Categoria: FAMÍLIA

  • Doenças do comportamento da criança

    Doenças do comportamento da criança

    1 – Três doenças que alteram o comportamento infantil. 2 – Transtorno Atencional com Hipercinesia. 3 – Depressão infantil. 4 – Transtorno por Ansiedade Excessiva em crianças. 5 – Diante de uma anormalidade, agir rápido.

    1 – Três doenças que alteram o comportamento infantil

          A educação afirmativa ou assertiva é aquela onde o carinho e a exigência se unem. Por vezes, essa educação, tão eficaz, pode não alcançar o êxito desejado porque um dos filhos apresenta determinada patologia no comportamento.

          Os tratamentos modernos combinam psicoterapia, medicação e orientação familiar. A resposta da criança à terapia é mais rápida que a de um adulto que apresente algum desses distúrbios: em curto prazo ela se cura, se atendida por um psicoterapeuta infantil bem-preparado.

    2 – Transtorno Atencional com Hipercinesia

          A primeira patologia que impede os resultados das boas técnicas educativas é o Transtorno Atencional com Hipercinesia (do grego “Hiper”, muito + “kínesis”, movimento: muito movimento), antes conhecido como Disfunção Cerebral Mínima.

          Transtorno Atencional: a criança tem dificuldade de manter a atenção concentrada no acompanhamento das aulas, nas tarefas escolares em casa ou em outra atividade que realiza. Os pais veem-se obrigados a repetir as ordens com frequência e têm a impressão de que ela não lhes faz caso. Costumam agir de forma precipitada e interrompem os outros porque não são capazes de aguardar a vez nas conversas, brincadeiras ou tarefas.

          Hipercinesia: o excesso de movimento ou hiperatividade costuma ser acompanhado pelo deficit de atenção (deficit atencional com hiperatividade). Manifesta-se na dificuldade para dedicar-se a uma única tarefa ou ser perseverante no que faz: levanta-se a todo instante de sua carteira na sala; inicia uma lição e não a termina; mesmo tendo bom nível de inteligência tira notas baixas; tem má conduta na sala de aula, com queixas dos professores. A criança hiperativa costuma perder material escolar, brinquedos, roupas, etc., e nas atividades físicas tende a práticas perigosas sem medir os riscos.

          O Transtorno Atencional com Hipercinesia pode manifestar-se na criança associado a outras disfunções de conduta: dizer mentiras, cometer pequenos furtos, mostrar-se briguenta e com poucos amigos, ser desafiadora e contestatária com pessoas que detêm autoridade sobre ela.

    3 – Depressão infantil

          A depressão em crianças é de difícil diagnóstico, porque elas não sabem justificar o motivo de sua tristeza. Esse distúrbio pode ter as seguintes manifestações: passar da passividade aos movimentos excessivos; ser agressiva; dormir mal e com dificuldade para despertar pela manhã, quando isso não ocorria; inapetência ou voracidade diante dos alimentos; choro frequente sem saber explicar o motivo; diminuição do rendimento escolar; deixar de brincar ou diminuir a frequência.

          A terapia combina psicoterapia, medicação e acompanhamento familiar. Ao contrário dos casos de depressão em adultos, a resposta das crianças ao tratamento costuma ser de curto prazo.

    4 – Transtorno por Ansiedade Excessiva em crianças

          A ansiedade é uma reação normal em qualquer pessoa diante de situação que provoca medo, dúvida ou expectativa: horas que antecedem uma entrevista de emprego, resultado de prova ou concurso, nascimento do filho, diagnóstico de possível doença… Em tais casos, a ansiedade prepara a pessoa para o desafio que deverá enfrentar.

          O Transtorno por ansiedade excessiva ultrapassa o limite do razoável, e pode afetar pessoas de qualquer idade. Em geral, as mulheres são um pouco mais vulneráveis à ansiedade que os homens.

          Na criança, a ansiedade passa a ser um distúrbio quando o corriqueiro se torna desproporcional, diminuindo sua qualidade de vida. Deve ser considerado um distúrbio atípico nela, pois lhe é causa de sofrimento, impedindo-a de responder positivamente à educação que recebe.

          Existem dois tipos de transtornos de ansiedade: Angústia por Separação e Transtorno por Ansiedade Excessiva.

          Angústia por Separação: a criança se nega a ficar longe das figuras protetoras (pais, avós, irmão mais velho, empregada) e recusa-se a ir ao colégio ou a cumprir outras obrigações que impliquem separação física. Pode sentir dor de cabeça e de estômago. Geralmente tem pesadelos intensos ou medo de dormir à noite.

          Transtorno por Ansiedade Excessiva: é um distúrbio persistente e de difícil controle para a criança, que vive extremamente preocupada com o seu desempenho na escola, nos esportes e na vida social. Faz constantes perguntas sobre si às pessoas ao seu redor, a fim de se tranquilizar, reafirmar-se e obter a aceitação delas: − Estou bem?Gostou? Preocupa-se excessivamente diante de fatos que não merecem tanta atenção: − Acha que ficou bom? Esse comportamento leva-a à inquietação, fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração, tensão muscular e perturbação do sono.

          As duas patologias melhoram rapidamente com a ajuda de um psicoterapeuta infantil bem-preparado, além do acompanhamento familiar.

    5 – Diante de uma anormalidade, agir rápido

          Os pais não devem se sentir culpados diante de uma anormalidade comportamental da criança, mas precisam agir rápido, caso observem algum sintoma. Além da saúde da criança, a celeridade na ação evitará alteração na dinâmica familiar, uma vez que os filhos saudáveis tendem a imitar as atitudes do irmão que padece um transtorno.

    Texto produzido por Ari Esteves com base no livro “Carinho e firmeza com os filhos”, de Alexander Lyfird-Pike, Editora Quadrante, São Paulo SP

  • Educar para o pudor

    Educar para o pudor

    1 – O pudor é um convite à discrição da intimidade. 2 – Não ser porta-voz da intimidade alheia. 3 – A quem confidenciar o que é íntimo? 4 – Educar para o pudor. 5 – O pudor enobrece a pessoa. 6 – Pudor no modo de vestir. 7 – A mulher e o pudor.

    1 – O pudor é um convite à discrição da intimidade

          O pudor, além de instinto natural manifestado no sentimento que faz a pessoa sentir-se mal diante da exteriorização do que é íntimo, é também um hábito ou virtude moral − portanto radicada na inteligência − de preservar da curiosidade alheia certas partes do corpo, sentimentos, pensamentos. A intimidade é o mais próprio de cada pessoa, e se estende não apenas ao visível, mas também ao mundo interior de cada indivíduo, e que pode ser imprudentemente exteriorizado por meio de palavras ou gestos. Pudor, castidade ou pureza fazem parte de uma virtude maior chamada temperança.

         Pudor é convite à discrição, à negativa de mostrar o que deve permanecer oculto, e inspira o modo de vestir e de falar ao manter silêncio ou reserva quando se advinha o risco da curiosidade malsã. A vigilância facilitada pelo pudor modera a sexualidade ao ajudar a pessoa a se desenvolver em clima que assegure a supremacia da razão sobre os instintos e suas possíveis desordens.

         Quem oferta a sua intimidade aos meios de comunicação, a fim de convertê-la em assunto público, perde-a e ficará na miséria, ao menos moral. O despudor pode estar relacionado à vaidade, ao exibicionismo ou desejo de chamar a atenção, a ponto de traficar o corpo e a própria intimidade, por julgá-los de pouco valor. Quem é interiormente rico não necessita do aplauso alheio para se afirmar.

         A pessoa despudorada tem agravada a sua consciência ao se fazer cumplice dos erros morais provocados em outros. Atitudes excitativas causadas pelo modo de vestir, de se comportar e de falar, dão lugar a pensamentos e práticas imorais realizadas por outros. Ao não aplaudirmos nem darmos audiência a ações que revelam uma pobre compreensão da dignidade humana, ajudaremos aos que comercializam a sua intimidade a que repensem seu comportamento.

    2 – Não ser porta-voz da intimidade alheia

         Antes de expressar algo íntimo, é preciso pensar se convém fazê-lo, e em que grau a própria imagem, e a de outra pessoa, ficará danificada. A frivolidade de expor a intimidade alheia faz cair na difamação, destrói o próprio caráter e atenta contra a dignidade do outro. O comportamento digno é não lançar ao vento o mórbido que se venha saber, por exemplo, acerca das relações imorais de celebridades ou não; a não comentar, nem para se lamentar, da pobreza moral dos reality show e de outros programas levados ao ar por diferentes mídias; a não repassar imagens sensuais veiculadas nas redes sociais, etc. Com isso, não agravaremos a consciência pessoal ao ser cúmplices das desordens morais provocadas em outras pessoas.

    3 – A quem confidenciar o que é íntimo?

         Se há necessidade de compartilhar experiências íntimas ou problemas pessoais, a fim de buscar uma ajuda, o destinatário deve ser uma pessoa e não uma multidão. A confidência não deve dirigir-se a qualquer um, mas a quem mereça confiança e seja capaz de penetrar até a raiz do que será comunicado. Determinadas ações humanas, sentimentos com relação a alguém, conflitos familiares, revelações ou desabafos, é território onde se autoriza a penetrar só as pessoas íntimas que podem compreender e aportar um bom conselho, dada a sua sabedoria, prudência, sentido de responsabilidade e discrição. Ambas as partes, tanto a que se abre quanto a que escuta, se beneficiam e crescem interiormente: a que fala se liberta do que a oprime, e a que ouve sente alegria pela prova de confiança, que a fará crescer em sentido de lealdade e de responsabilidade.

    4 – Educar para o pudor

         O pudor se começa a viver na família. Por ser uma virtude, além de sentimento natural, pode crescer por meio de uma delicada educação. O gosto estético ou a compreensão da beleza é educável e pode melhorar, refinar-se, com a formação da consciência. Educar no pudor as crianças e os adolescentes é despertar neles o respeito a si e aos demais. Dada a inexperiência de vida, é preciso ensinar às crianças sobre o que é íntimo e deve ser cuidado, a fim de que logo reconheçam em si e nos outros.

         É preciso explicar às crianças algumas atitudes para que as vivam: bater à porta antes de entrar no dormitório de outro, não contar coisas íntimas da família aos amiguinhos ou a estranhos, desligar a tv ou mudar de canal diante de uma cena inconveniente, não andar pela casa despidos, ensinar a fazer perguntar íntimas em particular, não bisbilhotar aspectos da intimidade de outras pessoas, explicar o motivo para não frequentar lugares onde se despreza o pudor. A criança deve aprender a vestir-se com recato e ser discreta: uma menina que sai à rua com o corpo exposto além do limite razoável, perderá a sensibilidade e continuará a fazê-lo na adolescência e na juventude. É importante que cada membro da família disponha de seu próprio dormitório ou ao menos de um armário. É necessário cuidar das áreas em que cada um se veste e se despe (isso também deve ser vivido no ambiente escolar).

         Os pais devem dar exemplo em casa: vestir-se com recato e bom gosto, diante dos filhos não dar mostrar de carinhos próprios da intimidade conjugal, não se permitir filmes que instiguem a sensualidade… Um pai que anda pela casa de tronco nu e calção deve pensar se está respeitando as filhas e os filhos, se os estará educando para o despudor, e se deixará neles uma triste imagem paterna.

    5 – O pudor enobrece a pessoa

         A prática do pudor é autodomínio, é colocar limite à exposição do corpo e da interioridade. Isso não é puritanismo, mas dignidade e respeito a si e aos demais, e revela a rica corporeidade e espiritualidade de quem se conduz pela razão. O pudor convida a viver diversos aspectos que enobrecem a pessoa:

    • Ter paciência e moderação nas relações amorosas, exigindo que se cumpram determinadas condições, tendo em vista um compromisso definitivo entre o homem e a mulher;
    • Leva a ocultar os valores sexuais para não os transformar em coisa, nem dar motivo a que os demais vejam a outra pessoa como mero objeto;
    • Evitar conversas e informações sobre o comportamento ou sentimentos pessoais e de outros a quem não tem o direito de saber;
    • Não falar sobre temas escabrosos, entrevistas ou imagens veiculadas por determinados programas de tv ou por outros meios de comunicação que angariam audiência ao revelar a vida íntima de personalidades públicas (são açougueiros de carne humana);
    • Cuidar da linguagem habitual para que não seja vulgar. Pessoas com boa educação se sentem incomodadas diante de falas grosseiras ou que narrem fatos ou anedotas que violentem o pudor.

    6 – Pudor no modo de vestir

         O pudor não está em conflito com a elegância, antes é exigido por ela, pois inspira uma maneira de viver que permite resistir às imposições da moda e da pressão de ideologias materialistas. Cada um veste-se do modo como lhe agrada, o que faz dessa ação um reflexo da pessoa em sua integridade: corpo, sentimentos, inteligência e vontade.

         “Elegante” vem de “eleger”. A pessoa elegante é a que elege bem ao saber que na escolha intervém fatores além da moda e da combinação das cores: o físico da pessoa, o que ele pode provocar e a circunstância de vestir-se para um passeio, trabalho, festa ou esporte. Há pessoas que pela falsa compreensão do que é ser autêntico, não diferenciam as circunstâncias e fazem o ridículo de se vestir inapropriadamente ao não distinguir os momentos: podem ir a um casamento de jeans, ou sair com a namorada de bermuda e camisa de time de futebol, enquanto ela vai elegantemente vestida. Com isso, acabam não respeitando ou não compreendendo a dignidade do outro.

         Seguir a moda facilita a vida, mas sem ser escravo dela, ou de suas imposições muitas vezes imorais. Cabe a cada um ir contra a corrente para mudar certos costumes que atentam contra o pudor. Vestir-se para o esporte não anula as exigências do pudor.

    7 – A mulher e o pudor

         A mulher deve saber valorizar o corpo em unidade com seu espírito. Se a mulher perde o pudor, perde o seu mistério, se coisifica. Existe na mulher algo de misterioso, inexaurível, que ultrapassa a corporeidade e atinge a alma. Dante Alighieri viu a alma no sorriso e nos olhos de Beatriz: “Pois em seus olhos brilhava um rio / tal que pensei com os meus tocar o fundo / da minha glória e do Paraíso”. Os olhos são a janela da alma e refletem a expressão do corpo e da interioridade. O que não é misterioso não é capaz de oferecer um interesse duradouro, mas para consumo imediato. Abdicar o pudor pode sinalizar falta de compreensão sobre o que é o verdadeiro amor.

         Desnudar-se além do conveniente em praias, piscinas e festas é um modo de chamar a atenção para a corporeidade, e revela um corpo sem mistério que perde a riqueza que nasce do espírito, que é onde reside a personalidade humana. A sabedoria do pudor ilumina o semblante e revela que a personalidade tem algo que transcende o corporal porque o supera. A razão humana alcança compreender que na pessoa há algo superior à matéria e criado por Deus. Esse algo é a alma espiritual, que ao ser unida à matéria, eleva-a. Um corpo não constitui o ponto final de nossas percepções, e nos remete para algo que está além dele.

    Texto adaptado por Ari Esteves para o site staging.ariesteves.com.br/, com base na obra “O pudor”, de Ada Simoncini, Editora Quadrante, São Paulo.

  • Crianças de 4 e 5 anos e a educação familiar

    Crianças de 4 e 5 anos e a educação familiar

    1 – Crianças de 4 e 5 anos e a educação familiar. 2 – Teimosias de filhos não se cura com teimosias de pais. 3 – Pais que mandam muito erram. 4 – Como acabar com chiliques e birras. 5 – A criança precisa aprender a defender-se. 6 – Medos, angústias, obsessões infantis, ciúmes. 7 – Dar responsabilidades é fomentar a autonomia da criança.

    1 – Crianças de 4 e 5 anos e a educação familiar

         Com quatro anos de idade, é notório o resultado da boa ou má educação que a criança recebeu desde o seu nascimento. Agora, novos aprendizados podem ser propostos, sendo necessário também corrigir traços negativos do caráter adquiridos nos primeiros anos: não cumprimentar, brigar com os irmãos ou amiguinhos, teimosias, usar o choro como chantagem, ciúmes, não emprestar, deixar jogados os brinquedos, falta de hábitos de higiene…

         Crianças nessas idades encontram-se numa etapa maravilhosa e muito importante de sua educação, pois começam a estabelecer as bases da personalidade: a comunicação alcança notável avanço (gostam de falar e de dialogar); vivenciam as primeiras ideias que ocuparão os melhores lugares em sua inteligência; mostram-se receptivas a tudo; começam a ganhar hábitos de autonomia; têm desejos de ajudar os pais. É unânime a opinião de que sair com crianças de quatro e cinco anos é uma beleza, pois já não é necessário carregar um arsenal de coisas: papinhas, água, fraldas, talco, pomadas, bonecos… Aceitam qualquer plano com os pais, com quem preferem conviver, mais que a outras pessoas.

         Diante dessas novas realidades é necessário saber educar com amor, exemplo e paciência, que são os pilares básicos da educação, e apoiar-se nos pontos fortes da criança para que ela supere com ânimo e valentia os defeitos da idade. Ter presente que a violência contra a criança leva ao medo, à angústia e à obediência calculada, além de torná-la agressiva com os irmãos e outras crianças. Por medo, poderá ocultar a verdade sobre os fatos e perder a simplicidade. É preciso demonstrar amor e atuar com paciência ao ver na pequena travessura não um problema, mas ótima ocasião para ajudá-la a melhorar. É importante que pai e mãe atuem em concordância, tendo um Plano de Ação bem pensado para aplicar com paciência, porque o que vale a pena não se consegue de um dia para o outro.

    2 – Teimosias de filhos não se cura com teimosias de pais

         Uma criança de quatro ou cinco anos gosta de impor seus desejos: se pede à menina para sair com a calça azul, ela dirá que quer ir com o vestido vermelho. É muito difícil enfrentar a criança teimosa, e contrariá-la continuamente não ajudará a mudar seu caráter. O que fazer? A teimosia da criança não se vence com a teimosia da mãe. É preciso atuar com inteligência ao realizar os objetivos por meio de pequenas aproximações. Se o filho teimar cinco vezes ao dia, contrarie-o uma ou duas vezes, e faça-o obedecer naquilo que é importante. Desta maneira, e pacientemente, chegará a conseguir que ceda no importante e aprenda a obedecer.

    3 – Pais que mandam muito erram

         A personalidade da criança de quatro e cinco anos está em formação. Seu autoconceito necessita adquirir a segurança de pensar e realizar algo por conta própria. Contrariar todas as suas iniciativas a fará sentir-se confusa e apática: – Tudo o quero sempre está errado! Os pais devem diferenciar entre o que é importante que a criança cumpra, ainda que ela não queira (não dizer palavrões, ser ordenada e guardar suas roupas e brinquedos, não brigar ou chutar, ser agradecida, cumprimentar as pessoas…), e aquilo que não é importante, a fim de evitar discussões bobas. Por vezes, o autêntico problema de não obedecer está em que os pais mandam muito, e a criança quer provar sua força ao atuar com independência. Deixe uma margem de criatividade para ela; não digam sempre a última palavra em tudo, a fim de que a criança conclua sobre o que é razoável: se vestiu os sapatos com os pés trocados e pergunta se estão corretos, sorria e não diga nada, mas apenas pergunte: – O que você acha? Assim, ela terá que pensar e expressar uma opinião.

         Aos três ou quatro anos surge o que se costuma chamar a “idade do não”. É um momento incômodo para os pais, mas está dentro do processo evolutivo normal da criança, com a floração mais acentuada da vontade infantil. Nesse período é importante fundamentar bem os motivos para que a criança obedeça, a fim de que perceba o quanto é razoável fazer o que pedem. A desobediência nessas idades não provoca mais danos morais que a irritação de seus pais. O hábito de obedecer será facilitado pela atuação ordenada de seus responsáveis, e não pela imprevisível e inconstante atitude de exigir algo alguns dias e em outros não. Se, por exemplo, indicarem à criança que pendure no cabide o uniforme escolar ao chegar em casa, não devem desistir até que isso passe a ser um hábito (os pais não devem pendurar para não perderem autoridade).

         Os pais têm o direito de ser obedecidos, mas devem elogiar os esforços da criança, que terá mais alegria em obedecer. Há pais que correm o risco de se contentarem apenas com a aparência de obediência, porque não sabem explicar e não se dão conta de que o mero cumprimento de uma ordem não desenvolve a virtude da obediência, que é racional e traz a alegria de se atuar dentro da verdade.

    4 – Como acabar com chiliques e birras

         A criança de quatro anos está vermelha de tanto berrar, e a mãe, à beira de um ataque de nervos, agarra o pirralho e lhe aplica um corretivo. A resposta não se faz esperar: o pequeno bate na mãe. Não se solucionam birras com histerismos maternos. Diante de um ataque de raiva de um filho, deixe-o berrar por um tempo. A seguir, aproxime-se dele e tente dialogar para acalmá-lo; se o consegue, acabou a raiva; se ele continua chorando, não grite e nem brigue para não excitar ainda mais a sua agressividade. Volte a deixá-lo sozinho, a fim de pare por si a birra. Quando, esgotado, se acalmar, abrace-o de modo que note o quanto é querido. Empregue todo o tempo que for necessário para falar com o ele sobre quanto você o ama, pois é o que mais tranquiliza a criança. Uma vez serenado, não deixe de dizer ao filho, com ternura, que fez muito mal com aquela demonstração de raiva, mas que você o perdoa, e pede para que não volte mais a fazer aquilo. O que não convém, quando a criança se tranquilizou, é repreendê-la com modos bruscos por ter se portado mal, pois a birra da mãe dará início a nova sessão de raiva da criança. Será por meio do diálogo tranquilo que a criança se conscientizará de que não agiu bem. Passe um tempinho abraçada ao filho, fazendo-o perceber o quanto é amado, pois isso terá mais efeito do que atuar com gritarias.

    5 – A criança precisa aprender a defender-se

         A criança de quatro anos, como consequência de uma maior abertura aos demais e do afã por afirmar-se, tende a impor-se e, com isso, pode criar atritos com os irmãos e seus primeiros companheiros. Não dê muita importância a essas querelas. O fundamental é que, ao final da discussão, o pequeno faça as pazes com seu “adversário” e saiba, por seus pais, que não está certo brigar. Acostume-o a se defender sem violências. Deixe, com uma discreta vigilância, que ele mesmo resolva os próprios problemas. Não se lancem apavorados para salvar a criança da confusão em que se meteu, a fim de não acostumá-la a que os pais solucionem suas encrencas, o que a faria perder a capacidade de resolver as situações pelas quais toda criança terá que passar. Os atritos irão polir as arestas do temperamento dela, e a fará comportar-se com mais prudência para não desagradar aos demais. Protegê-la não é colocá-la em redoma de vidro para que nada sofra, e anular sua capacidade de reação ante a vida. Ao contrário, significa torná-la forte e segura de si para que desde pequena se acostume a resolver seus problemas.

    6 – Medos, angústias, obsessões infantis, ciúmes

         Certa mãe constatou que até três anos de idade seu filho nunca teve medos, mas a partir dos quatro começou a tê-lo: medo de morrer ou de que irão deixá-lo só. O medo faz parte do processo de maturidade normal da criança, que ao crescer e desenvolver a imaginação, tem mais consciência do que é a escuridão e as consequências de ficar só. Se até esse momento o filho dormia tranquilo, agora necessitará de uma fraca luz acesa ou de que a mãe o acaricie e converse com ele no próprio quarto da criança. O mau seria não superar o medo, convertendo-o em obsessão ou fixação angustiosa. Trate-o com amor e paciência, diga que vai ajudá-lo a perder o medo. Se, por exemplo, a escuridão o assusta, brinque de entrar com ele em locais escuros e fique ali por um tempo. Na escuridão, conte histórias de personagens valentes que de pequenos tinham medo do escuro, mas venceram suas paúras. Isso o ajudará a ter cada vez mais confiança em si e nos pais. Um último conselho: não use os medos da criança como ameaças contra ela.

         A criança ciumenta sofre muito ao se sentir deslocada, destronada. Ela necessita sentir-se querida e se isso não acontece, chama a atenção de mil maneiras, seja com caprichos injustificados ou com agressões para com o seu “rival”. Ignorar o problema não conduz a nada, nem lembrar à criança quinhentas vezes que ela é ciumenta, pois isso consolidará o sentimento, tornando-o frequente. É preciso ter com a criança mais demonstrações de carinho: uma carícia sorridente é mais eloquente que engenhosos discursos. Se os ciúmes se dirigem contra o irmão menor, dá bom resultado pedir a colaboração do filho ciumento nas tarefas de higiene e de vestir o pequeno, e outras serviços que tenham a ver com o bebê, pois o que sofre ciúmes sabe que conquistará mais o coração da mãe com a ajuda que prestada a ela, e isso o deixará muito contente, além de perceber como é desvalido seu irmãozinho.

         Procure não fazer diferenças entre os irmãos. Se há alguma razão forte para trazer algum presente apenas para um deles, explique que faz isso porque ele está doente e sofre ao não poder brincar. No que se refere às demonstrações de carinho, todos seus filhos têm direito ao mesmo: se abraçou um, faça o mesmo com o outro. Mas nem sempre tudo é paritário entre os irmãos: a criança pequena tem que aprender a aceitar sem ciúmes que, por sua idade, não poderá fazer todos os planos de seus irmãos maiores: ir acampar, jogar futebol em outro local mais distante, ir a uma festa, deslocar-se sozinho pela rua, etc. O pequeno tem que aprender a controlar o “eu também quero ir”, e aceitar que não poderá haver igualdade em todas as situações.

         Rir e chorar ao mesmo tempo não é fato que deva causar preocupação. Esse desequilíbrio afetivo é uma fase característica dos quatro anos (aos seis anos já não ocorrerá mudanças bruscas de humor). Controle-se ao perceber que o filho brincava alegremente e de repente passou a berrar porque a irmã pegou seu lápis (para a criança seu lápis não é uma bobagem: é o seu lápis!). Tenha paciência e trate de acalmá-la, pois tal como em segundos passou da felicidade à tristeza, também o fará em sentido contrário.

    7 – Dar responsabilidades é fomentar a autonomia da criança

         Aos quatro ou cinco anos, a criança aprecia assumir responsabilidades porque quer agradar aos pais e ser útil ao imitá-los nos serviços que prestam a todos no lar. É importante pedir-lhes ajuda em pequenas tarefas que possam desempenhar bem, para que desfrutem em servir. Não desperdiçar essa tendência natural de querer ajudar; estimule o sentido de responsabilidade da criança, que terá alegria em responder pelo compromisso a quem a incumbiu, sejam os pais ou um irmão mais velho. Ter responsabilidade aos quatro anos estimula o espírito de serviço e a preocupação pelos demais. Esse hábito se transformará na virtude de desprendimento e eliminará o egoísmo de pensar só em si e nas coisas pessoais, tão comum, infelizmente, em adolescentes que não foram educados com eficiência. Os pais devem agradecer os serviços que as crianças prestaram, mas sem premiá-los com objetos materiais. A satisfação do dever cumprido deve ser suficiente, o que não quer dizer que de vez em quando todos comemorem com sorvetes o esforço das crianças.

         Há pais que não querem se atrasar para sair e substituem a criança em tudo o que ela deve fazer: acordam, banham e vestem a criança; depois passam manteiga no pão, etc. A pontualidade é muito importante, mas não a ponto de converter a criança num bibelô inerte. Não se trata simplesmente de que a criança coloque o sapato sozinha, mas que desenvolva a autonomia e a responsabilidade. Se trata de ajudar a amadurecer. Limitar a autonomia ou a aprendizagem é limitar sua capacidade de se desenvolver, que é mais importante do que chegar no horário seja onde for. Tranquilizem suas pressas e aprendam a ter paciência, pois a criança não é um pequeno adulto que deve agir com a velocidade dos pais. Se querem chegar no horário, iniciem antes o processo de se aprontar. Não se importem em dar o último retoque no vestido ou no penteado da criança. O importante é que ela adquira o hábito de fazer as coisas por si. Elogiem seus êxitos para aumentar a autoestima e a segurança no agir.

         A criança de quatro ou cinco anos começa a estabelecer claramente os limites entre o “seu” e o “meu”, e não quer que troquem seus objetos por outros: sabe o que é dos irmãos e o que pertence aos pais. É bom que que ela estabeleça essas diferenças, pois isso desenvolve a individualidade, o sentido do valor das coisas e o respeito pela propriedade dos outros: saberá não abrir as gavetas dos pais e dos irmãos sem pedir licença (o mesmo devem fazer os pais com as coisas dela). Também deve ser estimulada a emprestar ou dar com alegria, explicando que doar constitui uma mostra de carinho e de generosidade, e que muitas pessoas carecem até do essencial para viver. Assim, desenvolverão o hábito de atuar em favor dos demais.

         O período de quatro e cinco anos de idade é rico em aprendizagem, que se tornará permanente. A fim de ajudar os pais, continuaremos em outros boletins a abordar mais aspectos acerca da tarefa educativa nessas idades.

    Texto adaptado por Ari Esteves, com base no livro “Tus hijos de 4 e 5 años”, de Manoli Manso e Blanca Jordán de Urríes, Colección Hacer Familia, Spanish Edition, Madrid.

  • A alegria de servir

    A alegria de servir

    1 – A alegria de servir. 2 – As virtudes estão para melhor servir. 3 – Um ambiente relacional facilita a aquisição das virtudes. 4 – Não somos autossuficientes. 5 – Necessitamos da ajuda de outros. 6 – O bom exemplo estimula aos demais. 7 – As crianças se alegram ao servir

    1 – A alegria de servir

          Todos estamos chamados a servir, seja como pai, mãe, irmão, amigo, profissional. Não há possibilidade de amar sem recusar-se ao egoísmo de viver só para si, que é causa de muitas tristezas. Manter-se no encerramento pessoal, isolar-se, é terreno de infelicidades. Não compartilhar, não ter pessoas ao redor a quem olhar com afeto, e a quem se dedicar, empequenece a alma. Em outras palavras, só nos encontramos de verdade ao doar-nos. A noção de pessoa é inconciliável com qualquer tentativa de coisificação, de ver os demais como objeto. A alegria de ser para os outros é manifestada no dia a dia em atos concretos de entrega, de serviço, de compreensão, de partilha, seja em casa, na vida social ou com amigos do trabalho.

    2 – As virtudes estão para melhor servir

          Virtude vem de virtus (força), porque empodera, dá domínio sobre si. Mas, o objetivo não é buscar uma perfeição individual, já que o caminho da felicidade nunca é isolado, narcisista. Não existem pessoas virtuosas fechadas em si, nem à margem dos demais, pois só haveria aparência de virtude, casca, já que o egoísmo não é pasto para virtudes. Adquire-se uma virtude não para se mirar diante de um espelho e apreciar os próprios músculos, mas porque existe uma ordem de perfeição em cada ser, e quanto à criatura racional essa perfeição, essa harmonia individual, está no amor, em servir por amor, primeiramente a Deus, e depois aos demais, começando pelos mais próximos.   Entrelaçadas, as virtudes embelezam ao arrancar as imperfeições que enfeiam a alma, e facilitam a liberdade de sair de si para doar-se, que é onde reside o verdadeiro amor. A vida só é verdadeira e encontra sentido no serviço aos demais.

    3 – Um ambiente relacional facilita a aquisição das virtudes

        Nossas disposições interiores são educadas ou modeladas em contato com os outros. Quando os pais aconselham o filho a ter boas maneiras e agradecer os favores recebidos, iluminam a razão da criança com princípios firmes que se transformam em bons hábitos, e ensinam a realizar um ato bom para o outro. Educar à criança desde a primeira idade para que seja ordenada ao deixar as coisas em seu lugar, e não em qualquer canto, fortalece-a para vencer a preguiça e a comodidade, e a faz compreender que é um bem para as demais pessoas do lar. A motivação não estará em buscar somente uma harmonia ou uma perfeição individual, mas também um bem para os demais.

        Todas as virtudes têm um caráter relacional e crescem em comunhão com os outros, inclusive as que parecem mais individuais: a fortaleza, por exemplo, também leva em direção ao outro porque é preciso ser forte para doar-se, para perseverar no trabalho começado, que é um serviço aos demais; a temperança facilita o autodomínio para não se servir das pessoas; manter em ordem os objetos facilita a vida de todos, e não só a daquele que é ordenado.

    4 – Não somos autossuficientes

          Há livros de autoajuda que oferecem como receita de felicidade ter uma vida independente, como se necessitar dos outros fosse frustrante e trava para o desenvolvimento pessoal. Dependemos radicalmente dos demais desde que nascemos. Podemos afirmar que a nossa existência se desdobra em direção ao outro. Não somos autossuficientes – nem os países o são –, pois precisamos do conhecimento do médico, do cozinheiro, da costureira, do mecânico, do motorista, do fabricante de utensílios… Necessitar dos demais não limita a liberdade, mas aumenta-a ao tornar a pessoa mais livres para servir com seus talentos pessoais, que é o melhor que se pode oferecer como dom de si. Isso é causa de alegria e dá sentido à vida pessoal.

    5 – Necessitamos da ajuda de outros

          A nossa existência é conviver, é ser com os que nos rodeiam. Somente há vida onde há comunhão (até as instituições para sobreviver dependem da comunhão de seus membros). Os vínculos criados com os outros dão força para o crescimento pessoal. A imagem da pessoa independente e autossuficiente é enganosa, miragem, além de ser uma ingratidão, porque ninguém vive isoladamente: recebemos tantos cuidados, experiências e benefícios daqueles que nos precederam, como continuamos a receber dos contemporâneos e dos que ainda virão. Somos melhores quando há ajuda mútua: a partir de e com os outros.

          Cada pessoa tem um caminho próprio, mas é um elo de uma corrente. Na ordem da Criação, os dons de cada ser formam um conjunto harmônico, ordenado, para o bem do conjunto. Em nosso caminhar, todos temos uma vocação, uma função a desempenhar. A vida de cada pessoa é um tecido de encontro, de relacionamentos (ser com os outros): aprende-se a falar, a ler, a escrever, a ter uma profissão, etc., com a ajuda de outras pessoas. Sentir o apoio das pessoas e dar apoio a elas é fonte de alegria e de estímulo para seguir adiante: acompanhar e ser acompanhados. É mais fácil ser e crescer rodeados de pessoas em quem confiamos e que confiam em nós. A falta do apoio dos demais faz decrescer, e quando se cai não há quem estenda a mão.

    6 – O bom exemplo estimula aos demais

          O bom exemplo das pessoas ao redor é estímulo para crescer em virtudes, seja na vida familiar, social ou profissional; e o mau exemplo enfraquece a aspiração para ser melhor. Um lar sóbrio, comedido, onde se vive a virtude da pobreza e do desprendimento, educa para a temperança todos os seus membros. Quando uma mãe cuida dos detalhes de ordem e limpeza da casa, e exige a colaboração dos demais em tais tarefas, ensina aos filhos o valor do cuidado com as pequenas coisas, e isso tem transcendência na ordem interior deles. O mesmo acontece entre amigos, colegas de trabalho e em qualquer comunidade humana: criar ao redor de si um ambiente virtuoso ajuda a que todos cresçam espiritualmente e caminhem ao encontro da própria perfeição. Pelo princípio da unidade da pessoa, ao melhorar em um aspecto, melhora-se em todos os demais.

    7 – As crianças se alegram ao servir

          As crianças pequenas têm um desejo natural de servir, de agradar aos pais. Ao atribuir a elas tarefas que sejam capazes de realizar, as fará executar com alegria e em plano de brincadeira (brincar é o trabalho da criança). Basta mostrar ao pequeno de um ano e meio o cesto de lixo onde depositar a frauda suja, que ele repetirá essa ação alegremente todos os dias. Os brinquedos devem ser guardados em caixas separadas, e não amontoados numa só. Se os pais fixam na lateral de cada caixa a imagem do que nela deve ser guardado (uma para cada tipo de brinquedo: bolinhas, bonecas, lego, carrinhos, soldadinhos, etc.), ajudarão a criança a ganhar hábitos de ordem. Tarefas como colocar os pratos na mesa, recolher e lavar os talheres, varrer a casa, enxugar o banheiro, tirar o pó dos móveis, também são encargos que as crianças podem desempenhar, dependendo da idade, a fim de que aprendam desde pequenas a servir e colaborar com a ordem da casa e o bem estar de todos.

    Texto produzido por Ari Esteves para o site staging.ariesteves.com.br/, com base nos ensinamentos de José Manuel Antuña, Oviedo, Espanha (página Facebook).

  • Perfil de um lar que não educa

    Perfil de um lar que não educa

    1 – Perfil de um lar que não educa. 2 – Lar piquenique. 3 – Lar diletante. 4 – Lar capricheiro. 5 – Lar gandaieiro. 6 – Lar bronco.

    1 – Perfil de um lar que não educa

          A família é a influência mais profunda na vida de qualquer pessoa, tanto para o bem quanto para o mal. Tudo dependerá da qualidade educativa oferecida pelos pais, que necessitam dedicar tempo à sua formação para bem educar. O boletim Perfil de um lar educador, enviado anteriormente aos assinantes, discorreu sobre alguns aspectos positivos do lar que educa. Agora, no presente boletim, serão abordados alguns pontos negativos acerca do lar que não educa, com a “Sugestão de leitura” para ajudar na correção desses aspectos:

    2 – Lar piquenique

         É lar festivo porque os pais acreditam que unicamente divertindo os filhos conseguirão o afeto deles, e com isso tudo estará resolvido. Então, porque querem agradar, pouco exigem das crianças, e tudo gira em torno do lazer: filmes, músicas, pizzas, jogos, viagens… Não há um projeto educativo com base no conhecimento profundo de cada filho: qualidades, para potencializá-las ainda mais a fim de que possam colocá-las ao serviço dos demais; defeitos, para corrigi-los e edificar a personalidade.

         O centro do lar piquenique não são os pais, mas a TV e outras mídias, que ocupam todos os espaços e protagonismos, até durante as refeições, já que os pais só pensam em descansar e agradar aos filhos. Sempre atrás dos seus gostos e interesses materiais, os pais não se sacrificam para viver uma prática religiosa, e quando o fazem é por rotina. Ao ver que seus pais nunca rezam na mesa para agradecer os alimentos, nem o trabalho que possuem ou a saúde, então os filhos julgam também não necessitar de Deus, e desconhecem, para agradecer, que suas qualidades pessoais são dons recebidos gratuitamente por Quem lhes infundiu a alma.

    SUGESTÃO DE LEITURA: Pais submissos, crianças sem limites, Os pais devem educar com mentalidade profissional, A família e as virtudes dos filhos

    3 – Lar diletante

         Um dos significados de diletante é o de quem pratica um ofício como passatempo, e não como uma finalidade de vida. Nesta família, a figura do pai tem pouca força moral porque prefere dedicar-se de corpo e alma aos assuntos profissionais, e transfere à esposa a educação dos filhos. Acresce-se que pai e mãe, que nada leem sobre a educação comportamental dos filhos ou temas de orientação familiar, confiam que as instituições e as estruturas sociais suprirão o que não ofereceram.

         A imagem que as crianças têm de seus pais em lares diletantes é que são bonzinhos, já que ganham tudo o que pedem. Mas ao não ver neles a força moral de quem está comprometido com a verdade, nem se sacrificam por valores que norteiam a vida, acabam não os admirando. E porque desconhecem a história pessoal dos pais, e nada sabem acerca do trabalho profissional que realizam – eles julgam que as crianças não entenderão −, o diálogo com os pequenos nunca é pessoal, íntimo, de abrir horizontes e revelador da vida, mas restringe-se a frivolidades: hobbies, comidas, diversões, programas de tv, mexericos, críticas negativas sobre outras pessoas.

         Ao ignorar os sacrifícios dos pais, porque o trabalho e a vida deles é uma entidade desconhecida, é compreensível que os heróis dos filhos sejam os esportistas, atores, músicos e outras personagens midiáticas. Em tais lares as crianças mostram pouco ou nenhum respeito às pessoas de fora: visitas, amigos dos pais, professores, funcionários do condomínio ou da escola, atendentes de lojas e supermercados.

    SUGESTÃO DE LEITURA: O pai e sua importância na educação dos filhos, Pais frouxos, violentos e assertivos, O caráter dos filhos: missão dos pais,

    4 – Lar capricheiro

         Os pais nunca dizem “não” e, manipulados, cedem facilmente aos caprichos dos filhos, mesmo quando notam cometer um erro ao permitir o que no fundo não aprovam. Mandões e enjoados, os filhos só comem o que gostam e, se reclamam de algo, a mãe prepara-lhes outro prato; impõem os passeios que querem como condição para irem, mesmo que não agrade ao outro irmão ou aos pais. Ao não experimentarem negativas, os filhos mostram um nível baixo de resistência às contrariedades e incomodidades, têm pavor da menor dor física e se queixam continuamente de situações que não podem evitar: mau tempo, incomodidades físicas, dificuldades com colegas na escola, um plano que não deu certo… E porque dispõem de dinheiro fácil, desconhecem qualquer tipo de privação: compram doces, refrigerantes e sanduíches sempre que desejarem.

         Os pais, em lares onde o capricho se torna lei, ao não se prepararem para os desafios na educação dos filhos, fogem dos problemas e se tornam permissivos, ou perdem a paciência e partem para a violência, mas nunca para o diálogo assertivo.

    SUGESTÃO DE LEITURA: Carinho e firmeza com os filhos-IIEducação das virtudes na primeira infância, A temperança dá senhorio à conduta.

    5 – Lar gandaieiro

         Acostumadas ao conforto, divertimentos e a ter seus problemas resolvidos pela solicitude de pais superprotetores, que as livram de qualquer sacrifício e esforço, as crianças escapam continuamente das tarefas, ao invés de enfrentá-las, e estão sempre na gandaia, fazendo apenas o que gostam. A expressão que mais sai da boca dessas crianças é “que chato”, e basta que reclamem para se esquivarem de obrigações desagradáveis: arrumar os brinquedos, ordenar suas roupas, limpar o banheiro e outros encargos no lar, estudar, dedicar tempo a alguém.

         Excessivamente dominadas pelo conforto, as crianças de um lar onde a gandaia impera crescem sem o conhecimento da realidade, que logo enfrentarão, e fogem cada vez mais de suas responsabilidades, deixando-as para os outros resolverem. Educadas apenas para serem felizes sentimentalmente, se desorientam diante dos problemas que devem encarar, pois o motor de suas ações não é a inteligência e a vontade, mas os desejos e gostos dos afetos e paixões.

         Jovens formados em lares com hábitos de autoindulgência, apoiados pelos pais desde a infância, não têm forças para perseguir ideais que custam sacrifício: preparar-se para uma carreira em universidade pública ou no exterior, descobrir e desenvolver suas potencialidades para colocá-las ao serviço dos demais, dedicar algum tempo a atividades de assistência social ou de ajuda aos mais necessitados, trabalhar para ajudar nas despesas da casa, entre outras.

         Embotados entre a infância e a adolescência por tantos passatempos frívolos, os filhos de lares gandaieiros enjoam-se deles e, com a vontade enfraquecida e subjugada pelos sentimentos, se tornam alvos fáceis das drogas, pornografia e álcool.

    SUGESTÃO DE LEITURA: Os bons hábitos dos filhos, O hábito da ordem em crianças de 1 a 3 anos, Educar para a temperança.

    6 – Lar bronco

         Não há nesse lar a preocupação de educar a sensibilidade dos filhos para o belo, porque os pais não aproveitam os fins de semanas e os feriados para promoverem vídeos culturais e formativos; não visitam museus, pinacotecas, audições musicais, exposições científicas e culturais. Com isso, o horizonte das crianças se restringe a imitar o grotesco que veem em programas de TV e em outras mídias, em geral baixaria. A leitura não sendo hábito dos pais, consequentemente também não o é dos filhos (montar uma boa biblioteca familiar, nem pensar; só gastam com pizzas, filmes e jogos digitais).

         As crianças em lares que não cultivam nenhum passa tempo sério que estimule a inteligência, tais como jogos de memória, de discorrer, dominó, damas, xadrez, lego, cubos, quebra-cabeça, passam a preferir o mais fácil: televisão, jogos digitais, músicas, desenhos em excesso, e com isso ficam com a mente preguiçosa para disciplinas escolares que exigem mais raciocínio, como matemática, química, física, português.

         Os pais, que assistem filmes indiscriminadamente, muitas vezes de péssimos valor moral, sinalizam às crianças que ao crescerem poderão imitá-los. A incapacidade de se relacionar com o que é complexo ou profundo é uma amarga infelicidade. Um dia, como já disse Alfonso Aguiló, quando os filhos despertarem, se lamentarão com verdadeiro pesar dessa omissão dos pais, que debilitou neles o natural e espontâneo desejo infantil por aprender, tornando-os conformistas e insensíveis para se aprofundar na verdade, beleza e bondade. Toda recusa ao espírito endurece o coração.

    SUGESTÃO DE LEITURA: Promover a cultura familiar, Menos telas digitais e mais livros, O hábito da leitura.

    Texto adaptado por Ari Esteves para o site staging.ariesteves.com.br/, com base na obra "Enquanto ainda é tempo", de James Stenson, Editora Quadrante, São Paulo (SP).

  • 10 dicas sobre o comportamento das crianças

    10 dicas sobre o comportamento das crianças

         Seguem 10 orientações que ajudarão na educação do comportamento de crianças e adolescentes, colhidas em excelentes obras sobre a educação dos filhos:

    1 – A importância da família. 2 – Reconhecer as qualidades humanas de cada filho. 3 – Detectar os problemas antes que surjam. 4 – Conhecer o temperamento de cada filho. 5 – Diminuir o tempo das telas digitais. 6 – Exigir obediência. 7 – Educar para a autonomia. 8 – Fomentar ideais grandes nos filhos. 9 – A importância da unidade dos pais. 10 – Transmitir aos filhos a fé em Deus

    1 – A importância da família

         A influência da família é a mais profunda na vida de qualquer pessoa, e muito superior à do ambiente, quando se sabe educar. Para os pais, a educação dos filhos deve ser um ideal de vida: se falharem nessa missão não serão felizes, mesmo que tenham sucesso profissional;

    2 – Reconhecer as qualidades humanas de cada filho

         Cada filho deve reconhecer seus talentos pessoais, pois é importante para a autoestima dele. Não o compare com outras crianças, mas faça-o perceber o que de melhor há nele. E para que não se torne soberbo ou vaidoso, faça-o compreender que suas aptidões naturais foram dadas gratuitamente por Deus, a fim de serem colocadas ao serviço dos demais, pois é nisso que reside o amor. Tratar cada filho não como é, mas como poderá chegar a ser: potencialize suas qualidades; acredite e confie nele e surpreenda-o todos os dias ao elogiar o que fez bem, pois o subconsciente da criança registra o agrado e incentiva a que repita a ação. Os pequenos êxitos motivam o esforço, mas não premie com coisas materiais para não transformar a criança em pequeno consumidor;

    3 – Detectar os problemas antes que surjam

         A educação é um processo contínuo, onde todo problema tem conserto, desde que seja estudado e se estabeleça um Plano de Ação. As dificuldades dos adolescentes podem ser detectadas antes de se tornarem problemas, ou seja, na infância. É melhor chegar antes, prevenir-se ao antever que um mau hábito poderá se estabelecer, ou agir logo nos começos quando um mau comportamento já despontou, a fim de que não se cristalize. Algo concreto como não estudar, não viver um horário, não ajudar em casa, más companhias, etc., pode ser corrigido ao ser apresentado um ideal de ordem superior que motive a vontade: mantenha conversas frequentes sobre os porquês acerca dos aspectos concretos a melhorar;

    4 – Conhecer o temperamento de cada filho

         Procure conhecer o temperamento de cada filho para educar de modo personalizado (cada um é diferente e diferentemente deve ser tratado). Faça-o conhecer seus defeitos e ajude-o a ganhar as virtudes apostas às falhas habituais. Leia sobre Os hábitos de ordem nas crianças de 1 a 3 anos, pois essa virtude é a primeira a ser vivida na infância. Tenha paciência com a criança, e anime-a a lutar cada dia com espírito esportivo e alegre (o esportista sempre procura melhorar suas metas, mesmo que falhe um dia ou outro). Não basta que seu filho seja bom estudante, ao exigir que apenas tire boas notas: para que ele dê certo como pessoa necessita de uma formação integral, e esta envolve a educação da vontade e dos afetos (sentimentos, emoções e paixões);

    5 – Diminuir o tempo das telas digitais

         A criança precisa aprender a brincar. Diminua o tempo de desenhos animados e telas, que a tornam passiva e preguiçosa para pensar e imaginar, e com dificuldades em disciplinas que exijam mais raciocínio (matemática, química, física, português…), e substitua-os por jogos de memória, de discorrer, dominó, damas, xadrez, lego, cubos, quebra-cabeça, etc.

         A criança que aprende a jogar saberá estudar e cumprir seus deveres (as regras). Tanto os jogos como o esporte fomentam muitas virtudes e habilidades sociais ao exigir o cumprimento das normas estabelecidas e respeitar os “adversários”. A criança deve saber também brincar sozinha, sem a falsa “companhia” das telas digirais. O silêncio exigido por atividades como parear cartas de figuras iguais, lego, montar quebra-cabeça, entre outras, faz pensar e fixar a atenção, prejudicada hoje pelo excesso de imagens digitais; prepara a criança para resolver sozinha seus pequenos impasses; desperta a interioridade dela e a faz ganhar autonomia. Após brincar, a criança deve aprender a guardar seus objetos e ordená-los em diferentes caixas, e não jogá-los tudo num único baú;

    6 – Exigir obediência

         Exija obediência em poucas coisas, desde que sejam importantes, a fim de não cansar a criança com demasiadas cobranças. Por exemplo, não determine que vá à festa com a roupa verde, se ela quer ir com a azul; mas exija que seja responsável ao cumprir as tarefas que foram atribuídas a ela para o bom andamento do lar;

    7 – Educar para a autonomia

         Não faça de seu filho um eterno dependente de você. Eduque-o desde as primeiras idades para ganhar autonomia ao não substitui-lo naquilo que pode fazer sozinho, a fim de não ficar passivo e sempre à espera de que os outros façam as coisas por ele (enfraquece a personalidade já na adolescência). Leia o boletim Construir a autonomia da criança;

    8 – Fomentar ideais grandes nos filhos

         Os adolescentes têm capacidade de entusiasmar-se por grandes projetos, porque a vontade, importante faculdade humana que move o querer, se sente atraída por razões poderosas e verdadeiras, principalmente as de serviço ou ajuda aos demais. Ensine os filhos a fazerem não apenas o que gostam, mas o que devem, porque isso fortalece a vontade deles para superar a comodidade e enfrentar os obstáculos que surgirem na busca dos ideais que almejam. Leia o boletim Educar em valores;

    9 – A importância da unidade dos pais

         Quando os pais se esforçam por melhorar edificam a personalidade dos filhos, porque o bom exemplo é base da boa educação. Cada cônjuge deve ajudar a que o outro tenha prestígio diante das crianças, para que a ação educativa seja eficaz. Não desautorizar o outro cônjuge diante dos filhos: se tiver algo a discordar, faça-o privadamente. Leia o boletim Educa-se a dois: pai e mãe não devem desautorizar-se;

    10 – Transmitir aos filhos a fé em Deus

         Transmita aos filhos a fé em Deus, que é a luz e a força que os guiará e sustentará ao longo da vida, mesmo quando vocês, pais, já não estiverem presentes. Será a herança que mais agradecerão ter recebido de vocês. Leia o boletim Transmitir a fé aos filhos

    Texto produzido por Ari Esteves para o site staging.ariesteves.com.br/

  • A temperança dá senhorio à conduta

    A temperança dá senhorio à conduta

         1 – A virtude da temperança. 2 – Os sentidos externos são a porta da alma. 3 – As crianças devem ser ensinadas a viver a temperança. 4 – Hábitos que conduzem à temperança. 5 – Ser temperado no uso das tecnologias. 6 – A disciplina ajuda a viver a temperança.

    1 – A virtude da temperança

         Colocar rédeas à sensibilidade (sentimentos, emoções, paixões), ser condutor das próprias ações e senhor de si, são atitudes de quem possui a virtude da temperança. Esse hábito desenvolve aos que o possuem um querer forte que freia os impulsos desordenados das paixões, quando estes buscam o mais fácil e prazenteiro, que depois de satisfeitos deixam um ressaibo de tristeza e derrota. A temperança desperta a capacidade crítica ao facilitar à inteligência a manutenção do foco e o não cegar-se diante das inclinações sensitivas destoantes.

         Pode parecer que a temperança tenha aspecto negativo, limitador das inclinações naturais. Porém, na realidade, é uma virtude positiva, pois ao evitar as desordens dos excessos e caprichos, faz o espírito ascender a patamares elevados, tornando-o mais operativo, forte e dinâmico. A pessoa temperada tem um recato natural que é sempre atraente, porque nota-se em sua conduta o império da inteligência: é modesta, sóbria, comedida, paciente, compreensiva, forte, atenta, responsável… Ao não dar excessivo valor às coisas que poderiam desviar os afetos e arrastar a inteligência com eles, a temperança faz perceber os matizes que a intemperança encobre, e com isso passa-se a saborear bens mais altos, como o estudo, o trabalho, a família, a religião, a arte, os livros…

         Hoje, muitos perderam o sentido de suas vidas por serem incapazes de se esforçar e gastar-se por algo que vale a pena. Os intemperados perdem demasiado tempo e energia em curiosidades que tornam o corpo e a mente desmotivados para empreender metas mais exigentes. Nas banalidades, onde muitos se revolvem e se empobrecem espiritual e intelectualmente, a pessoa temperada vê um peso morto.

         Nosso cérebro é finito e não podemos fazer várias coisas ao mesmo tempo, a menos que alguma dessas ações esteja automatizada. Quem tem a prática de conduzir um automóvel pode pensar em outro assunto enquanto dirige. Mas enquanto a ação de dirigir não está automatizada, não consegue pensar em outras coisas a não ser nos comandos do carro. O hábito moral da temperança dá como que uma segunda natureza, pois com a prática dos bons atos a inteligência ganha o hábito de pensar bem e a vontade de aderir a esse bem com espontaneidade.

    2 – Os sentidos externos são a porta da alma

         Os sentidos externos (olhos, visão, paladar, tato) são os porteiros do nosso mundo interior. Não podemos permitir que esses zeladores transformem as nossas potências interiores (inteligência, vontade e afetividade) em loja de bricabraque ao franquear a entrada de frivolidades que as desviam de realizar suas capacidades. Se a imaginação e a memória se alimentarem com demasiada música, passatempos, excesso de informação, memes, vídeos, imagens, mídias sociais, custará esforço contrariar os próprios sentimentos e instintos para atender os encargos familiares, trabalhos, vida espiritual, estudo, etc. Isso não significa que os momentos de distração e descanso devam ser descartados. Ao contrário, é importante ter horários para atividades menos exigentes, a fim de renovar as forças e retornar às responsabilidades com maior vigor.

    3 – As crianças devem ser ensinadas a viver a temperança

         Desde a idade de zero anos é possível ajudar as crianças a ganharem hábitos de temperança ao favorecer que vivam a ordem material e temporal em diferentes aspectos: dormir e acordar (perceber que o silêncio e o escuro da noite é para dormir e não brincar); com um ano e oito meses podem levar a fralda suja para a lixeira, guardar os brinquedos, colocar as roupas na gaveta. Mais adiante deve habituar-se a não invadir a geladeira para comer fora de hora, a realizar pequenas tarefas no lar, etc. Para não transformar os adolescentes em senhoritos ou imperadores, devem andar curtos de dinheiro e evitar caprichos inúteis. Se são jovens, podem ser impulsionados a trabalhar algumas horas por dia, pelo menos em época de férias, a fim de custear seus gastos pessoais e ajudar nas despesas da casa.

    4 – Hábitos que conduzem à temperança

         Sendo virtude ou qualidade que se estabiliza na alma por meio da repetição de atos bons, a temperança é um hábito que se desenvolve pelo exercício de pequenas e constantes ações que fortalecem e protegem a pessoa do desejo desordenado pelos bens primários ou ligados ao instinto, como a comida, bebida, sexualidade…; defende da inclinação desorbitada da sensibilidade que leva à preguiça e à fuga dos deveres, ao gosto exagerado pelo esporte ou música; salvaguarda a inteligência da busca desequilibrada de um bem intelectual que conduz à desatenção de outras obrigações, dada a dedicação exagerada ao trabalho, estudo, leituras ou curiosidades nas mídias sociais.

         Outras pequenas ações que repetidas no dia a dia conduzem a hábitos de temperança são as seguintes: não deixar para amanhã o que deve ser feito hoje, na rua não varrer com os olhos a tudo que passa, fugir de reclamar de pequenas incomodidades (frio, calor, uma dor de cabeça), nem se entristecer porque algo contrariou um gosto; evitar curiosear notícias fora do horário previsto e deixar de criar falsas necessidades. Nas refeições, fazer o pequeno sacrifício de privar-se de algo, mesmo que seja de uma colherada a menos do que se gosta mais; prescindir do carro e ir a pé ou via transporte púbico (exceto em épocas de pandemia); de vez em quando subir pelas escadas e não pelo elevador, evitar caprichos quando se tem dinheiro no bolso, descansar o tempo exato, ser pontual aos compromissos…

    5 – Ser temperado no uso das tecnologias

         Os aparelhos eletrônicos, as redes sociais e outros aplicativos devem ser usados com temperança, não porque sejam maus, mas porque exigem contínuo aperfeiçoamento ético para serem utilizados, o que evidentemente levará a servir-se deles com moderação ou virtuosamente. É grande o perigo de abusar desses avanços e correr o risco de perder tempo com cliques insubstanciais que só servem para dissipar a alma em mil futilidades e descentrar a cabeça dos assuntos mais importantes, ou até cair na imoralidade. Como foi dito, não se trata de deixar de utilizar esses meios, mas de vigiar para manuseá-los com sobriedade e nas reais necessidades.

         Quando as tecnologias penetram desmedidamente na vida familiar, essa perde a unidade, o calor e a estabilidade, porque as pessoas deixam de se tratar, de conviver entre si para fixar-se em telas ou em pessoas ausentes (a ordem da caridade exige que amemos os que estão mais próximos).

    6 – A disciplina ajuda a viver a temperança

         Já se disse que disciplina é a higiene da vontade. Ser disciplinado depende em primeiro lugar da inteligência para organizar o tempo com base em prioridades, e não pelo que é mais agradável de fazer.
         A intemperança é indisciplinada e leva a realizar coisas diferentes a cada dia, sempre mais fácil do que sujeitar-se a um plano diário de trabalho. As horas de estudo ou de prática de qualquer atividade são cansativas, esgotantes, mas necessárias para tornar-se um expert. A disciplina é o segredo das pessoas bem-sucedidas, sejam esportistas, escritores, artistas, cientistas ou profissionais de diferentes áreas. Os anos de insistência e autocontrole as levaram a renunciar a tantas comodidades para chegar ao alto índice de desempenho em suas atividades habituais.

         A verdadeira espontaneidade se obtém com a disciplina, com a repetição de atos que vão automatizando a conduta e dando liberdade de agir como verdadeiramente se deseja. Quem nunca treinou com raquete de tênis não terá a liberdade de fazer as jogadas que imagina.

         Só quem é disciplinado e distribui de forma organizada a cada dia da semana as diferentes tarefas, consegue ser verdadeiramente espontâneo e fazer as coisas como deseja que saiam. A espontaneidade do intemperado é falsa porque leva-o a mudar de foco quando algo se torna cansativo.


    Texto produzido por Ari Esteves para o site staging.ariesteves.com.br/

  • Os filhos e as medidas disciplinares

    Os filhos e as medidas disciplinares

    1 – A importância das medidas disciplinares. 2 – Ter sempre uma medida disciplinar preparada. 3 – Tipos de medidas disciplinares. 4 – Planejar com antecedência a medida corretiva. 5 – Filhos põem à prova a ordem dos pais. 6 – Mais algumas orientações sobre as medidas disciplinares.

    1 – A importância das medidas disciplinares

         As medidas disciplinares não podem ser confundidas com autoritarismos, violências, agressividades, imposições arbitrárias. A criança deve ser tratada com carinho, respeito e ser estimulada, com a paciência e perseverança dos pais, a fazer o que deve ser feito. As medidas disciplinares, como em qualquer sociedade (Estado, empresas e demais instituições, incluindo a família), devem funcionar como indicações que orientam as ações para o bem da pessoa e dos demais (leis de trânsito, por exemplo). Quando há um desrespeito pelo incumprimento dessas orientações, segue-se uma prudente medida de correção a fim de reparar a justiça que foi quebrada.

          Dentro da família, por vezes, não será suficiente que os pais mostrem a importância de se cumprir determinadas condutas, pois a criança, mesmo sabendo o que deveria ser feito, poderá agir de modo contrário por desordem ou anarquia. Se a conversa carinhosa e clara para que se corrija não deu resultado, a criança deve ser informada com antecedência que, se voltar a repetir a ação, qual medida disciplinar será aplicada para que policie seus atos. Isso porque há ações que devem ser corrigidas: se quebrou deve consertar, se sujou deve limpar, se tirou nota baixa na escola deve estudar, se bagunçou deve arrumar, se foi malcriado deve pedir desculpa…

         Os filhos devem concluir que a má conduta não será bem-vinda. Para isso, as vias de fato são mais eloquentes do que as palavras, a fim de que policiem seus atos, tal como para os adultos agem diante de multas de trânsito e juros por atraso de pagamento. Se a mãe disser ao filho que não é hora de assistir desenho, mas de arrumar o quarto e os brinquedos, e este responder que continuará com a TV, ela deve ultimar com calma, sem gritar:  − “Já sabe a regra: ficará sem desenhos hoje e amanhã se não arrumar seus brinquedos agora” ou − “Só descerá para o futebol depois que fizer a lição da escola”. Deixar de exigir o que é correto permite que os filhos se tornem escravos de seus caprichos.

    2 – Ter sempre uma medida disciplinar preparada

         A criança deve concluir que seus pais têm sempre uma medida disciplinar prevista. Por exemplo, há visitas em casa para o jantar, e o pai percebe que a filha de quatro anos está cansada e irritada, e pede a ela que vá dormir. O pai insiste, mas ela desobedece. Por que a menina agiu teimosamente? Porque o pai não tem autoridade e ela sabe que nada acontecerá.

         Antes de impor uma medida corretiva, é importante se assegurar que a criança ouviu e entendeu a indicação, e mesmo assim desobedeceu. A medida deverá ser proporcional à conduta a ser corrigida: nem exagerada nem fraca como ir para o quarto com o notebook. Se a mesma medida deve ser aplicada a dois filhos, é prudente que cumpram em lugares separados.

    3 – Tipos de medidas disciplinares

         A medida disciplinar deve ser a via necessária para reparar um mau comportamento, e não capricho dos pais. Não teria sentido uma disposição que impedisse de fazer algo bom e útil como realizar exercícios físicos, ler, estudar, visitar um amigo doente…
         A determinação deve desagradar, mas com a lógica de reparar uma insubordinação: isolar no quarto ou local chato por um período; retirar temporariamente a atividade prazerosa que leva a descumprir as obrigações: playground do prédio, tv, tablete, desenhos, futebol, games; não sair no fim de semana; retirar por um dia o aparelho de som da filha que insiste em manter o volume alto; se quebrou de propósito o brinquedo do irmão deve pagar pelo conserto com a própria mesada ou dar um dos seus brinquedos. Por vezes a correção deverá prolongar-se no tempo como consequência de um fraco resultado escolar, tal como limitar as saídas durante uma temporada, mas sem perder de vista que o objetivo é facilitar os meios para estudar, já que não teria sentido ficar bestando pela casa.
         Não se deve chegar às vias de fato, como bater ou golpear, pois prejudicam física e psicologicamente a criança, que jamais esquecerá a agressividade para com ela: beliscar, empurrar, gritar, puxar os cabelos… A ação física de segurar suavemente o braço da criança e levá-la até o local da bagunça para arrumar é cabível, mas sem palavras grosseiras, sem aumentar o tom de voz, sem intimidar. Há mães que em último caso aplicam uma leve palmada no bumbum, mas informam com antecedência à criança que farão isso para dar a entender que tal medida não ocorrerá por ira ou descontrole.

    4 – Planejar com antecedência a medida corretiva

         Conduz melhor quem vai adiante e não atrás das peripécias. Não esperar que filho ignore a ordem para depois improvisar o castigo. O garoto de 12 anos tinha a indicação de voltar para casa às 20h, mas chegou às 23h. O pai, enfurecido, gritou e o chamou de vadio e disse que durante quinze dias só sairia para ir ao colégio. Na mesma semana ele suspendeu a medida porque a mãe não aguentava mais a atrapalhação e as reclamações do garoto sem rumo pela casa.

         Os pais devem combinar antes sobre as correções que serão aplicadas aos filhos, a fim de não inventar no momento da ocorrência do fato que a reclama, pois medidas irrefletidas, feitas de bate-pronto, costumam ser injustas, exageradas. Caso um dos cônjuges não concorde com a correção aplicada pelo outro, nunca deve desautorizá-lo diante dos filhos, mas conversar com ele a sós.

         Se o garoto assiste desenho e o pai pede que desligue a TV e se apronte para a escola, é quase certo que a indicação será descumprida se o pimpolho perceber que terá tempo suficiente para vestir-se ao fim da animação. O pai deveria perguntar antes sobre o tempo que faltava e pedir para desligar discorrido esse tempo.

         O filho deve ser informado que a correção será um bem para ele, e o preço que desejou pagar ao assumir as consequências de sua má conduta. Por exemplo, a família está reunida na sala para ler, mas o garoto incomoda a todos com o barulho da corneta de plástico. O pai, que já havia pedido com carinho e respeito para que brincasse em silêncio, diz: − “Havia dito que você ficaria no quarto até o jantar, se não parasse com esse barulho. Portanto, vá”. Mas onde está o bem dessa medida para o garoto? Está em aprender a respeitar os demais ao não ser inconveniente.

    5 – Filhos põem à prova a ordem dos pais

         Para saber se os pais falam a sério, os filhos testam a ordem recebida ao pensar “Se eu protestar eles vão ceder”. A intenção é manipular os pais a fim de que desistam da indicação. Para isso utilizam vários mecanismos: chorar é sempre um êxito, como também repetir nervosamente “não vou, não vou”, “não quero, não quero”, “me dá, me dá”. O show de se jogar no chão e espernear para constranger os pais é sucesso garantido; ou discutir com raciocínios de lógica aparente: “Sempre eu, sempre eu; nunca o meu irmão” ou desafiar com um “duvido!”, “não vou”, “não faço”. Os pais devem manter-se calmos e firmes para que os filhos encontrem neles um muro inalterável chamado “determinação”, pois só assim controlarão seus histerismos. Ceder habilita a criança a não mudar de atitude.
         Se a filha não quer compreender de modo delicado acerca da necessidade de ajudar nas tarefas do lar, e teimar sem razão que não lavará a louça, a mãe, sendo uma autoridade em casa, poderá cominar a medida de deixá-la sem TV ou sem ir à casa da prima no sábado, planos apreciados pela menina. A certeza de que sua determinada mãe cumprirá o prometido a fará abandonar sua caturrice. Os pais quando estão com razão não devem temer zanga de filhos, que duram poucas horas.

         Com a finalidade de desconcertar, a criança diz que não liga para a medida corretiva, a fim de que os pais pensem que nada funciona com ela, durona na queda. Papo furado! Não acreditem nessa postura, pois entre os humanos as crianças são as que mais se importam com a retirada de privilégios. Exemplo: − “Beatriz, se não terminar seus deveres não irá ver televisão hoje”. A filha responde: -“E daí? Tudo bem!”. A mãe, que havia pensado antecipadamente na melhor medida corretiva, disse: − “Ótimo, a escolha foi sua: ficará sem TV hoje”. A filha imediatamente retrucou: − “Mas e a minha novela?” A mãe: − “Você disse que não se importava. A escolha foi sua, querida. Se quer assistir, termine os deveres”. A filha respondeu: − “Tá bom, já faço”. E a mãe elogiou-a: − “Ótimo, meu amor, sua escolha me alegra!”.

    6 – Mais algumas orientações sobre as medidas disciplinares

         Não recorde uma indisciplina

    Aplicada a medida disciplinar encerre o assunto. Dizer “Não me faça mais aquilo do outro dia” revela um pai rancoroso que não sabe esquecer ou perdoar, e que pouco acredita na melhora do filho.

    Não anunciar uma medida que não pode ser exigida

         A mãe, desde o carro e diante da escola, aguarda o filho. Porém, chateia-se pela demora dele, que conversa com amigos junto à porta, e diz: − “Se não vier agora irá a pé para casa”. O garoto responde: − “Tubo bem, vou caminhando…”. Confusa, a mãe não cumpre o indicado porque residem distante. Com isso, ficou desautorizada.

    Substituir a correção que não causou efeito

         A medida corretiva que não produziu efeito deve ser substituída por outra mais adequada. Se os irmãos querem estudar e o caçula faz barulho com a metralhadora de plástico, não terá efeito apenas retirar o brinquedo porque pegaria outro também barulhento, como já ocorrera. Então a mãe dirá: − “Se quiser brincar aqui não faça barulho ou ficará no quarto até a hora do jantar”.

    Aplicar logo a correção

         “O tacho se limpa enquanto está quente”, diz o ditado. Corrigir um fato passado já esquecido surte pouco efeito, além de causar estranheza. Por isso, aplicar o quanto antes a sanção, sem nunca suspendê-la, revela que os pais, sempre carinhosos, agem prontamente e com justiça, além de que sempre falam a sério e não mudam de parecer ao exigir que se cumpra a determinação. Isso não quer dizer que a correção não possa recair sobre algo que o filho planeja fazer no fim de semana; porém, a punição fora determinada no momento da indisciplina.

    Não dar uma ordem e ignorar seu incumprimento

         A filha deixou molhado o chão do banheiro e a mãe pediu várias vezes que fosse secá-lo. Ao ver que a menina permaneceu lendo no sofá, se calou como se nada tivesse acontecido. Com isso, desautorizou-se porque deu a entender que suas indicações não precisam ser atendidas e não possuem valor. Com isso, permitiu que a adolescente se mantivesse na sua preguiça, desobediência e pouco interesse por quem fosse depois banhar-se. A ação assertiva da mãe seria ir até a filha, sentar-se ao lado dela, reiterar a ordem com calma e anunciar uma medida corretiva, caso viesse a desobedecer.
         Se no parque o filho bateu num menino e o pai afirmou que se tornasse a fazê-lo voltaria imediatamente para casa, deverá cumprir a indicação se a má ação venha a ser reiterada, mesmo que o pirralho venha a protestar com berros e esperneio sobre a grama. Com isso, deixará de ser agressivo com outras crianças em seus passeios.

    Fazer vista grossa não educa

         A mãe recebe em casa sua amiga, mas no quarto o filho mantém alto volume o aparelho de som. A visitante exclama: − “Nossa, como você aguenta esse ruído?”. A mãe, desanimada, responde: − “Cansei de pedir para baixar. Não me ouve nunca. É como falar com a parede”. Tal desabafo revelou a pouca autoridade e a fraqueza de quem desistiu de sua missão.

    Correções em forma de pergunta não funcionam

         A autoridade se constrói com carinho e assertividade, que é falar claro e com bons modos. Porém, longe disso estão as indicações em forma de pergunta:

         “Por que se comporta mal comigo?” ou “Por que não liga para o que eu falo?”. São perguntas que ficarão sem respostas porque a criança não sabe explicar o motivo do seu comportamento, e apenas balançará os ombros deixando tudo em águas de bacalhau.

    Indicações em forma de súplica também não funcionam

          Pedir algo em tom de súplica não é boa prática. Se a mãe diz ao filho que vá dormir, pois é a hora, e este responde que não tem sono, e ela apela para a súplica ou compaixão do tipo “Mas é tarde e eu estou cansada. Por favor, vá se deitar”, revela fraqueza e empodera a criança, que desconhece o significado do cansaço de um adulto, o que torna insuficiente essa razão. Importa dizer o verdadeiro motivo de dormir e levantar-se no horário: trata-se de questão de ordem e de disciplina familiar, de respeito ao trabalho da mãe e da funcionária da casa, além de exigir que o filho viva uma rotina a fim de atender suas obrigações.

    Texto produzido por Ari Esteves, inspirado na obra “Carinho e firmeza com os filhos”, de Alexander Lyfor-Pike, Editora Quadrante, 2015, São Paulo.

  • Carinho e firmeza com os filhos – II

    Carinho e firmeza com os filhos – II

    1 – A função educativa da família. 2 – Ver a família como o principal negócio. 3 – Os defeitos progridem com a passagem do tempo. 4 – Por que exigir? 5 – Conquistar virtudes. 6 – Educação da vontade é o mais importante. 7 – Educação assertiva é a melhor. 8 – Mais algumas dicas para exigir com eficácia

    1 – A função educativa da família

          A família é a influência mais profunda e duradoura na vida de qualquer pessoa. Esse influxo será positivo ou negativo, dependendo da maior ou menor preparação dos pais como educadores. Não basta conviver com os filhos; é preciso ter a intenção de educar e estabelecer um projeto educativo que desenvolva as potencialidades de cada um e corrija seus defeitos.

          A Pedagogia Familiar é a nova área de estudos acadêmicos (teóricos e práticos) que se insere na pedagogia diferencial, e que considera a educação da criança em função das diferenças de idade, sexo, temperamento, caráter, ambiente. Sendo a família “o melhor negócio dos pais”, existem hoje escolas de pais como há escolas para dirigentes empresariais. 

          A preocupação educativa deve dominar a vida dos pais, sem regatear esforços para isso. Hoje não basta educar meramente com o sentido comum, improvisações ou com a experiência pessoal, mas é necessário um preparo científico que leve a dar as respostas que os filhos necessitam. Atualmente as crianças crescem e são socializadas em ambiente muito distinto daquele em que foram educados seus pais, quando tinham a mesma idade. Dada a grande quantidade de informação e desinformação que atualmente recebem as crianças, o comportamento delas é diferente, e por isso necessitam de uma orientação mais assertiva. 
          Mesmo que não sejam profissionais da educação, os pais necessitam atuar com mentalidade profissional ao procurar instruir-se continuamente sobre temas de orientação familiar e educação dos filhos, seja por meio de palestras, lives, leitura diária (10 minutos) de artigos e livros, formação de grupos de estudo com casais amigos, entre outras iniciativas.

    2 – Ver a família como o principal negócio

          Preparar os filhos para a vida é o maior investimento que os genitores podem fazer, e a tarefa mais importante a abraçar. Assim, se adiantarão em detectar os problemas para aplicar as soluções pedagógicas mais acertadas. 
          Para que a hipertrofia do trabalho profissional não roube o tempo dedicado à preparação para educar bem os filhos, os pais devem ver a família como o seu melhor negócio e principal âmbito de realização pessoal. É triste o testemunho de homens e mulheres que se realizaram profissionalmente, mas arrependidos viram seus filhos se desencaminharem na vida devido à insuficiente educação do temperamento e caráter que proporcionaram a eles.

    3 – Os defeitos progridem com a passagem do tempo

          É falso o raciocínio de que os filhos aprenderão com o tempo, pois a lei do menor esforço afeta adultos e crianças, sendo um grave erro antropológico não ter presente esse princípio inato de desordem que todos carregamos dentro. Os defeitos progridem com a passagem do tempo, se não há esforço por erradicá-los. Ações reiteradas geram pré-disposições boas ou más (virtudes ou vícios). Se a criança de um ano e oito meses não é exigida para jogar no lixo sua fralda suja, terá para si que é tarefa exclusiva da mãe, que a estará educando erradamente ao não atribuir a ela esse encargo. Ao crescer mais alguns meses, a criança deverá ser estimulada com carinho, insistência e paciência, para guardar seus brinquedos, arrumar suas roupas, dormir e comer no horário. Logo, a partir dos dois anos, deverá ajudar nas tarefas do lar de acordo com suas capacidades. Se isso não acontecer, será um adolescente desordenado, preguiçoso e egoísta ao não partilhar seu t

    4 – Por que exigir?

          Não há educação sem autoridade, sem a diferença clara de papeis: educador e educando. As crianças necessitam de pais no papel de pais, não de cúmplices que cedem a tudo. Ao gerar, os pais contraem uma profunda confiança dos filhos, tão necessária para educá-los. Não ter medo de exigir porque é direito e dever dos pais e não mero capricho; e os filhos não fazem um favor ao obedecer, já que a obediência é condição para deixar-se educar.
          O adulto busca instruir-se por iniciativa própria. Porém, a criança não sabe o que é necessário conhecer, nem o que é certo ou errado, e só busca o que agrada aos seus sentidos: ela não compreende por que não pode ver televisão o dia todo; por que tem que tomar banho, cumprir horários, ordenar seus brinquedos e roupas, agradecer e respeitar aos demais… Essa sabedoria pertence aos pais, que a transmite inicialmente exigindo, até que a criança interiorize o aprendizado e passa a agir por vontade própria.

          Erro comum é exigir que os filhos sejam apenas bons estudantes. A formação acadêmica ou profissional é só um aspecto da educação integral da pessoa humana, que carece também da formação da vontade e dos sentimentos. Há alunos excelentes do ponto de vista escolar, mas não têm autodomínio e são vítimas de seus instintos, sentimentos, paixões e portadores de temperamento e caráter de difícil convivência, seja na vida familiar, profissional ou social.

          As crianças não devem ser vistas apenas como necessitadas de ajuda e portadoras unicamente de direitos, mas possuidoras também de deveres filiais, fraternais e sociais. Devem contribuir para o bem-estar de todos na casa: enxugar banheiro, colocar pratos e talheres na mesa, ordenar seu quarto e objetos pessoais, varrer, ajudar os irmãos, ser educadas com os que não são da família…
          Não esperar que a criança se torne ingovernável para iniciar o processo educativo: há muita sabedoria no dito “é melhor prevenir do que remediar”. Adolescentes que não estudam, não cumprem os encargos familiares, são desordenados, comilões e desobedientes, revelam que seus pais não souberam exigir deles na primeira infância. Erradicar defeitos cristalizados exige luta maior do que preveni-los.
          Permitir que os filhos adiem as tarefas é autorizá-los a que sejam preguiçosos e irresponsáveis. Devem primeiro cumprir o que os pais pedem, e só depois ser autorizados a fazer o que querem: − Não poderá ir brincar enquanto não recolher os pratos e arrumar a mesa do jantar.

    5 – Conquistar virtudes

          Faz parte de um projeto educativo ajudar os filhos a conquistarem as virtudes contrárias aos defeitos que possuem. Para isso, os pais devem distinguir em sua educação o que é mais importante e o que não é: se a menina insistir em ir à festa com o vestido vermelho, não se desgastar para que vá com o verde, pois tanto faz! Porém, não é “tanto faz” que ela deixe de cumprir as tarefas que lhe foram atribuídas no lar, que seja mal-educada, que minta ou que ceda a caprichos (não comer salada).
          Não ficar na periferia de cada filho, mas atentar às reações temperamentais: explosões de raivas nos jogos, preguiças e rebeldias para não cumprir as tarefas, desobediências, malcriações… Não achar engraçada a carinha enfezada, as birras, as teimosias e o jogar as coisas, pois isso incentiva a criança a repetir tais ações. Perceber que o filho sanguíneo é alegre, sociável e comunicativo, mas tende a prometer e não cumprir e ser indisciplinado. O filho melancólico é cauteloso, leal, idealista, sensível, mas seus defeitos podem orbitar no egoísmo, na suscetibilidade e no pessimismo. O filho colérico é enérgico, independente, otimista, líder, e seus defeitos costumam campear na impaciência, na insensibilidade e na agressividade com os demais. O fleumático é um filho calmo, cumpridor dos deveres, diplomata, mas pode ser desmotivado, indeciso e sem autoconfiança. 

    6 – Educação da vontade é o mais importante

          Apenas saber o que deve ser feito é insuficiente, se a vontade não se determinar a realizar. Com a vontade fraca a criança deixará de cumprir suas obrigações. Para fortalecer a vontade não há outro tratamento senão exigir o cumprimento do horário de dormir e acordar, estar pontualmente nas refeições, servir-se sozinha e comer de tudo, não ir à geladeira fora de hora; ter horário para brincar, estudar, banhar-se e vestir-se por conta própria; ordenar os brinquedos e guardar as próprias roupas. Essas ações criam hábitos estáveis que fortalecem a vontade. O filho que se vê substituído nos esforços que deve realizar tem não somente a vontade enfraquecida, mas também o caráter. O paternalismo ou a superproteção ao evitar os esforços que a criança necessita empreender, impede-a de crescer em autonomia, e a habitua a que os outros sempre façam as coisas por ela.

          Há pais que veem seus pequenos como eternas crianças, não preparando-os para a vida fora do lar, o que é uma atitude egoísta e injusta. Presenciei um menino de sete anos pedir ao professor de educação física para lhe amarrar os tênis, porque não sabia fazê-lo; e outro, com a mesma idade, aguardou no refeitório da escola que a mãe lhe cortasse o bife, colocasse o arroz e o feijão no prato − pasmem! −, misturando-os, enquanto ele com os braços estirados junto ao corpo fitava o ritual. Bem diz o ditado que “com churros não se faz alavanca”.

    7 – Educação assertiva é a melhor

          Ser assertivo é ser firme e direto sem constranger. É a capacidade de dizer de maneira clara e objetiva, sem delongas, o que deve ser dito. Assertividade é uma postura decidida, mas não agressiva, que harmoniza firmeza carinhosa com carinho firme (bigorna almofadada). Mensagens assertivas não deixam dúvidas: indicam o que fazer, quando fazer e as consequências se não o fizer. O tom de voz é firme, claro, porém calmo. 
          Frase errada, vaga: − “Venha para a mesa”. Frase assertiva: − “Você tem cinco minutos para guardar isso e vir para a mesa”. Frase errada: − “Quantas vezes tenho que pedir pra você arrumar o seu quarto?”. Frase assertiva: − “Arrume o seu quarto agora mesmo!” ou “Só sairá para brincar depois que tiver feito a lição de casa”.

    8 – Mais algumas dicas para exigir com eficácia

    Utilizar mensagens sem palavras

          O modo de se expressar é tão importante quanto o de falar. A criança não dá importância a uma indicação da mãe feita de costas para ela enquanto lava um prato, como se falasse sozinha. Emoldurar as palavras com expressões corporais: olhar nos olhos da criança ao falar com ela transmite que os pais falam a sério; colocar suavemente as mãos sobre o ombro ou a cabeça dela também.

    Não perca a calma diante de uma falta de respeito

          Se um filho, irritado, diz: − “Não quero escutar você!”. O pai, calma e firmemente, deve dizer: − “Já havia dito que não permito que fale assim comigo. Escolheu ficar em seu quarto até que resolva a me falar com boas maneiras. Vá e fique lá até a hora do jantar!”.

    O que fazer diante de uma mentira?

          Dizer uma mentira não significa ter personalidade mentirosa ou falsa, mas apenas que houve uma falha, como tantas outras. Afirmar “Você é um mentiroso” não ajudará em nada, e fará a criança se sentir etiquetada com a pecha de falsa devido a sua falha e, humilhada, corre-se o risco que assuma a etiqueta. Se os pais se deixarem enganar e olhar nos olhos da criança para transmitir que confiam nela, fará com que o remorso lhe venha à tona ao trair a confiança daqueles que tanto a amam e acreditam nela. 

    Perguntas inseguras transmitem fraqueza dos pais

          − “Quantas vezes tenho que dizer para terminar seus deveres antes de sair?”. Não esperar que o filho responda: − “Tem que dizer 10 vezes”. A reação assertiva seria: − “Você não sairá enquanto não terminar a lição”.
          A criança quebrou o vidro da janela com a bola e o pai, irritado, disse: − “Você sabe quanto custa um vidro novo?”. Não aguardar que o filho diga: − “Pera aí que vou consultar o Google!”. A pergunta foi insegura ao não transmitir a verdadeira mensagem, que poderia ser: − “Seu comportamento irresponsável causou um prejuízo econômico à família. Por favor, recolha a sujeira e tire as medidas para o vidro novo, que você e eu compraremos com a sua mesada (ou com o dinheiro daquele game que você queria e já não ganhará).

          Para aprofundar-se no tema “Carinho e firmeza cos os filhos – II”, leia os seguintes boletins em staging.ariesteves.com.br/, página Boletins: “Carinho e Firmeza com os filhos – I”, “Medidas disciplinares”, “Cinco Técnicas para manejar discussão com crianças” e “Reconhecer as boas condutas dos filhos”.

    Texto produzido por Ari Esteves, inspirado na obra “Carinho e firmeza com os filhos”, de Alexander Lyfor-Pike, Editora Quadrande, 2ª edição, 2015, São Paulo e “La realización personal en el ámbito familiar”, Gerardo Castillo, EUNSA, 2009, Navarra (Espanha).

  • A formação integral da pessoa

    A formação integral da pessoa

    1 – Educação integral da pessoa. 2 – O que é afetividade humana? 3 – A afetividade educa-se com virtudes. 4 – As crianças esperam ser educadas pelos seus pais. 5 – Preparar-se bem para melhor educar.

    1 – Educação integral da pessoa

        Educação integral é aquela que atende não apenas a um aspecto − o profissional, por exemplo −, mas tem em vista toda a pessoa: inteligência, vontade e afetos. Crescer em apenas um aspecto suprime a beleza do conjunto, como aconteceria se os membros do corpo não se desenvolvessem harmonicamente: um profissional tecnicamente competente pode ser uma pessoa de péssimo caráter e de difícil convivência.

    2 – O que é afetividade humana?

        A afetividade humana é o conjunto de tendências sensíveis e inatas que ressoam no mundo interior por meio dos sentimentos, emoções, paixões. São reações involuntárias que experimentamos diante das diferentes circunstâncias, e de acordo com a personalidade, pois cada pessoa tem uma forma peculiar de captar a realidade, que sempre a afeta em modos e graus diferentes: perante o mesmo fato as reações pessoais podem ser distintas.

        A afetividade é uma poderosa realidade que dá calor, cor e intensidade ao nosso modo de ser. Um profissional que coloca sentimentos naquilo que faz, faz melhor. Sem paixão seria difícil reunir as forças necessárias para superar os obstáculos em vista da realização de um ideal. Essa força é facilitada pela sensibilidade ou sentimentos humanos, que impulsionam a pessoa a arrostar as dificuldades.

        A dimensão afetiva possui no homem a mesma dignidade de sua dimensão espiritual (inteligência e vontade). Cada esfera é diferente e ambas se completam, dando unidade à personalidade, ao nosso “eu” espiritualizado, que é o que nos torna imortais, livres e capazes de amar. As duas dimensões − afetiva e espiritual − necessitam continuamente ser edificadas pelo nosso “eu”, que é quem julga e decide. Para facilitar essa tarefa a pessoa necessita de formação (para o adulto) ou educação (para a criança). Se essas dimensões não estiverem equilibradas conduzirão a pessoa a cometer muitos erros − alguns irreparáveis –, seja na adolescência, juventude ou idade adulta.

        Tanto a absolutização dos sentimentos quanto a do espiritualismo que desconsidera os sentimentos, são contrários à dignidade humana: não somos só afetividade (sentimentos, emoções, instintos), nem somente espiritualidade (razão e vontade). Separar a inteligência dos afetos desumaniza, pois a natureza humana se consubstancia na união harmoniosa dessas duas dimensões.

    3 – A afetividade educa-se com virtudes

        As tendências informadas pelas virtudes se tornam o melhor apoio para a razão decidir bem. Quem forma seu gosto de acordo com as virtudes, que é formar-se de acordo com a verdade, equilibra as vozes das tendências, que em seu conjunto apontarão para a verdade.

        O mundo afetivo-emocional é muito rico, quando bem orientado. Por vezes, a afetividade nos faz sentir algo bom (alegria, compaixão) ou mau (ciúmes, inveja). Por meio do juízo cada um avaliará a qualidade dos seus sentimentos, aceitando uns e corrigindo outros. Essa tarefa é facilitada pelas virtudes, que fazem sentir alegria diante do que é bom e verdadeiro e tristeza pelo que julga ser um mal, mesmo que agrade aos sentimentos. Se a afetividade oferecer resistência ao ato visto como bom pelo juízo, é o momento de corrigir-se. Porém, o objetivo não é simplesmente vencer ou submeter a afetividade, mas desenvolver o gosto pelo comportamento moralmente bom.

        A pessoa virtuosa nunca levará ocultamente e sem pagar algo do supermercado, porque tal ação, que não é bem-vista pela sua razão, desagrada-a profundamente, o que revela que sua paixão de possuir está sob seu controle. Seria muito pouco para a pessoa virtuosa apenas evitar olhar para o objeto que a atrai, a fim de não se sentir impulsionada a furtá-lo, porque isso teria um aspecto repressivo ou negativo e não uma atitude amada ou querida pela vontade. Se há virtude, aquilo que não concorda com o mundo interior rico e belo da pessoa já não interessa porque não é querido pela vontade. A pessoa bem formada tem a sua afetividade configurada para apreciar o que verdadeiramente convém e afasta-se do que a degrada ou causa mal (isso se chama dimensão cognoscitiva da virtude).

        O esforço alegre e esportivo é necessário para desenvolver as virtudes que ordenam os sentimentos: levantar-se da cama pontualmente para atender as responsabilidades do dia pode custar, mas quem o faz se sente feliz por ter agido bem. Chegará o momento em que essa atitude alegrará mais do que ceder à preguiça, que incomodará e deixará um sabor amargo. O afeto ou sentimento de alegria diante do bem realizado, ou o sabor amargo diante do mal praticado, não é um efeito colateral da virtude, mas um componente essencial dela: a virtude faz desfrutar com o bem.

    4 – As crianças esperam ser educadas pelos seus pais

        Ao não ter ainda capacidade de discernir sobre o bem ou o mal, a criança necessita ser ajudada pelos pais. Ela deseja que o educador tenha a iniciativa de fazê-la adquirir algo que por si só não saberia avaliar a importância. Por isso, ela aceita de bom grado e colabora com a ação educativa que recai sobre ela.

        É tarefa dos pais educar a criança desde que nasce para que tenha autodomínio ou controle de sua afetividade, a fim de não comer fora de hora, controlar impulsos agressivos, deixar uma atividade prazerosa para cumprir um encargo, dormir e acordar no horário, manter em ordem seus brinquedos e roupas. Com entusiasmo e paciência devem os pais aproveitar as pequenas circunstâncias familiares para ir desenvolvendo bons hábitos ou virtudes nos filhos.

        Cada idade da criança e do adolescente oferece um período propício para ganhar hábitos ou virtudes que as conduzirão mais facilmente ao desenvolvimento de suas capacidades intelectuais e ao domínio de sua afetividade: as virtudes da ordem, sinceridade e obediência podem ser conquistadas até os sete anos; dos oito aos doze anos pode-se desenvolver a da fortaleza, perseverança, laboriosidade, paciência, responsabilidade, justiça e generosidade. Leia os nossos boletins que tratam das virtudes por idade.

        Giuseppe Zaniello diz que educação é a ação que se propõe fazer da criança um ser moralmente livre e responsável pelos seus atos. A atividade educativa − diferentemente da formativa − se dirige a pessoas muito jovens, que ainda não adquiriram a capacidade de eleição moral livre, porque ainda não ganharam a forma humana que faz unitários os múltiplos conhecimentos, habilidades e competências. Daí, se conclui que os adultos têm o dever de educar as crianças, e estas, de fato, esperam ser educadas por eles.

        Cada pessoa é responsável por dedicar tempo à sua formação, e essa é a sabedoria que dá frutos valiosos e permanentes. Para Zaniello, formação é a ação que busca aperfeiçoar o adulto em algum aspecto de sua vida. A formação é possível quando uma pessoa, à medida que vai sendo livre e responsável pelos seus atos, decide aperfeiçoar-se em aspectos particulares: caráter e temperamento; vida espiritual e doutrinal-religiosa; atividade profissional, cultural e política; arte, esporte etc.

        A demanda da formação só pode partir do adulto interessado e por ele deve ser buscada, não apenas aceitada como sucede na educação da criança.

    5 – Preparar-se bem para melhor educar

        Em conclusão, podemos deduzir que os pais e educadores devem dar especial atenção à própria formação, pois só educa quem tem bom preparo, que deve ser continuamente buscado com sentido profissional. Os pais não precisam ser profissionais da educação, mas devem buscar sua formação com sentido profissional em palestras, cursos, leituras, lives, pois a família é o seu melhor negócio e principal âmbito de realização pessoal. Mulheres e homens que “deram certo” profissionalmente, mas que se sentem frustrados como cônjuges ou como pais, não se sentem felizes ou realizados (há muitos testemunhos sobre isso).

    Texto produzido por Ari Esteves com base nos ensinamentos, entre outros, de Giuseppe Zaniello, Professor of Special Education. Department of Psychological and Pedagogical Sciences at the University of Palermo, Italy; e de Julio Diéguez, professor de Teologia Moral na Pontifícia Universidade da Santa Cruz (Roma).