiverem;
    • 100% estarão expostas à pornografia, que coloca em risco o respeito pelo outro sexo, o conceito de família, a profissão, o casamento;
    • 60 a 70% terão experiências pré-matrimoniais, com as consequências físicas e psicológicas dessas ocorrências;
    • 20 a 40% viverão em concubinato e, sem um compromisso sério, poderão ficar sozinhas e com um filho para criar;
    • 50%, ou seja, a metade dessas 500 crianças, estarão divorciadas por volta dos 35 anos;
    • 100% serão convidadas a experimentar drogas, talvez numa festa, escola ou universidade;
    • 10 a 20% terão graves problemas psicológicos e, desses, um número pequeno cometerá suicídio;
    • 10% enfrentarão sérios problemas de dependência de álcool ou drogas;

         Não basta vigiar os filhos para que não cometam tais ações. Só por meio do diálogo aberto, carinhoso e confiado, será possível ajudá-los a refletir para que queiram por conta própria assumir os valores que conduzem a uma vida reta, limpa.

    5 – O que serão ao invés de o que farão

         É comum pensar unicamente nas notas escolares e na carreira que os filhos irão seguir, porque considera-se apenas o que farão e não no que serão. É importante pensar nas características temperamentais e de caráter que os filhos terão e trabalhar para que isso aconteça:

    • Porte pessoal que refletirá ser uma pessoa segura, com autodomínio, força de vontade, confiança em si mesma, compreensiva, prudente, alegre, otimista, que sabe ouvir os demais;
    • Que terá opinião própria de quem não se deixa conduzir pelo que todos fazem ou pela imposição das mídias;
    • Que aproveitará bem tempo de descanso para crescer humana e espiritualmente por meio de um lazer criativo, e não viciado em maratonas de séries, tabletes, redes sociais;
    • Que colocará esforço para vencer preguiças e comodismos, a fim de trabalhar com competência e levar a sério seu projeto de vida;
    • Que será generoso e compartilhará seu tempo e suas coisas para aliviar os sofrimentos dos demais ao seu redor.

         Após ter uma imagem do tipo de homem ou de mulher que se deseja para cada filho ou filha, trata-se agora de trabalhar no dia a dia da vida familiar para que se torne realidade. Todo esse perfil positivo não será obra do acaso, pura sorte de que os filhos venham a ser assim. Ao contrário, ocorrerá com certeza se hoje os pais educarem em valores e fomentarem o crescimento de virtudes.

    Texto elaborado por Ari Esteves para o site staging.ariesteves.com.br/, e inspirado nos livros “Fundamentos de Antropologia”, de Ricardo Yepes e Javier Aranguren, Instituto Raimundo Lúlio e “Filhos: quando educá-los”, de James B. Stenson, Editora Quadrante, São Paulo (SP).

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  • O desprendimento dos bens materiais

    O desprendimento dos bens materiais

    1 – Eu não sou os bens que possuo. 2 – É realmente necessário trocar de aparelho? 3 – Na família se aprende a viver a sobriedade. 4 – Como agir diante das carências? 5 – Doar o próprio tempo aos demais.

    1 – Eu não sou os bens que possuo

          Vivemos imersos numa sociedade à deriva, sem bases seguras, que vê como condição necessária da felicidade a posse de bens materiais ao identificar o “ser” com o “ter”. Os bens materiais têm valor relativo, instrumental, e não devem ocupar o primeiro lugar na vida das pessoas para não se converterem em obstáculos. A verdadeira identidade de alguém não está nas coisas que possui, mas no seu caráter e nos valores morais com os quais constrói a sua vida. Os objetos não são maus, se convertidos em instrumentos ao serviço do bem e para o amor ao próximo; porém, pervertem quando erigidos à categoria de ídolos que exigem prostrar-se diante deles e reverenciá-los como seres absolutos.

         O desprendimento está ligado à virtude da sobriedade ou temperança, que põe harmonia e ordem nos desejos. As pessoas sóbrias, além de caminharem com soltura pela vida e perseguirem bens mais elevados, são as mais preparadas para suportar as carências e superar as inevitáveis frustrações que a existência traz. O desprendimento dos objetos não deve ser buscado por motivos econômicos, de poupança, mas por se tratar de um valor espiritual: não se apegar às coisas e ter equilíbrio e sobriedade no uso delas.

        O importante não é a materialidade de ter isso ou aquilo, ou de carecer de algo, mas de se conduzir com soltura sabendo que os bens são apenas meios e não fins, e que há ideais mais elevados do que uma gorda conta bancária. Há pessoas com poucos bens, mas apegadas ao que possuem; há outros com muitas posses colocadas ao serviço dos demais, pois estão desapegados delas.

        A pessoa desprendida foge do supérfluo e adota um estilo de vida sóbrio e temperado que livra o coração das falsas necessidades, que são como laços que atam ou lastros que pesam, escravizam e não deixam a alma aspirar a formas mais ricas de viver do que andar atrás das novidades oferecidas pela mídia (tem mais quem precisa de menos)

         É preciso manter vigilância sobre as necessidades criadas, pois quem se descuida ata-se por milhares de minúsculos fios que suprimem a leveza da liberdade. O consumismo desenfreado busca unicamente o bem-estar material que satisfaz as necessidades primárias. Comprar e possuir pode dar a impressão de liberdade e de poder, mas logo se percebe que o impulso imoderado de adquirir coisas escraviza o coração: “onde está o teu tesouro aí está o teu coração”, diz a Escritura Sagrada. Certa jovem tinha 300 pares de sapatos porque não controlava o impulso de comprar o par que a atraída na vitrine. O desprendimento é antídoto ao consumismo, à desordem da concupiscência dos olhos.

    2 – É realmente necessário trocar de aparelho?

         A indústria eletrônica inova seus produtos a cada mês e cria falsas necessidades ao incentivar a aquisição de aparelhos sofisticados e caros. Antes de trocar o equipamento antigo, perguntar-se sinceramente se é necessária a nova compra, e isso não por motivos econômicos, mas ascéticos, de senhorio diante das coisas que nos cercam.

         Ao ler a grande obra de Balzac, Eugênia Grandet, vê-se que o chefe da família era um avaro que só amava a riqueza, e submeteu os seus aos ditames da pobreza e miserabilidade pela ganância que o dominava. Vale à pena ler essa maravilhosa obra, pois diz o ditado que “é melhor escarmentar-se em cabeça alheia”.

         É triste a história de Judas que, impelido pela sua cupidez, tirava o que era depositado na bolsa comum, e chegou a vender Cristo por 30 moedas de prata. A ganância vem criando muitos corruptos que não se importam prejudicar aqueles de quem retiram. A pessoa que põe a sua segurança nas coisas que possui fica tíbio e propenso a atender unicamente aos seus egoísmos e interesses, e perde de vista a necessidade dos demais, porque “não se pode amar a dois senhores: se odiará um e se afeiçoará ao outro”.

    3 – Na família se aprende a viver a sobriedade

         Para transmitir o espírito de desprendimento no lar, os pais devem começar por si mesmos, dando exemplo de sobriedade ao não criar falsas necessidades, evitar gastos supérfluos ou por capricho, abrir mão dos últimos modelos eletrônicos enquanto não baratearem, dar seu tempo à família e programar passeios e visitas culturais para o descanso de todos, fugir de exclusivismos (minha cadeira, minha poltrona, meu lazer), não perder tempo em celulares e mídias sociais, desapegar-se de si e levar com garbo e paciência os achaques e doenças, viver a sobriedade na bebida e comida, deixar o carro na garagem alguma vez e utilizar transportes públicos…

         O consumismo infantil é realidade atual, pois as crianças se converteram em importantes clientes. Certa pesquisa francesa revelou que 43% das compras familiares são provocadas pela influência das crianças. Com isso, os pais são obrigados a trabalhar mais horas para proporcionar os bens que os filhos desejam e, assim, além de transformá-los em pequenos consumidores, deixam-nos sem o que mais necessitam: a presença dos pais ao seu lado. Certo pai viajava muito pela empresa e tinha por hábito comprar uma camisa de futebol do time mais popular da cidade para onde ia a trabalho, e com isso o filho acumulou mais de 30 camisas de esporte.

         Educar os filhos na sobriedade é tarefa do casal, que implementará no lar diversões sóbrias e de baixo custo, exigirá o cuidado com as roupas e objetos para que possam servir ao irmão mais novo, ensinará a não deixar luzes acesas desnecessariamente e a fechar a torneira enquanto escovam os dentes, manterá os filhos com pouco dinheiro e ensinará a refletir sobre os gastos que fazem, não os vestirá à última moda ou com grifes e materiais esportivos caros, ajudará a compreender o esforço que se faz para ter as coisas necessárias… 

         A imaginação das crianças é poderosa, e as leva a transformar embalagens de produtos domésticos em infinidades de brinquedos: carros, aviões, ônibus com caixa de leite, coleções de potes e latinhas, dragões com o embalagem de ovos, recortes de heróis grudados em garrafas plásticas, jogos com tampas de refrigerantes… Os brinquedos sofisticados e caros suprimem a imaginação e a capacidade de criar, porque o botão não está dentro da criança, mas nos objetos que ganham.

         O excesso de conforto amolece o caráter dos filhos, que ao crescer se tornam molengões. Quem não viu adolescentes que viveram cercados de facilidades, e agora exigem que os pais os levem a todo canto, porque são incapazes de utilizar transportes públicos. Tornam-se pirulões que não sabem o quanto a vida é dura, e viverão grudados nos pais até os 30 anos, pois terão medo de assumir responsabilidades. Certo taxista relatou que atendeu ao chamado de uma senhora para levar o filho dela à escola, e ouviu a seguinte indagação: − Seu carro tem ar-condicionado? Ao saber que estava para ser consertado, disse:  − O meu filho só anda em carro com ar-condicionado.

    4 – Como agir diante das carências?

         Não se trata de instalar no lar a pobreza franciscana, que quebraria o ambiente grato da vida familiar: imaginemos uma casa sem um mínimo de conforto e não decorada de modo simples e com bom gosto  para descansar após um dia de trabalho! Como alguém poderia renovar suas forças para recomeçar a faina do dia seguinte? A penúria e a escassez causada pela imprevidência geram mal-estar e desunião.

         Diante de privações ou dificuldades econômicas deve-se procurar remediar a situação e colocar todos os meios o quanto antes, e confiar na providência de Deus. Se por vezes faltar o necessário, não se entristecer, mas oferecer a Deus a possibilidade de seguir os passos de Jesus Cristo, que prescindiu até do necessário, e não apenas do supérfluo. Os cônjuges não devem se lamentar diante das carências, a fim de evitar tensões no lar, mas reforçar o apoio e a compreensão mútua, pois as dificuldades se superam juntos e são uma escola para os filhos, que um dia reconhecerão a fortaleza e o espírito de sacrifício de seus pais, que souberam passar por períodos difíceis com alegria e bom humor.

    5 – Doar o próprio tempo aos demais

        Viver desprendido não significa ser indiferente diante da carência material ou espiritual de tantas pessoas. Uma boa ocasião para ter o espírito desprendido das coisas é ser generoso com instituições que trabalham para o bem dos outros, não dando só o que sobra, mas poupando para doar. O dever de caridade não é obrigação apenas dos que possuem bens, mas de todos, pois há quem não necessita de objetos materiais, mas de amor, companhia, atenção. Desprender-se do tempo pessoal para realizar obras de amor: visitar parentes idosos ou doentes, ir a asilos e levar uns doces para fazer companhia aos anciões.
         É educativo ir com os filhos a comunidades pobres, orfanatos ou hospitais infantis e incentivá-los a doar às crianças que ali vivem, os brinquedos em perfeito estado que não utilizam mais, pois assim aprenderão a ser solidários e a condoerem-se pela pobreza de tantas crianças.

    Textos elaborado por Ari Esteves para o site staging.ariesteves.com.br/

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  • Filhos: informação sexual

    Filhos: informação sexual

    Filhos: informação sexual

    1 – A educação sexual deve começar o quanto antes. 2 – Não temer nem adiar a informação sexual. 3 – As ocasiões devem surgir espontaneamente. 4 – A instrução sexual deve ser personalizada. 5 – Como transmitir a informação sexual nas diferentes idades. 6 – O namoro das filhas na adolescência.

    1 – A educação sexual deve começar o quanto antes

         A educação sexual deve começar o quanto antes pela informação sexual, que deve ser abordada somente pelos pais. Não se trata de uma conversa solene, misteriosa, mas de aproveitar as ocasiões adequadas que a vida familiar oferece para ir informando cada filho e cada filha de modo progressivo e personalizado. Essas informações não devem ser transferidas à escola, médicos ou sacerdotes, porque nenhum deles conhecem com profundidade a personalidade e o modo de ser de cada criança, nem possuem a confiança e o afeto que elas têm pelos pais.

         Os pais devem dar a conhecer a origem da vida de modo gradual, ajustando-se à mentalidade e capacidade de compreender de cada filho, e antecipando-se ligeiramente à natural curiosidade deles. Evitar que rodeiem de malícia esta matéria, nobre e querida por Deus, ou que aprendam de modo enviesado por confidência com um amigo ou amiga mal-informado.

         Hoje emprega-se a expressão educação sexual quando o mais adequado seria falar de educação da afetividade, que abrange a instrução sexual e a dos sentimentos. A educação da afetividade é uma educação para o amor, que inclui o amadurecimento dos sentimentos e a reta ordenação dos impulsos biológicos. A informação sexual não pode ser encarada como simples transmissão de uns conhecimentos sobre a sexualidade humana, mas como um fenômeno que se situa em contexto não apenas físico e psíquico, mas também espiritual, ético e religioso.

         Certo pai, depois de dar muitas razões humanas para o filho compreender que não devia valer-se do prazer genital fora do seu reto uso dentro do matrimônio, acrescentou no final da conversa que tais práticas também não eram queridas por Deus, e ouviu do garoto: − Ah, bom! Foi então que o pai compreendeu que deveria ter iniciado por essa razão, já que o “fabricante” desse ser que une alma espiritual e corpo material, sabe muito bem como deve funcionar essa sua criatura em plenitude. Ou seja, é importante instruir as crianças desde pequenas na fé e no Amor a Deus, pois um coração não pode estar vazio de amor para não se deixar levar pelas forças instintivas, e possa lutar com alegria e espírito esportivo.

    2 – Não temer nem adiar a informação sexual

         A educação sexual não consiste apenas em explicar verdades sobre anatomia, fisiologia ou higiene, mas também sobre a formação da afetividade, à criação de hábitos saudáveis e à formação da consciência moral e religiosa da criança e do adolescente. Por isso, essa instrução deve ser personalizada e oferecida por meio de diálogos afetuosos onde, sem medrosos adiamentos, os pais, entre perguntas e respostas, vão esclarecendo os filhos. Essas conversas a sós melhoram o clima de confiança e de amizade entre pais e filhos, impedindo o distanciamento deles quando se despertarem para a vida moral.

         A verdadeira educação sexual tem dupla finalidade: 1) Criar nos filhos a reta consciência sobre os fenômenos sexuais, que devem estar ligados à ideia do amadurecimento da vida humana, ao verdadeiro amor humano, à família e à procriação dentro do plano divino da criação; 2) Ajudar a compreender de modo positivo que a ordem sexual consiste em conduzir os impulsos sexuais de acordo com as normas da vida verdadeiramente humana e não animal.

         Os pais devem dizer a verdade com precisão e delicadeza e não fugir das perguntas dos filhos, nem responder com uma mentira (banir a história das cegonhas). Os filhos têm direito à verdade em tudo e, se os pais descumprem desse dever, as informações chegarão a eles por meios inadequados, levando-os a comportamentos errados perante o sexo, que os marcará negativamente pelo resto da vida.

         É preciso partir da ideia de que o sexo não é uma realidade vergonhosa, mas uma dádiva que Deus uniu ao amor e à fecundidade. Os pais devem vencer o bloqueio que normalmente experimentam diante da curiosidade dos filhos, sobretudo das crianças pequenas, cujas perguntas possuem apenas conteúdo afetivo para se aproximar mais carinhosamente dos pais, e porque querem uma atenção individual.

         A curiosidade da criança em matéria sexual é parte da curiosidade geral de conhecer as coisas. São os adultos que transferem uma carga libidinosa que as crianças não possuem. Deve-se falar com cada filho ou filha individualmente, com simplicidade e de maneira imperturbável, franca, amistosa. Se ficarem encabulados ou perderem a naturalidade, manifestada em olhares ou palavras que deem a entender que “chegou a hora que eu temia”, a criança perceberá algo de errado e perderá a confiança em tratar desse assunto com os pais, o que seria um tremendo prejuízo. Não se deve envergonhar de falar das realidades que Deus criou e viu que eram boas.

    3 – As ocasiões devem surgir espontaneamente

         Falar aos filhos sem constrangimento, com naturalidade, aproveitando as oportunidades oferecidas pelo dia a dia da vida familiar ou por circunstâncias sociais, de modo a tornar simples e natural a educação sexual. Como primeira abordagem pode-se valer do banho nos irmãozinhos menores, a nova gravidez da mãe ou de uma vizinha. São momentos em que a explicação surge com simplicidade e sem necessidade de lançar mão de rodeios ou imagens difíceis de entender. Aproveitar as oportunidades não é forçá-las e muito menos transpor o tom confidencial que deve acompanhar sempre os esclarecimentos necessários.

         As “lições” dos pais ao mostrar o seu próprio corpo chocam profundamente os filhos. Não devem despir-se diante das crianças, nem serem surpreendidos por eles nessa situação. A mesma delicadeza deve haver no vocabulário que empregam. Seria enorme insensatez e grande maldade jogar nas mãos das crianças revistas pornográficas para que “não ganhem complexos”: uma coisa é a naturalidade e outra é a grosseria que chega à falta de educação e de respeito que os pais devem ter para com os filhos.

    4 – A instrução sexual deve ser personalizada

         Em matéria de sexualidade, cada idade da criança apresenta interrogantes diferentes. Mesmo dentro de uma faixa etária há diferenças de filho para filho em virtude do temperamento, tipo de inteligência (lógica, espacial, musical, linguística, intrapessoal…), capacidade perceptiva, informações anteriores que obteve em outros lugares, nível de desenvolvimento (físico, psíquico e social), ambiente que frequenta, etc.

         Na puberdade os pais devem estar atentos aos filhos ao perceber ou intuir os primeiros sintomas da sexualidade, a fim de se antecipar às perguntas e ajudá-los a se soltar e falar à vontade. O clima de naturalidade e de oportunidade facilita que se abram espontaneamente aos pais, e neutralizem a influência nociva dos “ensinamentos” de colegas ou mesmo de parentes mais velhos com livre trânsito na família, mas que se metem onde não são chamados.

         O exemplo constante dos pais e um ambiente de diálogo afetuoso fazem os filhos não se isolarem e aceitarem com agrado os esclarecimentos que recebem, porque sabem proceder de quem os ama de verdade e conhecem seus problemas e dificuldades. É imprescindível que pai e mãe tenham tempo para estar com os filhos, tempo tão importante quanto o de trabalho ou de ocupação nas tarefas domésticas. Precisam detectar os estados de ânimo e a necessidade de orientação que os filhos têm.

         O clima de confiança e intimidade é indispensável à educação sexual, e depende da atenção habitual que os pais dão aos filhos. A sexualidade não deve ocupar o primeiro lugar na cabeça de ninguém, principalmente dos adolescentes. Assim, é necessário conseguir que eles tenham ideais grandes e se preparem para isso com intensidade, e sejam sinceros, alegres e capazes de compreender que há um princípio inato de desordem em todos os seres humanos, e que por isso terão que travar uma luta alegre e positiva para dominar o corpo e vencer não somente as desordens da sensualidade, mas também as da preguiça, do egoísmo, do orgulho, do comodismo…

         Não se pode estabelecer regras fixas para cada faixa etária. Mas é válido dar algumas indicações para cada etapa evolutiva, a fim de que sirvam como referências. Cabe aos pais adaptar este esquema à realidade de cada filho e em função do que já sabem. Se os pais chegaram atrasados e os filhos, sem critérios e por descuido paterno e materno, obtiveram informações distorcidas sobre a sexualidade na internet ou com “amigos”, as informações a seguir podem não ser suficientes, e os pais terão que adotar outras medidas.

    5 – Como transmitir a informação sexual nas diferentes idades

    Primeira infância: 3 a 6 anos

         É a idade em que começam as perguntas, mas sem nenhuma intenção libidinosa. Os pais devem dar respostas imediatas, simples e verdadeiras, ainda que não completas. Nessas idades, as perguntas podem ser disparadas quando menos se espera. Por isso, os pais devem estar preparados para perguntas do tipo “De onde vêm as crianças?”. Responder que os bebês vêm de Deus, e que no início ficam dentro da mãe por nove meses, muito perto do coração dela, como num berço bem aconchegados até o momento de nascerem. A nova gravidez da mãe, tia ou vizinha é sempre uma boa oportunidade para informar às crianças sobre a origem da vida:

         − Você sabe que vai ter um irmãozinho? Agora ele é um menino muito pequeno que está dentro da mamãe, e eu vou alimentando ele com o meu próprio sangue. Assim como você vai crescendo pouco a pouco, também o seu irmãozinho cresce dentro de mim, que vou arranjando lugar para ele ao aumentar o tamanho da minha barriga. Você não fica contente ao pensar que vai ter outro irmão em casa com quem brincar? Seu pai e eu estamos muito felizes porque Deus permitiu que nós colaborássemos com Ele para criar seu irmão. Mas Deus deu a ele a coisa mais importante: a alma, que é o mais valioso que temos, pois sem ela a gente não poderia viver. Um dia essa alma viverá junto de Deus.

          “Como se sabe que é menino ou menina?” é indagação frequente nessa etapa. Nas famílias numerosas a resposta sobre o sexo é fácil, e o momento mais adequado é o do banho do bebê: − Veja, os meninos têm um pintinho e meninas têm um buraquinho ou fenda em lugar do pintinho.

          “O que faz o pai?” é outra questão que mais cedo ou mais tarde as crianças fazem acerca do papel do pai na geração da criança. Pode-se responder assim: − Deus quis que também os pais participassem do nascimento dos filhos. O pai possui uma força que é como uma semente muito pequena que ele deposita na mãe. Essa semente se junta a outra semente que a mãe tem dentro dela, e ali começa a se formar o bebê. O novo bebê é tão filho do pai como da mãe.

    Segunda infância: 6 a 9 anos

         À medida que cresce, a criança desejará saber como é que se juntam as duas sementes, e como é que o pai coloca a sua semente no ventre da mãe. Com naturalidade, deve-se explicar que Deus estabeleceu que os corpos do pai e da mãe se unissem pelo amor, sendo por isso que dormem juntos. A semente do pai, que é líquida, passa através do pintinho ou pênis dele e vai pelo orifício que a mãe tem. É como nas injeções: se introduz a agulha na carne e o remédio passa da seringa para o corpo.

          “Por onde nascem?” é indagação que surge por volta dos 7 anos, quando há um novo nascimento na própria família ou na dos amigos. Como sempre deve-se responder com verdade e naturalidade:

         − As crianças nascem pelo mesmo orifício, chamado vulva, que foi por onde o pai depositou a semente no corpo da mãe. Deus deu ao corpo das mães uma bolsa especial chamada útero, que recebe e alimenta essa semente. O útero tem na parte inferior um orifício formado por tecidos elásticos que se alargam quando chega o momento do bebê nascer. É como a gola da malha olímpica que se alarga quando nela passa a cabeça, e depois volta a encolher-se. O pai não tem essa bolsa nem esse orifício, e por isso um bebê não pode nascer no ventre do pai.

    Pré-puberdade: 9 a 11 ou 12 anos

         As mudanças hormonais que transformam os garotos em homens e as meninas em mulheres, começam a surgir de forma insipiente no período de 9 a 11 ou 12 anos. São mudanças hormonais por enquanto sutis que afetarão o psiquismo dos meninos e das meninas. Os pais devem estar atentos a estes primeiros sinais, para não demorar na instrução sobre as modificações que ocorrerão na puberdade (12 a 14 anos). O período pré-puberal situa-se nas meninas por volta de 11 anos e nos meninos por volta dos 13 anos. Pode variar um pouco conforme os casos, e isso é mais uma razão para que os pais se adiantem na preparação dos filhos, e vez de correr o risco de chegarem tarde demais, e os filhos serem desinformados por outras vias.

    Conversa com a filha na pré-puberdade

         Depois dos 10 anos é conveniente que a mãe fale com as filhas sobre as mudanças hormonais que a menina irá experimentar. É ocasião insubstituível para que mãe e filha se tornem grandes amigas e confidentes, a fim de que a menina sempre aborde com confiança essas questões com a mãe. Uma mãe que se faz inacessível não se torna a confidente da filha, e esta recorrerá às amigas, normalmente mal-informadas.

         Sempre em clima de diálogo, a mãe poderá dizer à filha que o corpo dela deixará de ser criança e se transformará em corpo de mulher: − Seus seios, que um dia alimentarão os seus filhos, aumentarão; em seu ventre aumentará uma bolsa chamada útero. Todo o seu corpo está se preparando para a maternidade. Em breve você será uma mulher. Em seu ventre todos os meses nascerão uns ovinhos muito pequenos que se chamam óvulos, e que ficarão em dois órgãos parecido com duas amêndoas, que são os ovários, situados à direita e esquerda do útero. Cada mês, um desses ovos viaja para o útero a fim de ser fecundado pela semente do pai, e dará lugar a uma nova criança que nascerá em nove meses. Mas se não é fecundado, o óvulo é expelido juntamente com um pouco de sangue e com uma camada superficial da parede do útero. Esse fenômeno pelo qual os ovos desmanchados saem se chama menstruação e dura uns três dias. Isso pode ou não doer um pouquinho; mas esse pequeno incômodo é sinal de que você tem ótima saúde e que futuramente poderá ser uma boa mãe. Dentro de uns meses você perceberá esse sangramento de forma inesperada, talvez na hora de urinar. Não se alarme, e venha falar comigo para eu ensinar a você como fazer uma higiene adequada.

         A mãe também deve prevenir a filha de que juntamente com a menstruação, outros fenômenos de origem psíquica podem ocorrer, como mudanças no estado de ânimo: − Você ficará mais triste ou mais alegre do que antes; poderá ficar mais irritada e sem vontade de falar com ninguém; terá mais facilidade para se emocionar ou chorar. Tudo isso será normal e não deve preocupar. O que você deve fazer é me procurar, porque sou sua mãe, pra gente conversar com muita confiança sobre o que você estará sentindo. Eu explicarei tudo, porque quero que você atravesse essa fase da vida sentindo-se muito acompanhada e segura.

    Conversa com o filho na pré-puberdade

         É o pai que deve falar com o filho, em torno dos 12 anos ou quando muito aos 13 de anos, conforme o grau de desenvolvimento físico do garoto; e sempre em clima de diálogo para deixar o adolescente fazer perguntas. Em resumo, o que poderá ser dito ou respondido pelo pai será o seguinte:

         – Filho, você logo irá crescer bastante, e nessa espichada sentirá bastante fome e comerá muito. Começará aparecer uma sombra de barba e de bigode em forma de penugem, e também pelos nas axilas e em outras partes. Isso significa que você já não é mais uma criança e em breve será um homem. Por isso, as características masculinas começarão a se acentuar em você. Os órgãos que fazem de você um homem irão crescer e com alguma frequência irão dilatar-se e endurecer. Você sentirá um grande ardor em todo o corpo, especialmente na parte genital. Poderá perceber ao acordar que haverá uma mancha no lençol ou no pijama. Já expliquei a você que para uma criança nascer é preciso que a semente feminina − o óvulo − seja fecundado pela semente masculina que se chama sêmen ou esperma. É um líquido produzido pelas glândulas sexuais ou testículos, muito antes da idade em que se pode pensar em casamento e ser pai. Esse líquido, na parte que não for absorvida pelo sangue para robustecer e virilizar o seu corpo, será expedido pela uretra durante o sono, ou ao andar bicicleta, ao sonhar estar cavalgando, etc., fazendo você experimentar uma sensação de prazer. Todos os jovens normais experimentam esses derrames, de vez em quando, de modo involuntário e inconsciente. Chamam-se poluções ou ejaculações, e você não deve falar disso aos companheiros, não por seja feio ou vergonhoso, mas porque os rapazes fariam troça e poderiam abordar esse tema de forma errada, porque querem dar uma de sábios, mas não passam de ignorantes. O que você não deve fazer é provocar essas reações de prazer voluntariamente, porque isso é viciante e causaria muitos prejuízos em você, que em breve explicarei melhor, além de que isso não agrada a Deus, a quem você ama. Saiba que Deus pôs essa sensação de prazer no corpo não para que você a experimente a qualquer momento, mas para constituir uma família com a esposa que você escolher e ter filhos com ela, que também serão filhos de Deus.

    A puberdade e o sexo: 12 a 14 anos

         É a chamada “idade difícil”. Os filhos devem saber que a partir da puberdade já é possível ser pai ou mãe. Pode-se explicar a eles com mais alguns detalhes, e com os nomes precisos, os fenômenos físicos cujas ações essenciais se transmitiram anteriormente na pré-puberdade. Mas o que interessa agora sobretudo é que, sempre em clima de diálogo, fiquem com ideias precisas sobre o sentido do ato sexual:

         − Filho, sobre o alcance do ato sexual entre marido e esposa não há nada de mal, antes pelo contrário, pois isso foi querido por Deus com uma finalidade clara: amarem-se e ajudarem-se  intensamente, e assegurar que a espécie humana se perpetue com a chegada de novos homens e mulheres. O poder de procriar é um dom maravilhoso que Deus dotou a humanidade: quis que os homens e as mulheres O ajudassem na criação de novos seres humanos. Para isso, Deus colocou no ato sexual um grande prazer físico, porque se não houvesse o desejo físico, nem a gratificação do prazer imediato, o casal poderia se retrair e não usar este dom de Deus, ao pensar nas cargas e responsabilidades que a criação e a educação dos filhos trazem consigo. E assim se frustraria o preceito divino de ter muitas pessoas na terra, e a raça humana desapareceria.

         Todas as coisas feitas por Deus são boas, mas o homem pode fazer mau uso delas. Isso acontece também com o sexo, de tal modo que seria uma desordem, e você faria um mal a si mesmo, se usasse do impulso sexual fora do tempo e do modo previsto por Deus. Os seres humanos não são como os animais, que se juntam, macho e fêmea, por uma força instintiva que os domina. Nós temos inteligência e vontade para decidir, e não estamos obrigados a seguir cegamente os impulsos naturais. Trazer um filho ao mundo até os animais o fazem, mas uma criança tem que ser educada e isso exige um ambiente adequado que se chama família. As crianças seriam infelizes se pai e mãe não se amassem e vivessem juntos com ela. Esse foi o plano maravilhoso de Deus: fazer nascer e crescer as crianças num verdadeiro recanto de amor e felicidade, onde os pais procuram colocar todos os meios para fazer feliz um ao outro e amar os filhos que forem chegando. Fora desse plano os filhos não seriam plenamente felizes, como também não torna feliz aquele que faz do sexo um simples instrumento de prazer, desvinculado do verdadeiro amor.

    6 – O namoro das filhas na adolescência

         A partir da puberdade, ou mesmo antes, as moças sentem-se fortemente atraídas pelos rapazes e surge nelas uma vontade de agradá-los e de namorar. A mãe dirá à filha que ela é ainda muito jovem, e as grandes forças do amor que está sentindo a preparam para se tornar uma mulher mais adiante. Porém, neste momento, essas energias ainda não estão amadurecidas, pois não bastam os vigores instintivos ou sentimentais para que acertemos no amor, sendo necessário que a inteligência, por meio da virtude da prudência, avalie todos os aspectos da situação, e o querer da vontade passe a agir depois dessa avaliação profunda: − Deus faz surgir forças de afeto, carinho e desvelo e quer que você aprenda a dominá-las para não ser subjugada por elas. Se você utilizar essas forças antes do casamento, chegará desgastada a ele e com tristes experiências que terão roubado o melhor de você. A amizade é uma coisa boa e bela e você talvez me pergunte se pode ter como amigo um rapaz. Não há mal nisso, mas quando você notar que sente por ele − e ele por você − algo mais do que amizade, será bom reavaliar o trato com ele. Quando ele se aproximar de você e disser que é bonita e tentar beijá-la, isso já é mais do que uma simples amizade. O namoro não está feito para passar o tempo, mas para conhecer a outra parte (caráter, temperamento, ideais, virtudes), com a finalidade de encontrar a pessoa certa para os dois unirem suas vidas em função de um projeto comum, que é um grande ideal: montar uma família e ter filhos. Você neste momento deve se preparar para a vida, crescer em muitos conhecimentos, ler boa literatura porque os bons autores aprofundam no conhecimento da alma humana, deve crescer no amor a Deus para respeitá-Lo e respeitar-se. Antes de pensar em namoro sério, precisa estudar e preparar-se para uma profissão, que será um serviço aos demais, tendo em conta a descoberta e o desenvolvimento de suas qualidades pessoais; e isso requer tempo para leituras profundas, entre outras metas.

         A chave da eficácia dessa conversa está mais uma vez na amizade entre a mãe e a filha, que deve ir crescendo ao lado da autoridade materna. Se a filha se acostumou desde criança a contar à mãe tudo o que sente ou a preocupa, é difícil que não a procure confiadamente para saber como lidar nas novas circunstâncias da puberdade, e para conferir aquilo que ouve das colegas ou o que as vê praticar. Se o diálogo é aberto e frequente, a filha compreenderá as desvantagens de um namoro precoce: − Ficar empatada com um menino muito jovem, que ainda não sabe o quer da vida, e dada a volubilidade própria dessas idades, ele a trocará por outra e deixará feridas no seu coração. Não é preciso antecipar o tempo. Você, ao se transformar numa mulher adulta, saberá encontrar um grande amor e, ao lado desse homem maduro, de princípios que você saberá constatar, e que a compreenderá e a respeitará, amando-a verdadeiramente e sendo capaz de se sacrificar para abraçar os filhos que Deus lhes enviar. Além disso, ele terá que manter financeiramente a família com a profissão que tiver, principalmente nos períodos em que vocês tiverem um novo bebê, porque certamente você terá que diminuir suas atividades profissionais. Veja que você ainda é muito jovem, e o risco de um namoro prolongado (mais de dois anos e meio, por exemplo), facilmente chegará às intimidades próprias de marido e esposa, desgastando as pessoas nele envolvidas para a compreensão de um verdadeiro amor.

    Textos extraídos da obra “Filhos: educação sexual”, de Francisco Sequeira, Editora Quadrante, São Paulo (SP), e adaptado por Ari Esteves para o site staging.ariesteves.com.br/

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  • Doenças do comportamento da criança

    Doenças do comportamento da criança

    1 – Três doenças que alteram o comportamento infantil. 2 – Transtorno Atencional com Hipercinesia. 3 – Depressão infantil. 4 – Transtorno por Ansiedade Excessiva em crianças. 5 – Diante de uma anormalidade, agir rápido.

    1 – Três doenças que alteram o comportamento infantil

          A educação afirmativa ou assertiva é aquela onde o carinho e a exigência se unem. Por vezes, essa educação, tão eficaz, pode não alcançar o êxito desejado porque um dos filhos apresenta determinada patologia no comportamento.

          Os tratamentos modernos combinam psicoterapia, medicação e orientação familiar. A resposta da criança à terapia é mais rápida que a de um adulto que apresente algum desses distúrbios: em curto prazo ela se cura, se atendida por um psicoterapeuta infantil bem-preparado.

    2 – Transtorno Atencional com Hipercinesia

          A primeira patologia que impede os resultados das boas técnicas educativas é o Transtorno Atencional com Hipercinesia (do grego “Hiper”, muito + “kínesis”, movimento: muito movimento), antes conhecido como Disfunção Cerebral Mínima.

          Transtorno Atencional: a criança tem dificuldade de manter a atenção concentrada no acompanhamento das aulas, nas tarefas escolares em casa ou em outra atividade que realiza. Os pais veem-se obrigados a repetir as ordens com frequência e têm a impressão de que ela não lhes faz caso. Costumam agir de forma precipitada e interrompem os outros porque não são capazes de aguardar a vez nas conversas, brincadeiras ou tarefas.

          Hipercinesia: o excesso de movimento ou hiperatividade costuma ser acompanhado pelo deficit de atenção (deficit atencional com hiperatividade). Manifesta-se na dificuldade para dedicar-se a uma única tarefa ou ser perseverante no que faz: levanta-se a todo instante de sua carteira na sala; inicia uma lição e não a termina; mesmo tendo bom nível de inteligência tira notas baixas; tem má conduta na sala de aula, com queixas dos professores. A criança hiperativa costuma perder material escolar, brinquedos, roupas, etc., e nas atividades físicas tende a práticas perigosas sem medir os riscos.

          O Transtorno Atencional com Hipercinesia pode manifestar-se na criança associado a outras disfunções de conduta: dizer mentiras, cometer pequenos furtos, mostrar-se briguenta e com poucos amigos, ser desafiadora e contestatária com pessoas que detêm autoridade sobre ela.

    3 – Depressão infantil

          A depressão em crianças é de difícil diagnóstico, porque elas não sabem justificar o motivo de sua tristeza. Esse distúrbio pode ter as seguintes manifestações: passar da passividade aos movimentos excessivos; ser agressiva; dormir mal e com dificuldade para despertar pela manhã, quando isso não ocorria; inapetência ou voracidade diante dos alimentos; choro frequente sem saber explicar o motivo; diminuição do rendimento escolar; deixar de brincar ou diminuir a frequência.

          A terapia combina psicoterapia, medicação e acompanhamento familiar. Ao contrário dos casos de depressão em adultos, a resposta das crianças ao tratamento costuma ser de curto prazo.

    4 – Transtorno por Ansiedade Excessiva em crianças

          A ansiedade é uma reação normal em qualquer pessoa diante de situação que provoca medo, dúvida ou expectativa: horas que antecedem uma entrevista de emprego, resultado de prova ou concurso, nascimento do filho, diagnóstico de possível doença… Em tais casos, a ansiedade prepara a pessoa para o desafio que deverá enfrentar.

          O Transtorno por ansiedade excessiva ultrapassa o limite do razoável, e pode afetar pessoas de qualquer idade. Em geral, as mulheres são um pouco mais vulneráveis à ansiedade que os homens.

          Na criança, a ansiedade passa a ser um distúrbio quando o corriqueiro se torna desproporcional, diminuindo sua qualidade de vida. Deve ser considerado um distúrbio atípico nela, pois lhe é causa de sofrimento, impedindo-a de responder positivamente à educação que recebe.

          Existem dois tipos de transtornos de ansiedade: Angústia por Separação e Transtorno por Ansiedade Excessiva.

          Angústia por Separação: a criança se nega a ficar longe das figuras protetoras (pais, avós, irmão mais velho, empregada) e recusa-se a ir ao colégio ou a cumprir outras obrigações que impliquem separação física. Pode sentir dor de cabeça e de estômago. Geralmente tem pesadelos intensos ou medo de dormir à noite.

          Transtorno por Ansiedade Excessiva: é um distúrbio persistente e de difícil controle para a criança, que vive extremamente preocupada com o seu desempenho na escola, nos esportes e na vida social. Faz constantes perguntas sobre si às pessoas ao seu redor, a fim de se tranquilizar, reafirmar-se e obter a aceitação delas: − Estou bem?Gostou? Preocupa-se excessivamente diante de fatos que não merecem tanta atenção: − Acha que ficou bom? Esse comportamento leva-a à inquietação, fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração, tensão muscular e perturbação do sono.

          As duas patologias melhoram rapidamente com a ajuda de um psicoterapeuta infantil bem-preparado, além do acompanhamento familiar.

    5 – Diante de uma anormalidade, agir rápido

          Os pais não devem se sentir culpados diante de uma anormalidade comportamental da criança, mas precisam agir rápido, caso observem algum sintoma. Além da saúde da criança, a celeridade na ação evitará alteração na dinâmica familiar, uma vez que os filhos saudáveis tendem a imitar as atitudes do irmão que padece um transtorno.

    Texto produzido por Ari Esteves com base no livro “Carinho e firmeza com os filhos”, de Alexander Lyfird-Pike, Editora Quadrante, São Paulo SP

  • Educar para o pudor

    Educar para o pudor

    1 – O pudor é um convite à discrição da intimidade. 2 – Não ser porta-voz da intimidade alheia. 3 – A quem confidenciar o que é íntimo? 4 – Educar para o pudor. 5 – O pudor enobrece a pessoa. 6 – Pudor no modo de vestir. 7 – A mulher e o pudor.

    1 – O pudor é um convite à discrição da intimidade

          O pudor, além de instinto natural manifestado no sentimento que faz a pessoa sentir-se mal diante da exteriorização do que é íntimo, é também um hábito ou virtude moral − portanto radicada na inteligência − de preservar da curiosidade alheia certas partes do corpo, sentimentos, pensamentos. A intimidade é o mais próprio de cada pessoa, e se estende não apenas ao visível, mas também ao mundo interior de cada indivíduo, e que pode ser imprudentemente exteriorizado por meio de palavras ou gestos. Pudor, castidade ou pureza fazem parte de uma virtude maior chamada temperança.

         Pudor é convite à discrição, à negativa de mostrar o que deve permanecer oculto, e inspira o modo de vestir e de falar ao manter silêncio ou reserva quando se advinha o risco da curiosidade malsã. A vigilância facilitada pelo pudor modera a sexualidade ao ajudar a pessoa a se desenvolver em clima que assegure a supremacia da razão sobre os instintos e suas possíveis desordens.

         Quem oferta a sua intimidade aos meios de comunicação, a fim de convertê-la em assunto público, perde-a e ficará na miséria, ao menos moral. O despudor pode estar relacionado à vaidade, ao exibicionismo ou desejo de chamar a atenção, a ponto de traficar o corpo e a própria intimidade, por julgá-los de pouco valor. Quem é interiormente rico não necessita do aplauso alheio para se afirmar.

         A pessoa despudorada tem agravada a sua consciência ao se fazer cumplice dos erros morais provocados em outros. Atitudes excitativas causadas pelo modo de vestir, de se comportar e de falar, dão lugar a pensamentos e práticas imorais realizadas por outros. Ao não aplaudirmos nem darmos audiência a ações que revelam uma pobre compreensão da dignidade humana, ajudaremos aos que comercializam a sua intimidade a que repensem seu comportamento.

    2 – Não ser porta-voz da intimidade alheia

         Antes de expressar algo íntimo, é preciso pensar se convém fazê-lo, e em que grau a própria imagem, e a de outra pessoa, ficará danificada. A frivolidade de expor a intimidade alheia faz cair na difamação, destrói o próprio caráter e atenta contra a dignidade do outro. O comportamento digno é não lançar ao vento o mórbido que se venha saber, por exemplo, acerca das relações imorais de celebridades ou não; a não comentar, nem para se lamentar, da pobreza moral dos reality show e de outros programas levados ao ar por diferentes mídias; a não repassar imagens sensuais veiculadas nas redes sociais, etc. Com isso, não agravaremos a consciência pessoal ao ser cúmplices das desordens morais provocadas em outras pessoas.

    3 – A quem confidenciar o que é íntimo?

         Se há necessidade de compartilhar experiências íntimas ou problemas pessoais, a fim de buscar uma ajuda, o destinatário deve ser uma pessoa e não uma multidão. A confidência não deve dirigir-se a qualquer um, mas a quem mereça confiança e seja capaz de penetrar até a raiz do que será comunicado. Determinadas ações humanas, sentimentos com relação a alguém, conflitos familiares, revelações ou desabafos, é território onde se autoriza a penetrar só as pessoas íntimas que podem compreender e aportar um bom conselho, dada a sua sabedoria, prudência, sentido de responsabilidade e discrição. Ambas as partes, tanto a que se abre quanto a que escuta, se beneficiam e crescem interiormente: a que fala se liberta do que a oprime, e a que ouve sente alegria pela prova de confiança, que a fará crescer em sentido de lealdade e de responsabilidade.

    4 – Educar para o pudor

         O pudor se começa a viver na família. Por ser uma virtude, além de sentimento natural, pode crescer por meio de uma delicada educação. O gosto estético ou a compreensão da beleza é educável e pode melhorar, refinar-se, com a formação da consciência. Educar no pudor as crianças e os adolescentes é despertar neles o respeito a si e aos demais. Dada a inexperiência de vida, é preciso ensinar às crianças sobre o que é íntimo e deve ser cuidado, a fim de que logo reconheçam em si e nos outros.

         É preciso explicar às crianças algumas atitudes para que as vivam: bater à porta antes de entrar no dormitório de outro, não contar coisas íntimas da família aos amiguinhos ou a estranhos, desligar a tv ou mudar de canal diante de uma cena inconveniente, não andar pela casa despidos, ensinar a fazer perguntar íntimas em particular, não bisbilhotar aspectos da intimidade de outras pessoas, explicar o motivo para não frequentar lugares onde se despreza o pudor. A criança deve aprender a vestir-se com recato e ser discreta: uma menina que sai à rua com o corpo exposto além do limite razoável, perderá a sensibilidade e continuará a fazê-lo na adolescência e na juventude. É importante que cada membro da família disponha de seu próprio dormitório ou ao menos de um armário. É necessário cuidar das áreas em que cada um se veste e se despe (isso também deve ser vivido no ambiente escolar).

         Os pais devem dar exemplo em casa: vestir-se com recato e bom gosto, diante dos filhos não dar mostrar de carinhos próprios da intimidade conjugal, não se permitir filmes que instiguem a sensualidade… Um pai que anda pela casa de tronco nu e calção deve pensar se está respeitando as filhas e os filhos, se os estará educando para o despudor, e se deixará neles uma triste imagem paterna.

    5 – O pudor enobrece a pessoa

         A prática do pudor é autodomínio, é colocar limite à exposição do corpo e da interioridade. Isso não é puritanismo, mas dignidade e respeito a si e aos demais, e revela a rica corporeidade e espiritualidade de quem se conduz pela razão. O pudor convida a viver diversos aspectos que enobrecem a pessoa:

    • Ter paciência e moderação nas relações amorosas, exigindo que se cumpram determinadas condições, tendo em vista um compromisso definitivo entre o homem e a mulher;
    • Leva a ocultar os valores sexuais para não os transformar em coisa, nem dar motivo a que os demais vejam a outra pessoa como mero objeto;
    • Evitar conversas e informações sobre o comportamento ou sentimentos pessoais e de outros a quem não tem o direito de saber;
    • Não falar sobre temas escabrosos, entrevistas ou imagens veiculadas por determinados programas de tv ou por outros meios de comunicação que angariam audiência ao revelar a vida íntima de personalidades públicas (são açougueiros de carne humana);
    • Cuidar da linguagem habitual para que não seja vulgar. Pessoas com boa educação se sentem incomodadas diante de falas grosseiras ou que narrem fatos ou anedotas que violentem o pudor.

    6 – Pudor no modo de vestir

         O pudor não está em conflito com a elegância, antes é exigido por ela, pois inspira uma maneira de viver que permite resistir às imposições da moda e da pressão de ideologias materialistas. Cada um veste-se do modo como lhe agrada, o que faz dessa ação um reflexo da pessoa em sua integridade: corpo, sentimentos, inteligência e vontade.

         “Elegante” vem de “eleger”. A pessoa elegante é a que elege bem ao saber que na escolha intervém fatores além da moda e da combinação das cores: o físico da pessoa, o que ele pode provocar e a circunstância de vestir-se para um passeio, trabalho, festa ou esporte. Há pessoas que pela falsa compreensão do que é ser autêntico, não diferenciam as circunstâncias e fazem o ridículo de se vestir inapropriadamente ao não distinguir os momentos: podem ir a um casamento de jeans, ou sair com a namorada de bermuda e camisa de time de futebol, enquanto ela vai elegantemente vestida. Com isso, acabam não respeitando ou não compreendendo a dignidade do outro.

         Seguir a moda facilita a vida, mas sem ser escravo dela, ou de suas imposições muitas vezes imorais. Cabe a cada um ir contra a corrente para mudar certos costumes que atentam contra o pudor. Vestir-se para o esporte não anula as exigências do pudor.

    7 – A mulher e o pudor

         A mulher deve saber valorizar o corpo em unidade com seu espírito. Se a mulher perde o pudor, perde o seu mistério, se coisifica. Existe na mulher algo de misterioso, inexaurível, que ultrapassa a corporeidade e atinge a alma. Dante Alighieri viu a alma no sorriso e nos olhos de Beatriz: “Pois em seus olhos brilhava um rio / tal que pensei com os meus tocar o fundo / da minha glória e do Paraíso”. Os olhos são a janela da alma e refletem a expressão do corpo e da interioridade. O que não é misterioso não é capaz de oferecer um interesse duradouro, mas para consumo imediato. Abdicar o pudor pode sinalizar falta de compreensão sobre o que é o verdadeiro amor.

         Desnudar-se além do conveniente em praias, piscinas e festas é um modo de chamar a atenção para a corporeidade, e revela um corpo sem mistério que perde a riqueza que nasce do espírito, que é onde reside a personalidade humana. A sabedoria do pudor ilumina o semblante e revela que a personalidade tem algo que transcende o corporal porque o supera. A razão humana alcança compreender que na pessoa há algo superior à matéria e criado por Deus. Esse algo é a alma espiritual, que ao ser unida à matéria, eleva-a. Um corpo não constitui o ponto final de nossas percepções, e nos remete para algo que está além dele.

    Texto adaptado por Ari Esteves para o site staging.ariesteves.com.br/, com base na obra “O pudor”, de Ada Simoncini, Editora Quadrante, São Paulo.

  • Crianças de 4 e 5 anos e a educação familiar

    Crianças de 4 e 5 anos e a educação familiar

    1 – Crianças de 4 e 5 anos e a educação familiar. 2 – Teimosias de filhos não se cura com teimosias de pais. 3 – Pais que mandam muito erram. 4 – Como acabar com chiliques e birras. 5 – A criança precisa aprender a defender-se. 6 – Medos, angústias, obsessões infantis, ciúmes. 7 – Dar responsabilidades é fomentar a autonomia da criança.

    1 – Crianças de 4 e 5 anos e a educação familiar

         Com quatro anos de idade, é notório o resultado da boa ou má educação que a criança recebeu desde o seu nascimento. Agora, novos aprendizados podem ser propostos, sendo necessário também corrigir traços negativos do caráter adquiridos nos primeiros anos: não cumprimentar, brigar com os irmãos ou amiguinhos, teimosias, usar o choro como chantagem, ciúmes, não emprestar, deixar jogados os brinquedos, falta de hábitos de higiene…

         Crianças nessas idades encontram-se numa etapa maravilhosa e muito importante de sua educação, pois começam a estabelecer as bases da personalidade: a comunicação alcança notável avanço (gostam de falar e de dialogar); vivenciam as primeiras ideias que ocuparão os melhores lugares em sua inteligência; mostram-se receptivas a tudo; começam a ganhar hábitos de autonomia; têm desejos de ajudar os pais. É unânime a opinião de que sair com crianças de quatro e cinco anos é uma beleza, pois já não é necessário carregar um arsenal de coisas: papinhas, água, fraldas, talco, pomadas, bonecos… Aceitam qualquer plano com os pais, com quem preferem conviver, mais que a outras pessoas.

         Diante dessas novas realidades é necessário saber educar com amor, exemplo e paciência, que são os pilares básicos da educação, e apoiar-se nos pontos fortes da criança para que ela supere com ânimo e valentia os defeitos da idade. Ter presente que a violência contra a criança leva ao medo, à angústia e à obediência calculada, além de torná-la agressiva com os irmãos e outras crianças. Por medo, poderá ocultar a verdade sobre os fatos e perder a simplicidade. É preciso demonstrar amor e atuar com paciência ao ver na pequena travessura não um problema, mas ótima ocasião para ajudá-la a melhorar. É importante que pai e mãe atuem em concordância, tendo um Plano de Ação bem pensado para aplicar com paciência, porque o que vale a pena não se consegue de um dia para o outro.

    2 – Teimosias de filhos não se cura com teimosias de pais

         Uma criança de quatro ou cinco anos gosta de impor seus desejos: se pede à menina para sair com a calça azul, ela dirá que quer ir com o vestido vermelho. É muito difícil enfrentar a criança teimosa, e contrariá-la continuamente não ajudará a mudar seu caráter. O que fazer? A teimosia da criança não se vence com a teimosia da mãe. É preciso atuar com inteligência ao realizar os objetivos por meio de pequenas aproximações. Se o filho teimar cinco vezes ao dia, contrarie-o uma ou duas vezes, e faça-o obedecer naquilo que é importante. Desta maneira, e pacientemente, chegará a conseguir que ceda no importante e aprenda a obedecer.

    3 – Pais que mandam muito erram

         A personalidade da criança de quatro e cinco anos está em formação. Seu autoconceito necessita adquirir a segurança de pensar e realizar algo por conta própria. Contrariar todas as suas iniciativas a fará sentir-se confusa e apática: – Tudo o quero sempre está errado! Os pais devem diferenciar entre o que é importante que a criança cumpra, ainda que ela não queira (não dizer palavrões, ser ordenada e guardar suas roupas e brinquedos, não brigar ou chutar, ser agradecida, cumprimentar as pessoas…), e aquilo que não é importante, a fim de evitar discussões bobas. Por vezes, o autêntico problema de não obedecer está em que os pais mandam muito, e a criança quer provar sua força ao atuar com independência. Deixe uma margem de criatividade para ela; não digam sempre a última palavra em tudo, a fim de que a criança conclua sobre o que é razoável: se vestiu os sapatos com os pés trocados e pergunta se estão corretos, sorria e não diga nada, mas apenas pergunte: – O que você acha? Assim, ela terá que pensar e expressar uma opinião.

         Aos três ou quatro anos surge o que se costuma chamar a “idade do não”. É um momento incômodo para os pais, mas está dentro do processo evolutivo normal da criança, com a floração mais acentuada da vontade infantil. Nesse período é importante fundamentar bem os motivos para que a criança obedeça, a fim de que perceba o quanto é razoável fazer o que pedem. A desobediência nessas idades não provoca mais danos morais que a irritação de seus pais. O hábito de obedecer será facilitado pela atuação ordenada de seus responsáveis, e não pela imprevisível e inconstante atitude de exigir algo alguns dias e em outros não. Se, por exemplo, indicarem à criança que pendure no cabide o uniforme escolar ao chegar em casa, não devem desistir até que isso passe a ser um hábito (os pais não devem pendurar para não perderem autoridade).

         Os pais têm o direito de ser obedecidos, mas devem elogiar os esforços da criança, que terá mais alegria em obedecer. Há pais que correm o risco de se contentarem apenas com a aparência de obediência, porque não sabem explicar e não se dão conta de que o mero cumprimento de uma ordem não desenvolve a virtude da obediência, que é racional e traz a alegria de se atuar dentro da verdade.

    4 – Como acabar com chiliques e birras

         A criança de quatro anos está vermelha de tanto berrar, e a mãe, à beira de um ataque de nervos, agarra o pirralho e lhe aplica um corretivo. A resposta não se faz esperar: o pequeno bate na mãe. Não se solucionam birras com histerismos maternos. Diante de um ataque de raiva de um filho, deixe-o berrar por um tempo. A seguir, aproxime-se dele e tente dialogar para acalmá-lo; se o consegue, acabou a raiva; se ele continua chorando, não grite e nem brigue para não excitar ainda mais a sua agressividade. Volte a deixá-lo sozinho, a fim de pare por si a birra. Quando, esgotado, se acalmar, abrace-o de modo que note o quanto é querido. Empregue todo o tempo que for necessário para falar com o ele sobre quanto você o ama, pois é o que mais tranquiliza a criança. Uma vez serenado, não deixe de dizer ao filho, com ternura, que fez muito mal com aquela demonstração de raiva, mas que você o perdoa, e pede para que não volte mais a fazer aquilo. O que não convém, quando a criança se tranquilizou, é repreendê-la com modos bruscos por ter se portado mal, pois a birra da mãe dará início a nova sessão de raiva da criança. Será por meio do diálogo tranquilo que a criança se conscientizará de que não agiu bem. Passe um tempinho abraçada ao filho, fazendo-o perceber o quanto é amado, pois isso terá mais efeito do que atuar com gritarias.

    5 – A criança precisa aprender a defender-se

         A criança de quatro anos, como consequência de uma maior abertura aos demais e do afã por afirmar-se, tende a impor-se e, com isso, pode criar atritos com os irmãos e seus primeiros companheiros. Não dê muita importância a essas querelas. O fundamental é que, ao final da discussão, o pequeno faça as pazes com seu “adversário” e saiba, por seus pais, que não está certo brigar. Acostume-o a se defender sem violências. Deixe, com uma discreta vigilância, que ele mesmo resolva os próprios problemas. Não se lancem apavorados para salvar a criança da confusão em que se meteu, a fim de não acostumá-la a que os pais solucionem suas encrencas, o que a faria perder a capacidade de resolver as situações pelas quais toda criança terá que passar. Os atritos irão polir as arestas do temperamento dela, e a fará comportar-se com mais prudência para não desagradar aos demais. Protegê-la não é colocá-la em redoma de vidro para que nada sofra, e anular sua capacidade de reação ante a vida. Ao contrário, significa torná-la forte e segura de si para que desde pequena se acostume a resolver seus problemas.

    6 – Medos, angústias, obsessões infantis, ciúmes

         Certa mãe constatou que até três anos de idade seu filho nunca teve medos, mas a partir dos quatro começou a tê-lo: medo de morrer ou de que irão deixá-lo só. O medo faz parte do processo de maturidade normal da criança, que ao crescer e desenvolver a imaginação, tem mais consciência do que é a escuridão e as consequências de ficar só. Se até esse momento o filho dormia tranquilo, agora necessitará de uma fraca luz acesa ou de que a mãe o acaricie e converse com ele no próprio quarto da criança. O mau seria não superar o medo, convertendo-o em obsessão ou fixação angustiosa. Trate-o com amor e paciência, diga que vai ajudá-lo a perder o medo. Se, por exemplo, a escuridão o assusta, brinque de entrar com ele em locais escuros e fique ali por um tempo. Na escuridão, conte histórias de personagens valentes que de pequenos tinham medo do escuro, mas venceram suas paúras. Isso o ajudará a ter cada vez mais confiança em si e nos pais. Um último conselho: não use os medos da criança como ameaças contra ela.

         A criança ciumenta sofre muito ao se sentir deslocada, destronada. Ela necessita sentir-se querida e se isso não acontece, chama a atenção de mil maneiras, seja com caprichos injustificados ou com agressões para com o seu “rival”. Ignorar o problema não conduz a nada, nem lembrar à criança quinhentas vezes que ela é ciumenta, pois isso consolidará o sentimento, tornando-o frequente. É preciso ter com a criança mais demonstrações de carinho: uma carícia sorridente é mais eloquente que engenhosos discursos. Se os ciúmes se dirigem contra o irmão menor, dá bom resultado pedir a colaboração do filho ciumento nas tarefas de higiene e de vestir o pequeno, e outras serviços que tenham a ver com o bebê, pois o que sofre ciúmes sabe que conquistará mais o coração da mãe com a ajuda que prestada a ela, e isso o deixará muito contente, além de perceber como é desvalido seu irmãozinho.

         Procure não fazer diferenças entre os irmãos. Se há alguma razão forte para trazer algum presente apenas para um deles, explique que faz isso porque ele está doente e sofre ao não poder brincar. No que se refere às demonstrações de carinho, todos seus filhos têm direito ao mesmo: se abraçou um, faça o mesmo com o outro. Mas nem sempre tudo é paritário entre os irmãos: a criança pequena tem que aprender a aceitar sem ciúmes que, por sua idade, não poderá fazer todos os planos de seus irmãos maiores: ir acampar, jogar futebol em outro local mais distante, ir a uma festa, deslocar-se sozinho pela rua, etc. O pequeno tem que aprender a controlar o “eu também quero ir”, e aceitar que não poderá haver igualdade em todas as situações.

         Rir e chorar ao mesmo tempo não é fato que deva causar preocupação. Esse desequilíbrio afetivo é uma fase característica dos quatro anos (aos seis anos já não ocorrerá mudanças bruscas de humor). Controle-se ao perceber que o filho brincava alegremente e de repente passou a berrar porque a irmã pegou seu lápis (para a criança seu lápis não é uma bobagem: é o seu lápis!). Tenha paciência e trate de acalmá-la, pois tal como em segundos passou da felicidade à tristeza, também o fará em sentido contrário.

    7 – Dar responsabilidades é fomentar a autonomia da criança

         Aos quatro ou cinco anos, a criança aprecia assumir responsabilidades porque quer agradar aos pais e ser útil ao imitá-los nos serviços que prestam a todos no lar. É importante pedir-lhes ajuda em pequenas tarefas que possam desempenhar bem, para que desfrutem em servir. Não desperdiçar essa tendência natural de querer ajudar; estimule o sentido de responsabilidade da criança, que terá alegria em responder pelo compromisso a quem a incumbiu, sejam os pais ou um irmão mais velho. Ter responsabilidade aos quatro anos estimula o espírito de serviço e a preocupação pelos demais. Esse hábito se transformará na virtude de desprendimento e eliminará o egoísmo de pensar só em si e nas coisas pessoais, tão comum, infelizmente, em adolescentes que não foram educados com eficiência. Os pais devem agradecer os serviços que as crianças prestaram, mas sem premiá-los com objetos materiais. A satisfação do dever cumprido deve ser suficiente, o que não quer dizer que de vez em quando todos comemorem com sorvetes o esforço das crianças.

         Há pais que não querem se atrasar para sair e substituem a criança em tudo o que ela deve fazer: acordam, banham e vestem a criança; depois passam manteiga no pão, etc. A pontualidade é muito importante, mas não a ponto de converter a criança num bibelô inerte. Não se trata simplesmente de que a criança coloque o sapato sozinha, mas que desenvolva a autonomia e a responsabilidade. Se trata de ajudar a amadurecer. Limitar a autonomia ou a aprendizagem é limitar sua capacidade de se desenvolver, que é mais importante do que chegar no horário seja onde for. Tranquilizem suas pressas e aprendam a ter paciência, pois a criança não é um pequeno adulto que deve agir com a velocidade dos pais. Se querem chegar no horário, iniciem antes o processo de se aprontar. Não se importem em dar o último retoque no vestido ou no penteado da criança. O importante é que ela adquira o hábito de fazer as coisas por si. Elogiem seus êxitos para aumentar a autoestima e a segurança no agir.

         A criança de quatro ou cinco anos começa a estabelecer claramente os limites entre o “seu” e o “meu”, e não quer que troquem seus objetos por outros: sabe o que é dos irmãos e o que pertence aos pais. É bom que que ela estabeleça essas diferenças, pois isso desenvolve a individualidade, o sentido do valor das coisas e o respeito pela propriedade dos outros: saberá não abrir as gavetas dos pais e dos irmãos sem pedir licença (o mesmo devem fazer os pais com as coisas dela). Também deve ser estimulada a emprestar ou dar com alegria, explicando que doar constitui uma mostra de carinho e de generosidade, e que muitas pessoas carecem até do essencial para viver. Assim, desenvolverão o hábito de atuar em favor dos demais.

         O período de quatro e cinco anos de idade é rico em aprendizagem, que se tornará permanente. A fim de ajudar os pais, continuaremos em outros boletins a abordar mais aspectos acerca da tarefa educativa nessas idades.

    Texto adaptado por Ari Esteves, com base no livro “Tus hijos de 4 e 5 años”, de Manoli Manso e Blanca Jordán de Urríes, Colección Hacer Familia, Spanish Edition, Madrid.

  • O esforço por melhorar

    O esforço por melhorar

    1 – O esforço por melhorar. 2 – Luta positiva e alegre. 3 – A humildade é a verdade. 4 – Lutar no pequeno dever de cada dia. 5 – Conhecer o próprio temperamento. 6 – Defeitos de caráter. 7 – Começar e recomeçar a lutar.

    1 – O esforço por melhorar

         Caminhar continuamente em direção à própria perfeição deve ser aspiração de cada um, apesar da universal experiência da fraqueza humana: falhamos muitas vezes ao não fazer o bem que gostaríamos, nem evitamos os males que gostaríamos de nos esquivar. Quantas vezes nos propomos realizar algo que nos custa um pouco e depois não fazemos: regime para emagrecer, exercícios físicos, não perder tempo nas redes sociais, sair ou chegar o horário… É que no fundo há um querer fraco; nossa vontade não tem toda a força que deveria ter. Por vezes há a resistência dos sentimentos em fazer o que desagrada. A monotonia dos dias iguais também pode esfriar a decisão da vontade para ser melhor, deixando as boas disposições na névoa da indiferença. Por que abandonamos o esforço por melhorar? Todo esforço desagrada e isso se chama preguiça. Ou porque nos deixamos arrastar pelos bens que apreciamos. A pressão social também pode nos levar a agir de forma diferente da que pensamos.

    2 – Luta positiva e alegre

            Porém, não há outra alternativa senão a de lutar cada dia contra os aspectos que enfeiam a alma. Estabelecer metas concretas e acessíveis de melhora é o caminho seguro e mais curto para eliminar as imperfeições. Desde os gregos, ascese significa exercício prático utilizado por atletas, artistas e profissionais para conquistar determinada perfeição por meio da disciplina e autocontrole do corpo e do espírito. Ascese não é algo negativo, mas afirmação alegre do bom esportista que sabe não atingir a meta nas primeiras tentativas, e sim pelo constante treino de começar e recomeçar até alcançar a marca desejada. O racional é não abandonar o treino e insistir na luta diária, nem se conformar com os índices já alcançados. Quem estaciona ou faz apenas o indispensável regride, tal como a bexiga de gás que não fica estática no ar: ou sobe ou desce. Avançar sempre é progredir, é vencer a preguiça e prevenir-se contra o comodismo que adormece o desejo de melhorar.

    3 – A humildade é a verdade

         Nossos inimigos não estão longe, mas dentro de nós: traços temperamentais que não se dominam e podem acentuar-se com o decorrer dos anos, frouxidões que nos tornam preguiçosos e desleixados. Tudo isso é joio que debilita a alma. Condição indispensável para lutar e melhorar o caráter e o temperamento é o reconhecimento humilde – a humildade é a verdade – dos defeitos pessoais, pois há sempre um rival à espreita: a soberba, que cresce quando não procuramos ver nossas deficiências. Outro inimigo é a imaginação de pensar que a luta por melhorar tem que se dirigir contra obstáculos extraordinários, como dragões que cospem fogo. É manifestação de orgulho acreditar que sairá vitorioso da luta maior quem não trava batalha nas pequenas lutas diárias.

    4 – Lutar no pequeno dever de cada dia

         O esforço por cumprir os pequenos deveres é exercício prático que faz crescer em virtudes, e estas eliminam os defeitos. Não se trata de fazer coisas superdifíceis, mas em realizar com mais amor as obrigações diárias: executar com perfeição o trabalho; cumprir os deveres familiares e de amizade; não dispersar o coração em frivolidades na internet, cujo resultado é a superficialidade; não ceder sempre à lei do gosto, que nos torna caprichosos e moles, e servir-se, por exemplo, um pouco mais da comida que gostamos menos e menos da que gostamos mais; pular da cama no horário previsto, sem ceder um minuto a mais à preguiça; dominar os traços temperamentais destoantes; ser agradáveis quando se está sem disposição; etc. A preguiça, a soberba, a sensualidade, o egoísmo são os abrolhos e espinhos que enraízam-se em nossa alma e nos desfiguram, se não os arrancamos.

    5 – Conhecer o próprio temperamento

         Pelo temperamento, que é o nosso jeitão de ser recebido por herança genética − e que pode ser melhorado −, escoam inclinações, omissões, manias, tristezas, euforias, obstinações, etc., que devem ser examinadas. Nunca acabaremos de nos conhecer totalmente, porque o temperamento sempre produz rebroto, sendo muitos deles nocivos à personalidade, o que demonstra que não devemos ficar satisfeitos ou “dormir nos louros” com as vitórias conquistadas.

         O temperamento manifesta-se em ações positivas e negativas. As positivas devem ser incentivadas, por exemplo, comover-se diante da miséria material ou moral das pessoas ao redor, enfrentar as tarefas sem adiá-las; as negativas, como a indiferença diante da dor alheia ou o egoísmo de não dedicar tempo aos demais, devem ser combatidas. Uma pessoa impulsiva manifesta em seu temperamento impaciências, reações desproporcionadas, inoportunidades, faltas de carinho e compreensão com os demais: se não lutar para ter autocontrole nunca eliminará essas reações negativas. Quanto aos pessimistas, devem vigiar suas impressões para evitar palavras que azedam o ambiente com visões negativas, comentários céticos ou cínicos. Já o sentimental necessita policiar-se para não se escravizar pela lei do gosto, que o torna inconstante, volúvel, como os próprios estados de ânimos e os sentimentos.

    6 – Defeitos de caráter

         Além dos defeitos de temperamento existem os de caráter, que vamos adquirindo ao logo do tempo por influências externas. São hábitos ruins que podem se manifestar no relacionamento com os demais: brutalidades, ironias, descaso, suscetibilidades, espírito crítico, desconfianças, mentiras, etc. Ou no desempenho do trabalho: lentidão, “jeitinho” ou tapeação, começar pelo mais fácil e não pelo mais importante, etc.

         O conhecimento próprio é necessário para descobrir os traços do caráter e as reações temperamentais quem destoam, a fim de estabelecer propósitos de luta para vencê-los. Facilmente somos capazes de ver as falhas dos outros e dificilmente as nossas, e nos justificamos com desculpas do tipo “achei que…”, pensei que…”, é que…”. Reconhecer os defeitos pessoais ao “dar nome aos bois”, e “não dourar a pílula”, põe em evidência o inimigo com o qual devemos lutar. O egoísmo força-nos a não renunciar aos apegos e manias; o comodismo nos instala na mediocridade, que no fundo é a covardia de nos enfrentarmos.

         O “espírito de exame” se consegue mantendo a alma alerta ao longo do dia, e com desejo de conhecer-se para se corrigir. No final de cada dia, antes de ir para a cama, examinar-se durante três minutos, com sinceridade e sem autocomplacência, a fim de detectar as falhas ocorridas, e tirar dois ou três pequenos propósitos que irão contra elas: se fomos impontuais no trabalho, tirar o propósito de chegar no horário; se perdemos tempo nas redes sociais, determinar-se a não fazer isso no dia seguinte. Há muitos outros pequenos propósitos que podemos estabelecer-nos: sorrir, ouvir os demais e falar menos de si, não buscar continuamente o mais confortável para se tornar mais rijo, ter espírito de serviço e ajudar nas tarefas do lar…

    7 – Começar e recomeçar a lutar

         Não nascemos prontos e devemos construir-nos a cada dia. Somos obra inacabada e Deus conta com a nossa continua reforma. O que não pode ocorrer é deixar que os anos passem e os defeitos se cristalizem, como o de alguém que é conhecido pelas suas falhas, a ponto de ser apelidado de preguiçoso, ou guloso, ou mal-humorado, pavio curto, melindroso…

         Começar e recomeçar a lutar cada dia nas mesmas coisas, com paciência e perseverança, é ato heroico que deve ser feito em primeiro lugar por amor a Deus, pois assim imprime-se à luta pessoal uma finalidade transcendente e de valor infinito.

    Texto produzido por Ari Esteves para o site staging.ariesteves.com.br/

  • A alegria de servir

    A alegria de servir

    1 – A alegria de servir. 2 – As virtudes estão para melhor servir. 3 – Um ambiente relacional facilita a aquisição das virtudes. 4 – Não somos autossuficientes. 5 – Necessitamos da ajuda de outros. 6 – O bom exemplo estimula aos demais. 7 – As crianças se alegram ao servir

    1 – A alegria de servir

          Todos estamos chamados a servir, seja como pai, mãe, irmão, amigo, profissional. Não há possibilidade de amar sem recusar-se ao egoísmo de viver só para si, que é causa de muitas tristezas. Manter-se no encerramento pessoal, isolar-se, é terreno de infelicidades. Não compartilhar, não ter pessoas ao redor a quem olhar com afeto, e a quem se dedicar, empequenece a alma. Em outras palavras, só nos encontramos de verdade ao doar-nos. A noção de pessoa é inconciliável com qualquer tentativa de coisificação, de ver os demais como objeto. A alegria de ser para os outros é manifestada no dia a dia em atos concretos de entrega, de serviço, de compreensão, de partilha, seja em casa, na vida social ou com amigos do trabalho.

    2 – As virtudes estão para melhor servir

          Virtude vem de virtus (força), porque empodera, dá domínio sobre si. Mas, o objetivo não é buscar uma perfeição individual, já que o caminho da felicidade nunca é isolado, narcisista. Não existem pessoas virtuosas fechadas em si, nem à margem dos demais, pois só haveria aparência de virtude, casca, já que o egoísmo não é pasto para virtudes. Adquire-se uma virtude não para se mirar diante de um espelho e apreciar os próprios músculos, mas porque existe uma ordem de perfeição em cada ser, e quanto à criatura racional essa perfeição, essa harmonia individual, está no amor, em servir por amor, primeiramente a Deus, e depois aos demais, começando pelos mais próximos.   Entrelaçadas, as virtudes embelezam ao arrancar as imperfeições que enfeiam a alma, e facilitam a liberdade de sair de si para doar-se, que é onde reside o verdadeiro amor. A vida só é verdadeira e encontra sentido no serviço aos demais.

    3 – Um ambiente relacional facilita a aquisição das virtudes

        Nossas disposições interiores são educadas ou modeladas em contato com os outros. Quando os pais aconselham o filho a ter boas maneiras e agradecer os favores recebidos, iluminam a razão da criança com princípios firmes que se transformam em bons hábitos, e ensinam a realizar um ato bom para o outro. Educar à criança desde a primeira idade para que seja ordenada ao deixar as coisas em seu lugar, e não em qualquer canto, fortalece-a para vencer a preguiça e a comodidade, e a faz compreender que é um bem para as demais pessoas do lar. A motivação não estará em buscar somente uma harmonia ou uma perfeição individual, mas também um bem para os demais.

        Todas as virtudes têm um caráter relacional e crescem em comunhão com os outros, inclusive as que parecem mais individuais: a fortaleza, por exemplo, também leva em direção ao outro porque é preciso ser forte para doar-se, para perseverar no trabalho começado, que é um serviço aos demais; a temperança facilita o autodomínio para não se servir das pessoas; manter em ordem os objetos facilita a vida de todos, e não só a daquele que é ordenado.

    4 – Não somos autossuficientes

          Há livros de autoajuda que oferecem como receita de felicidade ter uma vida independente, como se necessitar dos outros fosse frustrante e trava para o desenvolvimento pessoal. Dependemos radicalmente dos demais desde que nascemos. Podemos afirmar que a nossa existência se desdobra em direção ao outro. Não somos autossuficientes – nem os países o são –, pois precisamos do conhecimento do médico, do cozinheiro, da costureira, do mecânico, do motorista, do fabricante de utensílios… Necessitar dos demais não limita a liberdade, mas aumenta-a ao tornar a pessoa mais livres para servir com seus talentos pessoais, que é o melhor que se pode oferecer como dom de si. Isso é causa de alegria e dá sentido à vida pessoal.

    5 – Necessitamos da ajuda de outros

          A nossa existência é conviver, é ser com os que nos rodeiam. Somente há vida onde há comunhão (até as instituições para sobreviver dependem da comunhão de seus membros). Os vínculos criados com os outros dão força para o crescimento pessoal. A imagem da pessoa independente e autossuficiente é enganosa, miragem, além de ser uma ingratidão, porque ninguém vive isoladamente: recebemos tantos cuidados, experiências e benefícios daqueles que nos precederam, como continuamos a receber dos contemporâneos e dos que ainda virão. Somos melhores quando há ajuda mútua: a partir de e com os outros.

          Cada pessoa tem um caminho próprio, mas é um elo de uma corrente. Na ordem da Criação, os dons de cada ser formam um conjunto harmônico, ordenado, para o bem do conjunto. Em nosso caminhar, todos temos uma vocação, uma função a desempenhar. A vida de cada pessoa é um tecido de encontro, de relacionamentos (ser com os outros): aprende-se a falar, a ler, a escrever, a ter uma profissão, etc., com a ajuda de outras pessoas. Sentir o apoio das pessoas e dar apoio a elas é fonte de alegria e de estímulo para seguir adiante: acompanhar e ser acompanhados. É mais fácil ser e crescer rodeados de pessoas em quem confiamos e que confiam em nós. A falta do apoio dos demais faz decrescer, e quando se cai não há quem estenda a mão.

    6 – O bom exemplo estimula aos demais

          O bom exemplo das pessoas ao redor é estímulo para crescer em virtudes, seja na vida familiar, social ou profissional; e o mau exemplo enfraquece a aspiração para ser melhor. Um lar sóbrio, comedido, onde se vive a virtude da pobreza e do desprendimento, educa para a temperança todos os seus membros. Quando uma mãe cuida dos detalhes de ordem e limpeza da casa, e exige a colaboração dos demais em tais tarefas, ensina aos filhos o valor do cuidado com as pequenas coisas, e isso tem transcendência na ordem interior deles. O mesmo acontece entre amigos, colegas de trabalho e em qualquer comunidade humana: criar ao redor de si um ambiente virtuoso ajuda a que todos cresçam espiritualmente e caminhem ao encontro da própria perfeição. Pelo princípio da unidade da pessoa, ao melhorar em um aspecto, melhora-se em todos os demais.

    7 – As crianças se alegram ao servir

          As crianças pequenas têm um desejo natural de servir, de agradar aos pais. Ao atribuir a elas tarefas que sejam capazes de realizar, as fará executar com alegria e em plano de brincadeira (brincar é o trabalho da criança). Basta mostrar ao pequeno de um ano e meio o cesto de lixo onde depositar a frauda suja, que ele repetirá essa ação alegremente todos os dias. Os brinquedos devem ser guardados em caixas separadas, e não amontoados numa só. Se os pais fixam na lateral de cada caixa a imagem do que nela deve ser guardado (uma para cada tipo de brinquedo: bolinhas, bonecas, lego, carrinhos, soldadinhos, etc.), ajudarão a criança a ganhar hábitos de ordem. Tarefas como colocar os pratos na mesa, recolher e lavar os talheres, varrer a casa, enxugar o banheiro, tirar o pó dos móveis, também são encargos que as crianças podem desempenhar, dependendo da idade, a fim de que aprendam desde pequenas a servir e colaborar com a ordem da casa e o bem estar de todos.

    Texto produzido por Ari Esteves para o site staging.ariesteves.com.br/, com base nos ensinamentos de José Manuel Antuña, Oviedo, Espanha (página Facebook).

  • Perfil de um lar que não educa

    Perfil de um lar que não educa

    1 – Perfil de um lar que não educa. 2 – Lar piquenique. 3 – Lar diletante. 4 – Lar capricheiro. 5 – Lar gandaieiro. 6 – Lar bronco.

    1 – Perfil de um lar que não educa

          A família é a influência mais profunda na vida de qualquer pessoa, tanto para o bem quanto para o mal. Tudo dependerá da qualidade educativa oferecida pelos pais, que necessitam dedicar tempo à sua formação para bem educar. O boletim Perfil de um lar educador, enviado anteriormente aos assinantes, discorreu sobre alguns aspectos positivos do lar que educa. Agora, no presente boletim, serão abordados alguns pontos negativos acerca do lar que não educa, com a “Sugestão de leitura” para ajudar na correção desses aspectos:

    2 – Lar piquenique

         É lar festivo porque os pais acreditam que unicamente divertindo os filhos conseguirão o afeto deles, e com isso tudo estará resolvido. Então, porque querem agradar, pouco exigem das crianças, e tudo gira em torno do lazer: filmes, músicas, pizzas, jogos, viagens… Não há um projeto educativo com base no conhecimento profundo de cada filho: qualidades, para potencializá-las ainda mais a fim de que possam colocá-las ao serviço dos demais; defeitos, para corrigi-los e edificar a personalidade.

         O centro do lar piquenique não são os pais, mas a TV e outras mídias, que ocupam todos os espaços e protagonismos, até durante as refeições, já que os pais só pensam em descansar e agradar aos filhos. Sempre atrás dos seus gostos e interesses materiais, os pais não se sacrificam para viver uma prática religiosa, e quando o fazem é por rotina. Ao ver que seus pais nunca rezam na mesa para agradecer os alimentos, nem o trabalho que possuem ou a saúde, então os filhos julgam também não necessitar de Deus, e desconhecem, para agradecer, que suas qualidades pessoais são dons recebidos gratuitamente por Quem lhes infundiu a alma.

    SUGESTÃO DE LEITURA: Pais submissos, crianças sem limites, Os pais devem educar com mentalidade profissional, A família e as virtudes dos filhos

    3 – Lar diletante

         Um dos significados de diletante é o de quem pratica um ofício como passatempo, e não como uma finalidade de vida. Nesta família, a figura do pai tem pouca força moral porque prefere dedicar-se de corpo e alma aos assuntos profissionais, e transfere à esposa a educação dos filhos. Acresce-se que pai e mãe, que nada leem sobre a educação comportamental dos filhos ou temas de orientação familiar, confiam que as instituições e as estruturas sociais suprirão o que não ofereceram.

         A imagem que as crianças têm de seus pais em lares diletantes é que são bonzinhos, já que ganham tudo o que pedem. Mas ao não ver neles a força moral de quem está comprometido com a verdade, nem se sacrificam por valores que norteiam a vida, acabam não os admirando. E porque desconhecem a história pessoal dos pais, e nada sabem acerca do trabalho profissional que realizam – eles julgam que as crianças não entenderão −, o diálogo com os pequenos nunca é pessoal, íntimo, de abrir horizontes e revelador da vida, mas restringe-se a frivolidades: hobbies, comidas, diversões, programas de tv, mexericos, críticas negativas sobre outras pessoas.

         Ao ignorar os sacrifícios dos pais, porque o trabalho e a vida deles é uma entidade desconhecida, é compreensível que os heróis dos filhos sejam os esportistas, atores, músicos e outras personagens midiáticas. Em tais lares as crianças mostram pouco ou nenhum respeito às pessoas de fora: visitas, amigos dos pais, professores, funcionários do condomínio ou da escola, atendentes de lojas e supermercados.

    SUGESTÃO DE LEITURA: O pai e sua importância na educação dos filhos, Pais frouxos, violentos e assertivos, O caráter dos filhos: missão dos pais,

    4 – Lar capricheiro

         Os pais nunca dizem “não” e, manipulados, cedem facilmente aos caprichos dos filhos, mesmo quando notam cometer um erro ao permitir o que no fundo não aprovam. Mandões e enjoados, os filhos só comem o que gostam e, se reclamam de algo, a mãe prepara-lhes outro prato; impõem os passeios que querem como condição para irem, mesmo que não agrade ao outro irmão ou aos pais. Ao não experimentarem negativas, os filhos mostram um nível baixo de resistência às contrariedades e incomodidades, têm pavor da menor dor física e se queixam continuamente de situações que não podem evitar: mau tempo, incomodidades físicas, dificuldades com colegas na escola, um plano que não deu certo… E porque dispõem de dinheiro fácil, desconhecem qualquer tipo de privação: compram doces, refrigerantes e sanduíches sempre que desejarem.

         Os pais, em lares onde o capricho se torna lei, ao não se prepararem para os desafios na educação dos filhos, fogem dos problemas e se tornam permissivos, ou perdem a paciência e partem para a violência, mas nunca para o diálogo assertivo.

    SUGESTÃO DE LEITURA: Carinho e firmeza com os filhos-IIEducação das virtudes na primeira infância, A temperança dá senhorio à conduta.

    5 – Lar gandaieiro

         Acostumadas ao conforto, divertimentos e a ter seus problemas resolvidos pela solicitude de pais superprotetores, que as livram de qualquer sacrifício e esforço, as crianças escapam continuamente das tarefas, ao invés de enfrentá-las, e estão sempre na gandaia, fazendo apenas o que gostam. A expressão que mais sai da boca dessas crianças é “que chato”, e basta que reclamem para se esquivarem de obrigações desagradáveis: arrumar os brinquedos, ordenar suas roupas, limpar o banheiro e outros encargos no lar, estudar, dedicar tempo a alguém.

         Excessivamente dominadas pelo conforto, as crianças de um lar onde a gandaia impera crescem sem o conhecimento da realidade, que logo enfrentarão, e fogem cada vez mais de suas responsabilidades, deixando-as para os outros resolverem. Educadas apenas para serem felizes sentimentalmente, se desorientam diante dos problemas que devem encarar, pois o motor de suas ações não é a inteligência e a vontade, mas os desejos e gostos dos afetos e paixões.

         Jovens formados em lares com hábitos de autoindulgência, apoiados pelos pais desde a infância, não têm forças para perseguir ideais que custam sacrifício: preparar-se para uma carreira em universidade pública ou no exterior, descobrir e desenvolver suas potencialidades para colocá-las ao serviço dos demais, dedicar algum tempo a atividades de assistência social ou de ajuda aos mais necessitados, trabalhar para ajudar nas despesas da casa, entre outras.

         Embotados entre a infância e a adolescência por tantos passatempos frívolos, os filhos de lares gandaieiros enjoam-se deles e, com a vontade enfraquecida e subjugada pelos sentimentos, se tornam alvos fáceis das drogas, pornografia e álcool.

    SUGESTÃO DE LEITURA: Os bons hábitos dos filhos, O hábito da ordem em crianças de 1 a 3 anos, Educar para a temperança.

    6 – Lar bronco

         Não há nesse lar a preocupação de educar a sensibilidade dos filhos para o belo, porque os pais não aproveitam os fins de semanas e os feriados para promoverem vídeos culturais e formativos; não visitam museus, pinacotecas, audições musicais, exposições científicas e culturais. Com isso, o horizonte das crianças se restringe a imitar o grotesco que veem em programas de TV e em outras mídias, em geral baixaria. A leitura não sendo hábito dos pais, consequentemente também não o é dos filhos (montar uma boa biblioteca familiar, nem pensar; só gastam com pizzas, filmes e jogos digitais).

         As crianças em lares que não cultivam nenhum passa tempo sério que estimule a inteligência, tais como jogos de memória, de discorrer, dominó, damas, xadrez, lego, cubos, quebra-cabeça, passam a preferir o mais fácil: televisão, jogos digitais, músicas, desenhos em excesso, e com isso ficam com a mente preguiçosa para disciplinas escolares que exigem mais raciocínio, como matemática, química, física, português.

         Os pais, que assistem filmes indiscriminadamente, muitas vezes de péssimos valor moral, sinalizam às crianças que ao crescerem poderão imitá-los. A incapacidade de se relacionar com o que é complexo ou profundo é uma amarga infelicidade. Um dia, como já disse Alfonso Aguiló, quando os filhos despertarem, se lamentarão com verdadeiro pesar dessa omissão dos pais, que debilitou neles o natural e espontâneo desejo infantil por aprender, tornando-os conformistas e insensíveis para se aprofundar na verdade, beleza e bondade. Toda recusa ao espírito endurece o coração.

    SUGESTÃO DE LEITURA: Promover a cultura familiar, Menos telas digitais e mais livros, O hábito da leitura.

    Texto adaptado por Ari Esteves para o site staging.ariesteves.com.br/, com base na obra "Enquanto ainda é tempo", de James Stenson, Editora Quadrante, São Paulo (SP).

  • 10 dicas sobre o comportamento das crianças

    10 dicas sobre o comportamento das crianças

         Seguem 10 orientações que ajudarão na educação do comportamento de crianças e adolescentes, colhidas em excelentes obras sobre a educação dos filhos:

    1 – A importância da família. 2 – Reconhecer as qualidades humanas de cada filho. 3 – Detectar os problemas antes que surjam. 4 – Conhecer o temperamento de cada filho. 5 – Diminuir o tempo das telas digitais. 6 – Exigir obediência. 7 – Educar para a autonomia. 8 – Fomentar ideais grandes nos filhos. 9 – A importância da unidade dos pais. 10 – Transmitir aos filhos a fé em Deus

    1 – A importância da família

         A influência da família é a mais profunda na vida de qualquer pessoa, e muito superior à do ambiente, quando se sabe educar. Para os pais, a educação dos filhos deve ser um ideal de vida: se falharem nessa missão não serão felizes, mesmo que tenham sucesso profissional;

    2 – Reconhecer as qualidades humanas de cada filho

         Cada filho deve reconhecer seus talentos pessoais, pois é importante para a autoestima dele. Não o compare com outras crianças, mas faça-o perceber o que de melhor há nele. E para que não se torne soberbo ou vaidoso, faça-o compreender que suas aptidões naturais foram dadas gratuitamente por Deus, a fim de serem colocadas ao serviço dos demais, pois é nisso que reside o amor. Tratar cada filho não como é, mas como poderá chegar a ser: potencialize suas qualidades; acredite e confie nele e surpreenda-o todos os dias ao elogiar o que fez bem, pois o subconsciente da criança registra o agrado e incentiva a que repita a ação. Os pequenos êxitos motivam o esforço, mas não premie com coisas materiais para não transformar a criança em pequeno consumidor;

    3 – Detectar os problemas antes que surjam

         A educação é um processo contínuo, onde todo problema tem conserto, desde que seja estudado e se estabeleça um Plano de Ação. As dificuldades dos adolescentes podem ser detectadas antes de se tornarem problemas, ou seja, na infância. É melhor chegar antes, prevenir-se ao antever que um mau hábito poderá se estabelecer, ou agir logo nos começos quando um mau comportamento já despontou, a fim de que não se cristalize. Algo concreto como não estudar, não viver um horário, não ajudar em casa, más companhias, etc., pode ser corrigido ao ser apresentado um ideal de ordem superior que motive a vontade: mantenha conversas frequentes sobre os porquês acerca dos aspectos concretos a melhorar;

    4 – Conhecer o temperamento de cada filho

         Procure conhecer o temperamento de cada filho para educar de modo personalizado (cada um é diferente e diferentemente deve ser tratado). Faça-o conhecer seus defeitos e ajude-o a ganhar as virtudes apostas às falhas habituais. Leia sobre Os hábitos de ordem nas crianças de 1 a 3 anos, pois essa virtude é a primeira a ser vivida na infância. Tenha paciência com a criança, e anime-a a lutar cada dia com espírito esportivo e alegre (o esportista sempre procura melhorar suas metas, mesmo que falhe um dia ou outro). Não basta que seu filho seja bom estudante, ao exigir que apenas tire boas notas: para que ele dê certo como pessoa necessita de uma formação integral, e esta envolve a educação da vontade e dos afetos (sentimentos, emoções e paixões);

    5 – Diminuir o tempo das telas digitais

         A criança precisa aprender a brincar. Diminua o tempo de desenhos animados e telas, que a tornam passiva e preguiçosa para pensar e imaginar, e com dificuldades em disciplinas que exijam mais raciocínio (matemática, química, física, português…), e substitua-os por jogos de memória, de discorrer, dominó, damas, xadrez, lego, cubos, quebra-cabeça, etc.

         A criança que aprende a jogar saberá estudar e cumprir seus deveres (as regras). Tanto os jogos como o esporte fomentam muitas virtudes e habilidades sociais ao exigir o cumprimento das normas estabelecidas e respeitar os “adversários”. A criança deve saber também brincar sozinha, sem a falsa “companhia” das telas digirais. O silêncio exigido por atividades como parear cartas de figuras iguais, lego, montar quebra-cabeça, entre outras, faz pensar e fixar a atenção, prejudicada hoje pelo excesso de imagens digitais; prepara a criança para resolver sozinha seus pequenos impasses; desperta a interioridade dela e a faz ganhar autonomia. Após brincar, a criança deve aprender a guardar seus objetos e ordená-los em diferentes caixas, e não jogá-los tudo num único baú;

    6 – Exigir obediência

         Exija obediência em poucas coisas, desde que sejam importantes, a fim de não cansar a criança com demasiadas cobranças. Por exemplo, não determine que vá à festa com a roupa verde, se ela quer ir com a azul; mas exija que seja responsável ao cumprir as tarefas que foram atribuídas a ela para o bom andamento do lar;

    7 – Educar para a autonomia

         Não faça de seu filho um eterno dependente de você. Eduque-o desde as primeiras idades para ganhar autonomia ao não substitui-lo naquilo que pode fazer sozinho, a fim de não ficar passivo e sempre à espera de que os outros façam as coisas por ele (enfraquece a personalidade já na adolescência). Leia o boletim Construir a autonomia da criança;

    8 – Fomentar ideais grandes nos filhos

         Os adolescentes têm capacidade de entusiasmar-se por grandes projetos, porque a vontade, importante faculdade humana que move o querer, se sente atraída por razões poderosas e verdadeiras, principalmente as de serviço ou ajuda aos demais. Ensine os filhos a fazerem não apenas o que gostam, mas o que devem, porque isso fortalece a vontade deles para superar a comodidade e enfrentar os obstáculos que surgirem na busca dos ideais que almejam. Leia o boletim Educar em valores;

    9 – A importância da unidade dos pais

         Quando os pais se esforçam por melhorar edificam a personalidade dos filhos, porque o bom exemplo é base da boa educação. Cada cônjuge deve ajudar a que o outro tenha prestígio diante das crianças, para que a ação educativa seja eficaz. Não desautorizar o outro cônjuge diante dos filhos: se tiver algo a discordar, faça-o privadamente. Leia o boletim Educa-se a dois: pai e mãe não devem desautorizar-se;

    10 – Transmitir aos filhos a fé em Deus

         Transmita aos filhos a fé em Deus, que é a luz e a força que os guiará e sustentará ao longo da vida, mesmo quando vocês, pais, já não estiverem presentes. Será a herança que mais agradecerão ter recebido de vocês. Leia o boletim Transmitir a fé aos filhos

    Texto produzido por Ari Esteves para o site staging.ariesteves.com.br/